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O Costa solar

por João-Afonso Machado, em 17.01.22

Naquele tempo, os tabus de Cavaco Silva deram brado e à Esquerda repugnou essa falta de ético-transparência. Dá-se o caso de a presente campanha eleitoral, no fundo, girar em torno de António Costa e dos seus múltiplos tabus. De resto, há algumas semelhanças suas com Cavaco Silva... sendo, no entanto, as diferenças mais notórias: Cavaco um tosco, Costa um espertalhão; aquele não sabendo mentir, este desconhecendo o que é falar verdade.

Mas regressando à actualidade, ignoramos tudo, incluindo a tão falada sua hipotética emigração de Costa (que seja muito feliz na UE e se esqueça aqui do quinteiro), e sobretudo os ardis que já terá concebido - no infeliz caso de ficar - para cada possível desfecho eleitoral. Graças à imaginação de Costa, o cidadão deixou de andar seguro nas avenidas da política, a qualquer momento pode ser surpreendido, atropelado, por alguma trotinete silenciosa.

Tudo para explicar que, a dar atenção a esta campanha, não importa o que os pregoeiros vão dizer, mais contará a atenção e a expressão de quem ainda os ouve. E a abstenção deverá somar exorbitâncias (que pena a abstenção, em vez do voto em branco!!!)

Finalmente, porque nem tudo é mau, três distinções, no muito pouco a que assisti: a atitude firme e educada de Cotrim de Figueiredo; a coragem de Francisco Santos; e a bonomia do velho Rio de quem um comentador televisivo dizia, poderão ser muitas as gaffes - mas o homem é sincero, não mente!



26 comentários

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De Carlos Sousa a 17.01.2022 às 15:06

É um ponto de vista, mas eu prefiro agir precisamente onde lhes dói mais, que é na diminuição da verba atribuída às campanhas. Quanto maior a abstenção menor a verba atribuída. É simples.
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De Cecília a 17.01.2022 às 15:35

o voto em branco tem o poder efetivo de, caso seja a opção que vença por maioria, dar como nulos todos os candidatos de todas as listas que concorrem aquele círculo e portanto novos nomes e caras terão que ser apresentados.

a penalização dá-se sempre por ação - nunca por inércia.




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De Carlos Sousa a 17.01.2022 às 15:41

Sim? E quem é que ia depois representar o " partido dos votos brancos"?
Não será uma utopia?
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De João-Afonso Machado a 17.01.2022 às 15:57

Carlos Sousa:essa a grande questão - como a República lhe responderia?
Não sei.
Era uma questão nova do ponto de vista constitucional.
Era um enorme abanão. Tudo teria de ser revisto e um marco novo se instalava.
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De anónimo a 17.01.2022 às 17:50


O desinteresse nasceu e subsiste porque metade do eleitorado não vê interesse em votar neste sistema eleitoral que se mantém somente porque agrada aos partidos.

E que se mantém porque também agrada aos deputados...dos partidos.
A resposta, todos sabemos, seria um sistema uninominal com círculos eleitorais semelhantes, mas....
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De Cecília a 17.01.2022 às 15:59

expliquei me assim tão mal?
se o voto em branco for maioria obriga a que todas as listas apresentadas sejam renovadas, ou seja, as listas de todos os partidos/coligações/associações/etc, terão que retirar os candidatos apresentados e colocar outros para que esses novos nomes sejam sujeitos a novo momento eleitoral.
não há ninguém por trás do voto branco. o voto branco ao ser o mais votado, derruba as caras apresentadas em todas as listas porque mostra que todos os candidatos não reuniram preferência (porque se tal tivesse acontecido os eleitores não teriam votado em branco mas sim no candidato x ou y )
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De João-Afonso Machado a 17.01.2022 às 16:08

Cecília explicou-se muito bem.
Mas exactamente onde quero chegar é ao regime em que não me revejo e à possibilidade de o pôr em causa sem revoluções, violência ou algo mais de legitimidade discutível. Em suma, o caminho para a IV República.
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De Pedro Oliveira a 17.01.2022 às 16:20

Em vez do caminho para uma inútil quarta república não seria mais útil uma segunda Monarquia?
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De Anónimo a 17.01.2022 às 17:55

