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O efeito do Natal

por henrique pereira dos santos, em 06.01.21

A discussão sobre o efeito do Natal na evolução da epidemia é interessante, mas se eu tivesse dois dedos de testa, esperava umas horas pelos dados de hoje, que são os primeiros a dar alguma segurança em relação ao que se está a passar, antes de escrever este post.

Comecemos pelo contexto da coisa, olhando para a mortalidade diária em Portugal, ao longo dos últimos anos.

mort.jpg

2021 é aquele bocadinho preto à esquerda, 2020 é a linha azul que se destaca de vez em quando, nomeadamente ao longo o Outono, no lado direito, e o pico maior que vemos à esquerda é 2017, cujo surto gripal deu origem a um número inusitado de mortes a 2 de Janeiro (que, evidentemente, não podem estar associadas a convívios de fim de ano, sendo duvidoso que possam ser explicadas com convívios no Natal).

O que é claro é que  mortalidade tem uma subida constante a partir de Outubro - em 2020, maior do que o padrão habitual - que culmina em Janeiro e Fevereiro, os meses mais mortíferos que temos. Há picos associados a ondas de calor no Verão, mas não têm o mesmo padrão de continuidade e frequência da mortalidade em Janeiro e Fevereiro.

De maneira geral a mortalidade excessiva desaparece por volta da semana 19 do ano, ali no princípio de Maio (em 2020, na Europa, desapareceu na semana 20), com oscilações temporais e magnitude, de ano para ano.

Peguemos agora na opinião de Carlos Guerreiro, expressa num comentário ao meu post anterior, mas podíamos falar do que disse Carlos Antunes ao Observador, Ricardo Maxia ao Público ou Filipe Froes à TVI - já lá iremos - sempre no sentido de que o Natal foi uma desgraça e agora temos de fechar tudo para conseguir controlar os danos que teriam sido evitados se houvesse medidas restritivas sérias durante o Natal.

"... as pessoas foram aconselhadas a fazer o teste antes de passar o Natal com os familiares e fazer o teste uma semana antes não traz nenhuma segurança, se o teste for negativo só significa que naquele momento não estavam doentes (se não for um falso negativo). Imaginemos que uma pessoa no dia X tem contacto com alguém com Covid-19 e fica infectado, pode apresentar sintomas de doença até ao dia X+14. Imaginemos que só fica com febre no dia X+14, se fizer o teste para RT-PCR para SARS-Cov -2 no dia X+12 será negativo (só começa a ser positivo 2 dias antes do aparecimento dos sintomas). E poderia fazer a vida normal sem risco de contagiar ninguém não fora o caso de não saber quando iria começar a ter sintomas (e ser contagioso 2 dias antes do aparecimento dos sintomas). Por isso em caso de contactos de risco com alguém Covid-19 tem de ficar em isolamento 14 dias."

Comecemos pelo fim: há um bom número de países em que este intervalo de 14 dias foi reduzido, exactamente porque a possibilidade descrita é muito pouco provável. O que este texto revela é uma abordagem clínica clássica - considerar todas as hipóteses possíveis no caso individual que se tem pela frente - em detrimento de uma abordagem epidemiológica, que considera probabilidades em grandes grupos, descartando os fenómenos possíveis, mas de baixa probabilidade. A razão para esta última abordagem é simples: as medidas sociais têm sempre impactos sociais secundários e é preciso acautelar o funcionamento, tão normal quanto possível, da sociedade. Acresce que nunca vi defendidos os testes anteriores ao Natal (não uma semana, mas um ou dois dias antes) como tendo como objectivo garantir uma carta de alforria para comportamentos irresponsáveis, se fossem negativos, mas sim como mais uma precaução adicional: tão perto quanto possível de contactos de risco, assegurar-se de que não se está positivo, circunstância em que se abortariam de todo os contactos, mesmo com todas as precauções.

Luís Aguiar Conraria encontrou uma formulação particularmente elegante para definir a abordagem de muitos problemas e que se aplica às epidemias: é certo que as pessoas não são números, mas é bom ter em atenção que os números são pessoas.

