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O Chile, os Chicago Boys, a imagem e a realidade

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.10.20

As politicas económicas liberais, estão indissociavelmente ligadas ao Chile, desde Pinochet aos dias de hoje. Os media multiplicam-se em associar os Chicago Boys, a todos os males que afligem o Chile.

O que se esquecem de referir, é que o Chile, um pais pobre na década de 70, é hoje a economia mais prospera da América Latina. Parece que os Chicago Boys, afinal fizeram um excelente trabalho. È isso que se retira dos factos. Mas não é isso  o que vai por essa imprensa fora.

chile alrgentina.png

Nos artigos que vou lendo, a propósito da sua revisão constitucional, tropeço na enorme confusão do costume. O mal da constituição atual é o liberalismo. Que impede (?) a maior distribuição de riqueza, politicas sociais mais generosas etc. Uma mentira.

Já o declínio histórico da Argentina, que já teve índices de primeiro mundo, não merece comentário especial, sendo o populismo peronista, aparentemente digno de aplauso. Talvez porque o  Chile só apresenta um  produto per capita 50% superior ao Argentino. 

Lá, como cá, nem as evidencias mais sólidas sobrevivem á propaganda dogmática. Receio que o menino vá com a água do banho.  E que o Chile comece a marcar passo.



15 comentários

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De Anónimo a 27.10.2020 às 09:50

a culpa é do Pichonet
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De Anónimo a 27.10.2020 às 13:02

Nada é "evidente" para os fanáticos. Não têm visão periférica, só unilateral. Mas isso também não é culpa deles é das suas circunvoluções cerebrais, do córtex e das sinapses "desligadas". Resulta daí que são "monofocais". Parece, julga-se, que outra das consequências é a sua incapacidade de empatia.
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De EMS a 27.10.2020 às 14:29


Não vejo onde está a acção significativa dos Chicago Boys já que todos esses países têm curvas muito semelhantes.

É verdade que derivam nos últimos 5 anos mas acreditar que os Chicago Boys só surtem efeito 40 anos depois faz-me ficar na duvida se se trata de um exercício de wishful thinking ou de paciência por parte do autor do post.


Já agora proponho que se coloquem também os indicadores de Cuba, Venezuela e Portugal e se responda ás seguintes questões:
1) A economia da Venezuela no tempo de Chavez era baseada nos ensinamentos dos Chicago Boys?
2) Que maravilhosa transição para o liberalismo económico permitiu que Cuba alcance o Brasil e se prepare para alcançar a Argentina?
3) Portugal que nos anos 70 não se distinguia muito dos países sul americanos teve o seu pico de PIB per capita em 2008. Como se chamava o discípulo dos Chicago Boys que governava esse pais?
Divirtam-se https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.CD?end=2019&locations=CL-AR-BR-VE-CU-PT&start=1960&view=chart (https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.CD?end=2019&locations=CL-AR-BR-VE-CU-PT&start=1960&view=chart)
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De Jose Miguel Roque Martins a 27.10.2020 às 14:49

as curvas podem não parecer impressionantes. Por isso, referi que, de uma situação de maior pobreza na década de 70, esses pós a mais de crescimento fazem com que hoje a argentina esteja quase 50% abaixo do Chile! 
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De EMS a 27.10.2020 às 16:57


Noutro mapa da mesma fonte juntei Portugal a esses países entre 1968 e 1990.

Ou seja, entre o período imediatamente anterior a Allende (1970-1973) e toda a permanecia do poder de Pinochet e sus muchachos de Chicago (1973-1990).

Podemos verificar que a ascensão de Pinochet não foi lá muito benéfica, pelo menos no imediato. No resto do tempo esteve, tirando um ou outro pico, esteve sempre francamente abaixo da Argentina e a lutar para não deixar o Brasil distanciar-se muito.

Já Portugal, aquele pesadelo socialista, sobe de divisão em meados de 80 deixando de concorrer com a fina flor da américa do sul.
Portanto não estou nada a ver como podem ser os benefícios dos Chicagos apoiados e demonstrados com este indicador.
https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.CD?end=1990&locations=CL-AR-BR-PT&start=1968&view=chart
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De Jose Miguel Roque Martins a 27.10.2020 às 18:57

Mesmo nos seus dados, fica clara a aproximação do Chile á Argentina. 
Mas a questão de fundo é outra. Um pais quando se abre ao liberalismo, demora tempo a colher os seus benefícios. Veja-se o que aconteceu nas economias planificadas quando sofreram o choque da liberdade. 
O liberalismo economico convive com menor facilidade com uma autocracia como a de Pinochet. Ainda hoje existem vestígios do liberalismo truncado, como a companhia estatal de cobre demonstra. È natural que depois da democracia, o crescimento seja maior: mas  em todo o período, o crescimento económico e o facto de se ter tornado no pais mais prospero da America Latina, devesse a essa matriz, até hoje tão condenada! Que outra explicação pode dar, quando todos reconhecem ( e normalmente criticam) o cariz liberal da economia chilena no contexto da America Latina? 
Quanto a Portugal, o periodo que invoca é o período menos socialista do novo regime: corresponde ao consolado de Cavaco Silva. Se estender a sua serie, ai sim, podemos ver o socialismo em acção. 
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De Jose Miguel Roque Martins a 27.10.2020 às 19:15

