Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Nós e pensamento mágico

por henrique pereira dos santos, em 28.11.22

Os censos de 2021 são claríssimos na identificação de uma sociedade doente e estagnada.

Não por se perder população, isso pode ter vantagens, mas pelas razões pelas quais se perde população: temos sociedades pouco dinâmicas, viciadas no dinheiro fácil dos fundos e dos projectos, que esperam que os outros, em geral o Estado, lhes venham resolver os problemas da sua vida.

Ainda ontem ou anteontem vinha mais um demógrafo falar do povoamento da raia na primeira dinastia, e nas políticas dessa primeira dinastia, para justificar as políticas de povoamento do interior que, na sua opinião, o Estado deveria levar a cabo, custasse o que custasse.

Lá cuidar de discutir onde iria o Estado buscar os recursos para isso, e qual seria a eficácia face à alternativa de reforçar a autonomia das pessoas pelo recuo do Estado onde ele não faz falta, isso é que está quieto.

Talvez para não lembrar que grande parte dos recursos da primeira dinastia resultavam das pilhagens de guerra e o povoamento se fazia aumentando a liberdade económica, a segurança das pessoas, o acolhimento de estranhos e a autonomia das comunidades, portanto, como modelo a usar, talvez precise de um bocadinho mais de discussão.

Tal como não lhes ocorre pensar que uma das principais razões para o crime de tráfico e exploração de imigrantes ilegais esteja numa política de imigração que talvez valesse a pena discutir, porque há um evidente problema de mão de obra em alguns sectores económicos, incluindo aquele que está por trás do único concelho que, no mapa da variação populacional entre 2011 e 2021, está manifestamente em contra-ciclo, com um aumento de população bastante catita, não sendo um concelho urbano.

Infelizmente as nossas elites estão cheias deste tipo de pensamento mágico que defende que se está calor, o que é preciso é tomar medidas para baixar a temperatura, sem cuidar de saber como se faz e que consequências não pretendidas têm essas medidas.

Um bom exemplo é o desta investigadora que entende que se devem proibir os despejos até a crise da habitação estar resolvida.

Sublinho, trata-se uma investigadora que estuda academicamente o assunto, não se trata de uma pessoa que nunca pensou no assunto e acordou um dia a pensar que para resolver o problema da habitação, proibir os despejos é "uma das coisas muito simples que se pode fazer, para ajudar a mitigar esta crise de habitação, e óbvia, é, por exemplo, parar os despejos".

O óbvio é uma coisa muito subjectiva, portanto para Ana Gago, é simples e óbvio que parar os despejos ajuda a mitigar a crise da habitação.

Já, para mim, é óbvio que impedir os despejos aumenta a insegurança dos senhorios, o que os leva a não querer arrandar casas, o que diminui a oferta, o que faz aumentar os preços para compensar o aumento do risco e a diminuição da oferta, o que aumenta a crise da habitação.

Tal como é óbvio, para mim, que ninguém quis ou decidiu que o país tenha a dinâmica populacional que tem, incluindo o despovoamento de grande parte do seu território, mas que isso resulta de processos económicos e sociais globais, profundos e fortes, pelo que é tempo perdido tentar reverter essa dinâmica com base em políticas públicas activas.

O que para mim é óbvio é que o mais eficiente é perceber essa dinâmica, perceber que ela tem na base uma dinâmica social e económica que ultrapassa largamente o poder do Estado, portanto não é do Estado que virá qualquer solução relevante para evitar que haja pessoas que fiquem para trás.

E é também óbvio, para mim, que são as pessoas e as suas comunidades que serão capazes de, nessas circunstâncias, criar dinâmicas que tornem as suas vidas melhores, adaptando a famosa ideia de que é preciso resignação para aceitar o que não se pode mudar, força para mudar o que se pode mudar e sabedoria para distinguir as duas coisas.

