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O estranho caso de Miguel Santos Carrapatoso

por henrique pereira dos santos, em 06.11.25

Miguel Santos Carrapatoso define-se profissionalmente assim: "Poveiro por direito e convicção, jornalista de Política desde 2013. O percurso conta-se assim: Diário de Notícias, Observador, Expresso e novamente Observador, casa para onde regressei desta vez como editor-adjunto de Política".

É portanto um jornalista que anda na política há mais de dez anos.

Não faço a menor ideia se é um bom ou mau jornalista, admito que seja bom quando faz jornalismo, o que me interessa, para este post, é a sua estranha pulsão que o leva a escrever textos de opinião mascarados de jornalismo, violando regras básicas do jornalismo sobre o uso de fontes anónimas.

Escusam de vir com a conversa de que de jornalismo percebem os jornalistas, o jornalismo é uma coisa demasiado importante para ser deixada aos jornalistas.

Em qualquer caso, desde as respostas da inteligência artificial, até aos artigos genéricos em coisas como a wikipedia, passando pelos livros de estilo de orgãos de imprensa ou organizações ligadas ao jornalismo, há uma unanimidade total quanto à cautela no uso de fontes anónimas, pelas imensas questões éticas que levanta, desde logo a motivação da fonte e as razões pelas quais requer o anonimato, questões que são largamente potenciadas no jornalismo político, em que o interesse das fontes manipularem os jornalistas para obter ganhos políticos, sem correr riscos políticos associados à sua identificação, é estratosférico.

Acresce, no caso do Observador, que não só é frequentíssima a publicação de textos especulativos de Miguel Santos Carrapatoso, sistematicamente baseados em fontes anónimas (como se especular sobre os interesses políticos de Passos Coelho ou Montenegro fosse jornalismo de investigação que obrigasse à protecção das fontes para não acabarem no dia seguinte com um tiro na nuca), como é igualmente frequente o protesto dos leitores com esta opção.

Aparentemente, o Observador acha que ser independente é também ser independente dos seus leitores, portanto abstem-se de ter uma política editorial que limite a publicação de textos de jornalismo político (ou de opinião, vamos esquecer as discordâncias sobre a classificação destes textos) com base no anonimato das fontes, apesar dos protestos dos leitores.

Eu percebo a dificuldade, adoptar uma política estrita, eticamente exigente, de uso de fontes anónimas, implica o risco de publicar muito menos, intervir muito menos no espaço político e obrigar os jornalistas a ser muito mais cautelosos na procura de factos verificáveis em que possam basear o seu trabalho.

Só que isso é a vida, se querem ser um tasco que serve almoços a cinco euros, os processos de produção são uns, os ordenados pagos estão em linha com esse objectivo e os ganhos para o dono do tasco são o que são, se querem subir na cadeia de valor, acrescentar qualidade e rigor e pagar convenientemente aos trabalhadores, naturalmente é preciso ser mais exigente consigo próprio e ter cozinheiros de elevado nível.

Caberá depois a cada um de nós decidir se prefere almoçar no tasco, num sítio decente, ou passar pelo supermercado, o que sei é que tascos não faltam por aí.


16 comentários

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De cela.e.sela a 06.11.2025 às 11:18

no jornalismo há avençados de vários quadrantes de esquerda e direita. sempre as mesmas caras.
« “Quem se curva diante dos opressores mostra o traseiro para os oprimidos”. ― Millôr Fernandes».
para será publicada a lista dos avençados do BES.
o 4º poder não é eleito nem escrutinado. ainda falam nas grávidas imigrantes. um filho nascido em Portugal dá muito jeito.



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De Anonimo a 06.11.2025 às 11:34

Coberto de razão, como habitual
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De Anónimo a 06.11.2025 às 11:59

"Tascos não faltam por aí".


Evidente e demonstrável.


Nas esquinas, nos becos, Partidos e Poder Local, no Terreiro do Paço e mais acima, que é onde fica o grande Tasco, o Tasco dos Tasco.


A terra dos Tugas meu, é toda é toda ela uma Ganda Tasca. Hic. Hips.


Um Ganda Tintol 


Malta rija. 


