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No caminho da miséria

por João Távora, em 25.11.21

Milão.jpg

Regressado dum memorável e intenso fim-de-semana alargado em Milão onde fui pela primeira vez para visitar a minha filha, sou testemunha duma agitada metrópole com uma economia pujante que parece pulsar indiferente ao alarmismo pandémico. Multidões de pessoas percorrem as ruas e praças de cara destapada, sendo unicamente obrigatório o uso de máscaras em espaços fechados, como transportes públicos (à pinha - mesmo no domingo) monumentos, museus, lojas e restaurantes que fervilham com autóctones, estudantes e turistas. Quando segunda-feira às 5 da madrugada me deslocava para o aeroporto de Bergamo, reparei da janela do autocarro no imenso movimento de transportes de mercadorias repletos de contentores, que numa frenética corrida nocturna às centenas arribavam à cidade.
Se não é necessário fazer turismo para verificar a imensa diferença entre as economias das cidades de Milão e de Lisboa, com esta visita fiquei com uma amarga sensação de que a disparidade se irá acentuar com a pandemia e a maneira como a encaramos por cá -  como se não bastasse o excesso de socialismo. No domingo à noite, no único noticiário televisivo a que assisti, a peça sobre o crescimento da epidemia, apareceu apenas em 5ª lugar, quase 15 minutos passados do seu início. Segunda-feira já em Lisboa a caminho de casa ao ouvir as notícias da rádio deu-me a sensação que, por cá, se vive uma calamidade.  

* Fotografia minha da Praça do Duomo, no passado domingo de manhã.  



20 comentários

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De aly kath a 25.11.2021 às 17:03

trabalhei em indústria química nos arredores do Lago de >Como em 1970
e passava os fins de semana em Milõ
via ópera no teatrinho conhecido por sotto-scalla
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De Anónimo a 25.11.2021 às 17:11

"Se não é necessário fazer turismo para verificar a imensa diferença entre as economias das cidades de Milão e de Lisboa, com esta visita fiquei com uma amarga sensação de que a disparidade se irá acentuar com a pandemia e a maneira como a encaramos por cá -  como se não bastasse o excesso de socialismo". 



O 25 DE NOVEMBRO DE 1975 NÃO CORTOU O MAL PELA RAIZ.
Esse foi o grande erro!
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De João Brandão a 25.11.2021 às 20:30


Concordo!


A ideia era ir um pouco mais além. 
Mas há sempre uns imbecis que teimam em deixar as coisas a meio.
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De Anónimo 78 a 26.11.2021 às 12:13


Notas sobre o 25 de Novembro (I)
No Verão de 1975 a cada fim-de-semana, tocava o sino, reunia-se o povo e lá ardia mais uma sede do PCP ou do MDP-CDE. Em Rio Maior, estavam cortadas as ligações com o Norte. Postes de alta-tensão e pontos de condutas de água estavam assinalados e as cargas explosivas a eles destinados estavam disponíveis.A previsão era de que Lisboa caíria para as esquerda revolucionária militar. 11 DFEs (Destacamentos de Fuzileiros Especiais) eliminariam qualquer veleidade dos Comandos e os Para-Quedistas eram da esquerda militar. A Artilharia de Queluz estava com a esquerda e a saída (fuga) de Lisboa seria por Cascais onde nada havia a temer da Artilharia de Costa. A grande dúvida era Mafra mas, se Mafra optasse pela esquerda estavam estudados itinerários de fuga por caminhos secundários, alguns mesmo atravessando propriedades particulares. Mais difícil seria a fuga para Norte onde Alverca seria já segura pela coluna de Santarém comandada por Salgueiro Maia e que, desta vez, incluía tanques pesados. O problema era o RALIS que, com os fuzileiros poderia bloquear essa via de saída e depois Vila Franca de Xira que a Marinha dominaria.
O sul de Lisboa, Alentejo e Algarve, seria da esquerda mas todos os aviões militares tinham sido retirados de Montijo e Figo Maduro e estava seguros em Monte Real e noutras bases a Norte. Se não houvesse outra alternativa, seriam o tira-teimas para unidades como exemplo maior a Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas que protegera e impulsionara a Reforma Agrária e tinha em articulação com o PCP brigadas que, com equipamento agrícola (se não com armamento distribuído o que seria possível) bloqueariam todos os itinerários vedando cruzamentos e outros pontos chave.
Este era o quadro previsto. Lisboa de esquerda mas privada de electricidade e com o abastecimento de água seriamente reduzido. Para a guerra civil estavam já planeados os DRM (Distritos de Recrutamento Militar) em que se procuraria juntar militares que tivessem servido na mesma província ultramarina e no mesmo ano. Os princípios eram simples: quem se assumisse como combatente no ultramar não era comunista e o serviço comum facilitaria a coesão das unidades.
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De balio a 25.11.2021 às 17:29