O que inclui a capacidade para as pessoas, e as comunidades, influenciarem o Estado para que deixe de favorecer mecanismos socialmente negativos, como andar a fazer leis estúpidas de prevenção de incêndios que consomem recursos e resultam no agravamento do problema, e passe a favorecer mecanismos socialmente úteis, como pagar a quem faça gestão de combustiveis de forma a que o seu terreno não tenha mais de 50 cm de altura de combustíveis finos ou, sendo mais radical, que mude a capital para Castelo Branco.

Sendo ainda óbvio que é completamente inútil dizer que as pessoas do interior são orgulhosamente graníticas e sabem muito bem o que querem (as pessoas do interior são, essencialmente, iguais às do exterior), só precisam é de ser tratadas com justiça e equidade, coisa que "eles" não fazem porque não querem.

Mas isto sou eu a falar, o óbvio para outras pessoas são outras coisas, como ser simples e óbvio parar os despejos até estar resolvida a crise da habitação.



39 comentários

Sem imagem de perfil

De balio a 28.11.2022 às 11:46

Os censos de 2021 são claríssimos na identificação de uma sociedade doente e estagnada [...] pelas razões pelas quais se perde população


Os censos de 2021 não identificam, creio eu, as razões pelas quais se perde população. Identificam a perda, mas não as razões dela.
Sem imagem de perfil

De uidade e a 29.11.2022 às 10:30

"Os censos de 2021 são claríssimos na identificação de uma sociedade doente e estagnada". As razões estão identificadas. Está tudo aqui dito. Portugal é um Estado falhado.

Este partido-do-Estado que diz que nos anda a governar, não sabe, nem tem competência para identificar quais são as áreas problemáticas do país, quanto mais resolvê-las! Contudo, resolvem muito bem outras questões bastante problemáticas: como empregar os boys. Então aí sim, atingem o zénite da "competência" : inventam-se uns "estudos", com muitos "gabinetes de estudo", "observatórios", "missões" de estratégias para tudo e um par de botas, cheias de vacuidades. Entretanto, o país lá vai, gloriosamente, em rampa deslizante, sem resolver nenhum dos seus problemas.
O Balio faça uma experiência: vá perguntar a essa malta dos tais gabinetes que estudos têm feito que expliquem a causa da perda de população, por exemplo.
Imagem de perfil

De O apartidário a 01.12.2022 às 13:06

Exactamente! 
Sem imagem de perfil

De balio a 28.11.2022 às 11:51


uma das principais razões para o crime de tráfico e exploração de imigrantes ilegais esteja numa política de imigração que talvez valesse a pena discutir, porque há um evidente problema de mão de obra



Ora bem, estou 100% de acordo.


Temos uma política de imigração em que as empresas têm que ir buscar ao estrangeiro um potencial imigrante que lhes interesse, e ajudá-lo a vir para Portugal. Coisa que, como é evidente, demora imenso tempo a fazer e que muitas empresas não têm capacidade para fazer.


A política correta, em minha opinião, seria permitir a imigração livre de qualquer indivíduo que se candidatasse a isso, até a um certo número total de indivíduos, e permitir a esse indivíduo percorrer livremente o país em busca de trabalho.
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 30.11.2022 às 16:46

Isso era se fossem todos bons rapazes e boas raparigas. Veja no que 10% de imigrantes transformaram a Suécia.


Swedish rape statistics. Ever since the collation of crime statistics was initiated by the Council of Europe, Sweden has had the highest number of registered rape offences in Europe by a considerable extent.


Is Malmo the 'rape capital of Europe'? - Euronews
www.euronews.com › News › World
28/02/2017 · ... Sweden is the rape capital of Europe due to EU migrant policies.


Sweden's deadly problem with hand grenades - BBC News www.bbc.com › news › world-europe-43667367 18/04/2018 · A stark rise in incidents involving hand grenade explosions has become emblematic


Sweden suffers surge in bomb attacks as gang violence rises | Reuters
www.reuters.com › article
16/01/2020 · A surge in drug-linked gang-violence in Sweden led to a 60% increase in bomb blasts in 2019, government statistics showed on Thursday, ...


