Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O chinezinho Li

por João-Afonso Machado, em 12.12.14

REVOLUÇÃO.JPG

Peter Hessler (China - Uma Viagem entre o Passado e o Presente) fez questão de ser fiel ao que viu e ouviu. Estava-se no final do transacto milénio e emergia a possibilidade de uma viagem mais profunda pela China. Ficam registos inesquecíveis. Como o seguinte:

Li, chinezinho residente na Aldeia Dez de um qualquer distrito também numerado, é pai de três filhos. Orgulhosamente nomina-os Li Mao, Li Ze e Li Dong. E quando no campo onde capinava os chamava: - Mao, Ze, Dong! Venham já aqui! - era como se louvasse o amor, clamasse a presença do grande condutor das massas populares. Nem mais do que Mao Zedong, também dito Mao Tse Tung.

O problema, inesperado, residiu na idêntica devoção dos mais aldeões. Em maré de "sessões de luta", incompreenderam-no, julgaram-no herege. Invocava o nome do santo presidente em vão. Foi condenado: suspenso pelos pulsos e obrigado a «beber urina de uma latrina pública».

A História oscila, realmente, entre o anedótico, o bizarro e o dramático. Tudo dependendo, a maior parte das vezes, do nosso posicionamento político. Esse estranho local que nos impede de ver os factos, na sua absoluta verdade. Ainda assim, acredito a Direita - a verdadeira Direita - se saiba demarcar  destes excessos latrinários e, mais coisa, menos coisa, siga um caminho de verdade e humanismo. Escrevo estas linhas porque, ultimamente, tenho lido coisas de pôr os cabelos em pé a qualquer ser um bocadinho dotado de pensamento.

 


4 comentários

Sem imagem de perfil

De manuel branco a 13.12.2014 às 15:11

Se me permite, o que chama atenção nos segundo e terceiro parágrafo é o espírito de manada e os fenómenos de histeria colectiva que geram.


Quanto à direita, a verdadeira direita: antigamente falava-se numa direita legitimista, noutra napoleónica e noutra orleanista. A primeira ainda por aí anda, mas muito reduzida. a sociedade é urbana e quase não religiosa, será sempre uma minoria, mais que no passado. A orleanista é aquela que andou por aí e ainda por aí anda mas ferida. A terceira, napoleónica, talvez possa ser o nosso Marinho pinto. Resta ver qual o sucesso.


Mas há uma nova direita, uma quarta pois: tem filiação nos EUA e não na Europa, nuns casos é religiosa noutros não, em todo o caso venera os mercados, a sua verdadeira fé e utopia. Nada mais distante da direita legitimista, que é ordeira, e da napoleónica de que tem no entanto em comum a vontade revolucionária de construir um homem novo. Tem também uma coisa curiosa: por virtude da musa inspiradora, ama das tripas Israel, peculiaridade que a distingue das anteriores, sobretudo da legitimista. Eu tenho grande dificuldade em aceitar esta direita como direita. Julgo-a basicamente desordeira, defensora da atomização da sociedade, quando eu vejo esta como um corpo e não um agregado. O que vale, desculpe a snobeira sulista, é que a maleita é coisa de Aveiro e do Porto, não havendo risco de o resto do país ser contaminado. Dito isto, não perdoo a alguma hierarquia católica a conivência com eles, presumo que a sonharem com alguns ganhos pouco espirituais.


Se me quiser situar, ponha-me nos wets do one-nation conservatives, ou seja, centro, bem no centro.. 
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 13.12.2014 às 21:19

Sem conseguir dizer que discordo do que diz, aponto apenas - não localize no espaço e no tempo a Direita. Nem a subdivida para além de todas as cautelas que merecem os extremismos.
A Direita distingue-se da Esquerda basicamente por não querer destruir mas sim construir; ou, pelo menos, por não querer destruir primeiro para construir (nunca se soube o quê) depois.
Dito isto, a Direita aproveita do Passado sobretudo uma lição para o Futuro. Acredita na Nação (já o "nacionalismo" e´uma coisa mais complicada...) que é fundamentalmente a História de que, por sua vez, o Futuro faz parte.
Assim muito rapidamente....
Sem imagem de perfil

