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Miguel Santos Carrapatoso define-se profissionalmente assim: "Poveiro por direito e convicção, jornalista de Política desde 2013. O percurso conta-se assim: Diário de Notícias, Observador, Expresso e novamente Observador, casa para onde regressei desta vez como editor-adjunto de Política".
É portanto um jornalista que anda na política há mais de dez anos.
Não faço a menor ideia se é um bom ou mau jornalista, admito que seja bom quando faz jornalismo, o que me interessa, para este post, é a sua estranha pulsão que o leva a escrever textos de opinião mascarados de jornalismo, violando regras básicas do jornalismo sobre o uso de fontes anónimas.
Escusam de vir com a conversa de que de jornalismo percebem os jornalistas, o jornalismo é uma coisa demasiado importante para ser deixada aos jornalistas.
Em qualquer caso, desde as respostas da inteligência artificial, até aos artigos genéricos em coisas como a wikipedia, passando pelos livros de estilo de orgãos de imprensa ou organizações ligadas ao jornalismo, há uma unanimidade total quanto à cautela no uso de fontes anónimas, pelas imensas questões éticas que levanta, desde logo a motivação da fonte e as razões pelas quais requer o anonimato, questões que são largamente potenciadas no jornalismo político, em que o interesse das fontes manipularem os jornalistas para obter ganhos políticos, sem correr riscos políticos associados à sua identificação, é estratosférico.
Acresce, no caso do Observador, que não só é frequentíssima a publicação de textos especulativos de Miguel Santos Carrapatoso, sistematicamente baseados em fontes anónimas (como se especular sobre os interesses políticos de Passos Coelho ou Montenegro fosse jornalismo de investigação que obrigasse à protecção das fontes para não acabarem no dia seguinte com um tiro na nuca), como é igualmente frequente o protesto dos leitores com esta opção.
Aparentemente, o Observador acha que ser independente é também ser independente dos seus leitores, portanto abstem-se de ter uma política editorial que limite a publicação de textos de jornalismo político (ou de opinião, vamos esquecer as discordâncias sobre a classificação destes textos) com base no anonimato das fontes, apesar dos protestos dos leitores.
Eu percebo a dificuldade, adoptar uma política estrita, eticamente exigente, de uso de fontes anónimas, implica o risco de publicar muito menos, intervir muito menos no espaço político e obrigar os jornalistas a ser muito mais cautelosos na procura de factos verificáveis em que possam basear o seu trabalho.
Só que isso é a vida, se querem ser um tasco que serve almoços a cinco euros, os processos de produção são uns, os ordenados pagos estão em linha com esse objectivo e os ganhos para o dono do tasco são o que são, se querem subir na cadeia de valor, acrescentar qualidade e rigor e pagar convenientemente aos trabalhadores, naturalmente é preciso ser mais exigente consigo próprio e ter cozinheiros de elevado nível.
Caberá depois a cada um de nós decidir se prefere almoçar no tasco, num sítio decente, ou passar pelo supermercado, o que sei é que tascos não faltam por aí.
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Esses que por aqui andam a desconversar(ou a virar...
Não é obrigado a saber, pois parece-me ser você um...
a quem aprecie as ditaduras
A mim o que me provoca nervoso (e nem é miudinho) ...
A chamada Comunicação Social tem uma enorme, enorm...