Police on the beat in Sweden's so called 'no go zones' - The National
www.thenationalnews.com › world › europe › police...
05/09/2018 · Despite the label, Officer Roberts shows little fear about policing what some have called Scandinavia's crime-stricken ghettos. “They call it ' ...


Vulnerable area (Swedish: Utsatt område) is a term applied by police in Sweden to areas with high crime rates and social exclusion.[1][2][3] In the December 2015 report, these areas numbered 53.[4] In the June 2017 report, these totalled 61. The increase is reported to be due to better reporting, not a changing situation.[5]   ("vulnerable area" é um eufemismo para "no-go-zone")



Sem imagem de perfil

De balio a 30.11.2022 às 17:37


A Suécia é um caso especial, com leis do trabalho muito rígidas que, na prática, dificultam muito o emprego de pessoas com qualificações mais baixas.
Imagem de perfil

De O apartidário a 01.12.2022 às 13:05

Ou não sabe ler inglês ou é um completo imbecil,ou as duas coisas. 
Sem imagem de perfil

De Mister lógico a 01.12.2022 às 22:18

A imigração é relativamente livre. Esses indivíduos percorrem livremente o país e trabalham arduamente. Não se importam de trabalhar 60 horas por semana e partilhar um T1 com 5 pessoas na mesma situação.
Não fossem eles e não existiam os empregos que os portugueses não querem.
Imagem de perfil

De O apartidário a 03.12.2022 às 19:27

Pois claro https://omarxismocultural.blogspot.com/2015/09/marxismo-e-o-capitalismo-juntos.html
Sem imagem de perfil

De G. Elias a 28.11.2022 às 13:08

"Ainda ontem ou anteontem vinha mais um demógrafo falar do povoamento da raia na primeira dinastia, e nas políticas dessa primeira dinastia, para justificar as políticas de povoamento do interior que, na sua opinião, o Estado deveria levar a cabo, custasse o que custasse."


É bom lembrar que no tempo da primeira dinastia havia um motivo de peso para querer garantir que o interior estava bem povoado: era necessário defender a fronteira do inimigo castelhano. Por isso criavam-se incentivos, de modo a garantir que as pessoas queriam ir viver nesses territórios hostis, onde a sobrevivência não era nada fácil.
Hoje não é necessário defender fronteira alguma portanto a lógica de povoamento da primeira dinastia não se aplica aos dias de hoje.
Sem imagem de perfil

De balio a 28.11.2022 às 14:16

Cabe também reconhecer que atualmente a Espanha sofre também de forte despovoamento nas suas regiões fronteiriças com Portugal. Não é só o interior português que está despovoado - as terras do lado de lá da fronteira, em Espanha, também o estão.
Sem imagem de perfil

De G. Elias a 28.11.2022 às 17:43

A Espanha sofre de despovoamento um pouco por todo o interior (excepto Madrid), ou seja isso acontece nas províncias perto de Portugal mas também em muitas outras que ficam longe da nossa fronteira.
Sem imagem de perfil

De balio a 29.11.2022 às 10:02


É significativo que, das dez maiores cidades espanholas (Madrid, Barcelona, València, Sevilla, Zaragoza, Malaga, Murcia, Palma, Las Palmas, Bilbo), apenas duas não tenham acesso direto ao mar.

Sendo verdade que todo o interior de Espanha está despovoado, há que ver que a parte ocidental de Espanha está bastante pior, em termos económicos, do que a parte oriental. A parte ocidental de Espanha, ou seja, a que fica próxima de Portugal, é a mais deprimida economicamente. Toda a economia espanhola está virada, ou para o mar, ou para oriente (isto é, para a Europa central). As regiões mais dinâmicas de Espanha - o País Vasco e a Catalunha - são as mais orientais e com melhor acesso à Europa central.

