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O Caso do Natal

por Vasco Mina, em 20.12.14

Estamos mergulhados em casos que tomam diariamente as nossas atenções e que até nos desviam das verdadeiras questões das nossas vidas. Mas há um caso que ocorreu há 2014 anos e que continua a ser um Mistério. Começa por não se saber se foi no ano que se considerou sendo o ano 0 ou se foi algum tempo antes ou depois. A data do facto relevante foi assumida como sendo 25 de Dezembro mas polémica não falta em torno deste dia. À época não existiam jornais nem televisões e a documentação disponível resume-se a uns escritos que ficaram conhecidos como Evangelhos (ainda para mais redigidos vários anos depois do acontecimento).

Segundo aqueles textos, o caso aconteceu quando Quirino era Governador da Síria e mandou, por decreto de César Augusto, recensear a população. Naquele tempo José e Maria (que estava para ser mãe) deslocaram-se a Belém (cidade da Judeia) e não tiveram lugar na hospedaria. Assim, recolheram-se numa gruta e aí Maria deu à luz o seu Filho Jesus que envolveu em panos e deitou numa manjedoura. Os pastores que andavam nos campos foram visitados por um Anjo que lhes disse o seguinte: “Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Foram até Belém e encontraram o que o Anjo lhes tinha anunciado. Os pastores, verdadeiros marginais naquele tempo (viviam à margem da sociedade ou, como diria o Papa Francisco, nas periferias), foram assim as primeiras testemunhas oculares do nascimento de Cristo Senhor e “passaram a palavra”. Mas quem acredita nesta gente? Dias depois apareceram uns Magos (consta-se que seriam Reis) vindos do Oriente e ainda hoje não é muito claro como souberam e a informação de que teriam sido guiados por uma estrela não convence a muita gente.

Mas o que ainda mais impressiona é este Jesus ter dito que é Filho de Deus e por isso o seu Reino não ser deste Mundo. Ora um Rei não nasce numa manjedoura que é uma estrutura para alimentar gado. É verdade que Jesus também disse que era Ele o verdadeiro alimento e até nos deixou um ritual, a que hoje os cristão chamam de Sacramento da Eucaristia, para que todos recordassem o Pão da Vida. Depois foi envolto em panos como os mais pobres e não com vestes próprias e dignas de um poderoso, o que torna ainda mais misterioso tudo isto.

Ao longo da sua Vida pregou sobre o Amor e deixou-nos duas grandes recomendações a que chamou de Mandamentos: Amar ao Pai acima de todas as coisas e Amar ao próximo (seja ele quem for). Para Ele a Caridade é Amar Deus amando o seu próximo e o Amor a quem está ao nosso lado assume pleno sentido quando praticado por Amor a Deus. Foi julgado em tribunal sem que provas houvesse contra Si e foi condenado à Morte na Cruz. Nesta foi pendurado nu com uns panos à cintura. Também em panos foi envolto e colocado numa gruta. Ressuscitou ao terceiro dia e é o alimento espiritual de todos aqueles que acreditaram e acreditam na Sua Mensagem.

Um verdadeiro mistério que verdadeiramente se entende à luz da Fé, com Esperança e praticando a Caridade. São estas a “chave” para entendermos este Caso!

Santo Natal para todos!


8 comentários

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De manuel branco a 20.12.2014 às 13:18

Para quem acredita...
Para quem deixou de acreditar como é o meu caso, old tunes, just old tunes, no more. Ainda por cima vêm carregados da tradição e esta são camadas e camadas de doutrina pintadas por cima dos evangelhos.


Já agora, não sei se há elementos seguros sobre o tal recenseamento. Sobre a matança de Herodes é que não há nada, tanto quanto sei.
O que diz no final acerca da leitura à luz da fé era a posição de ratzinger, e quanto a mim com razão. É que mal nos pomos a esgaravatar no pouco que há do Jesus histórico, desprovidos de fé, fica-se com um montinho de elementos seguros e uma montanha de perguntas que nunca terão resposta.


Resumindo, respeito, aceito a fé dos outros, mas portas adentro Natal para mim, com sorte, é um bolo, um tinto e se calhar este ano um montecristo. E não me ponha avental. Tenho um às riscas verdes, sem triângulos, sem olhos, mas com a indicação dos bons anos do champagne.


Vida depois da morte? Sim, acho que há qualquer coisa mas só vou saber quando lá chegar. Se ainda estiver por cá e estiver interessado, diga que eu faço-lhe um pequeno poltergeist brincalhão. Prometo só partir o serviço de porcelana.
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De Vasco Mina a 21.12.2014 às 08:50

Caro Manuel Branco, muito obrigado pelo seu comentário. Mais do que os apontamentos históricos (sempre objecto de crítica e como também o são os acontecimentos recentes da nossa história) dou relevância ao testemunho de Vida e à Mensagem de Jesus. Não consigo viver a minha Fé sem testemunho (o de Cristo e de todos os outros que o seguiram) e por isso me deixei "tocar" pelas palavras e pelos gestos. Acredito que Deus habita o coração de cada homem e por isso tenho a Esperança que o seu se re-abra um dia ao Homem que espera por si e que, até, terá o gosto de saborear consigo o tal bolo acompanhado de um tinto e de um montecristo. Se me permite a sugestão recomendo que acompanhe este saborear com a leitura do 1º Capítulo do Evangelho de São João. Feliz Natal para si e para a sua família.
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De João Távora a 20.12.2014 às 16:43

Belo post, meu caro Vasco. 
Forte abraço!
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De João-Afonso Machado a 20.12.2014 às 19:13

Santo Natal, caro Vasco!
Acreditar - conseguir acreditar - é o grande momento da história de cada um.
E às vezes tem de se fazer das tripas coração - suponho que duvidar também é acreditar. Querer acreditar já o é, de certeza.
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De Júlio Freire de Andrade a 21.12.2014 às 00:11

Bonito post, mesmo para um não crente. Mas há um pormenor que gostaria de notar: nunca houve ano 0 (zero). Também não houve século 0, nem os meses têm dia 0. Passou-se do Século I antes de Cristo para o Século I depois de Cristo. Por isso o Século XXI começou no dia 1 de Janeiro (mês 1) de 2001 e não, como alguns pensaram e até festejaram, no dia 1 de Janeiro de 2000. Quando se começaram a contar os anos a partir do ano em que se presumiu que Jesus nascera, ainda não se considerava o 0, mais tarde introduzido na numeração pelos árabes.
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De Vasco Mina a 21.12.2014 às 08:55

Caro Júlio Freire de Andrade,
Muito obrigado pelo seu comentário e pela referência histórica ao Ano 0. Apenas o citei no contexto da polémica quanto à datação do nascimento de Jesus e sem a preocupação de entrar no detalhe da argumentação. Mas agradeço a sua explicação. Feliz Natal para si e para a sua família.
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De Júlio Freire de Andrade a 23.12.2014 às 23:11

Desculpe ter comentado um pormenor que pouca importância tinha no contexto do post. É obsessão minha, não só o pormenor da numeração dos anos e séculos, como também as questões dos milhares de milhões e dos biliões e outras coisas assim. Retribuo os seus amáveis votos de Feliz Natal. Felicidades para o novo ano.
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De manuel branco a 21.12.2014 às 12:05

As suas palavras são as de um crente. Gosto de s. João como gosto de s. Paulo, mas a fé já cá não está.


Dito isto, obrigado e votos também de Feliz Natal para si e para a sua família. Que tenha um excelente 2015.

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