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O Dr. Mário Saraiva

por João-Afonso Machado, em 01.11.18

Parece, saiu recentemente, numa revista semanal, uma reportagem sobre a nobreza em Portugal. Não a li, nem pretendo ler. De antemão conheço a cantilena e apenas condeno os que se prestaram aos propósitos da coscuvilhice dos jornalistas.

Isto é importante no exacto sentido em que à conta dessa "nobreza" se pretende denegrir a nossa Monarquia. Nada é por acaso...

Porque, afinal, o que é ser "nobre"? Se é ser detentor do Poder, as "Necessidades" estão agora no Rato. Como já estiveram em outras "Soeiro Pereira Gomes". A nobreza actual é a classe política, aliás bem apoiada por algum poder económico (vd. diversos processos judiciais, de todos conhecidos). Os nobres de agora iniciam-se nos "paços" académicos, armam-se cavaleiros nas lojas maçónicas e alcançam o foro supremo nas bancadas parlamentares. Há muito mais duques do que antigamente - são os ministros.O mal - a burrice - está em alguns membros de famílias com história se deixarem fotografar adiante dos quadros de antepassados, em pose responsável e patriota, e em nada contribuindo para a Restauração. Mesmo a jeito do jornalista ir lá rir-se um bocado...

Enquanto isso:

Em décadas que já lá vão, conheci bem, e fui amigo, de um grande monárquico - o Dr. Mário Saraiva. Médico, viera do Cadaval para Guimarães, onde ficou até ao fim dos seus dias. Foi dos derradeiros discípulos de António Sardinha e integralista de alma e coração. Jamais trouxe à conversa os seus antecedentes familiares. E escreveu - que era monárquico não pelo coração, antes pela razão. Chegara lá de dedução em dedução, como bem explica no seu Razões Reais. E foi-o toda a vida, convictamente, enfrentado a II e a III República, sempre no seu quase anonimato. Publicou obra extensa, de que me orgulho de possuir diversos volumes dedicados e autografados. 

Era o exemplo acabado do verdadeiro monárquico. Acreditando apenas na eternidade da Nação e nos meios de a preservar. Nunca viveu em palácios.

Mas preparou várias gerações. Ensinou-as, melhor, sensibilizou-as. Nem queria saber de casamentos inter-classe, nem de distâncias sociais, nem de eventos e fatiota a rigor. Nem, é claro, de poder político ou de enriquecer neste mundo promíscuo. Simplesmente queria o Rei, símbolo da Nação, e o mando disseminado pelas terras do Reino.

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4 comentários

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De João Távora a 01.11.2018 às 17:30

Não sei porquê a insistência de alguns monárquicos mistutarem a questão da "nobreza" com a Causa Monárquica - é o gosto de à falta de outros alvos darem tiros nos pés... 
E depois, era o que mais faltava que o facto de ser monárquico activo me obrigasse a esconder as minhas origens. Se não gostam, venham outros fazer melhor. 
Em parte respondo ao teu post no meu blog pessoal, aqui:
https://joaotavora.blogs.sapo.pt/a-nobreza-de-portugal-603222



Cordiais cumprimentos, 
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De João-Afonso Machado a 01.11.2018 às 17:48

João: Quero crer quanto a este assunto estamos, os dois, absolutamente de acordo.. Isto é: não há que misturar as coisas nem alguma delas é pressuposto da outra.
Abraço.
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De Anónimo a 04.11.2018 às 21:25

Francamente este foi dos textos (sobre o assunto) mais infelizes que me foi dado a ler. O facto de V. pensar que os actuais nobres são aqueles que agora nos dirigem de uma maneira ou outra, eu percebo, pois cada um pode ter a sua opinião, mas não concordo. Nobres poderiam ser os poucos portugueses que depois do 25 de Abril mostraram valor e amor por Portugal. Quanto a conhecer minimamente aqueles que usufruem de títulos de que seus  antepassados foram merecedores, acho útil e interessante . Saber que se comportam como bons herdeiros  é um prazer de alma. E o contrário será uma defesa . E como saberíamos se não houvesse qualquer notícia sobre tais famílias?
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De João-Afonso Machado a 05.11.2018 às 13:48

Acho que devia pensar na diferença entre nobreza e fidalguia.
Este ultimo conceito é muito importante. E os envolvidos geralmente muito discretos.
Se vislumbrar a diferença percebe a estupidez destas notícias revisteiras. Que interessa a um fidalgo (à história de uma determinada Família) vir a público e por-se a jeito para as usuais confusões?

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