Sem imagem de perfil

De G. Elias a 29.11.2022 às 11:44

Sim é verdade. Mas do ponto de vista económico não há nenhuma razão para querer combater essa tendência, ou há?
Sem imagem de perfil

De Anonimo a 28.11.2022 às 13:36


Quando o SEF demora (acreditando nos interessados) mais de um ano a regularizar uma situação, não há política que valha.
Claro que depois podemos discutir os modelos de imigração, se aceitamos que entre um grosso de população pouco qualificada, para empregos tradicionalmente mal remunerados, enquanto uma potencial classe média abala Europa fora.
Também seria interessante, quando se fala na geração mais qualificada de sempre, saber taxas de empregabilidade por área e por universidade. A proliferação de "Atlanticas" (já nem indo ao velho estatuto dos politécnicos) fez muito pela qualificação académica, mas se calhar não ajudou muito os alunos que por lá andaram.
Sem imagem de perfil

De Anonimo a 28.11.2022 às 14:25

Há um evidente problema de mão de obra, mas Portugal está longe do pleno emprego.
Sem imagem de perfil

De balio a 28.11.2022 às 15:12


É natural que haja sempre algum desemprego, uma vez que os trabalhadores não são indiferenciados, eles têm especializações. Por exemplo, pode haver falta de homens para trabalhar na construção civil mas, por outro lado, haver muitas mulheres doutoradas em biologia à procura de emprego. Como é evidente, as mulheres biólogas não são capazes de, nem desejam, efetuar o trabalho de construção civil.
Há também os locais de trabalho que são diferentes. Por exemplo, pode haver falta de trabalhadores em fábricas na Bairrada e trabalhadores desempregados na região de Setúbal. Os setubalenses não podem, ou não desejam, ir trabalhar para a Bairrada porque não têm lá casa, apoio familiar, etc.
Portanto, não há contradição nenhuma entre haver falta de trabalhadores e haver desemprego. O que acontece é que os desempregados podem ter dificuldade em, ou não estar dispostos a, trabalhar nos trabalhos disponíveis.
Sem imagem de perfil

De Anonimo a 29.11.2022 às 10:24


Sério? Quem diria...
Sem imagem de perfil

De entulho a 28.11.2022 às 15:40

a republiqueta socialista castradora e urbana de funcionários públicos só se interessará pelo campo quando faltarem os comestíveis
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 29.11.2022 às 01:07


Números, imagem e gráfico para contextualizar o verdadeiro problema: a diminuição da taxa de natalidade que afecta a generalidade do ocidente e não apenas Portugal. (Bem sei que no balanço demográfico, para além das taxas de natalidade e mortalidade, há que ter em conta fluxos migratórios.)


Do INED francês, taxas de natalidade em 1980, 1990, 2000, 2010 e 2019:
https://www.ined.fr/en/everything_about_population/data/europe-developed-countries/fertility-indicators/


Da Wikipedia, uma imagem de distribuição de taxas de natalidade pelo mundo:
https://en.wikipedia.org/wiki/File:Total_Fertility_Rate_Map_by_Country.svg


De artigo da BBC, gráfico da "global fertility rate" entre 1950 e 2017 tendo como fonte instituto da Universidade de Washington:
https://www.bbc.com/news/health-53409521 - Fertility rate: 'Jaw-dropping' global crash in children being born


Se a taxa de natalidade tem estado a diminuir no mundo ocidental e nos países desenvolvidos, o problema está relacionado, entre outras causas, com as reais condições - económicas, sociais, culturais, etc. - de vida das pessoas.


Num passado cada vez mais longínquo, bastava haver nos agregados familiares um ordenado, o qual permitia arrendar/comprar casa, carro e criar filhos. Contudo, hoje já assim não acontece. Nos EUA, por exemplo, para além 
de dois ordenados, é frequente a necessidade de mais um ou mesmo dois, resultantes de pluri-emprego, para fazer face às despesas. Noutros casos, mesmo dispondo de salários, as pessoas são obrigadas a socorrer-se de apoio social na forma de senhas que podem trocar por produtos alimentares nos supermercados. Também o número de pessoas com emprego a dormir diariamente nos seus carros, porque não podem pagar uma renda, tem aumentado de ano para ano. Este tipo de realidade, contribuinte decisivo para a diminuição da taxa de natalidade, ocorre no país, alegadamente, mais desenvolvido do mundo, onde o impera o liberalismo económico.

