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O génio da gestão das moscas

por henrique pereira dos santos, em 21.10.16

O Governo resolveu aprovar o Programa Nacional para a Coesão Territorial, confirmando a verdadeira vocação de António Costa: gerir as moscas.

Em síntese, depois da minha estupefacção inicial decorrente da leitura do documento, aqui fica o meu parecer preliminar:

1) O processo é absolutamente lamentável, focado nas instituições do Estado e satélites (associações de desenvolvimento local e afins), esquecendo quase por completo as pessoas e as empresas. Como escreveu Ilídio de Araújo, há muitos anos, o mais relevante de um plano é o que sobraria se no dia da sua apresentação um mafarrico qualquer queimasse todos os seus elementos materiais. Neste caso sobraria coisa nenhuma porque o processo de elaboração limitou-se a repetir a lógica da discussão dos apoios dos quadros comunitários e afins;
2) O conteúdo é absurdo, como não podia deixar de ser partindo de um diagnóstico absurdo: os problemas do mundo rural (ou do interior, como queiram) resultam de políticas públicas mal desenhadas;
3) As medidas são uma lista exaustiva de desejos de cada corporação pendurada no Estado, sem grande interesse para resolver o que interessa: a competitividade dos territórios marginais;
4) Há dois problemas fáceis de enunciar e difíceis de resolver a que o Plano não liga quase nada (e, quando liga, é de forma errada): a) o acesso aos mercados por parte de operadores económicos localizados em territórios com mercados locais diminutos; b) a refundação da competitividade do sector primário que gere o território, que ruiu, e precisa de ser repensado de forma contemporânea, começando por cobrar os serviços de ecossistema que produz, sendo preciso discutir quem os paga, e como;
5) O Plano mantém o erro clássico de achar que é no interior que se resolvem os problemas do interior, afastando da discussão (e da responsabilidade) a parte mais dinâmica da economia e da sociedade, para a qual o interior tem necessariamente de produzir e a quem tem de vender: o litoral e o resto do mundo.
Um programa inútil e enganador que se limita a empacotar as banalidades do costume (e muitas são mera repetições de tretas nunca executadas, como a valorização das áreas protegidas e outras são repescagens de soluções comprovadamente erradas, como a valorização energética da biomassa para dar sustentabilidade à gestão florestal) e que, que eu tivesse visto, nem por uma vez fala de cabras e pastores, o que para mim desqualifica qualquer documento que queira mesmo discutir como podemos gerir os 3 a 4 milhões de hectares a que o país não sabe o que fazer.



13 comentários

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De henrique pereira dos santos a 23.10.2016 às 18:22

Conheço dezenas de casas e outras coisas chumbadas por causa da REN, umas vezes com razão, outras nem tanto, o que não conheço é nenhum caso de alguém que tenha mudado de terra ou de vida por causa disso.
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De Renato a 29.10.2016 às 12:27



Desculpe só agora responder, Henrique, nunca mais me lembrei.
Pois se não deixam a alguém habitar na sua propriedade e não o deixam, e se não tem mais nenhuma propriedade no concelho, o que faz a pessoa? E se não deixam construir uma oficina ou fábrica num local, não tem isso impacto na atividade económica, logo, na vida das pessoas? Se conhece pessoalmente casos, não tem mais do que perguntar.

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