relativamente á sua questão 1 e 3 a resposta é a mesma: tal como trump conseguiu um período económico com base em endividamento sem paralelo, também Chavez , com base nas segundas maiores reservas de petróleo do mundo, e Socrates, com base no Euro, conseguiram crescimentos expressivos baseados no endividamento. Tal como aconteceu na Grécia, até á bancarrota, que corrigiu o rendimento fictício. 
Relativamente a cuba, desde o afastamento de Fidel castro, obviamente houve uma liberalização que permite crescimento, embora com resultados inferiores a países, como o brasil, em que os níveis de educação são muito inferiores. 
Finalmente, a critica quanto aos 40 anos para produzir efeito, não é verdadeira. Apenas ao fim de 40 anos produziu efeitos suficientes para se guindar a uma posição cimeira: não foi estagnação e crescimento súbito. Foi um processo consistente. E exactamente por fenómenos do tipo do descrito, se deve analisar um percurso ao longo do maior tempo possível. 
Certo é que o Chile, é hoje o pais mais rico da America Latina e o país considerado mais liberal! 
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De balio a 27.10.2020 às 14:31


O Chile não era um país pobre na década de 70, nem é um país rico atualmente. A sua evolução é em grande medida comparável à do Brasil e à da Argentina, conforme se observa no gráfico que ilustra o post. A partir de 2000 o Chile portou-se um bocado melhor, essencialmente graças ao elevado preço do cobre. Note-se que o Chile praticamente só exporta cobre, ou seja, em matéria de comércio internacional é basicamente uma economia terceiro-mundista - baseada na exportação de um produto mineral.
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De Jose Miguel Roque Martins a 27.10.2020 às 14:52

M valor absoluto, estamos a falar de um valor de chegada de US 14.000 para o Chile e de us 9.000 para a Argentina: a diferença é tudo menos pequena. Acresce que na década de 70, a diferença era semelhante mas contraria. 
O Cobre está longe de explicar a diferença!!!! 
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De balio a 27.10.2020 às 15:50


A Argentina é um país especialmente mal governado, que não deve servir de comparação. O Brasil pouco melhor é.
Sugiro antes que se compare o desempenho do Chile com o do Uruguai - de longe o país mais "europeu" (em mentalidade) da América Latina. Não sei como é, mas tenho a impressão de que o Uruguai fica a ganhar.
O Peru e a Colômbia também são países que, sem Chicago Boys, merecem ser observados.
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De Jose Miguel Roque Martins a 27.10.2020 às 17:40

uruguai foi ultrapassado pelo chile, embora esteja apenas cerca de 10% abaixo em termos de pib per capita ppp. 
A tão propalada critica ao Chile, o terem seguido uma estrutura económica liberal, influenciada por economistas que estudaram em Chicago, foi certamente decisiva para de um dos países mais pobres se ter transformado no pais mais rico da America Latina. A grande diferença entre o Chile e os outros é exactamente o liberalismo económico assumido e o êxito obtido. Que não obstante, continua a ser motivo de critica! 


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De Jose Miguel Roque Martins a 27.10.2020 às 15:08

apenas para aclarar, o cobre ja existia na década de 70 com um peso no PIB proximo do actual. È verdade que a cotação subiu. Mas o triunfo económico global, continua a ser semelhante. 
Se expurgarmos toda a produção de cobre nos dias de hoje ( menos de 25% do pIb) , o pib per capita continua a ser superior ao da Argentina. 
O grande problema que temos normalmente, é exactamente o da explicação rápida ( mas errada) para o êxito conseguido por políticas mais liberais. E é esse exactamente o ponto do post. 
Note-se que o Chile teve, ao longo do percurso de crescimento que lutar por um nível de educação superior, de infra-estruturas etc ao que existia no Ex líder económico da America latina, a Argentina. Que por insistir em políticas estatizantes, tem vindo a empobrecer em termos relativos. 
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De balio a 28.10.2020 às 09:57


Num país como o Chile, caraterizado por brutais desigualdades económicas, falar do PIB per capita, como se faz neste post, é muito enganador. Pois que, estando o PIB tão mal distribuído por entre a população, o valor médio dele por pessoa pouco valor tem para a maioria das pessoas.
No limite, se a desigualdade económica aumentar tão ou mais depressa que o PIB per capita, as condições económicas de boa parte da população podem de facto piorar mesmo quando o PIB per capita aumenta.
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De Jose Miguel Roque Martins a 28.10.2020 às 16:01

tem razão quando divorcia o PIB per capita da distribuição de riqueza. È no entanto a melhor medida para medir o desempenho de crescimento de qualquer pais. 
De qualquer forma, a distribuição de rendimento no Chile tem vindo a ser cada vez maior, estando num nível proximo da argentina e naturalmente melhor do que no Brasil . 
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De Vasco Silveira a 28.10.2020 às 19:26

Caro Senhor


Só faltou acrescentar Cuba para ficar um retrato de família completo:
São duas evoluções simétricas, sendo que o "malandro do Pinochet" tornou um dos mais pobres países da américa do Sul , no mais próspero ( atrás do Uruguai), enquanto a Cuba de 60, que era o segundo país mais mais rico da América latina, devida á política de S.Fidel,se encontra hoje em dia no lugares do fim da tabela...


Mas nós, que sempre fomos especiais, temos o mérito de estar sempre no fim da tabela (juntamente com aquele país recente do médio oriente (Grécia), com o honesto Salazar de Stª Comba ( apesar de termos o maior crescmento Europeu nos quinze anos que antecederam o 25 abril), bem como com estes pigmeus que por cá andam.
 Sinas ...


Cumprimentos


Vasco Silveira


Cumprimentos 
 

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