"... o que [o] faz pensar que é a mudança de tempo, existem muitos países em que o efeito da mudança do tempo não se verifica. Esse países em que não se verifica o “efeito do Natal” existe o hábito de festejos em família, o tipo de casas é semelhante ao nosso (e poderia continuar a adicionar variáveis)? Os vírus transmitem-se mais facilmente em ambientes fechados em que estão muitas pessoas, e isso é o que acontece no Natal e fim do ano. Por que motivo existem um pico de afluência às urgências depois do fim do ano? Se a variável fosse o tempo frio, era uma grande coincidência o tempo frio ocorrer sempre com o mesmo timing".

Esta é a parte do comentário mais interessante por ser uma boa demonstração de uma espécie de iliteracia sobre os fenómenos naturais, que na verdade não é deste comentador, é um problema generalizado na sociedade.

Só a existência dessa iliteracia explica a dificuldade em encontrar informação da evolução da epidemia numa base geográfica abaixo do país.

Esta parte do comentário começa com uma observação bastante acertada: pode haver um conjunto enorme de factores a explicar a evolução da epidemia, escolher um - o Natal, o frio, a cultura de distanciamento das pessoas, o bom ou mau arejamento das casas, etc. - é sempre uma escolha arbitrária face à ignorância que temos sobre o que verdadeiramente tem conduzido a evolução da epidemia.

Como já mostrei mapas dos Países Baixos e da Alemanha com variações geográficas de incidência que são analisadas como se se tratasse sempre da mesma curva para a unidade geográfica país, hoje escolho o Reino Unido. Não encontrei o mesmo mapa para a Primavera, por isso vou usar o pico de Novembro e o pico actual, cujo reflexo na curva do país tem sido interpretado como resultante de haver mais ou menos medidas de controlo, no pressuposto, errado, de que estamos a ver a mesma curva e não a soma de duas curvas geograficamente distintas que por acaso ocorrem no mesmo país.

UK nov.jpg

UK dec.jpg

Se usasse a semana anterior a esta (a do Natal), a diferença seria mais evidente porque não aparecem a Irlanda do Norte e Norte de Inglaterra/ Sul da Escócia nas cores mais carregadas (pode verificar-se aqui, semana a semana).

Mas o que mais indicia a iliteracia sobre o mundo natural no comentário que venho usando, é mesmo esta frase: "Por que motivo existem um pico de afluência às urgências depois do fim do ano? Se a variável fosse o tempo frio, era uma grande coincidência o tempo frio ocorrer sempre com o mesmo timing".

Independentemente de se fazer notar que esse pico de urgências varia na dimensão de ano para ano (e isso não é explicável por Natais mais ou menos sociais), a verdade é que não há coincidência nenhuma em o tempo ter um padrão climático semelhante na mesma altura do ano, o que está em causa não é a meteorologia, mas o clima, o tal que nos permite esperar mais chuva em Abril, mais frio em Janeiro, mais secura em Agosto e por aí fora.

Claro que pode chover em Agosto, isso é do domínio da meteorologia, mas é razoável esperar tempo de praia em Agosto e geada em Janeiro, independentemente de não sabermos se não vai estar calor daqui a uma semana (não é provável, já agora, isso costuma acontecer mais pelo São Martinho).

O que tem acontecido com esta epidemia é que há um monte de matemáticos e médicos de clínica que resolveram interpretar a evolução dos surtos desta doença com base numa unidade geográfica errada - o país - e fazem sofisticadas análises matemáticas da curva que ocorre nessa unidade geográfica, como se ela tivesse algum sentido real, o que manifestamente é tanto mais errado, quanto maior e mais diverso é o país.