(continua)
 
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 29.11.2022 às 06:42

Pois, nem acho que o verdadeiro problema seja a taxa da natalidade, nem acho que as suas explicações ajudem a perceber a sua diminuição na China ou na Índia.
Sem imagem de perfil

De balio a 29.11.2022 às 10:54


nem acho que o verdadeiro problema seja a taxa da natalidade


A taxa de natalidade é a maior parte do problema.


É claro que países com baixa taxa de natalidade podem manter ou até fazer crescer a sua população graças à imigração. Mas essa solução é somente temporária - dado que a baixa taxa de natalidade está progressivamente a alastrar a todos os países da Terra - e não serve para todos os países - pois nem todos os países conseguem atrair suficientes imigrantes. Países economicamente periféricos, como Portugal, a Macedónia ou a Ucrânia, dificilmente alguma vez conseguirão atrair suficientes imigrantes permanentes para manterem a sua população.


Tal como (creio eu) o Henrique Pereira dos Santos, penso que Portugal deveria fazer muito no sentido de facilitar a imigração. No entanto, penso que a baixa taxa de natalidade - que não é um fenómeno português, nem sequer europeu, é cada vez mais um fenómeno mundial - é um problema sério.
Sem imagem de perfil

De Anonimo a 29.11.2022 às 11:48


a TAxa de natalidade não pode ser vista como único factor.
Há países em que a taxa de natalidade baixou, mas também baixou a taxa de mortalidade infantil. Esses números *estão* relacionados.
Sem imagem de perfil

De Zé Manel Tonto a 04.12.2022 às 22:21

"Portugal deveria fazer muito no sentido de facilitar a imigração"

Facilitar a imigração de trabalhadores qualificados.

Trabalhadores sem qualificações não, obrigado. Os bairros periféricos de Paris, Bruxelas, Marselha, alguns de Estocolmo, Londres, etc. são viveiros de criminalidade
.


E mesmo quando não causam problemas de criminalidade, imigrantes de baixas qualificações são um desastre económico para o país de acolhimento. É que não pagam impostos em valor suficiente para cobrir os gastos que o Estado tem com eles.
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 30.11.2022 às 14:27


Óbitos em Portugal
2016 - 110 573
2017 - 109 758

2018 - 113 051



"Portugal desceu abaixo dos cem mil nascimentos anuais há 11 anos, tendo os valores oscilando de ano para ano. 2021 prevê-se que seja o terceiro ano consecutivo com quebras e, provavelmente, ficará abaixo dos 80 mil nascimentos no final do ano. Significa que nunca nasceram tão poucas crianças no país. (17/07/2021)


Saldo natural negativo agravou-se em 2021 e manteve-se negativo em todas as regiões - 2021
Estatísticas Vitais
27 de abril de 2022


Em ano de pandemia agravou-se o saldo natural com o aumento dos óbitos e a diminuição dos nascimentos - 2020
Estatísticas Demográficas
16 de novembro de 2021
PDF | 524 KB
Em 2020, registou-se em Portugal o nascimento de 84 426 nados-vivos, filhos de mães residentes em território nacional, representando um decréscimo de 2,5% em ...


Saldo natural negativo agrava-se em 2021: o número de óbitos aumentou 1,2% e o número de nados-vivos decresceu 5,9% - Janeiro de 2022
Estatísticas Vitais
18 de fevereiro de 2022
PDF | 390 KB


Em 2021, registaram-se 125 147 óbitos em Portugal, mais 1 468 (1,2%) do que em 2020 e mais 12 856 (11,4%) do que em 2019. O número de óbitos por COVID-19 registado em 2021 foi 12  ...
PDF | 942 KB
Em 2021, nasceram com vida 79 582 crianças de mães residentes em Portugal. Este valor traduz um decréscimo de 5,9% (menos 4 948 nados-vivos) relativamente ao ano anterior. Do ...


In the face of population decline, a three-child policy has replaced China's infamous one-child per couple edict. A new cross-sectional study has now reviewed parental intentions and found – as in other countries – that many couples are no longer keen on large families.


