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O famoso "diabo" da economia começa a mostrar a cauda

por Maria Teixeira Alves, em 14.11.18

Resultado de imagem para antonio costa no parlamento

Os dados económicos do INE não são animadores. A economia portuguesa cresceu 0,3% no terceiro trimestre, depois dos 0,6% do segundo trimestre. Em termos homólogos, a economia cresceu 2,1%, o ritmo mais lento desde a primeira metade de 2016. Antes (no segundo trimestre) estava a crescer 2,4%. 

Isto é, a economia portuguesa desacelerou para o ritmo mais lento dos últimos dois anos. As exportações e consumo privado, que têm sido o motor do crescimento, abrandaram. Só não foi pior porque houve mais investimento, mas ainda assim não serviu para compensar a queda do consumo das famílias.

Mas António Costa preferiu destacar que Portugal voltou a crescer mais do que a média europeia e do que a zona euro. “Desde que aderimos ao euro, isto nunca tinha acontecido, a não ser o ano passado e está a acontecer este ano”, disse o nosso primeiro-ministro.

Faltou acrescentar que apesar de estar acima da média Portugal registou a quinta taxa de crescimento mais baixa da zona euro. 

A isto acresce outra má notícia para a economia. O PIB da Alemanha contraiu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2015, segundo a estimativa do gabinete de estatística alemão divulgada esta quarta-feira, 14 de Novembro.

Faltou ao Governo falar do que ainda pode estar para vir ao nível da desaceleração da economia europeia.

Portugal arrisca a perder o impulso no turismo. A isto não será alheio o facto de a Câmara Municipal de Lisboa ter introduzido uma moratória que durante um ano vai limitar a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas freguesias. Durante um ano vai ficar proibida a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas zonas históricas, que são as zonas que os turistas preferem.

O imobiliário para investimento pode assim acabar por ficar mais condicionado. E as famílias que usavam as casas para rentabilizar com o Airbnb vão perder esse rendimento extra. Mas em troca não há sinais que o preço do arrendamento em Lisboa vá cair e ajustar-se aos salários baixos dos portugueses - temos um número de trabalhadores a receber salário mínimo como nunca aconteceu, são mais de 700 mil pessoas. Os números são de António Leitão Amaro.

Há casos dramáticos de pessoas de 60 anos que veem os senhorios não renovar os contratos de arrendamento e deixam de conseguir alugar casas em Lisboa e mesmo na área da Grande Lisboa.

 As universidades não têm residências universitárias o que torna infernal a vida a estudantes que veem de fora da capital.

Resultado. A economia vai perder a força sem que os salários dos portugueses tenham chegado sequer a recuperar da crise.

Portugal é um país condenado, inserido numa Europa que perde o comboio da evolução e crescimento (tudo o que é inovação vem dos EUA ou da China).

Portugal é ainda o país onde o problema demográfico tem maior expressão na Europa. Políticas para isso no OE2019? Não há.

É o país que tem o maior problema de dívida do Serviço Nacional de Saúde aos privados (os prazos de pagamento rondam os 270 dias enquanto em Espanha 70 dias é o prazo médio de pagamento das dividas dos hospitais públicos). E não é possível agilizar porque tudo exige a aprovação formal e burocrática do Ministério das Finanças. Tudo exige concursos públicos de seis meses. Há situações em que quando a única pessoa que introduz faturas no sistema, nos hospitais públicos, está de baixa, o serviço pára porque não é possível substituir pessoas sem toda uma complexa burocracia. "Somos todos Centeno", como disse o Ministro da Saúde que acabou substituído.

A descentralização devia começar no SNS (dar autonomia aos hospitais públicos para gerir). Mas o Governo prefere falar da descentralização que passa por promessas ideológicas de transferir o Infarmed para o Porto. 

António Costa é o campeão do "com a verdade me enganas", porque usa números bons para criar uma realidade doirada que na verdade não existe. Mas o que está a despontar é uma espécie de cauda do diabo de que a esquerda tanto fez troça.

(atualizada)

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25 comentários

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De António Maria a 15.11.2018 às 09:20

Parafraseando o artigo do J.M. Fernandes no Observador, "Albarde-se o burro à vontade do dono", eu diria mais "Aldrabe-se o povo à vontade do Costa"
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De Luís Lavoura a 15.11.2018 às 09:49

Há casos dramáticos de pessoas de 60 anos que vêm os senhorias não renovar os contratos e arrendamento e deixam de conseguir alugar casas em Lisboa e mesmo na Grande Lisboa.