Até aqui, não é grave, o grave é quando com base numa série de silogismos lógicos - Froes dizia ontem na TVI que existe alguma probabilidade da nova estirpe se propagar mais em pessoas mais novas, logo maior afectação de grupos mais jovens significa maior contágio na sociedade, logo maior contágio na sociedade significa maior contágio nos mais vulneráveis, logo maior contágio nos mais vulneráveis significa mais casos graves, logo mais casos graves significa mais internamentos, logo significa mais cuidados intensivos, logo maior pressão sobre os serviços de saúde, logo é provável que tenhamos que reavaliar o ensino presencial para que os mais novos não infectem os avós - se influenciam decisões sociais brutais, como o fecho do ensino presencial, já defendido por várias pessoas e adoptados pelos políticos mais fragilizados de alguns países.

Que nenhum jornalista pergunte a Froes por que razão se acha no direito de, com essa fundamentação infantil, propor medidas que afectam os mais pobres e frágeis da sociedade, como os filhos das auxiliares de limpeza do hospital onde trabalha, mesmo que tenham os avós em Cabo Verde, é para mim um mistério.

Daqui a meia dúzia de horas teremos uma ideia mais clara de como está a evoluir a epidemia em Portugal, ao termos um termo de comparação entre os dados desta quarta-feira e da anterior.

Estou convencido de que há com certeza um crescimento razoável da epidemia, neste momento, que resulta da descida da área mais afectada, de Norte para Sul, que se conjuga com os efeitos nas doenças infecciosas pulmonares do frio (em rigor, do tempo, não faço ideia se é o frio, se é a combinação de frio, sol, humidade atmosférica e etc., que influencia a actividade viral e o comportamento das pessoas, o que sei é que nestas condições sinópticas, é habitual as urgências ficarem cheias de gente aflita com infecções pulmonares) que se faz sentir desde os dias 24 e 25 de Dezembro, ou doutro factor qualquer que desconheço.

E, provavelmente, também do contágio no Natal.

Qual é o peso de cada um dos factores na evolução da doença, e como lidar com eles é que não sei, o que sei é que as medidas de fecho coercivo da actividade nas sociedades, procurando limitar ao máximo os contactos sociais, não demonstram, até agora, ter um efeito tão relevante na evolução da epidemia que compensem os efeitos devastadores noutros parâmetros que não os da estrita contenção da epidemia.

Se dúvidas houvesse, a nossa - não é de Portugal, é mais ou menos em todo o mundo - incapacidade para proteger os lares da entrada de infecções, parece-me mais que suficiente como demonstração de que somos capazes de muito menos do que pensamos no controlo de infecções em geral e, por maioria de razão, da epidemia.

Pretender que as mesmas sociedades que são incapazes de criar barreiras eficazes entre a generalidade da sociedade e grupos vulneráveis, concentrados e claramente identificados, o conseguem fazer no conjunto da sociedade, parece-me pura estupidez.

Estou aberto a ser convencido de que a estupidez é minha, e não de outros.



22 comentários

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De Anónimo a 06.01.2021 às 11:30


O interessante é aquele gráfico da mortalidade geral em Portugal durante 2020. Verificam-se nele quatro excessos.
(1) Há um grande excesso em julho, claramente relacionado com a onda de calor.
(2) Outro excesso menor é em setembro, também relacionado com uma onda de calor.
(3) Há um excesso não muito grande em abril, devido à primeira vaga da epidemia.
(4) Há um excesso grande e prolongado em novembro e dezembro, devido à segunda vaga da epidemia, que claramente é bastante significativa.
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De balio a 06.01.2021 às 11:44


Eu diria que o Natal vai de facto ter um grande efeito, a observar durante as próximas duas semanas.
(1) Nos casos de covid, vai haver um grande incremento, não devido ao Natal, mas sim devido à nova variante do vírus que veio de Inglaterra e que se está a disseminar a grande velocidade.
(2) Na mortalidade, vai haver um grande incremento, não devido ao Natal mas sim devido à vaga de frio que está a assolar o país e que vai prosseguir durante mais dez dias pelo menos, o que irá matar bué de gente.
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De zazie a 06.01.2021 às 16:55

A única iliteracia que detecto na frase é a conjugação do verbo com o sujeito.