Due to the large population, poverty and strain on resources, the Indian government initiated population control efforts to decrease birth rate with the current target being at 2.1 children per woman.[3] According to data from National Family Health Survey-5, India's total fertility rate dropped below the replacement level of 2.1, and currently stands at 2.0.[4]
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 30.11.2022 às 14:42

Continuo ser perceber por que razão a taxa da natalidade é o verdadeiro problema e continuo sem perceber como as suas explicações anteriores esclarecem as razões da diminuição da taxa de natalidade na China e Índia.
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 30.11.2022 às 17:26

saldo populacional = nascimentos - óbitos + imigrantes - emigrantes


saldo natural = nascimentos - óbitos


saldo migratório = imigrantes - emigrantes


O saldo natural é negativo há anos (desde 2009) e tem vindo a agravar-se. Tem havido alguns anos em que saldo migratório é positivo e compensa o saldo natural.


Encontra aqui uma tabela com os três saldos que talvez o ajude a perceber:
https://www.pordata.pt/Portugal/Saldos+populacionais+anuais+total++natural+e+migrat%C3%B3rio-657


Os casos da China e da Índia são condicionados pelas políticas estatais anteriores e presentes no que respeita à natalidade, sendo isso patente nas citações apresentadas a esse propósito no meu comentário anterior . Por esse motivo não devem ser incluídos na análise.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 30.11.2022 às 18:20

Peço desculpa por ser tão obtuso, mas continuo sem perceber por que razão a taxa da natalidade é a questão fundamental (não só não entendo por que razão o saldo populacional ser positivo é tão importante, como não percebo porque escolhe a taxa de natalidade como a questão fundamental e não o saldo migratório, como ainda por que razão não considera a taxa de natalidade um mero resultado de questões anteriores).
Se a baixa da taxa de natalidade na Índia e China era resultado de políticas de Estado, então passou a aumentar quando foram removidas essas políticas de Estado, certo?
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 01.12.2022 às 00:52


Ter dúvidas, levantar questões e querer aprofundá-las são actos salutares. Obtusos e detestáveis são os yes men e as yes women. Às questões e às dúvidas, tanto quanto possível, há que dar resposta fundamentada e honesta, muito embora no processo certas susceptibilidades saiam melindradas, o que por vezes é inevitável.


"por que razão a taxa da natalidade é a questão fundamental" (HPS) 
Porque a taxa de natalidade é o principal indicador de evolução populacional e tem apresentado tendência de descida acentuada 
 (vd. https://www.ined.fr/en/everything_about_population/data/europe-developed-countries/fertility-indicators/, link já referido anteriormente), situando-se bem abaixo do clássico limiar estatístico de reposição populacional de 2,1 filhos/mulher pelo menos desde 1990, pelo que é mostrado na tabela.


Em 1980 estávamos em Portugal com 2,25 filhos/mulher e em 2019 apenas com 1,43 filhos/mulher. A não haver compensação através do saldo migratório, o saldo populacional será negativo.


"não entendo por que razão o saldo populacional ser positivo é tão importante" (HPS)
E eu não sou a pessoa indicada para o esclarecer sobre esse aspecto, uma vez que não escrevi anteriormente nada que se lhe assemelhe.

Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 01.12.2022 às 00:53

"não percebo porque escolhe a taxa de natalidade como a questão fundamental e não o saldo migratório" (HPS)
Em parte já respondida anteriormente. Mas vamos a uns números de saldo natural, onde a taxa de natalidade está implícita, e saldo migratório ( vd. https://www.pordata.pt/Portugal/Saldos+populacionais+anuais+total++natural+e+migrat%C3%B3rio-657, link já referido anteriormente) para que não subsistam dúvidas.


Somatório de saldo natural entre 2009 e 2021 = -285 

Somatório de saldo migratório entre 2009 e 2021 =  74.1


Estas continhas de merceeiro qualquer um as pode fazer, está tudo na referida tabela da Pordata, e mostram que o saldo natural, onde está implícita a taxa de natalidade, refira-se mais uma vez, é maior do que o saldo migratório por uma ordem de grandeza. Sendo assim, atendendo a determinadas regras de simplificação de equações, o saldo migratório é desprezável.


