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A segunda volta das Presidenciais promete ser uma eleição tão empolgante quanto assistir à pintura de uma parede a secar num dia de chuva. Não haverá surpresas, ninguém irá surpreender ninguém, e Seguro vai ganhar limpinho, limpinho. Lamento informar os mais lunáticos.
Como contraste, o ambiente da campanha eleitoral que emana das redes sociais (o desinteresse pela eleição e o diluvio em curso tiraram a campanha das ruas), é um espectáculo de exagerada agressividade e dramatismo, totalmente desproporcional para um resultado tão previsível e… inconsequente. Estamos condenados a cinco anos de António José Seguro que promete uma postura institucional, aborrecida e cinzenta, a contrastar com dez anos de prolixa informalidade do incontinente Marcelo. Não posso afirmar que “é melhor que nada” porque sinceramente acho que “nada” seria sempre melhor que isto.
Talvez houvesse algum motivo para sobressalto se Ventura, marcado pelo seu frenético histrionismo hedonista, tivesse alguma hipótese de vencer. Secretamente até gostaria de assistir ao mandato a comer pipocas: seria a definitiva descredibilização do “Presidente da República”. Sejamos francos: como poderia Ventura, subitamente assumir uma postura séria, aprofundar dossiers, impedir bloqueios, fazer diplomacia (!) promover reformas difíceis e dizer coisas ponderadas e sensatas à entrada ou saída dos eventos? Mas desiludam-se, as sondagens deixam claro: quase três em cada quatro eleitores ou têm medo dele, ou simplesmente não o levam a sério. Não conta.
Por isso é que eu mantenho que a direita persiste minoritária em Portugal. O Chega é a secreta bênção, o autêntico seguro de vida das esquerdas. As linhas vermelhas são inúteis. André Ventura, apesar de protestar mais do que uma buzina avariada, não tem qualquer idoneidade ou talento para construir algo. Não é fiável para fazer parte de algum projecto sério, liberal, conservador ou tradicionalista, com que a esquerda verdadeiramente tivesse de se preocupar. Se um dia ele resolvesse falar a sério, se deixasse de lado as suas frases bombásticas e inconsequentes com intenção de fazer parte duma solução, já ninguém nele acreditaria, diriam que estava possesso por uma alma do outro mundo. O seu “verdadeiro povo”, que é como uma claque, sentir-se-ia traído, para rapidamente o abandonar – já viram quão imprevisíveis são as claques? Suspeito que Ventura para a História constará apenas como um curto episódio, perturbador, é certo, mas sem deixar obra ou legado, um desperdício de tempo e emoções.
As eleições de Domingo serão apenas a confirmação de que, por falta de comparência, um socialista fará sozinho e em ombros o percurso para o Palácio de Belém, numa eleição que, se marcar a história, será apenas por ter batido o recorde nacional de abstencionismo e votos nulos ou brancos.
Imagem daqui
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