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Nós?

por henrique pereira dos santos, em 14.11.21

Já usei este título (penso que a recorrência com que me lembro dele vem de Cesário Verde), e é provável que volte a usar como forma simples de perguntar: quem define o que quer dizer este "nós" (no caso de Cesário Verde é fácil, é da sua família, dos dele que fala, sensatamente não pretende falar pela humanidade).

Lembrei-me disto quando li as peças do Público (algumas, confesso que cada vez ligo menos a este tipo de circos) de balanço da COP26 sobre o clima.

Uma das peças consistia em comparar as expectativas com o que realmente se conseguiu.

Patrícia Carvalho (tenho boa impressão do seu trabalho e inclusivamente apresentei no Porto o livro que escreveu para a Fundação Francisco Manuel dos Santos) fala das expectativas, da vontade pré-existente, do que se pretendia, sem em nenhum momento se perguntar, de quem são essas expectativas, quem tem essa vontade, quem pretende isso.

Note-se que a mais mediática das alterações de última hora foi proposta pela Índia e teve o apoio da China e dos EUA.

Seguramente metade da população dos EUA tem vontades diferentes das grandes ONGs mundiais de ambiente em relação à COP26, duvido que mais de metade da população da Índia tenha grandes vontades sobre o assunto - não conheço nenhuma grande organização de origem indiana, nem um grande movimento político indiano que incorpore a visão, por exemplo, da Comissão Europeia, sobre o assunto - e da China, sendo uma ditadura feroz, é ainda mais difícil saber o que pensa a sua população, mas tenho as maiores dúvidas que entre os principais interesses políticos e sociais do chinês médio esteja a regulamentação do artigo 6º da convenção sobre o clima.

O que estamos a assumir como a vontade da sociedade sobre a COP (e não falo da pequena minoria que faz muito barulho atrás de Greta, porque esses são muito claros sobre o que pretendem para o futuro: "no more blah, blah, blah", como não se cansaram de repetir) é na verdade a vontade dos investigadores que trabalham no assunto, das grandes ONGs mundiais (que são todas baseadas em sociedades ocidentais), dos funcionários diplomáticos de alguns governos, e mais umas quanta pessoas mas, muito provavelmente, não chegam para garantir, nem de perto, nem de longe, a representação da vontade da maioria da população mundial.

Estes grandes processos negociais internacionais são o que são e têm importância, são um exemplo típíco em que a mediação é fundamental para se chegar a uma espécie de vontade colectiva para fazer isto ou aquilo.

O que convém é não confundir a vontade dos que pensam como eu com a vontade do mundo.



5 comentários

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De pitosga a 15.11.2021 às 14:09


Para enquadrar:
Climate is what we expect, weather is what we get.


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De Elvimonte a 15.11.2021 às 14:10


Comparando os fiéis seguidores "how dare you" com o facto dos alemães terem votado em Hitler e depois se terem maioritariamente transformado em nazis convictos, o paralelismo sociológico é evidente. Ignorantes e filhos da propaganda - uma nova conotação para f. da p. - que os leva a acreditar em mentiras, não tenho a menor dúvida que a generalidade desses fiéis, nesses tempos de escuridão, fossem nazis convictos, membros da juventude hitleriana - que usava a imagem duma adolescente loura e de tranças a fazer lembrar a Greta - carniceiros das SS e torturadores da Gestapo. 


As figuras públicas até podiam ter sido Ministros da Propaganda do regime nazi, não desfazendo da arte do "grande mestre" J. Goebbels - caso não o soubéssemos terá sido graças a ele que ficámos a saber que uma mentira repetida 100 vezes se transforma em verdade. Fazem uso das mesmas técnicas e proclamam fervorosamente a mesma veracidade de todas as mentiras que publicitam.


O documentário "Planet of the Humans" de Michael Moore, agora caído em desgraça porque deixou de recitar a cartilha, revela alguns pormenores (talvez ainda disponível no YT...).


