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Durante anos, os alunos sem aulas foram, e bem, matéria de debate político.
O actual ministro, Fernando Alexandre (declaração de interesses, conheço-o electronicamente, gosto bastante dele independentemente da inversa não ser necessariamente verdadeira, e tenho-o como pessoa competente e muito séria) fez desse assunto uma questão política central, e tomou um conjunto de medidas para resolver o problema, tomando como indicador de gestão a informação oficial.
Quando anunciou uma vitória política que ninguém acreditava ser possível, levantou-se o problema da fiabilidade dos números usados (é uma técnica muito usada pelos sindicatos e outros satélites do PC, partido com uma longuíssima tradição de torturar os números até que digam o que o partido quer).
Fernando Alexandre, que talvez tivesse desvalorizado alguns avisos anteriores sobre essa fiabilidade (compreensivelmente, é absurdo que os serviços do ministério da educação, nomeadamente os seus funcionários de topo que contactam com o ministro frequentemente, não tivessem demonstrado que números eram aqueles e o que significavam, mas este absurdo é o padrão da administração pública actual, que sabe que grande parte do seu poder reside na capacidade que os directores gerais consigam criar no controlo da informação que chega aos decisores políticos), mas independentemente disso, não procurou escapatórias, reconheceu que afinal os números não serviam para o que pretendia e mandou fazer uma auditoria externa.
Os resultados da auditoria são os que seriam de esperar por quem conheça bem o estado deplorável da administração pública, especialmente na sua capacidade de produzir informação de gestão relevante, que os sistemas de produção de informação existentes eram incapazes de produzir a informação pretendida.
O normal seria toda a gente bater palmas ao ministro que procurou apresentar resultados baseados em evidências, que no processo descobriu que a administração é incapaz de produzir informação relevante para a gestão de problemas relevantes e que, por isso, ao contrário de todos os outros que andaram a discutir o problema durante anos, mandou reformular os sistemas de produção de informação, de acordo com práticas de gestão sólidas.
Mas o normal não é o habitual, forçosamente, e o que aconteceu foi o habitual: o jornalismo caiu em cima do ministro por não ter informação relevante.
Os outros ministros andaram a gerir o problema sem essa informação, os jornalistas fazem, há anos, o triste papel de alimentar discussões com base em números que não servem para essas discussões, e quem leva na cabeça é o ministro que desencadeou mecanismos consistentes para resolver o problema de base da informação de gestão de que necessita (ele, todos os ministros depois dele e todos os gestores que continuam a gerir com base em informação que não serve para o que se pretende).
Claro que há nisto um lado cómico (não é, humoristas?), mas não deixa de ser deprimente.
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