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Nos cornos de Cronos

por Pedro Picoito, em 08.11.18

Proclamou a Senhora Ministra da Cultura, com pompa e circunstância, que a penalização fiscal da tourada é a novel causa fracturante da modernidade doméstica. "Uma questão civilizacional", proclamou a Senhora Ministra. Ah, grande e bela coisa, a civilização. Tão grande e bela como a cultura que a Senhora Ministra ministra. Cesse tudo o que a musa antiga canta, os mortíferos incêndios, os assaltos à tropa, as caóticas urgências, os combóios antediluvianos, as greves dos professores, que outro valor mais alto se alevanta: a civilização.

Bem-haja a Senhora Ministra por nos apontar o caminho do progresso, qual liberdade guiando o povo (sim, porque a liberdade e o progresso também são grandes e belas coisas). E bem-haja o PCP por chumbar a eutanásia, abrindo caminho a este outro avanço civilizacional de não descer o IVA para o espectáculo obscurantista de bandarilhar um boi. Eu sei que ainda há, na Chamusca e em Aljustrel, meia dúzia de velhos proletários que não viram a luz, mas o camarada Jerónimo há-de enviar-lhes a camarada Rita Rato, como fez no casamento gay. Com a ajuda da camarada Rato, um velho proletário até engole um boi (a eutanásia é que não).

Bem-hajam, pois, a Senhora Ministra e a geringonça que a suporta por nos trazerem ao concerto das nações esclarecidas, como outrora nós trouxemos os índios e os cafres ao grémio da civilização (ah, grande e bela coisa). Que seria de nós, povo de bárbaros, se o governo do Dr. António Costa não nos iluminasse com a ciência e a virtude? Eu vos digo o que seria: a tribo do redondel a pagar o mesmo IVA que a exposição do Mapplethorpe. Parece-vos bem, brutos? Pois a mim, e à Dra. Graça Fonseca, não.

Pode o Museu de Arte Antiga falecer de funcionários, pode o financiamento das artes gerar eternos protestos, pode até o país ser representado na Bienal de Veneza por Joana Vasconcelos... Que importa, se o mundo civilizado, de Caracas à Rive Gauche, sabe que ninguém, por estas brenhas incultas, gritará "Olé!" sem pagar 13% de IVA? 

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7 comentários

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De pitosga a 08.11.2018 às 15:19


Falta-lhe a 'Gramática', como dizia Raúl Solnado:


A Ministra da Cultura, Graça Fonseca avançou que o Museu Regional de Évora “passará a ser Nacional já em Janeiro, com um novo projeto museológico e maior capacidade de atração”. Assim, diz a Ministra, este museu, instalado no antigo Paço Episcopal, junto à Sé, no centro histórico da cidade Património da UNESCO, frente ao Templo Romano, vai tornar-se “no primeiro Museu Nacional a Sul do Sado”. (https://www.radiocampanario.com/ultimas/regional/museu-de-evora-vai-tornando-se-no-primeiro-museu-nacional-a-sul-do-sado-anuncia-graca-fonseca)(no Blás)
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De Anónimo a 08.11.2018 às 20:30

A ministra da cultura de portugal atacar a cultura portuguesa !!??? Cultura para estes atrasados mentais que não tem outro nome é pornografia que colocam no Serralves...e depois são estes atrasados mentais que querem definir o que é valores civilizacionais de uma Nação!!??? E como você recorda muito bem, quando apoiam a matança de seres humanos com o aborto e a eutanasia nem uma lagrimas lhes cai... é civilizacional...
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De Anónimo a 09.11.2018 às 10:38

Há dois (pelo menos) sentidos para a palvra "cultura". Um, é a cultura no sentido de "usos e costumes", por exemplo na frase "a dieta mediterrânica é típica da cultura portuguesa". Outro, é a cultura no sentido de "arte", por exemplo na frase "o teatro é importante na formação cultural dos alunos".
A tourada é parte da cultura na primeira aceção, não na segunda. E a secretaria de Estado da Cultura trata da cultura na segunda aceção, não na primeira.
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De Pedro Picoito a 09.11.2018 às 12:28

Não, ao que parece ela também trata da cultura na primeira acepção. Caso contrário, nâo teria decidido discriminar na prática as touradas, mantendo o IVA a 13%, quando o teria podido descer, como fez com outros espectáculos.


PP
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De Luís Lavoura a 10.11.2018 às 18:03

Não.
A secretaria de Estado da Cultura trata das artes: cinema, teatro, dança, pintura, música, literatura, etc. Não trata de manifestações culturais não artísticas, como as touradas, o futebol, ou as chegas de bois do Barroso. Estas manifestações culturais não artísticas estão fora do âmbito da secretaria de Estado da Cultura e não têm nada que ser agraciadas poe ela com reduções do IVA.
A redução do IVA foi bem definida: para espetáculos em salas fechadas. Ficam portanto excluídos a tourada, o futebol, os festivais de verão, as chegas de bois do Barroso, e outros entretenimentos populares tradicionais mas de caráter não artístico.
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De Anónimo a 11.11.2018 às 22:50

Suponho, portanto, que não descer o IVA para o futebol, os festivais de Verão e as chegas de bois do Barroso também é uma questão civilizacional. É isso, não é?


PP
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De Terry Malloy a 08.11.2018 às 23:19

Civilização a sul do Sado...

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