Por que motivo existe. E não por que motivo existem.
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De henrique pereira dos santos a 06.01.2021 às 18:06

Há diferenças entre iliteracias e lapsos
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De zazie a 06.01.2021 às 22:34

Nesse caso, que se defenda o acusado. Não precisa de procuração.
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De Elvimonte a 06.01.2021 às 17:27

De relance, apenas a olhar para gráficos de mortalidade diária, tenho que admitir que o Natal teve lugar várias vezes.


No RU o Natal terá começado em Outubro, registando-se picos de mortalidade semanais ao longo de Novembro e Dezembro. Os últimos dois picos ocorreram a 31 de Dezembro e a 5 de Janeiro, pelo que, considerando um atraso de 20 dias entre os contágios e os óbitos, os últimos dois natais terão tido lugar a 10 e 15 de Dezembro e terão sido efusivamente comemorados, a avaliar pela tendência crescente de óbitos.


Em França o padrão é semelhante mas, como o número de óbitos diários apresenta tendência decrescente, devem ter ficado fartos de comemorar tantos natais.


Em Itália passa-se algo de semelhante, com dois picos de mortalidade a 7 e 13 de Novembro, o que leva a crer que as maiores festividades natalícias terão ocorrido ainda em Outubro, cerca de 20 dias antes dos referidos picos. De então para cá, tal como em França, as comemorações semanais terão sido mais modestas, dada a tendência decrescente de óbitos apenas violada a 31 de Dezembro.


Em Portugal as festividades terão também começado em Outubro, com picos de mortalidade diária acima de 75 óbitos a estenderem-se por Novembro e Dezembro num padrão aproximadamente semanal. As maiores festividades terão acontecido 20 dias antes de 13 de Novembro, de modo semelhante a Itália, dia que culminou com um máximo absoluto de 98 óbitos alegadamente em consequência da COVID-19 e 384 óbitos no total. A propósito, hoje já se registaram 315 óbitos, 48 dos quais em pessoas menores de 70 anos.


E é esta a resenha possível dos efeitos natalícios, numa lógica guerreira, esperando-se que a "prometida e tão esperada 3ª vaga" relativa ao Carnaval comece a mostrar-se ainda durante este mês, habitualmente dos mais mortíferos. Consultada a minha bola matemática de cristal, posso desde já garantir que é desta que vamos morrer todos, mais cedo ou mais tarde. 


Legítimo será concluir que Natal é quando um homem quiser.


PS - Por falar em urgências: a COVID-19 reduziu substancialmente a afluência aos serviços de urgência http://prntscr.com/whnmhx; os maiores picos anuais registam-se habitualmente a 26-27 de Dezembro e, numa base semanal, às 2ªs, 3ªs e 4ªs.


PPS - Interessante verificar a redução de gripes e outras infecções respiratórias em consequência da COVID-19 (ou dos testes?) http://prntscr.com/whnsjl
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De Iletrado a 06.01.2021 às 18:34

Caro HPS
Vamos aceitar como bom o argumento fraudulento de que estamos perante uma nova e terrível doença, a qual, se não fôr devidamente travada a tempo, fará com que um dia destes acordemos todos mortos. Nesse pressuposto, foram e continuam sendo impostos estados de emergência ilegítimos, com medidas patéticas, com efeitos reais e nefastos na economia, na vida e na saúde das pessoas.
Face a isto, uma parte considerável dos agentes económicos (refiro-me àqueles que não dependem da teta do estado) pedem ajuda do governo para subsidiar os seus negócios, porque esta epidemia "está a dar cabo disto tudo". Ora, este tipo de atitude é errado. O que os agentes económicos referidos devem fazer, unilateralmente, é deixar de pagar impostos desde o primeiro dia de "emergência" até ao último dia de "emergência". E quando refiro "deixar de pagar impostos" é no sentido literal, não quero com isto sugerir um adiamento dos ditos impostos. Uma interrupção completa nos pagamentos durante o tempo em que a "doença" fosse o motor da crise. O pagamento de impostos só seria retomado quando a situação voltasse ao normal.
Se os ditos agentes económicos tivessem a coragem de fazer isto, todos por um, desconfio que estas conversas da treta das epidemias, pandemias e outras cortesias terminavam misteriosamente depressa...
Boas pedaladas.
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De Anónimo a 07.01.2021 às 11:58

amanhã é que os dados serão bons! não perca a esperança! a realidade vai ajustar-se às suas crenças não tarda nada.
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De henrique pereira dos santos a 07.01.2021 às 12:43

