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O fim do centrão ou ingovernabilidade.

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.11.23

As últimas sondagens da Católica apontam para o que já é normal há alguns anos na Europa: a fragmentação do espectro partidário. Maior sofisticação dos votantes? Causas cada vez mais particulares e menos ideológicas? A penalização dos partidos tradicionais hegemónicos (que até têm desaparecido)? Não importam as razões num quesito importante: a governabilidade, cada vez mais difícil.

Em Espanha assistimos ao mais gritante fenómeno de mercantilismo eleitoral que culminou com a compra de uma maioria, pelo PSOE, por bem mais do que um prato de lentilhas, contribuindo para o acelerar da perda de prestígio da democracia. Espanha, neste momento, é apenas uma democracia constitucional para quem tenha muito boa vontade.

Na Holanda, os resultados das eleições ainda aprofundaram as dificuldades já antigas, de conseguir geringonças cada vez mais esdrúxulas. Já não há grande centro e os radicalismos são muito próprios e dificilmente conciliáveis. Entramos no domínio do contra natura por natureza.

Em Portugal, António Costa introduziu o princípio de que o que importa para governar é ter maioria parlamentar, uma lógica absolutamente democrática mas que esbarrava no principio dos partidos do arco da governação antes seguida: sem maiorias claras, competiria ao bloco central formar governo ou viabilizar o governo do outro partido de centro.  Rui Rio e agora um dos candidatos a secretario geral do PS, abriram a porta para voltar a essa prática, que, não obstante não parece ser o sentimento de tempos mais radicais, ou clarificadores, inaugurado em 2015. A mudança, representa um terramoto no panorama Portugues que conduz a uma radicalização ou clarificação da identidade politica que conduz inevitavelmente para o fim do centrão. 

Montenegro, eventualmente por um tacticismo eleitoral, declara só governar se for o partido mais votado. Acrescenta uma complicação absurda (se não for uma mentira assumida) : se o PS for o partido mais votado  mas a “direita” for maioritária? Fará sentido um governo do PS com o apoio do PSD? A tradição recente nega esta solução e seria claramente o suicídio político do PSD.

Um bloco central, nas actuais circunstâncias de maior radicalização, seria provavelmente o fim simultâneo do PS e do PSD enquanto grandes partidos. Nenhuma organização aposta no seu fim.

Maiorias absolutas de um partido são, cada vez mais, anacronismos. Resta a solução de António Costa: o bloco esquerda ou direita que tenha mais votos, independentemente da falta de consistência ideológica que tenham, governa. Restará então perceber se é possível conciliar diferenças em cada um dos blocos, já que nenhum partido quer desaparecer. Correndo bem, a diferença entre esquerda e direita será maior do que nunca, deixaremos de ter o centro, como já acontece desde 2015. Correndo mal, como já aconteceu com a geringonça, teremos maior ingovernabilidade. 


16 comentários

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De balio a 28.11.2023 às 14:35


Espanha, neste momento, é apenas uma democracia constitucional para quem tenha muito boa vontade.


Disparate. Nada de ilegal ou antidemocrático se passou. Há uma maioria parlamentar que sustenta (até ver) um governo. Tudo de acordo com os trâmites democráticos. Tudo de acordo com a constituição espanhola.
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De Jose Miguel Roque Martins a 28.11.2023 às 18:22

 o Balio é um dos que tem boa vontade. 
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De Anónimo a 28.11.2023 às 18:44


O que é preocupante são os textos e mais textos que depois servem para nada. Infelizmente a cultura de muitos não permite detetar isto. Comentam tudo como se fosse importante. Só temos de esperar pelas eleições.
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De anónimo a 28.11.2023 às 18:47


Votar em partidos. Maiorias parlamentares obtidas porque só se pode votar em grupos de sequiosos de poder político, vulgo partidos políticos, dá bons resultados para essas ditas classes, políticas, e agremiações associadas. 
No dia seguinte às eleições, perantes resultados díspares, cozinham-se maiorias impensáveis na véspera. Maiorias aclamadas e juradas como anátema na véspera em caricatas campanhas eleitorais. 
Como era de prever no dia seguinte às sagradas eleições -e sem remissão possível pelo eleitorado- volta tudo ao normal. Amigos como dantes fingem nos hemiciclos, teatralmente, animozidades, misturadas com risotas cúmplices. Afinal um bom emprego na área do poder "vale bem uma missa". 
Democracia representativa ou imbuste constitucional?.
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De s o s a 28.11.2023 às 20:12