"não considera a taxa de natalidade um mero resultado de questões anteriores" (HPS)
Não escrevi isso em parte alguma anteriormente, muito pelo contrário:
"Se a taxa de natalidade tem estado a diminuir no mundo ocidental e nos países desenvolvidos, o problema está relacionado, entre outras causas, com as reais condições - económicas, sociais, culturais, etc. - de vida das pessoas." (Elvimonte)


"Se a baixa da taxa de natalidade na Índia e China era resultado de políticas de Estado, então passou a aumentar quando foram removidas essas políticas de Estado, certo?" (HPS)
Relativamente à China e à India, aquilo que apresentei são citações. Acrescentei posteriormente que, fruto das políticas estatais relativas à natalidade, não podiam ser incluídas na análise, o que mantenho. 
Como nota, penso que a Índia ainda mantem uma política de contenção da natalidade e a China, como é sabido, alterou o limite de 1 para 3 filhos por casal, embora sem grande sucesso. Para além de outros condicionalismos, uma população fora da idade fértil é incapaz de gerar descendência.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 01.12.2022 às 18:55

A taxa de natalidade é o verdadeiro problema porque com menos portugueses estes perdemos influência, ideas e capacidades  e disuasão de eventuais inimigos.
O aumento da complexidade deveria-nos queres pelo menos 20 milhões de Portugueses.


Dou um exemplo. Com 5 milhões de pessoas existiria o Cristiano Ronaldo?
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 29.11.2022 às 01:09

(continuação)


Importa pois questionar porquê. Avesso a pensamentos mágicos e aos seus antagónicos, ambos fruto de efabulações ideológicas sem suporte na evidência dos números que a realidade nos mostra, recordo aqui algum do trabalho de 
William Lazonick, ex-presidente do Academic-Industry Research Network e Professor Jubilado de Economia da Universidade de Massachusetts Lowell. Nomeadamente o seu livro "Sustainable Prosperity in the New Economy?" (Upjohn Press, 2009) e o posterior artigo publicado na Harvard Business Review intitulado "Profits Without Prosperity" (https://hbr.org/2014/09/profits-without-prosperity), excertos do qual são apresentados abaixo.


«From the end of World War II until the late 1970s, a retain-and-reinvest approach to resource allocation prevailed at major U.S. corporations. They retained earnings and reinvested them in increasing their capabilities, first and 
foremost in the employees who helped make firms more competitive. They provided workers with higher incomes and greater job security, thus contributing to equitable, stable economic growth — what I call “sustainable prosperity.”


This pattern began to break down in the late 1970s, giving way to a downsize-and-distribute regime of reducing costs and then distributing the freed-up cash to financial interests, particularly shareholders. By favoring value extraction over value creation, this approach has contributed to employment instability and income inequality.»


«Since the late 1970s, average growth in real wages has increasingly lagged productivity growth. (See the exhibit “When Productivity and Wages Parted Ways.”)»


É esta a situação no mundo ocidental e na generalidade dos países desenvolvidos, em maior ou menor grau: mais instabilidade no emprego, menor rendimento disponível, maior necessidade  de pluri-emprego,  menor disponibilidade para se ter e criar filhos,  consequente diminuição da taxa de natalidade e da população autóctone.   
Sem imagem de perfil

De uidade e a 29.11.2022 às 09:48

É espantoso! Portugal, um país que é dependente de ajuda externa, porque não tem outra maneira de sobreviver economicamente, que não tem nenhuma capacidade para resolver questões prementes como a saúde, habitação, salários dignos, etc. _só para falar do mínimo que se exigia _ e com este cenário o HPS vem dizer com a maior candura aos portugueses que "tentem influenciar o Estado" ou "tenham força para mudar o que pode ser mudado". Pode?! Isso é ter muita fé. Bem, há quem o tenha feito duma penada! Mudou de país!
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 29.11.2022 às 11:12

O espantoso é transformar o que escrevi "são as pessoas e as suas comunidades que serão capazes de, nessas circunstâncias, criar dinâmicas que tornem as suas vidas melhores ... O que inclui a capacidade para as pessoas, e as comunidades, influenciarem o Estado", naquilo que diz que eu escrevi: "dizer com a maior candura aos portugueses que "tentem influenciar o Estado" ou "tenham força para mudar o que pode ser mudado".".

