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O 25 de Abril é muito poucochinho

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.04.21

25abril.jpg

 

O regime saído do 25 de Abril está a um ano de atingir a idade do regime anterior, o Estado Novo, que se prolongou durante 48 anos.

Há que sublinhar duas conquistas tremendamente importantes do regime que resultou da revolução: a liberdade de expressão e a democracia. Sem elas, não poderia estar aqui a escrever. É irónico que as maiores conquistas do regime nem tenham sido objectivos da revolução e só tenham acontecido com muita luta e alguma sorte, pelas forças que acabaram por fundar o regime.

Importa, também sublinhar a maior enfâse social,  mais tolerância, no maior acesso  a cuidados de saúde, na maior igualdade de oportunidades, tudo aspectos muito positivos e que foram consequência da mudança de regime.

Quanto ao resto, o balanço é francamente negativo.

A descolonização foi  um desastre. Milhões de mortes em guerras civis, novos países , orgulhosamente independentes que regrediram nos seus níveis de vida, meio milhão de Portugueses que perderam tudo o que tinham. Como celebrar e ter orgulho nestes resultados?  

A liberdade dos cidadãos, cada vez é menor, enredada por decretos, portarias que quase determinam como se deve respirar, mesmo em tempos não pandémicos. Enquanto, cada vez mais, é o Estado que manda na forma como os Portugueses gastam o seu dinheiro. Temos direito a expressar indignação, mas não a fazer quase nada que queremos. Somos mais livres do que nos 48 anos de fascismo? Não sei. Mas a liberdade que temos, a mim, parece-me inaceitavelmente curta.

Economicamente, foram décadas perdidas, que nos afundam nos rankings de bem estar dos países Europeus. O crescimento chinês da ultima década do Estado Novo, nunca mais aconteceu. É verdade que, em termos absolutos, vivemos hoje muito melhor do que há 47 anos. Mas só porque não tivemos alternativa. No que dependeu de nós , quase tudo fizemos para não aproveitar o desenvolvimento natural que todos os países experimentaram. Por isso continuamos a divergir da Europa. Por isso, com a precisão de um relógio Suíço, somos ultrapassados por países antes muito mais pobres do que nós. Por isso, cada vez somos relativamente mais pobres do que os países mais desenvolvidos que nós.

Ao paternalismo herdado do anterior regime, acrescentou-se o crescimento do peso do Estado e recuperou-se o desprezo pelo mercado das primeiras décadas do regime Salazarista. Diminuiu a eficiência do Estado. Apenas com as novas e milionárias ajudas internacionais, com o crescimento estratosférico da divida publica,  com o natural aumento de produtividade do trabalho e a deflação internacional dos preços dos bens industriais, vivemos hoje melhor. Mas até já há sinais de que poderá não ser assim num futuro próximo. Manifeste-se quem hoje tem que arrendar ou comprar casa.

Na justiça, na corrupção e em muitos outros temas, há quem diga que vamos progredindo. Mesmo que assim seja, não me parece justificável o que se passa. 

Somos menos livres, mais pobres , vivemos mais injustiça, do que seria expectável. O regime saído do 25 de Abril, é muito poucochinho . Não por culpa da data, mas por escolha reiterada dos Portugueses. Quanto à revolução propriamente dita, parece-me apenas um hino aos interesses próprios de uma corporação, que dispensa comentários. 


3 comentários

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De Anónimo a 24.04.2021 às 21:13

E para rematar, uma pergunta:
 O que acham os portugueses da nossa democracia? 
"só 10% dos portugueses" responderam que a consideram "sem espinhas"

 Existe ainda uma minoria de 4% que diz mesmo que Portugal nem sequer é um sistema democrático.
 Os restantes acham a democracia portuguesa "muito defeituosa".



Muito animador! 


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De Anónimo a 24.04.2021 às 21:49

Caro Senhor


Não posso deixar de reparar no seu optimismo quanto aos dois aspectos positivos que referiu:
_ Se a democracia é de facto um ganho, ela não é mais do que um instrumento para a boa governação dos povos, e não um fim em si: a velha expressão de Churchill quanto à mesma diz tudo.
Mas infelizmente Portugal foi notoriamente  pior governado ao longo dos 47 anos da dita democracia do que terá sido durante os 48 anos de Estado Novo, sem democracia (  com duas guerras mundiais, a grande depressão, e a guerra em África ). Qualquer comparação honesta da evolução dos indicadores económicos sociais em ambos os períodos o mostra.
_ Quanto à liberdade de expressão, recordo-lhe que escreve este seu comentário num, distinto, Blog, mas não faz nos jornais de referência deste regime, como poderão ser o Expresso e o Público: a censura é de outro tipo...
E lembre-se que aquele distinto comunista que saneou a torto a direito quando lhe puseram a vara na mão ( refiro-me a J Saramago claro), tal como tantos outros,  não teve dificuldades em escrever na imprensa no anterior regime.


Quanto aos aspectos negativos, não posso deixar de estar mais de acordo consigo.


Melhores cumprimentos


Vasco Silveira
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De Anónimo a 25.04.2021 às 04:49

Caro Sr. Vasco Silveira:
Tantas verdades que acaba de escrever! 
O regime pode ser definido em simples palavras: nepotismo, corrupção e incompetência. 
CFM

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