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O espectáculo do PS que sempre desprezou Seguro a tentar fazer uma OPA sobre a candidatura de Seguro não deixa de ser divertido.
Passando por cima das figuras embaraçantes, para quem tivesse vergonha, que Temidos e afins têm feito, por puro oportunismo político, que é matéria que diz respeito aos próprios a quem falta respeito próprio, não deixa de ser relevante perceber se, como diz aqui Telmo Azevedo Fernandes, a eleição e consequente presidência de Seguro não serve como detergente institucional.
Não tenho a menor dúvida e, se tivesse, o afã com que o PS se tem tentado colar a Seguro e dizer que a vitória de Seguro é uma vitória do PS tirar-me-ia qualquer dúvida que se tivesse perdido na minha cabeça, de que o PS tentará usar a presidência de Seguro como saída do atoleiro em que está.
Há uma parte do PS que pretende usar Seguro para varrer do partido a ala bloquista, reforçar José Luís Carneiro e guinar ao centro, como forma de tornar o PS relevante outra vez.
Há outra parte do PS que pretende usar Seguro para demonstrar que o PS é o grande partido da esquerda e essencial para o funcionamento do sistema democrático e para a alternância de governo, usando-o como biombo que esconde os cacos deixados por Costa no partido.
Só que o que o PS quer e pode fazer é com ele, a questão de fundo está em saber em que medida Seguro serve essa estratégia.
Não estou na cabeça de Seguro, não acredito na completa racionalidade de toda a gente, muito menos no contexto da actividade política, mas não vejo que vantagem, interesse, ou mesmo amor, sugira que Seguro estará disponível para dar a mínima abertura a esta gente.
Seguro tem como interesse imediato ganhar estas eleições, e sabe que a posição que tem hoje, de quase União Nacional contra o mal comportado do escola, foi obtida contra e apesar do PS, logo, nestas duas a três semanas, espero que tenha a sensatez de, evitando fazer a figura triste que o Almirante fez quando Sócrates lhe anunciou o seu apoio (os candidatos não são responsáveis pelos apoios que recebem), manter a distância em relação a estas manobras do PS e da esquerda da esquerda, que pretende apresentar-se como vencedora à boleia de quem desprezam.
Se, sublinho o se, que não alinho em Uniões Nacionais, for eleito, Seguro tem como objectivo ser reeleito cinco anos depois. Ora se até Soares, no seu primeiro mandato, se portou minimamente para chegar à reeleição em posição favorável, para que raio quererá Seguro envolver-se numa manobra de lavagem de imagem do PS, sabendo que grande parte da sua força eleitoral está na distância que manteve, em muitas ocasiões, em relação ao pior do PS?
Por fim, que motivação terá Seguro para dar a mão a quem não só lhe espetou facas nas costas, como ele sabe, e sabe muito bem, que voltará a fazê-lo na primeira oportunidade?
Com a enorme incerteza que estas coisas sempre têm, o PS está empenhadíssimo nos seus cantos de sereia, mas suspeito que Seguro está muito bem amarrado ao mastro do navio.
Um dos candidatos presidenciais que ficou pelo caminho nas recentes eleições, tinha numa das letras das canções da sua antiga vida artística uma imagem que hoje encaixa com precisão em António José Seguro: Seguro é um «detergente sentimental».
Seguro não rouba, será bem-intencionado e sabe comer com talheres. Provavelmente nunca tomaria a iniciativa de criar crises políticas nem fomentaria o caos institucional. Estas virtudes banais tornaram-se defeitos num Partido Socialista treinado por António Costa. Foi por isso que as piores facções da esquerda lutaram, em surdina, contra Seguro na primeira volta. E é por isso também que muita gente à Direita, cansada e desorientada, decidiu que ele é “decente” o suficiente para merecer o voto.
Sem dúvida que as versões mais sujas e perigosas do socialismo foram grandes perdedores da noite eleitoral de Domingo. Mas convém abrir os olhos e notar que os socialistas perceberam imediatamente que a derrota podia ser convertida num caminho de regresso, sem que a Direita que apoia Seguro se tenha apercebido do truque.
É que sendo um homem decente, Seguro é conhecido também pelos seus atributos de vacuidade e molenguice. E um pastelão político é perfeito para ser usado como alibi e instrumento de uma operação de branqueamento e amnistia política da história trágica e fétida da governação socialista, antiga e recente, e da colonização das instituições de poder pela rede tentacular do PS.
O golpe mágico dos socialistas é simples e eficaz: pegam num homem sem cadastro, alavancam o rótulo de “decente” que a Direita ingénua já lhe atribui e usam essa imagem como detergente institucional. Um rosto limpo para lavar uma história suja, rosto esse que será desprezado e triturado pelo partido socialista logo que os eleitores estiverem suficientemente esquecidos das malfeitorias de António Costa.
António José Seguro não precisa de conspirar nem participar activamente nesta marosca. Basta existir, para que a sua endémica passividade e moleza seja o bastante para servir de cenário e manter as aparências éticas do milagre da reabilitação do PS.»
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