é uma analise, e ate um prognostico. 
Numa lógica, fazia todo o sentido que os dois maiores e esmagadores partidos alternassem.  Como sempre aconteceu. Relembro que  quem votava as leis do socrates era o PSD e nao a esquerda (os pec´s e que tais ) .
Mas noutra lógica, a eleiçao de um seria para fazer diferente do outro.  E como sao iguais, e portanto os culpados de tudo e mais alguma coisa,  é uma das razoes senao a maior para a chegada do novo populismo radical de direita. 
Estamos a falar de totobola eleitoral. 
Mas o autor fala em (in)governabilidade. 
Tambem deve ter visto a crise que assola a alemanha, e acho seria util que lhe fizesse referencia. Uma boa açao contra o populismo radical direita. 
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De urinator a 28.11.2023 às 20:39

assim que aparecer o cenário cai o pano desmaiado e os atores vão aliviar as dores. 
espero descarrilamento no fim da linha
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De Anonimo a 28.11.2023 às 22:33

Nos países Baixos (que incrivelmente entraram no saco da Argentina na coisa dos desvios à direita) a única surpresa foi o número de assentos do sr Wilders, o resto é em linha com o normal. As razões são óbvias, nada têm a ver com ideologias e geringonças. Um dos factores é o crescente wokismo, importado com imigrantes ocidentais, num país conservador dos seus costumes e pouco politicamente correcto.
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De Anónimo a 29.11.2023 às 08:49

Por cá, no pós 10 de março, veremos nascer inevitavelmente uma geringonça 2.0 ou uma geringonça gourmet. Sendo que, em qualquer dos casos, implica o sair do armário dos respectivos promotores. Não sendo um espectáculo bonito de se ver, não deixará de ser hilariante, ouvir os pseudo-argumentos de estabilidade e confiança no futuro. 
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De Anónimo a 29.11.2023 às 11:52

Ui, o que aí vem! Geringonças à esquerda, geringonças à direita, comunas a comer crianças ao pequeno almoço, o parvalhão do chega a comer a mesma coisa... Eu sei lá. Vem aí o papão, seja ele qual for. Assim vistas as coisas, lá vai o cantinho dos tugas desvincular-se da Nato, da UE, da Santa Sé, do sol da terra e demais tretas do planeta.
É tudo conversa fiada. Estamos na Nato e na UE, e muito bem, estamos nos agnósticos e na Santa Sé e muito bem. Gostamos disto. Haja saúde e bichas, bibó porto e o benfica. Quem vier atrás que feche a porta. A única coisa que vai mudar é que nada muda para nós. Vamos continuar na merda.
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De Anónimo a 29.11.2023 às 12:20


Haja calma.
Com o aproximar da COP no Dubai aproximamo-nos do banho da propaganda apocaliptica climática, paga.
Uma breve mudança no ciclo noticioso para influenciar os NPC.
E sim, a NATO e a UE transformaram-se em produtos tóxicos que teem delírios megalómanos de fazer guerras e legislar povos e identidades, pôr e dispor, ameaçar, chantagear, censurar - amalgamar e escravizar.

Sou 300% a favor da Europa de Maastricht. E 300% contra a Europa do Tratado de Lisboa.
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De Anónimo a 29.11.2023 às 18:27


A propaganda apocaliptica climática é boa como manobra de diversão e para a "lavagem cerebral". E como há muitos idiotas, resulta mesmo!
Vemos isto em alguns posts onde uns tristes acham que estão a fazer algo de importante pela humanidade ao "construírem uma casa pelo telhado".
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De JOSÉ AUGUSTO PITEIRA a 30.11.2023 às 01:47

Para evitar tudo isto só há uma opção- VOTO OBRIGATÓRIO JÁ
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De leonel a 30.11.2023 às 14:29

Concordo plenamente, só assim é que todos poderiam comentar fosse o que fosse, pois metade da população votante não exerce o direito, não acreditam mas criticam..
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De Migang a 29.11.2023 às 13:08

O problema de Espanha é ter um tribunal de ideologia franquista, que manda para a cadeia políticos que, PACIFICAMENTE, pretendem a independência da Catalunha, não da " Espanha" mas sim de Castela. E os Paulos Rangeis e quejandos, cá do burgo, ainda vão chamar terroristas aos Conjurados, que no dia 1de Dezembro de 1640 mataram o Miguel de Vasconcelos e sequestraram a Duquesa de Mântua. Agora percebo, porque é que o governo do Passos Coelho quis  acabar com o feriado de 1 de Dezembro.
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De Antonio Lopes a 29.11.2023 às 14:38

O Circo vem já aí.
Os figurantes ensaiam as primeiras cenas.
Os Palhaços sobem ao camarim.
O Povo que adora circo ajeita-se nas cadeiras disponíveis.
O Espectáculo está prestes a começar. 
Os imbecis do costume, os idiotas habituais os palermas de sempre.
Viva o Circo.
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De Anónimo a 29.11.2023 às 18:21


O Circo vem já aí! O circo já está cá há muito tempo. Como disse, o povo gosta dele!
E os blogues são bons para vermos os imbecis do costume, os idiotas habituais os palermas de sempre. Também temos circo e mais circo nos blogues. Afinal interessa que o povo seja idiota.

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