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O excelente e subtil trabalho da imprensa

por henrique pereira dos santos, em 27.01.17

Um tipo qualquer diz: "“A comunicação social deveria estar envergonhada, humilhada. E ficar de boca calada. Deveria ficar só a ouvir durante algum tempo”.

Um jornal qualquer titula: Fulano de tal "pede à comunicação social para “ficar de boca calada”.

Devo dizer que tenho gostado imenso de ver a imensa subtileza de grande parte da imprensa procurando demonstrar na prática aquilo de que é acusada, ao mesmo tempo que finge criticar os seus críticos.

O resultado calculo que seja o pretendido, levando os seus leitores a concordar com a conclusão geral "Aqui, a comunicação social é o partido da oposição. Ela não compreende este país". Sobretudo este "Ela não compreende este país", que a grande maioria das pessoas reconhece perfeitamente como verdade.

Tudo isto seria apenas muito divertido se não houvesse um pequeno problema: uma imprensa livre, que resiste à manipulação cumprindo rigorosamente as regras da profissão, é muito mais importante para a democracia que qualquer governante.

Uma imprensa da treta, que cita fontes anónimas (não é o caso nesta peça, mas exemplos não faltam), que deturpa o que é dito para encaixar nos preconceitos dos jornalistas (seguramente o caso), que passa o tempo a procurar demonstrar a maior legitimidade democrática da rua e da democracia directa, em detrimento do voto e da democracia representativa, é muito mais preocupante que um reaccionário nostálgico de um mundo que acabou, por muito poder que temporariamente tenha.

Os defeitos da democracia liberal, as constantes referências à corrupção e à casta que domina o sistema, a identificação de grupos sociais responsáveis pelos problemas da maioria, são tudo temas velhos e revelhos na imprensa, em especial em épocas de maré vaza (os bancos e os banqueiros são um must nestas épocas, usados por todos os demagogos em todas as épocas, sejam eles Filipe o Belo ou Francisco Louçã, bovinamente ampliados por uma imprensa ressentida, preguiçosa e, muitas vezes, simplesmente ignorante).

Alimentem o medo e o desespero, deslegitimem moralmente a importância do formalismo das regras democráticas e a necessidade de aceitar os seus resultados, quaisquer que sejam, prestem vassalagem a ideias românticas cheias de boas intenções sem discutir a sua aplicação prática e tratem com benevolência quem defende ideias totalitárias com argumentos de Miss Mundo.

Depois não se queixem dos outros.

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4 comentários

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De Pedro a 27.01.2017 às 09:41

"Alimentem o medo e o desespero".
"as constantes referências à corrupção e à casta que domina o sistema"

E quem é que tem feito isso, com constantes invocações da bancarrota e da falência do sistema a que conduz a "geringonça" e a esquerdalhada em geral, da casta que domina o sistema politico e da comunicação social, da degradação de costumes, do povo que não abre os olhos, que quer é festa e consumo desregrado? Não é a direita que tem sempre dito que temos de ter medo, que este um sistema corrupto que alimenta uma casta de chupistas do estado, alimentados por uma imprensa cúmplice, que nos vai conduzir à bancarrota? Pois é... 

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De slade a 27.01.2017 às 11:56

Não faça isso, não use o indefensável para o defender o que merece ser defendido... Não perca o norte, não vale a pena. Mesmo que tivesse sido como o descreveu, era não só grave como concordante.
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De Fernando S a 27.01.2017 às 13:03

Não dei uma volta pelos titulos dos jornais e pelas peças dos telejornais e das radios mas não me admiraria se aparecesse algo do género : "Colaborador de Trump ameaça censura à comunicação social" ! 
Entretanto vão continuar e aumentar em potência as manifestações organizadas pelas vozes ruidosas e irreverentes do "politicamente correcto" em protesto por Trump ... não estar calado !....  
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De Murphy a 27.01.2017 às 20:03

Excelente...
Por isto mesmo, em tempos, senti-me impelido a criar um blog "Com Jornalismo assim, quem precisa de Censura"?


Cumprimentos

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