Hic 
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De cela.e.sela a 06.11.2025 às 12:03


Guiné Bissau:
«a) População civilizada: Católicos 7 810 Protestantes 185 Ortodoxos 2 Drusos ( 2 ) 85 Maometanos ( 3 ) 93 Hinduístas 1 Outras crenças 31 De religião ignorada 113
b) População não civilizada: Animistas (*) 323 232 Islamizados 181 284 Católicos 4 411 Outras religiões cristãs 43»

Gonçalves, José Júlio — Protestantismo em Africa 1960
enquadramento do caso da grávida que abre telejornais e não só
adaptação: «ontem, por ser domingo, não houve revolução na G-B»
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De Antonio Maria Lamas a 06.11.2025 às 12:16

Julgo saber que o senhor Miguel Carrapatoso é filho do senhor Carrapatoso, acionista de referência do Observador. 
O tradicional nepotismo a portuguesa 
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De henrique pereira dos santos a 06.11.2025 às 14:14

Do pouco que verifiquei, penso que não
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De Antonio Maria Lamas a 06.11.2025 às 16:36

Informação errada que me deram. 
Fica a rectificação. 
Obrigado 
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De Anónimo a 06.11.2025 às 20:17

Porque será que alguns indivíduos habitam a Comunicação Social, ou pelo menos certos órgãos da dita cuja, por anos a fio ?!


Dois exemplos Sousa Tavares e os Avilez 
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De Krasnodemskyi a 07.11.2025 às 18:37

Avillez. Já que escreve baboseiras e em anonimato, pelo menos faça a coisa como deve ser.
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De Anónimo a 08.11.2025 às 11:06

Não é anonimato mas modéstia filho.


Boboseirada a minha ou sua ?


Já agora corrijo; Avillez 
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De VO a 07.11.2025 às 09:31

No princípio, ainda dei o benefício da dúvida e assinei o OBS. Aos poucos foi ficando claro que este era apenas "mais um" no estranho mundo do do jornalismo. Em janeiro 2022, a ronda de entrevistas aos principais candidatos às legislativos ditou a decisão de não mais contribuir para esta falsificação -- as entrevistas estavam até bem feitas, o escrutínio acutilante, a expectativa era enorme enquanto esperava pela vez do António Costa ser entrevistado. Eis a surpresa!!! Trocaram de jornalistas... Já não era Miguel Pinheiro nem uma outra sujeita da qual não me lembro o nome. Em lugar destes, vieram dois bonacheiroes, de segunda linha. A entrevista começou algo assim: "que linda gravata o Sr primeiro ministro tem!!!" -- tornou-se evidente qual seria a atmosfera da ""entrevista"'. O escrutínio foi Zero! As perguntas foram 99% do género: " o que pensa o Sr 1° ministro fazer sobre isto e aquilo?" -- Em resumo: aquele simulacro foi mais um tempo de antena do 1° ministro, em que ele teve tapete vermelho pata aquele enorme jeito (populista) em prometer o céu e a terra para todos. Assim terminou a minha assinatura. 
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De Anonimo a 08.11.2025 às 08:18

Falam mal, falam mal, mas lêem. E se pudessem, participavam.
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De leitor improvável a 07.11.2025 às 11:01

é no que dá ler pasquins 


ainda para mais quando há alternativa. paletes de.


imprensa nacional e internacional, jornais e revistas.


https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/pressreader-201436


e grátis... 


basta ter um cartão da biblioteca municipal


Boas leituras
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De Anónimo a 07.11.2025 às 12:37

"É no que dá ler pasquins"


Está entrada fez-me lembrar "O Pasquim" um jornal brasileiro do contra, ou como se diz agora; alternativo.


Bons tempos em que nem tudo era da cor de burro a fugir 😜.
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De Anónimo a 07.11.2025 às 13:04

Na opinião de A Cavaco Silva, conforme acabo de ler, o Almirante Gouveia e Melo não tem competências, nem qualificações para Governar.


Uma pergunta para Cavaco; quando há borrasca da grossa, calamidades, grandes terramotos ou outros cataclismos, o gênero de coisa que vem tudo abaixo, quem pensa o ilustre que vão buscar ???


Cavacos ? Ora nem pense. 


Vão buscar as Forças Armadas que  passam a ter o comando.


Lembra-se da Pandemia e quando tudo ameaçava descambar ??


Pois alguém se lembrou de como as coisas devem ser, foram buscar o Almirante Gouveia e Melo e de repente tudo entrou nos eixos, e o país parecia um sininho.


Muita gente, fina está bem de ver, pode não gostar. 


Mas as coisas são o que são e quem sabe sabe 😸 .


O resto como diria o Eça;  É paisagem.
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De Anónimo a 08.11.2025 às 19:09

Uma Força Naval sob comando Português libertou um petroleiro atacado por piratas, ao largo da Somália.


Ainda há notícias que são boas notícias.

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