sendo unicamente obrigatório o uso de máscaras em espaços fechados, como transportes públicos, monumentos, museus, lojas e restaurantes



Em Portugal o uso de máscara não é obrigatório em lojas nem em restaurantes. Portanto, em Portugal o uso de máscara é obrigatório em menos sítios do que em Itália.
Se em Portugal muita gente usa máscara na rua é porque quer usá-la, não porque seja obrigatório.
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De Anónimo a 26.11.2021 às 16:19

"Em Portugal o uso de máscara não é obrigatório(...) em restaurantes."

Ah! Ah! Ah! O Balio está a apurar cada vez mais o seu sentido de humor!
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De balio a 25.11.2021 às 17:33


Grande novidade que o João Távora aqui nos dá: a economia de Milão é muito maior do que a de Lisboa! Uau, eu jamais suspeitaria tal coisa!
O João Távora deveria comparar Lisboa com Nápoles ou Palermo. Não com Milão!
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De Patricia de Mira Ferreira a 25.11.2021 às 21:13

Pois olhe, estou neste momento em Florença a escrever este comentário. 
E também eu tinha já pensado o que neste post leio.
Penso que não há nada pior que a falta de esperança. É o que começo a sentir em relação a Portugal. Desesperança…
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De balio a 26.11.2021 às 11:50


Se há países europeus que nos últimos dois decénios têm exibido estagnação, eles são Portugal e... a Itália.
Portanto, se a Patrícia desespera de Portugal, também deveria desesperar da Itália na qual se encontra.
São países muito similares, com alta dívida, natalidade baixíssima, crescimento económico anémico ou negativo, Norte com alguma pujança mas Sul pobre, etc.
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De Patricia de Mira Ferreira a 27.11.2021 às 14:52

Pois veja lá se a Itália, com tamanha estagnação, se mostra tão mais pujante, viva e próspera que Portugal (e escusa de insinuar que estou fora de contexto, pois se há país que visito é exatamente a Itália, tendo feito de carro a costa Amalfitana há 3 anos, por exemplo), não há mesmo dúvida que é por Portugal que tenho que desesperar…
A mim, o que não cessa de me espantar, é a mentalidade dos nossos nativos. Pobrezinhos e desonrados.
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De lucklucky a 26.11.2021 às 01:01

Impressiona como  as autoridades "politico-cientificas" não têm problema que alguém com o vírus vá a um restaurante mas com quem não tenha sido vacinado já têm.
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De José Machado a 26.11.2021 às 07:16

O mais triste e trágico é constatação que se faz de ao longo dos anos de que cada vez estamos mais longe da vida em Marselha, Nice, Milão ou qualer outra cidade europeia......
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De Andre Miguel a 26.11.2021 às 09:58

Nem é preciso ir tão longe, basta comprar com Espanha e nem é preciso recorrer à capital pois fica a anos luz de Lisboa. Bilbao, 350 mil habitantes, tem um pib per capita ligeiramente acima de 30 mil euros, Lisboa anda pelos 26 mil euros.
Portugal não tem emenda, estamos condenados a ser a Cuba da Europa.
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De balio a 26.11.2021 às 11:54


Bilbao, 350 mil habitantes, tem um pib per capita ligeiramente acima de 30 mil euros, Lisboa anda pelos 26 mil euros.