Qual crença, a que escrevi no post?
"Estou convencido de que há com certeza um crescimento razoável da epidemia, neste momento"
É que parece que está a confundir crenças com a formulação de hipóteses.
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De zazie a 07.01.2021 às 16:08

Não, não são as palavras escolhidas que escreveu neste. Foi o que escreveu antes- neste: https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/ciencia-dizem-eles-7179927


Mas, já passou, já passou. Foi mais um para o limbo e toca a recomeçar tudo de novo.


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De henrique pereira dos santos a 07.01.2021 às 16:27

Fui ler com atenção esse post, porque não tinha ideia de ter feito nenhuma previsão.
Não fiz, de facto, a frase que mais perto disso estaria é esta: "Os dois dias entretanto decorridos parecem confirmar que a subida de casos a partir do Natal pode existir, mas nada permite supor que terá a dimensão prevista por estes especialistas."
Não é uma previsão, é a afirmação de que no momento em que escrevia, nada fazia supor que a previsão das pessoas citadas se iria verificar nos primeiros dias de Janeiro.
De facto, decorridos sete dias de Janeiro (não sei bem a definição de primeiros dias de Janeiro, mas a primeira semana parece-me razoável), a média a sete dias está entre os seis mil e cem e os seis mil e duzentos, ou seja, ainda um bocado longe dos oito mil de média previstos pelos senhores em causa.
Pode chegar-se aos oito mil de média? Claro que sim, e até pode ser bastante rápido, mas também pode acontecer que não, o certo é que na altura da previsão não havia razão nenhuma para falar de valores dessa ordem de grandeza.
Devo dizer que os valores de hoje me surpreendem, esperaria que fossem mais altos, não consigo entender como são da mesma ordem de grandeza dos de ontem, mas valores isolados não servem para grande coisa, vamos esperar pelos próximos dias e ver o que acontece.
Certo, certo, é que eu não fiz previsão nenhuma e, consequentemente, não posse ter acertado nem falhado.
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De zazie a 07.01.2021 às 18:17

Não. O HPS pode agarrar-se às micro letras e desviar para aí mas, o que conseguiu fazer nesse post foi deturpar o que os outros mainstream (e sim, até concordo que já chateia terem arranjado uns melros e serem sempre os mesmos a falarem de prognósticos estatísticos sem nada disso perceberem) a dizerem, que se ia chegar aos 10 mil casos ainda antes de Janeiro.
Ora eu tinha lido o artigo no jornal e li que eles apontaram a previsão desses 10 mil e até mais a partir de Janeiro e não como o HPS escreveu e lá arranjou umas coisas para negar e mostrar muito menos ainda em Dezembro.


Segue que eu nem tinha lido esse seu escrito aqui, porque raramente venho cá e praticamente também deixei de ler o que até já consigo prever melhor que o HPS- consigo prever o que vai dizer a seguir.
Mas li no Portadaloja que é outra coisa que muito admiro e respeito e quase tive uma pequena diatribe por ele ter sido crédulo em relação ao que o HPS escreve e àquilo que até parece para quem não perde tempo a apanhar o seguimento e os comentários que é a sua capacidade de "dar o braço a torcer".


Não dá. Passa a frente, agarra-se a detalhes e consegue sempre ter quem ache o máximo.


