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O Erasmus do interior e as coisas simples

por henrique pereira dos santos, em 10.09.19

Há já bastantes anos, Jorge Moreira da Silva foi o Secretário de Estado que tutelava as áreas protegidas e resolveu sugerir que se fizesse uma coisa semelhante à que tinham tido os seus filhos em Bruxelas, a semana de neve, a semana de praia e a semana de campo, coisas deste tipo, mas viradas para as áreas protegidas.

Quiseram os astros que eu fosse o dirigente do ICN que tinha esse pelouro, e portanto acabámos a inventar um programa de escola de natureza, cujo objectivo era levar todos os miúdos do oitavo ano a ter uma experiência positiva de contacto com uma área protegida, na altura seriam uns 130 mil.

A ideia era que qualquer professor pudesse levar os meninos para três dias e duas noites para uma área protegida e a explorasse pedagogicamente, fosse o mais óbvio dos professores de estudo do meio, fosse o menos óbvio professor de educação física que levasse os meninos para aulas de surf no Sudoeste Alentejano.

O essecial era que fossem e tivessem um contacto positivo com as áreas protegidas.

Orçamentou-se a coisa (uns 10 milhões anuais, na altura), procuraram-se recursos (as famílias, mas também empresas e outros mecenas, poderiam facilmente pagar metade, assegurando o Estado o pagamento dos meninos da Acção Social) e depois tudo chocou no Ministério da Educação que argumentou que o ensino era gratuito e portanto não se podia fazer um programa pago parcialmente pelas famílias, e não se podia fazer o programa gratuito porque não havia dinheiro.

Desde essa altura que continuo a procurar fazer isto, a escalas mais pequenas, claro, e não tenho dúvida de que um dia isto se fará, permitindo uma transferência de recursos brutal do litoral, onde estão a maioria dos alunos, para o resto do país, onde estão a maioria das áreas protegidas, com 250 mil dormida em época baixa e ao dia de semana e meio milhão de refeições cujo impacto pode ser potenciado com o uso de produtos locais.

Era só isto o que queria dizer, que se deixem de parvoíces como os Erasmus no interior e se concentrem em coisas simples, fáceis de montar e com efeitos reais na vida das pessoas.

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8 comentários

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De Anónimo a 10.09.2019 às 09:43

a Merda dos politicos e dos votantes está no litoral até se afogarem
qualquer citadino confunde um chaparro com uma couve
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De Anónimo a 10.09.2019 às 10:40


O ensino gratuito devia ser liberdade, asas para voar, ao contrário é usado amiúde como espartilho e uma prisão. Não se pode fazer nada porque não se pode cobrar, e não se podendo cobrar não há orçamento para suportar os custos. É um embuste. Já desisti de me envolver na Escola, Escola com E grande propositadamente, porque já me cansei de ouvir sempre a mesma resposta, mesmo depois de ter arranjado formas de financiamento para os projetos que apresentava,


Fico sempre com a sensação que é preferível uma Escola medíocre a cumprir os mínimos que arranjar soluções criativas para projetos inovadores e que resultariam em experiências verdadeiramente enriquecedoras!...
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De marta a 10.09.2019 às 14:38

Não dê ideias... ainda por cima dessas que têm tudo para resultar, e que até fazem bem às crianças. Essa mania de resolver problemas. 


Não será muito complicado encontrar escolas na zona de Lisboa que alinhem num projecto destes, não têm que ir todos para o Gerês ou para a Serra da Estrela. 
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De Anónimo a 10.09.2019 às 14:53

Não será muito complicado encontrar escolas na zona de Lisboa que alinhem num projecto destes

Escolas privadas, claro.
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De Marta a 11.09.2019 às 19:46

Privadas e públicas.
As privadas terão mais meios e mais liberdade para o fazer, mas é perfeitamente razoável imaginar que uma escola pública também o faça: há apoios das câmaras, das freguesias, associações de pais, parcerias com as escolas das zonas de destino... Além disso, não faria mal aos alunos angariarem também fundos para esse projecto de turma. Durante o trimestre anterior a visita podiam saber um pouco mais sobre a região que iam visitar. Com um mínimo de planeamento e vontade, isto faz-se.
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De Anónimo a 10.09.2019 às 14:52

Se o Ministério da Educação (ME) recusou fazer isto com as escolas públicas, então a solução é, obviamente, procurar fazê-lo com as escolas privadas. Será a menor escala, mas será útil na mesma.
De resto, o ME teve razão na sua objeção. O Henrique diz (e bem) que se trataria de uma transferência de dinheiro do litoral para o interior. Só que, o dinheiro a transferir do litoral viria em parte das famílias dos alunos, e muitas dessas famílias não podem, pura e simplesmente, dar-se ao luxo de estar a pagar para que os seus educandos vão viajar ao interior. Logo, tratar-se-ia de um programa educativo discriminatório, que alguns alunos (das famílias mais ricas) fariam mas outros alunos não fariam. O que não pode ser.
Já é mau que as famílias tenham que pagar os manuais escolares, muito pior seria que ademais tivessem que pagar turismo pelas Áreas Protegidas.
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De Tiro ao Alvo a 10.09.2019 às 19:46

Porquê turismo? Ir conhecer uma área protegida nãoé fazer turismo, é frequentar um pequeno curso, é aprender o queé a natureza. Turismo é outra coisa.
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De Anónimo a 11.09.2019 às 10:57

Sr Henrique Pereira dos Santos
Louvo e admiro a sua intenção; mas é preciso ver que espécie de terreno estamos a pisar e qual o futuro que se está a desenhar.
Está bem claro para quem queira ver, que não interessa nada aos governantes internacionalistas que as próximas gerações sejam minimamente cultas, à excepção duns quantos privilegiados das oligarquias, preparados apenas para o poleiro.
Os não privilegiados estão a ser preparadas apenas para serem obedientes e escravos dos interesses obscuros de alguém que manipula os cordelinhos, lá longe.
Já é bem evidente a iliteracia e o alheamento dos que têm menos de 30 anos pois já foram educados por professores bem manipulados para esse fim.
Resumindo: não vale a pena atirar pedras ao charco deste admirável mundo novo. 
Melhor seria drená-lo e saneá-lo. 
Meus cumprimentos
  

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