O que é que isso tem de dramático? Pessoas de 60 anos já estão reformadas e portanto não precisam de ficar em Lisboa. Podem (e devem) ir procurar casa na província, onde elas são muitíssimo mais baratas.
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De António Maria a 15.11.2018 às 10:32

Portanto, esta Lisboa não é para velhos, é isso?
Devem ir para a província ( o Salazar adorava este termo) onde não há hospitais, bancos, tribunais, e pouco actividade cultural , é isso?
E os netos que eles tomam conta para os pais irem trabalhar, também vão?
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De Luís Lavoura a 15.11.2018 às 11:16

Exatamente, as cidades não são para velhos. São para quem trabalha.
Na província há hospitais, bancos e tribunais. Hoje em dia há.
Os idosos que quiserem ficar a viver na cidade para tomarem conta dos netos e poderem frequentar atividades culturais, podem ficar se tiverem dinheiro para pagar as elevadas rendas pedidas pelos senhorios. Se não tiverem dinheiro, então, que prescindam desses luxos!
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De António Maria a 15.11.2018 às 13:35

Na província ninguém trabalha, é só reformados. 
Porreiro pá. 
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De Luís Lavoura a 16.11.2018 às 10:10

Errado. Na província trabalha-se, e muito.
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De Fernando Antolin a 15.11.2018 às 20:50

O Luis é mesmo assim, duma falta de senso proverbial, para ser simpático na adjectivação, ou é só para tentar ser irónico ? ( No que, aliás, falha redondamente)
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De Luís Lavoura a 16.11.2018 às 10:14

Não estou a ser irónico. Um apartamento em Lisboa tem uma renda de 600 euros. Uma casa (não é um apartamento, é uma casa completa) numa aldeia qualquer custa 250 euros. Em face disso, faz todo o sentido que uma pessoa que já não precisa de viver na cidade, porque já não trabalha, vá viver para a aldeia. Da qual, ao fim e ao cabo, veio quando era jovem, e na qual conta ir ser enterrada depois de morta.
Anda tanta gente a falar de revitalização do interior, pois bem, esta seria uma forma de o revitalizar.
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De Fernando Antolin a 17.11.2018 às 16:19


Caro Luis, julgo que lhe levo uns anos de avanço e, acredite, não me sinto obrigado a ir viver para a província, donde vim, até porque já lá não tenho qualquer raíz. Casas a 250€ por mês ? Só se for na sua aldeia, para onde, se Deus me der vida e saúde, espero ver o Luis ir viver e anunciá-lo publicamente.



(vivo em casa própria, não corro o risco de ser despejado por um qualquer senhorio mais ganancioso)


E deve ser pelas excelentes infraestruturas que existem no interior, no campo da saúde, educação, serviços, etc etc etc, que o mesmo se vai despovoando. Luis, tenha tento.
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De Luís Lavoura a 19.11.2018 às 09:22

Se o Fernando Antolin possui uma casa em Lisboa e quer viver nela até à morte, está à vontade. É a sua casa, faz com ela o que quiser.
Outra coisa são pessoas que moram em casas arrendadas. Essas não devem ter o direito de exigir ao senhorio que as deixe viver nelas até à morte.
E é a essas que me refiro. Acho que o Estado deve criar estruturas de apoio que as ajudem a encontrar uma casa na província e a mudarem-se para lá. O Estado deve apoiá-las e estimulá-las ativamente a mudarem-se para a província, com o fim de que as casas em Lisboa fiquem disponíveis para quem tiver dinheiro para as pagar.
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De Fernando Antolin a 19.11.2018 às 15:22

Luis, já não sei se é vontade de embirrar ou, desculpe a franqueza, casmurrice, estou a ser bondoso. Só uma dúvida, que a sua engenharia social decerto esclarecerá : então e um lisboeta de 3ª ou 4ª geração, que também os há, aos 60 anos, vivendo em casa alugada e sendo despejado, "emigra" para onde ? O Luis aluga-lhe a sua casa na província, a 250€ por mês ? Oh Luis, tenha dó...
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De Luís Lavoura a 20.11.2018 às 09:20

<i>"emigra" para onde ?</i>

Para onde quiser. Aldeias e vilas neste país onde há casas para alugar baratinhas, não faltam.

Eu não alugo casas na província. Mas tenho uma casa numa aldeia da Beira Litoral (não é sequer "interior", é bem litoral, numa zona de abundante indústria, população e comércio) e conheço a região, e sei que nela é fácil arranjar casas para alugar por 250 euros ou similar.

Ainda este sábado falei com uma pessoa que me disse que alugou em Vouzela (assim sim, já é "interior") uma casa para alojar quatro jovens por 280 euros mensais.
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De Anónimo a 19.11.2018 às 13:42

"...uma pessoa que já não precisa de viver na cidade, porque já não trabalha...,"



Luís Lavoura, eu juro que ainda não descobri se está a tentar fazer comédia. A sério. Eu acho que toda a gente aqui tem a mesma dúvida. Pode responder-me só duas ou três coisas, na eventualidade remota de não estar a brincar? Acha que as aldeias são uma espécie de retiro de reformados, onde não se trabalha? E, a ser esse o caso, vamos imaginar que de um concelho do interior, ao longo de cem ou duzentos anos foram saindo milhares de pessoas para Lisboa. Esses que saíram, mailos os filhos e netos e bisnetos já entretanto reformados, voltavam para lá. Já não havia casas para todos, não é? Quotizavam-se para fazer um grande centro de acolhimento de reformados? Eu só estou a tentar perceber a operacionalização dessa sua proposta revolucionária.
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De Luís Lavoura a 20.11.2018 às 09:23

<i>as aldeias são uma espécie de retiro de reformados, onde não se trabalha?</i>

Já disse noutro comentário que nas aldeias se trabalha, e muito. Mas também podem servir como retiro de reformados.

