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Nota para leitura futura

por henrique pereira dos santos, em 04.01.22

Em Janeiro do ano passado, fiz um conjunto sobre o mito do Natal (este artigo do Observador, já de Fevereiro, remete para alguns dos outros textos que escrevi na altura).

A minha tese era simples de enunciar: responsabilizar o Natal e o contacto entre pessoas daí decorrente, com a situação de mortalidade excepcional de Janeiro de 2021 parecia-me uma tese preguiçosa que deixava de fora um outro conjunto de situações, em especial a anomalia meteorológica excepcionalmente prolongada que começa a 24 de Dezembro de 2020 e vai até 19 de Janeiro de 2021.

Daqui a mais algum tempo, veremos então se a tese da importância primordial dos contactos sobre todos os outros factores, se confirma este ano.

No ano passado, em Janeiro, os principais modeladores da epidemia fizeram dois erros de sinal contrário que acabaram por dar origem a números próximos das suas previsões de mortalidade: 1) estimaram números excessivos de contágios, que ficaram pelo dobro dos verificados; 2) estimaram letalidades que eram metade da verificada.

Logo, o dobro dos casos com metade da letalidade dá números de mortalidade próximos dos que se verificaram.

A minha tese era a de que a letalidade era muito maior que o previsto porque grande parte dela não era mortalidade covid strictu sensu (pessoas que morrem por causa da covid), mas mortalidade covid em sentido largo (que pessoas que morrem nos trinta dias subsequentes a um teste positivo covid, seja qual for a causa de morte).

Como o Natal de 2021 teve restrições mais ou menos semelhantes às de 2020, como os contactos foram mais ou menos os mesmos, como inclusivamente o governo inventou uma semana de contenção para atenuar os efeitos do Natal na progressão da doença, seria de esperar estarmos agora com uma mortalidade relevante, mesmo tendo em atenção a vacinação.

Olhando para este boneco, percebe-se que não, que não é nada disso que se passa.

Sem Título.jpg

É evidente, no gráfico (a que tirei os anos anteriores para aumentar a clareza de leitura) que a mortalidade que começa a subir no de 2020 (azul), prossegue em 2021 (purple, como diriam as minhas netas americanas) e que a mortalidade pós natal de 2021 (o tal purple), continua baixa em 2022 (a preto).

Se os contactos foram mais ou menos os mesmos, a diferença de mortalidade não pode, em princípio, ser atribuída primordialmente a esse factor, outros factores serão, com certeza, mais importantes, como as condições ambientais externas - incluindo a meteorologia - a vacinação, as diferenças de variantes, as diferenças de imunidade natural por contacto com o vírus e outras coisas a que a epidemiologia clássica costumava dar atenção até ao aparecimento destes epidemiologias da modelação, obcecados pelos contactos, já não entre doentes e pessoas saudáveis, mas entre pessoas saudáveis com diferentes resultados de testes laboratoriais.

É cedo para fazer esta análise, ainda o ano vai no início e pior mês das doenças infecciosas respiratórias está no início.

Ainda assim fica esta nota de leitura porque recomendações para manter janelas abertas em lares, como existiram no ano passado (ao que me dizem, houve lares muito zelosos que cumpriram as recomendações da DGS nesta matéria, com consequências relevantes no aumento de risco dos seus utentes, mas não tenho maneira de confirmar estas afirmações), podem mesmo matar muito mais gente que a que salva, porque o frio pode bem ser mais perigoso que a covid, quer por ser perigoso em si, quer por potenciar os efeitos da covid.

Mais lá para o fim da estação das doenças infecciosas respiratórias, aí pela semana 19 do ano, ter-se-á uma visão mais segura do assunto.



2 comentários

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De Cidadão vacinado. a 04.01.2022 às 15:53


Sim, e de aqui a dois ou três anos talvez se claramente esclareça porque será que as várias existentes terapias comprovadamente eficientes tiveram o seu receituário sonegado e, por incrível que seja, a inoculação com umas pseudo-vacinas -cuja aprovação foi negada e a sua utilização rotulada como "de emergência"- continuam a ser a regra.

O próprio Dr. Fauci (nos EUA) já reconheceu que o provável congestionamente no sistema de saúde, o pânico, foi um factor determinate nas políticas de contenção optadas, a via das sucessivas "vacinações". Mas não só...
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De balio a 04.01.2022 às 16:39


Entretanto, a economia e toda a vida social vão-se desarticulando, por via das quarentenas que são impostas a pessoas que, completamente saudáveis, se descobre terem sido contaminadas pelo vírus.
Questiono quando será que o desgraçado (des)Governo que nos calhou em sorte finalmente cairá na real e decidirá acabar esta política desastrada de impôr quarentenas a pessoas saudáveis.
A política do governo tem sido, desde o início da epidemia, tentar limitar o número de infeções. Essa política, patentemente, falhou: há atualmente dezenas de milhares de novas infeções em cada dia que passa. Quando será que o (des)Governo reconhece o falhanço e decide enveredar por nova política?

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