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Novidades

por henrique pereira dos santos, em 25.10.21

“O que sei é que as pandemias têm características próprias. Atingem todo o mundo, por isso se chamam pandemias, mas não da mesma forma e ao mesmo tempo. Têm diferenças geográficas, de intensidade, na forma como se manifestam, e depois as diferenças que surgem pelas medidas que cada país toma por achar que são as mais adequadas à sua população.”

Graça Freitas a aproveitar a acalmia na histeria para reforçar a ideia de que as epidemias evoluem por si, com diferenças geográficas de intensidade e na forma como se manifestam em cada sítio e tempo.

Tenho tão poucas oportunidades para chamar a atenção para declarações de Graça Freitas, por boas razões, que não queria perder esta oportunidade.

"Portugal é um país que em termos gerais vive mal.com um dos salários mínimos mais baixos da Europa [665 euros], um salário médio de mil e tal euros, que em termos líquidos não chegará a mil euros. Mais de 80% da população activa não ganha mais do que 1500 euros por mês. E - apesar dos aspectos positivos, na saúde, na educação - todos falhámos em não ter conseguido que o nível de vida da população portuguesa fosse francamente superior ao que é. A geração a que pertenço não tem muito de que se orgulhar. Portugal tem um dos niveis de produtividade mais baixos da Europa, o que quer dizer que não trabalhamos o suficiente ou que a organização do trabalho não é das melhores, tanto no privado como no público".

José Maria Ricciardi a resumir bem boa parte do país.

Tenho tão poucas oportunidade para chamar a atenção para declarações de membros da família Espírito Santo, por boas razões, que não queria perder esta oportunidade.

A talho de foice (custa-me render à evidência de que a expressão correcta é esta, depois de tantos anos a usar a expressão errada), gostaria ainda de realçar uma pequena nota pessoal.

Tenho uma filha que vive nos EUA e que, como tem cinco filhos até aos cinco anos, é uma cliente relativamente frequente de serviços de saúde. De cada vez que vai a algum lado que tenha alguma relação com serviços de saúde, escreve umas diatribes enormes por causa do que paga (é das maiores forretas que conheço), da forma inacreditável como os preços se regateiam mais que no mercado de Fez se regateiam especiarias, e de como suspira pelo sistema de saúde português.

Nunca faço nenhum comentário sobre estas diatribes, até porque há um fundo de razão nestas diatribes, mas notei como Ricciardi contrapõe a nossa incapacidade para viver melhor às excepções dos sistemas de ensino e saúde, que considera bons e isso chamou-me a atenção para uma coisa que tenho reparado na sociedade portuguesa: a dificuldade em termos uma ideia clara de que todas as políticas públicas têm um preço e gastar dinheiro num lado é diminuir os recursos disponiveis noutro lado qualquer (não, não tenciono fazer um post sobre o regateio do actual Orçamento de Estado, não queria fazer outro comentário a diminuir o mercado de Fez).

O que gastamos em Educação e Saúde até pode estar a produzir bons resultados (eu diria que globalmente sim, numas coisas, mas convém não perder de vista a dificuldade que temos, enquanto sociedade, em matéria de avaliação) mas, se estivermos a ser ineficientes nesses dois sectores (e estamos seguramente), isso significa que estamos a sacrificar a nossa capacidade de produzir riqueza para termos sistemas de educação e saúde razoáveis, entre outras razões, porque obrigamos a economia a uma tributação excessiva.

Esta é uma, entre várias razões, para me parecer claro que ser a favor do acesso universal a bons padrões de educação e saúde não significa defender a estatização desses dois sectores, pelo contrário, significa aumentar a concorrência entre os diferentes agentes, para que, progressivamente, todos sejam mais eficientes.

Ou seja, significa defender os contratos de associação nas escolas e as PPP da saúde, por exemplo.

Doutra maneira o resultado provavelmente será o que é neste momento: a minha filha vai ganhar dinheiro fora de Portugal, com base na educação que recebeu em Portugal, adia na medida do possível cuidados de saúde e, depois quando vem a Portugal, usa os serviços portugueses de saúde de que gosta mais que os americanos por achar que têm uma relação preço qualidade que lhe é muito favorável.

Faz como os franceses que se têm vindo a instalar em Portugal, entre muitos outros que o Estado português favorece fiscalmente em relação aos seus próprios cidadãos.

Como se costuma dizer, Portugal é um país fantástico para viver, mas não é um bom país para se ganhar dinheiro.

Afinal não há as novidades prometidas no título do post.



5 comentários

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De pitosga a 25.10.2021 às 13:01


Henrique Pereira dos Santos,
As suas palavras acerca da forretice fez-me recordar uma linda história.
Conheci um milionário forreta que nos anos 1960 almoçava com conhecidos seus; ricos mas não milionários. Iam ao "Polícia" que à época era uma tasca barata.
Tinha Diabetes e tivera um Enfarto do Miocárdio. Sabia que o colesterol lhe faria mal.
O habitual desses almoços era o "bife com ovo a cavalo". Ele pedia para o grupo: Há aí alguém que queira trocar a minha gema por uma clara? Ele sabia que, no ovo, a gema é que tinha o colesterol.

Abraço, para rir
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De balio a 25.10.2021 às 17:38

Nos anos 70 a minha mãe levava-me, muito raramente, a um restaurante para comer "bife com ovo a cavalo" (que na linguagem atual se chama "bitoque"). Eu adorava. Era coisa que se fazia uma vez por ano, não mais!
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De balio a 25.10.2021 às 14:34

Há boas razões para pensar que não somos muito ineficientes em matéria de serviços de saúde e de educação. Gastamos em saúde menos em percentagem do PIB (e com um PIB per capita notoriamente mais baixo) do que a generalidade dos países desenvolvidos, mas obtemos resultados (em termos de esperança de vida e de mortalidade infantil) comparáveis. E os nossos estudantes são notoriamente bem vistos e bem recebidos em países estrangeiros, nos quais são considerados bem educados e arranjam emprego com relativa facilidade.
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De balio a 25.10.2021 às 14:36

A descrição que o Henrique faz da sua filha faz-me lembrar um moldavo (a trabalhar em Portugal) que conheço, o qual também se desloca à Moldávia quando quer tratar qualquer problema de saúde. Diz que o serviço de saúde lá é muito mais barato mas de boa qualidade.
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De JPT a 25.10.2021 às 14:41

Não será indiferente dizer a "talho" ou a "talhe" de foice, já que ambos os termos quer dizer cortar (com foice) - um é um substantivo e outro uma forma verbal?

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