O Parlamento representa o eleitorado e é uma amostra de todos os cidadãos portugueses, na sua diversidade e pluralidade. Ora, a abstenção também é uma tomada de posição política. Por isso mesmo  defendo que, na bancada parlamentar, devia existir um espaço inteiramente vazio correspondente à percentagem dos votos da abstenção. Se o Parlamento é um microcosmos do panorama geral do país, então gostaria de olhar para a AR e ver nela espelhada, de facto, a sociedade portuguesa como ela é . 
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De Anónimo a 17.01.2022 às 18:04

(cont.)
E se a AR é a Casa da Democracia, não haveria melhor fotografia da nossa (democracia) do que esta com os seus lugares vagos.
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De João-Afonso Machado a 18.01.2022 às 20:12

Claro que sim, Pedro Oliveira. 
Para mim a 4.a República é a transição para a Monarquia. 
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De Pedro Oliveira a 18.01.2022 às 20:58

Assim está bem 
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De Carlos Sousa a 17.01.2022 às 17:46

Explicou perfeitamente, só que essa solução leva a um caminho ainda pior.
Se os candidatos existentes são os melhores que os partidos arranjam, e já são o que são, imagine os de segunda escolha.
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De Anónimo a 18.01.2022 às 11:20


"imagine os de segunda escolha"
Carlos Sousa, a abstenção tem atingido percentagens bastante elevadas, por vezes acima dos 40 º/º. Essa percentagem é equivalente a  X (xis) mandatos, ou seja, corresponde ao número de deputados que poderiam ter sido eleitos e não o foram, por decisão do eleitorado. Ora isso deve ter uma leitura política e reflectir-se em número de cadeiras vazias, das 230 existentes no Parlamento. Seriam lugares sem ninguém durante 4 anos!
Ficaríamos então com um determinado número de cadeiras parlamentares (as que sobrassem) que seriam ocupadas pelos vários partidos  proporcionalmente à percentagem real dos votos expressos nas urnas. 
A contagem das percentagens alcançadas por cada partido teriam outros resultados. Por ex., um partido que hoje obtém 38 º/º dos votos, na realidade corresponde à escolha de apenas 20º/º  do eleitorado!!!


Desta feita, teríamos uma visão panorâmica e mais realista, do país.


Com este modelo de configuração parlamentar reduzir-se-iam os deputados _ o que não é necessariamente negativo _  se se tiver em conta que haveria uma escolha mais criteriosa dos deputados e só os melhores da lista (presume-se) conseguiriam ser eleitos. Dificilmente "os de segunda escolha" que refere,  teriam assento parlamentar. (Não esqueça que os partidos estão cingidos ao número de cadeiras que haja).

 Daqui se infere que haveria um sistema de vasos comunicantes: se sobe a abstenção, desce o número de deputados e vice-versa.
Portanto, vejo ainda outra vantagem: Já pensou que traria uma maior motivação aos partidos para um combate eficaz à abstenção?


De forma alguma defendo a diminuição de deputados. Os 230 é para serem mantidos, mas é com outras dinâmicas que se conquistam esses lugares.
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De Anónimo a 18.01.2022 às 12:00

Além de procurarem outras dinâmicas, os partidos teriam mais empenho, já que o número de assentos parlamentares teriam uma percentagem variável, dependendo da abstenção. Nada estaria garantido à partida. Os partidos teriam o ónus de diminuir a abstenção, se queriam obter mais deputados.
Claro que se devia complementar com outras medidas e o sistema eleitoral ser todo revisto noutros, nomeadamente com a introdução dos círculos uninominais, que  não permitiria o desperdício de votos que hoje se verifica.
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De Anónimo a 18.01.2022 às 13:53

E faltou acrescentar que se começaria por "limpar" e corrigir os erros dos cadernos eleitorais, atualizando-os  com todo o rigor para que o nº efetivo de votantes batam certo com os nomes que constam nos cadernos. Obrigatoriamente seriam eliminados os cidadãos que falecidos e os que transferiram ou mudaram o seu local de voto. 
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De Cecília a 18.01.2022 às 16:00

amanhã, RTP3, às 23h. ;) 

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