É bem sabido que o País Vasco é, já desde o século 19, a região mais rica da Espanha. Isso deve-se em parte às suas minas de carvão, que geraram lá uma Revolução Industrial precoce.
Portanto, falar de Bilbao como se fosse uma cidade representativa da Espanha é profundamente errado. Bilbao é a cidade mais rica de Espanha.
(Atualmente Madrid é mais rica, porque todas as grandes empresas têm lá as suas sedes.)

As regiões de Espanha mais próximas de Portugal são somente pouco mais ricas que Portugal. A Extremadura, a Andaluzia e a parte ocidental de Castela e Leão são, todas elas, bastante pobres (embora menos que Portugal).
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De Marques Aarão a 26.11.2021 às 10:37

PÓLVORA SECA
Enquanto houver vacinas para agendar, Rendeiro para capturar e caça aos caçadores do campo de tiro de Alcochete, todo o resto de sofismas e pantominas vai seguindo nas densas sombras artificialmente montadas.
Valha-nos a lucidez de Sua Excelência nosso estimado presidente, que já veio reconhecer que a resiliência, aliada a volumosa paciência digo eu, que está na cabeça de todos.
Se interpretado como reconhecimento a todos os portugueses do estofo sempre demonstrado para aturar atropelos e palhaçadas de importantes cabeçudos de proa, com monas a rastejar ao peso de inertes carradas de areia lamacenta que comportam, merece forte aplauso o sempre visível comandante supremo. 
A não ser que se trate de mais uma estafada pregação ao cardume de peixinhos fritos.
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De Anónimo a 26.11.2021 às 11:29

João Távora, apetecia-me "espetar" este seu texto em grandes parangonas em outdoors em tudo quanto é esquina e rotunda deste país. Porque infelizmente temos a nossa própria "pandemia" que é a tremenda iliteracia crónica de que padecem os portugueses. De uma maneira geral é uma população que não lê, é pouco informada e por causa deste seu alheamento, está mais exposta à mais vil e desavergonhada exploração por parte dos nossos governantes. 
Gostei imenso do seu post. Partilho da mesma experiência, pois também tenho filho "lá fora" e comparo e sei como a vida noutros países é tão diferente. Este país entristece. 
Há tempos, no Verão, o jornalista João Miguel Tavares escreveu no Público um texto _ que provavelmente leu _ sobre a sua experiência de férias com a família na Alemanha, observando e registando o nível de vida deles e os seus salários. Ele deu exemplos de preços na Alemanha comparados com os nossos. As diferenças entre o nível de vida deles e o nosso era surpreendente!  Eles com salários muito mais elevados e a vida muito mais barata. Nós, com os nossos salários miseráveis e uma carestia de vida incomparavelmente mais exorbitante que na Alemanha. Por comparação, os gastos diários com bens e serviços, despesas comezinhas do quotidiano e bens de primeira necessidade eram desmesuradamente mais caros que em relação na Alemanha!  
Quantos portugueses sabem disto? Quantos leram esse artigo? Quantos vão ler este seu texto João Távora? 
Penso que neste país vivemos como homens acorrentados tal como no Mito da Caverna de Platão. Ninguém vê senão a realidade que alguém lhe "projecta" na parede. Mas o que vê são apenas sombras(2) manipuladas. Ninguém conhece o que se passa fora desta Caverna, pois estamos voltados de costas para a realidade que se passa lá fora. 
E quem diz "parede da caverna" diz ecrã de tv onde as "sombras" projectadas são toda a espécie de manipulação e controlo de informação.
st
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De Anónimo a 26.11.2021 às 11:31

Também de leitura obrigatória, se me permite, JoãoTávora.
Um triste retrato do país, feito por quem não vive na "caverna"


https://observador.pt/opiniao/o-ascensor-no-r-c/




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