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O embargo de Cuba

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.07.21

Sempre que o regime Cubano é criticado, a esquerda indigna-se contra o embargo Americano. Desvalorizando completamente , no caso da esquerda radical, a violação de direitos humanos, a falta de democracia e a verdadeira razão para a pobreza que se vive na ilha: uma economia verdadeiramente socialista.

Nenhum destes traços infelizes foram impostos pelos sinistros imperialistas americanos, mas pelo regime Cubano.

É verdade que, sem sair da pobreza extrema, os Cubanos estariam um pouco melhor do que estão hoje, se não existisse embargo. Mas os EUA representam apenas cerca de 25% da economia mundial: é simplesmente ridículo atribuir as culpas da miséria cubana ao embargo. Cuba não foi totalmente privada dos beneficios do comercio internacional. 

A recusa dos EUA, de vender ou comprar a Cuba e impedir o turismo dos seus cidadãos, não é uma violação dos direitos humanos, nem representa uma violação dos direitos de soberania de Cuba. Obrigar os EUA a ter relações comerciais com Cuba, isso sim, seria uma violação dos direitos de soberania. Cuba ser soberana e independente, não inibe que os outros deixem de o ser. Mesmo que sejam os odiosos imperialistas americanos. A evidente inversão de elementares princípios nas relações internacionais, só pode ser vista como mais uma grotesca procura de realidades alternativas, tão comum nas esquerdas radicais. 

Acresce que o regime cubano, fez parte da maior ameaça directa ao território dos EUA, a gorada instalação de misseis por parte da URSS. Será obrigação dos EUA, amenizar a existência de um regime que, justificadamente, considera, não apenas odioso, mas uma possível ameaça?

A resposta não é linear. Não por uma questão de direito ou justiça, mas por questões humanitárias. Mais sofrimento para tantos, que já tanto sofrem, é sempre arrepiante. Particularmente quando penalizados pelo seu regime vigente, que não escolheram, como acontece com os Cubanos. Infelizmente dificuldades extremas podem ser mesmo o único argumento para uma mudança de regime. As ditaduras só caem com oposição. Ditaduras radicais armadas, só caem com revolta generalizada. O argumento do embargo, no limite, assemelha-se a exigir melhores condições de trabalho para ladrões e assassinos, na esperança de favorecer as suas vitimas.

É verdade que a esquerda radical desvaloriza a pobreza extrema, o atropelo de direitos humanos e ditaduras do proletariado, seja lá isso o que for. Pelo menos quando o marxismo ou ideologias afiliadas, seja a bandeira do regime. Por isso não os vemos criticar a China, a Venezuela e a Coreia do Norte. São tudo aspectos irrelevantes em regimes de esquerda.

Já o falhanço económico recorrente de um regime marxista é sempre inconveniente para a narrativa socialista. Resta por isso desviar as atenções. A culpa não é do marxismo. É do capitalismo americano. Subversão da realidade, certamente. Coerente e esperado, infelizmente também.

 

 

PS: Ontem li no DN, que segundo a ONG Luta pela vida, da Venezuela, pelo menos 825 pessoas foram assassinadas em execuções extrajudiciais pelas forças de segurança do Regime Venezuelano nos primeiros 6 meses do ano. Tambem culpa de embargos? 

 

 

 



3 comentários

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De Anónimo a 24.07.2021 às 14:43

La verità, l'aspra verità. 

Georges Jacques Danton

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De lucklucky a 24.07.2021 às 18:42

A pobreza de Cuba Comunista deve-se a não ter negócios com o capitalismo ultra liberal e "grandes grupos económicos" Americanos que exploram sem piedade o proletariado.
Os negócios com o capitalismo ultra liberal e "grandes grupos económicos"  Europeus e Asiáticos que exploram sem piedade o proletariado não são suficientes.
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De Anónimo a 25.07.2021 às 18:54


Exacto. O embargo dos EUA a Cuba é um embargo dos EUA a Cuba.

Cuba tem relações comerciais com centenas de Países, inclusivé Portugal.
Cuba recebe milhões de dólares todos os anos -da sua diáspora- que os donos da bola se encarregam de sonegar.

Por vezes o fanatismo resulta na incapacidade de reconhecer o que realmente se passa por esse mundo fora.

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