Para além dos interesses económicos envolvidos, que são muitos, poderosos e  financiam a pseudo-ciência, as razões disto tudo continuam a ser o medo e a superioridade moral de que alguns se acham possuidores, acompanhada da culpa que atribuem a terceiros - precisamente os mesmos ingredientes que motivaram e ainda motivam a campanha de propaganda, censura e diabolização de tudo o que é dissidente durante a pandemia. 


Durante o nazismo era a superiodade moral relativamente aos judeus, esses grandes culpados de todos os males da Alemanha de então. Nos dias de hoje é a superiodade moral relativamente aos apodados genericamente de 
negacionistas, os grandes culpados dos tempos modernos, esses hereges e infiéis doutros tempos. As redes sociais, esse cancro da liberdade de pensamento cuja única virtude é terem vindo dar voz aos imbecis, secundam-nos e censuram tudo o que estiver em desacordo com o Ministério da Verdade orweliano. E o Trusted News Initiative (TNI) é hoje o Ministério da Verdade, tendo como associados as ditas redes sociais e os seus tentáculos, as maiores cadeias informativas e, qual cereja no topo do bolo, organizações ditas de verificação de factos que trabalham para as anteriores e são financiadas confirmadamente por elas e pelos interesses que as dominam.


Ciência (de que nada sabem), realidade (que só vêem com as palas daquilo que lhes mostram), evidência empírica (que desconhecem), nada os demove. Nunca na vida leram um artigo científico, mas viram na televisão o pseudo-cientista rendido ao protagonismo de ocasião e vendido ao financiamento, leram nas notícias, ouviram o Manel dizer o que lhe tinha dito a Maria, que tinha ouvido o primo do cunhado da irmã da tia dizer e é tudo quanto lhes basta. Repetem à exaustão e mesmo quando colocados perante factos não acreditam e negam-nos, dando primazia à convicção. 


E, quando não os negam, acham normal que a origem do referencial das actuais alterações climáticas e do período quente que (ainda) atravessamos tenha sido colocada no final da Pequena Idade do Gelo, cerca de 1850, quando se registaram as temperaturas mais baixas dos últimos 8000 anos, em vez de ter sido colocada no Período Quente Romano ou no Período Quente Medieval, de cuja existência não fazem a mínima ideia. 


O poder da propaganda é enorme e é essa a razão da existência da publicidade, que de outra forma não existiria.
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De pitosga a 15.11.2021 às 14:22


Esta combersa de tanga do clima é a que se segue, temporalmente, à combersa de tanga da covid. A menina anormal Greta tem por nome Margareta.

Não será necessário relembrar qualquer regime ditatorial. Quando chegam ao poder, todos querem o mesmo: viver bem à custa da maioria viver mal.
Não se rale.
Abraço
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De JPT a 15.11.2021 às 15:46

O mais fascinante é ver a mesma seita que reprova a condescendência e arrogância, egoísmo e suficiência da sociedade capitalista ocidental, exibir uma condescendência, arrogância, egoísmo e suficiência que faria inveja a um Cecil Rhodes. Agora na sua encarnação "ecologista", um sétimo da humanidade (enfeitada com uns "activistas" de penas e osso no nariz do Amazonas e das ilhotas perdidas do Pacífico) continua a querer ditar aquilo que é melhor para os pretinhos, chineses e indianos, com a mesma "generosidade" que os seus trisavós faziam. E a convicção com que o Eng.º Guterres declara que a estipulação de determinadas obrigações jurídicas tem um efeitos mensurável em graus Celsius de temperatura atmosférica só tem comparação com um missionário nos confins do Congo a elucidar os nativos sobre a Imaculada Conceição.
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De lucklucky a 16.11.2021 às 16:53

A Religião Política é a única com tal fanatismo que lhe permite dizer que consegue controlar a temperatura da terra -o que quer que isso seja- em décimas de grau. Nenhuma outra religião tem tal arrogância.

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