Desta vez fica a engraçada afirmação acerca dos 2 dedos de testa e a sua temeridade de tanta fezada com que estava que nem esperou pelos números. E foram mesmo mais de 10 mil


Claro que se não se voltar atrás onde considerou esses 10 mil mais um alarmismo social, na maior, o que escreve tem também aquela arte de poder ser tudo e o seu contrário.
Mas serve para quem já está um tanto farto de se fazer passar isto por estatística ou Ciência, ou coragem ou lá o que lhe queira chamar.
Para mim é teimosia e tem por trás a sua genuína fezada em considerar o Covid algo como um animal vivo, sujeito a um ciclo de vida, e cujo combate é igual ao do fogo- nada a fazer, é deixar arder porque o que tem de arder, vai arder sempre e não é travado. 
O ateu do Lavoura já está nessa. É engraçado como até a MJM também ateia já voltou aos olhos revirados e ao extase maoista do destino. Tendo o cuidado de se lembrar da crise do ginásio vegan da filha que até milita pela verdade, à conta do newage já dar canudo.
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De henrique pereira dos santos a 07.01.2021 às 19:33

Eu li o seu comentário no Porta da Loja, em que dizia a mesma asneira que diz aqui sobre o que eu escrevi (eu escrevi sempre que era uma previsão, e era para os primeiros dias de Janeiro, não para Dezembro).
De resto, Froes foi muito claro ao dizer que era à média de oito mil que se referia, e essa média continua bem abaixo.
O que acho extraordinário é que pretenda explicar-me a mim o que eu escrevi e como devo interpretar o que escrevi, em vez de tentar perceber o que escrevi (para o que seria útil ler com atenção, em vez de mandar bocas sobre o que não escrevi)
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De zazie a 07.01.2021 às 20:17

Passo.


No dia em que parar de repetir a gigantesca calinada de que nunca, em momento algum da História da Humanidade se confinaram pessoas saudáveis, poderemos conversar.


Porque isso é factual, é histórico e eu, ao contrário do HPS, quando faço afirmações públicas só as faço por ter estudado e com fundamento de fontes.


O resto, as manigâncias das estatísticas são como dizia o Mark Twain. Na única coisa em que poderia haver uma intuição fundamentada e eu também penso que em aberto é em relação ao comportamento de um vírus.


Ou seja, aquilo que só existe por via de hospedeiro que o alimente, desenvolve-se como? por mutações. Sim. Estamos a assistir a uma e tem piada porque está a procurar hospedeiros mais novos e começou a procurá-los em África, onde faltam velhos.
Pode ficar mais fraco, como? pelos exemplos seculares, pode, em tendo menos hospedeiros. Sempre foi assim. Pode existir imunidade? sim, hoje em dia por vacina e, a par dela, pelo alimentar o menos possível a coisa que tem "instinto" de vida, mesmo sem ser um ser vivo. E por estar num meio que é contra-natura- nós não somos morcegos.


Socialmente eu penso que as ideologias só atrapalham. Há que pegar na questão politicamente a, nesse caso, estou e estive e estarei do lado do vossa antiga colaboradora- a Maria Teixeira Alves- crime contra a Humanidade cometido pela China.


Fora isso, o óbvio ululante- vivemos em sociedade e quem se quer armar em temerário e mostrar que não tem medo de nada, que faça nºs de circo na corda-bamba mas desinfecte e chegue-se para lá, ou tape bem a carantonha que ninguém lhe passou carta de alforria para se achar no direito de contaminar os outros e os civilizados é que deveriam fugir dele.


E mais nada. O resto são detalhes de actuações políticas em toda a parte que lá se vão copiando, um tanto às cegas, sendo que, para não haver tanta ingerência de lei e prepotência estatal era preciso sermos todos os oposto do HPS ou dos restantes "liberais" umbiguistas, caprichosos utilitaristas- em suma- netontos. 
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De henrique pereira dos santos a 07.01.2021 às 21:35

Deixei de lhe responder rapidamente porque não tenho paciência para estar a corrigir as afirmações que me atribui, de forma abusiva.
O que tenho dito é que nunca se tentou parar uma epidemia confinando toda a população.
Se quiser dar exemplos, esteja à vontade.
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De zazie a 07.01.2021 às 21:46

Fartei-me de lhos dar. Existem ainda hoje nas aldeias do Leste. População que se barrica e não deixa entrar forasteiros.