Isto, apesar de eu explicitamente ter escrito: "não é do Estado que virá qualquer solução relevante para evitar que haja pessoas que fiquem para trás".
Limitei-me a fazer uma sequência de posts sobre os censos de 2021, achou que eu não tinha razão porque o problema do interior é que não eram dadas às pessoas as mesmas oportunidades que às do exterior e agora evoluiu para a afirmação de que o exterior não serve para nada, de maneira que fiquei na dúvida como a sua solução funciona, já que consiste em pedir a um exterior falido e incapaz que dê oportunidades aos bons.
Prefere fazer longas demonstrações de como os outros são todos incompetentes e corruptos em vez de fazer alguma coisa por si?
Faça, homem, o que tenho eu com isso?
Sem imagem de perfil

De uidade e a 30.11.2022 às 07:53

Não sei como lhe responder, mas na verdade este país é uma sucessão de círculos concêntricos interdependentes, em que há um, o menor de todos em importância ; O último, que tudo abarca por ser o maior de todos eles é esse círculo "exterior falido e incapaz". E esse é o nosso beco sem saída.
  


Sem imagem de perfil

De uidade e a 30.11.2022 às 08:05

...e que nos tem atrofiado a todos e tem nome: socialismo.
Como no-lo relata hoje Jorge Fernandes no seu testemunho pessoal.

"Tal como em 1974, o regime deixou-se conduzir a um beco sem saída. Não existem forças endógenas para realizar a mudança necessária.(...) não admira que em 2024 a Roménia nos esteja prestes a ultrapassar. Costa e Marcelo deixarão o país bem na cauda na Europa.



https://observador.pt/opiniao/ei-los-que-partem-um-testemunho-pessoal/
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 30.11.2022 às 08:07

Ora é exactamente aí que divergimos: a sua opção é considerar que estamos num beco sem saída, o que implica que não vale a pena fazer nada, a minha opção é considerar que a generalidade das pessoas pode fazer coisas que melhorem qualquer coisa a sua vida ou a do seu vizinho, sem estar à espera de ser capaz de mudar o mundo.

E dei exemplos simples que considerou postais, como se o comerciante que vende utilidades não pudesse fazer nada na sua loja para que as suas relações com os clientes reforcem o sentido de comunidade, em vez de se manter na velha relação que se caracteriza por ser limitada à relação cliente/ vendedor.
Sem imagem de perfil

De uidade e a 30.11.2022 às 09:22

Sou do pequeno grupo a quem as circunstâncias aqui descritas pouco ou nada afectaram. Quando me sinto asfixiar e me apetece sair posso fazê-lo as vezes que quiser _ (incluindo "fugir" das feiras medievais :-) Mas faço o que posso mas não podia deixar de assinalar a decadência gradual a que fui assistindo e observo à minha volta, pois incomoda-me muito ver estas vidas sofridas vivendo com tão pouco e sem perspectivas. O que eu queria era que houvesse gente e dinamismo. Mas essas dinâmicas já não dependem só dos locais... e é aí que divergimos nas soluções. 
(A propósito:  não sei onde foi tirar essa de que considerei os seus exemplos como "postais").  
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 30.11.2022 às 11:30

Não sei onde foi buscar a ideia de que eu acho que as dinâmicas dependem apenas de cada um.

O que defendo é uma coisa muito diferente: é que as dinâmicas não existem sem cada um.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2023
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2022
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2021
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2020
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2019
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2018
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2017
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2016
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2015
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2014
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2013
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2012
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2011
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2010
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2009
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2008
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2007
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2006
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D