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O doce e fácil reino do blá blá blá

por henrique pereira dos santos, em 19.06.22

Como se pode verificar pelo video, não sou eu o autor do título deste post.

Vem isto a propósito de uma coisa extraordinária: uma verificação de factos do Público que pretende verificar se a afirmação "As áreas integradas de gestão da paisagem ainda não executaram uma nova gestão".

A coisa extraordinária começa com o PSD de Leiria: "O Governo procedeu à assinatura de protocolos, visando a criação de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem que previssem a implementação de operações integradas de gestão da paisagem. ... Contudo, nada está feito, nada está implementado, excepto aquilo que já estava feito pelas ZIF".

O PSD de Leiria está de acordo com a política do governo de resolver o problema dos fogos através da criação de áreas integradas de gestão da paisagem (com diversos nomes, o mais persistente dos quais as tais ZIF, Zonas de Intervenção Florestal, é o que todos os governos têm vindo a fazer, com os resultados que se conhecem), só tem pena é que o governo não seja capaz de executar (eles dizem implementar, mas perdoai-lhes porque não sabem o que fazem) as políticas que definiu e com as quais, pelos vistos, o PSD Leiria concorda.

Uma oposição assim é o sonho de qualquer governo e essa é a primeira coisa extraordinária desta colunazinha do Público, o facto da oposição não ter políticas alternativas, apenas mágoa pelo facto do governo não cumprir as políticas por si definidas.

A segunda coisa extraordinária é a forma como o Público (H.P., é a assinatura, não sei quem seja, embora suspeite) resolve verificar se é como diz o PSD, ou não.

Foi ver quantas AIGP foram constituídas (70), dessas quantas têm entidade gestora (29) - a ou o jornalista aparentemente não estranha que haja áreas de gestão integrada, seja do que for, que não têm entidade gestora -  e, explica, compreensiva a jornalista, é preciso ter em atenção que depois de serem constituídas, depois de haver entidade gestora, ainda é preciso ir falar com os proprietários - a jornalista, aparentemente, não estranha que só depois de terem sido constituídas estas áreas e definidas as suas entidades gestoras é que seja preciso falar com os proprietários.

O melhor de tudo e mais extraordinário?

A jornalista não vê nada feito, diz que tudo indica que realmente não haja nada feito, mas não pode concluir se a frase é verdadeira ou não porque o governo não respondeu às suas perguntas e, claro, sem a fonte da verdade e da vida dizer se realmente andam a brincar aos papéis em vez de encarar os problemas de frente, não se pode concluir que andam a brincar aos papéis e não a encarar os problemas de frente.

Seria totalmente incompreensível que a jornalista fosse verificar os factos independentemente das respostas do governo, isso parece-me claro e evidente para qualquer pessoa de bom senso.

Por mim, podeis continuar, governo, oposição e jornalistas a brincar aos papéis e tenho a certeza que, a manter-se a trajectória actual que desembocará num ano de grandes fogos ali por volta de 2030 (grandes fogos pode haver em qualquer ano, actualmente, estou a falar de situações excepcionais de muitos grandes fogos e com centenas de milhar de hectares ardidos num só ano, destruição de infraestruturas e provável morte de algumas pessoas), logo se verá quem se deve responsabilizar - provavelmente os proprietários, os que têm sido sempre responsabilizados e tem corrido bem - agora governo, oposição, jornalismo, esses não, esses não terão responsabilidade nenhuma, esses andaram como o cão que havia em minha casa, quando eu era miúdo, a correr atrás da sua própria cauda de cada vez que ouvia o motor do carro do meu irmão que era o seu dono, isto é, cheios de actividade, mesmo que a acção seja pouca ou nenhuma.



1 comentário

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De Anónimo a 20.06.2022 às 09:03

Diz-se (lá para as minhas bandas) que todos os burros comem palha seca, a questão é "saber" dar-lha! E para ilustrar que assim é, conta-se, a propósito, a historieta do burro que se recusava a comer aquela palha insípida e seca, mesmo depois de todas as tentativas e insistências dos aldeãos mais experientes e sábios para que a comesse. Até que um espertalhaço, mais finório que os outros _ treinado em rasteiras de "gato por lebre" durante anos de tarimba e convívio com burlões e trapaceiros _ resolveu a questão com arte e simplicidade: pôs ao burro uns óculos de lentes verdes!!! E o burro ingeriu a "iguaria" como se fosse a mais tenra e verdinha erva dos prados. Era um consolo de ver! (E ainda bem que o burrinho o fez, se não acontecia-lhe como o cavalo do inglês!)


Pois é: tantos anos a serem "domesticados" / "amansados" / subornados, o jornalismo deu no que deu. Lentes "verdes".
Conjugação trágica é calhar-nos em "sorte" tudo ao mesmo tempo uma oposição e um jornalismo indigentes e um governo de "espertalhaços e finórios". Já não falando dos autores responsáveis, vulgo eleitores, que dormem... dormem... amolecidos pelo estribilho do canto de embalar  "doce e fácil do blá blá blá" . Até que um dia se lhes acaba a molenga  porque acordam com a casa a arder (no sentido literal, porque no metafórico já estão a ser cozidos há muito em lume brando). 
 
Enfim ,tal  como a gaivota da cançoneta do 25A  "como ela somos livres! somos livres!"  (até de pender para o "asneirol" na hora de votar... )

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