<i>
não havia casas para todos, não é?</i>

Havia. O que mais há por essas aldeias fora é casas vazias.
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De Anónimo a 20.11.2018 às 10:19

hmmm.. então, se não tivessem lugar nas suas aldeias de origem, os reformados seriam distribuídos por outras aldeias, não é? Note que eu apenas estou a tentar perceber como se operacionaliza isto.
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De Luís Lavoura a 20.11.2018 às 11:22

Exatamente. Todas as pessoas podem ir viver onde quiserem.
A operacionalização é assim: o Estado, apoiando-se em diversas agências de promoção imobiliária, divulga através de assistentes sociais junto de idosos a existência de povoações concretas em que há casas para alugar concretas a preços bastante em conta. Faz saber as idosos que nessas povoações há serviços diversos - mercearias, centros de saúde, etc. O Estado apoia também, nos primeiros tempos, os idosos a reinstalarem-se, fornecendo-lhes informação, acesso a serviços, o que seja.
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De Anónimo a 20.11.2018 às 10:39

O Luís Lavoura ainda não entendeu que é idiota fazer planos sobre onde é que os outros devem viver ou deixar de viver. Cabe a cada um essa opção, de acordo com as suas possibilidades. Há reformados que podem viver na cidade e outros que não podem, assim como há gente nova que tem dinheiro para viver na cidade e outros que não têm. Quanto a trabalhar, tanto se trabalha na cidade, como nas aldeias. Ponto. Essa espécie de engenharia social que propõe é das coisas mais objetivamente idiotas que já li.

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De Luís Lavoura a 20.11.2018 às 11:17

Eu estou plenamente de acordo em que cabe a cada um a opção de onde quer viver. Não pretendo impôr nada a ninguém. Não proponho nenhuma engenharia social. Engenharia social foi aquilo que o governo anterior fez, ao garantir aos idosos (com mais de 65 anos) que eles tinham direito a ficar nas casas que arrendaram até à morte. Isso é que foi engenharia social - roubar as casas a quem elas pertencem. É contra isso que me revolto. Os idosos devem poder ser despejados, precisamente porque não há razão nenhuma para que tenham que habitar no sítio onde habitam.

A única coisa que proponho é que o Estado apoie e facilite a transição dos idosos das metrópoles para vilas e aldeias. Não proponho que o Estado obrigue ninguém a mudar. Mas proponho que o Estado deixe de proteger especialmente uma habitação na cidade aos idosos.
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De Maria Teixeira Alves a 15.11.2018 às 12:42

Pensava que a reforma era aos 65 anos
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De Luís Lavoura a 19.11.2018 às 10:23

E eu pensava que a Maria Teixeira Alves era adepta daquele primeiro-ministro que sugeriu que os portugueses não fossem "piegas" e que em vez disso saíssem "da sua zona de conforto".
Pelos vistos essa conversa do primeiro-ministro não deve abranger, para a Maria Teixeira Alves, os idosos de 60 anos. Esses têm o direito à sua zona de conforto no centro de Lisboa e a serem piegas por ela.
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De Anónimo a 15.11.2018 às 09:51

vendedores de banha da cobra
«-não estou aqui para enganar ninguém!»


Goês do meu tempo de Coimbra (1950)
«-monhé é quem vende gato por lebre»


não se espera mais da etar do largo dos ratos
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De Luís Lavoura a 15.11.2018 às 09:52

As universidades não têm residências universitárias o que torna infernal a vida a estudantes que vêem de fora da capital.

Mais uma razão para apoiar a iniciativa do atual governo de diminuir os numeri clausi nas universidades de Lisboa e Porto.
Em qualquer país bem organizado as grandes universidades situam-se em centros urbanos de pequena ou média dimensão, não nas grandes metrópoles.
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De Luís Lavoura a 15.11.2018 às 09:55

está a despontar é uma espécie de cauda do diabo de que a esquerda tanto fez troça

Este diabo, centrado na perda de força da economia europeia, não tem absolutamente nada a ver com o diabo de que Passos Coelho falava, que era medidas erradas da parte do governo português.
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De Maria Teixeira Alves a 15.11.2018 às 12:44

Ah! Ah! Ah! Pois é precisamente o que se está a passar, medidas erradas só se revelam nas más conjunturas. Esse era o diabo de Passos.
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De pitó a 15.11.2018 às 14:51

Após tanta javardice louisiana, não vale a pena usar letras.

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