Para o caso tanto vale. A incompatibilidade está em se negar o uso de máscaras e, ao, mesmo tempo, achar que é assim que também combate, em nome da liberdade individual, a pandemia.


Ou bem que negam tudo, como os maluquinhos, ou optam pelo utilitarismo da eugenia.


Fora isso, há o que é passível de debater e que diz respeito às medidas de confinamento.
Ninguém, em parte alguma fez confinamento da "população inteira". É com estas frases e estes truques demagógicos q o HPS responde sempre. Para depois fazer a eterna rábula do perseguido e deturpado e que é por isso que nem responde.


Não responde pq não tem argumentos. Tem uma fé neotonta. 
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De henrique pereira dos santos a 07.01.2021 às 21:55

Resumindo, para si, impedir a entrada de estranhos (ou infectados numa comunidade) é o mesmo que impedir qualquer pessoa da comunidade de sair de casa com o objectivo de parar a progressão de uma epidemia.
Q.E.D.
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De zazie a 07.01.2021 às 22:15

Está a fazer-se besta porque sem isso não entende a diferença entre "Toda a população" das populações que assim se protegiam no passado e com isso evitaram tantas mortes por pestes e as que o não fizeram tiveram mais?


Não entende nada fora do ou tudo ou nada?


Como consegue achar que está a argumentar se tanto é contra o uso das máscaras por uma questão ideológica de liberdade de cada um, como a seguir, para parecer que está a arrumar os outros -diz- o "modo como se usa". Ou não evitam a 100%


Pois não. Temos medidas que atenuam e outras que aumentam,


Eu estou pelo civismo e pelo bom-senso. O HPS chama liberdade à falta de civismo e transforma em lógica o TUDO OU NADA- o ou todos confinados ou nem sei o quê. Porque o seu truque é nunca afirmar com a mesma ênfase aquilo que acaba sempre a extremar na boca dos outros.
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De henrique pereira dos santos a 08.01.2021 às 06:44

Se encontrar uma única coisa que eu tenha escrito contra o uso de máscaras agradeço, para eu poder ir lá corrigir.
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De zazie a 07.01.2021 às 22:16

Ninguém foi impedido de sair de casa. Só não sai quem é demasiado velho e já nem tinha quem o acompanhasse à rua ou quem está reformado na engorda.
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De zazie a 07.01.2021 às 22:28

Mas não dá mesmo. Porque se alguém pega nas suas palavras, faz-se logo muito ofendido porque não pode NUNCA retirar qualquer ilação porque ela é abusiva, generalista, exagerada e deturpadora.


Já quando alguém lhe apresenta argumentos, para nem se dar ao trabalho de responder áquilo que percebe logo que não ia ter resposta, transforma as palavras dos outros em excessos, em 100%, em tudo ou nada, em disparates.


E isto não há-de ser defeito, é feitio.


Tenho uma vizinha assim, como é mulher é mais fácil de perceber o defeito- "pespineta". Não há diálogo racional possível. Uma constatação já retirada por todos, excepto por outra igual com quem faz parceria nas vigarices e sonsices do condomínio.
Há-de ser assim em tudo. Cada um é para o que nasce.
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De henrique pereira dos santos a 08.01.2021 às 06:54

Veja se percebe uma coisa básica: eu não tenho problema nenhum que pegue nas minhas palavras e as conteste como quiser, o que não tenho é obrigação nenhuma de aceitar a discussão com base em coisas que eu não disse e me foram atribuídas, como faz permanentemente.
Nessas circunstâncias peço quase sempre para transcrever o que diz que eu escrevi e nunca, mas nunca, o faz, por razões evidentes: eu nunca escrevi o que diz que escrevi.

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