De manuel branco a 13.12.2014 às 23:49

Se me permite: se não estou enganado direita e esquerda tem origem na revolução francesa. Obviamente quando cito aquelas três subdivisões tinha em mente, se assim posso dizer, arquétipos. É óbvio que a direita e a esquerda de 1820 ou de 1848 nada têm a ver com a direita e a esquerda que saíram do pós-guerra e que hoje também ela já está a ser ultrapassada por novas formações. Basta pensar no declínio da democracia cristã e da social democracia. O que esquerda e direita serão no futuro não sei. Em todo o caso a divergência de pensamento é da condição humana. Se Luís xiv estivesse vivo poderia contar alguma coisa das frondas;

Direita pátria esquerda internacional, sim, mas só em alguma medida. A nova direita, se é que lhe posso chamar assim, é transnacional e ideológica. Enferma do milenarismo das religiões laicas. Não é por acaso que muitos deles foram marxistas. Convém também ter presente que no passado houve uma esquerda nacionalista. Estou a pensar nos republicanos que, se não estou enganado, até eram colonialistas.

A direita quer construir assente no passado enquanto a esquerda quer destruir. Nem toda a direita e esquerda são assim. A direita de burke era e é assim. A direita legitimista, vide em Portugal os miguelistas ou depois do 25 de abril os defensores do estado novo também é tentada a destruir o que está para restaurar uma antiga ordem idealizada. A esquerda revolucionária quer de facto romper, quer o corte com o passado. Já a esquerda reformista é isso mesmo, vai gerindo e adaptando. Não me parece que os fabianos ou os do SPD queiram derrubar as instituições.
Um ponto em que tenho dúvida é saber se a extrema-direita de marine le pen ou da liga norte são de facto direita ou se na verdade não são esquerda, esquerda nacional. Desconfio que o que resta de operariado não se revê mais na esquerda reformista. Ao que parece em França passaram diretamente do PCF para a fn. Alguma coisa há. Da Europa do norte não sei. Convém no entanto ter presente que o rótulo de extrema-direita é um absurdo. Podem ser populistas, nacionalistas mas que eu saiba não querem abolir as constituições dos respetivos Estados;

Em suma, entre o branco e o preto há muitos cinzentos.
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 14.12.2014 às 21:53

Tem toda a razão. Há muitos cinzentos. E uma enorme sobreposição de cores e conceitos, da Rev. Francesa para cá. 
Num ponto concordo: a extrema direita poderá ser considerada esquerda (vd. o «nacional-socialismo»). D. Miguel - divagando, agora - é hoje abusivamente utilizado, com intuitos muito claros que já não o velho orgulho de estirpe, visam objectivos claros e condenáveis para os monárquicos. 
O saudosismo salazarista... apenas uma incorrecta interpretação da Direita e até do Saudosismo. 
Tema para muita reflexão. O mal é que a política está aí todos os dias e há necessidade de clarificar. Sem maniqueismos, obviamente.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Parecem coisas e mundos de Planos diferentes e irr...

  • Anónimo

    Está a tornar-seOs mecanismos de educação dos sist...

  • Anónimo

    Os países em que o mercado livre funciona sem amar...

  • Anónimo

    Parece-me, ninguém terá dúvidas, em rotular a habi...

  • Anónimo

    A IA marxista ??


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2026
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2025
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2024
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2023
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2022
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2021
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2020
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2019
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2018
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2017
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2016
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2015
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2014
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2013
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2012
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2011
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2010
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2009
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2008
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D
    248. 2007
    249. J
    250. F
    251. M
    252. A
    253. M
    254. J
    255. J
    256. A
    257. S
    258. O
    259. N
    260. D
    261. 2006
    262. J
    263. F
    264. M
    265. A
    266. M
    267. J
    268. J
    269. A
    270. S
    271. O
    272. N
    273. D