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Negacionista

por henrique pereira dos santos, em 11.06.20

Vasco M. Barreto, um investigador de laboratório cujos interesses se centram na genética molecular e celular, resolveu, por razões que não entendo, eleger-me como o representante dos negacionistas da covid, ao ponto de frequentemente aparecer por aqui a fazer comentários aos meus posts.

Inicialmente fui respondendo aos argumentos com argumentos, mas fartei-me quando me acusou a mim de fazer uma manipulação de um gráfico que nem sequer era meu e cuja origem estava perfeitamente identificada, sendo fácil ir ao original ver o contexto do gráfico e as razões pelas quais os estudos da gripe se fazem a partir de mortalidades indirectas, em todo o lado. O gráfico até era de uma fonte mais que credível, o CDC americano.

Ninguém anda a gastar milhões para testar laboratorialmente se as pessoas têm gripe e, muito menos, se existem vestígios de vírus associados à gripe em pessoas saudáveis, como se faz com a covid, por ser caro e inútil.

Uma das razões para ter prestado atenção aos comentários de Vasco M. Barreto foi ter reparado no rigor dos seus comentários sobre o meu erro de palmatória num artigo que escrevi em tempos, em que falava erradamente da reprodução de vírus e bactérias. Não fazia a mínima ideia de quem estava a comentar, de qual era o seu conhecimento na matéria, mas li os comentários, pareceram-me rigorosos, fiz meia dúzia de verificações e imediatamente dei razão às críticas. Só muito mais tarde soube que os comentários eram exactamente sobre a área de investigação de quem os fazia.

Só que, na típica atitude do sapateiro a quem o pintor deu razão, Vasco M. Barreto resolveu que eu lhe deveria dar também razão quando se dispôs a fazer comentários sobre o resto da pintura.

"O que me move aqui não é a defesa das medidas de confinamento. ... O que me irrita profundamente é o negacionismo do efeito das medidas não-farmacológicas na diminuição da epidemia, tão bem exemplificado por HPS. ... O "ataque pessoal" de que sou acusado é apenas uma reacção irritada à escrita estereotipada de HPS ... e incorpora todos os elementos típicos no pensamento de um negacionista (do Holocausto, das alterações climáticas, da esfericidade da Terra, das vacinas, etc.). ... A opinião dos negacionistas do efeito das medidas não-farmacológicas nasce de uma motivação libertária ... e de um cepticismo em relação aos especialistas muito característico. Este cepticismo resulta da complexidade do problema, que possibilita a aparente persistência da dúvida (tem sido a táctica de HPS desde que passou a "admitir" - mas sem inalar - "algum" efeito das medidas não-farmacológicas). ... Há ainda uma pitada de "conspiracionismo" (os especialistas são uns vendidos que buscam protagonismo e financiamento para sua ciência), um desprezo pelas elites que tem uma raiz populista e ainda a impossibilidade de admitir o erro, que cristaliza a opinião do negacionista, pois admitir a parvoíce seria devastador para a identidade entretanto criada."

Esta longa citação é de um ainda mais longo comentário em que Vasco M. Barreto pretende justificar o seu trollismo que consiste em sistemáticos ataques pessoais e a mais que evidente fuga a qualquer discussão sobre argumentos concretos.

Só que este comentário tem várias coisas que são simples mentiras, usadas recorrentemente, para evitar discutir a questão essencial da gestão da epidemia: as medidas radicais de confinamento de pessoas saudáveis são ou não justificadas?

Desde o meu primeiro texto sobre a epidemia que me limito a ter dúvidas, a falar na hipótese de explicações alternativas para o que se vê e a citar o que está na literatura - incluindo as meta análises da Organização Mundial de Saúde - sobre o que se sabe sobre medidas não farmacêuticas como instrumento de controlo de epidemias.

A inovação social que consistiu em confinamentos radicais de pessoas saudáveis, baseados na propaganda de uma ditadura e em modelos matemáticos cuja aderência à realidade nunca foi demonstrada, é que precisa de demonstrar a sua utilidade do ponto de vista da saúde pública, já que os seus efeitos negativos para a sociedade são reconhecidamente brutais, certos e concretos, não são os outros que têm de demonstrar a sua inutilidade (por definição, não se pode demonstrar a inexistência de uma coisa).

Sejamos claros a este respeito realçando que, com ou sem medidas de confinamento coercivo, os impactos económicos de uma epidemia são sempre grandes, porque as pessoas não são robôts e reagem a emoções, incluindo o pânico social.

Essa é, aliás, uma das razões pelas quais é incompreensível a opção da OMS pela promoção do medo, que em qualquer caso existiria sempre e teria consequências positivas - uma maior defesa em relação à doença - e consequências negativas sérias, quer estritamente económicas, quer sociais. Uma OMS responsável teria consciência de que é assim e deveria optar por limitar o pânico, canalizando-o para a adopção de medidas prudentes de defesa em relação à doença, mas procurando evitar a irracionalidade que se tornou dominante.

É uma absoluta mentira a ideia de que eu - e a maior parte dos críticos à loucura das opções sociais adoptadas na generalidade dos países - negam qualquer influência das medidas não farmacêuticas na evolução de epidemias, o que eu nego é qualquer evidência de que as medidas radicais de confinamento social, na terminologia da OMS, fecho de escolas, fecho de locais de trabalho e confinamento domiciliário, seja visível nos dados da actual epidemia de tal modo que se justifiquem a adopção de medidas como estas. É também muito possível que outras medidas não farmacêuticas mais consensuais, como lavar as mãos, a etiqueta respiratória, a desinfecção de superfícies e o distanciamento social voluntário, para além da protecção dos grupos de risco, não tenham sido determinantes na evolução da epidemia, embora possam ser marginalmente úteis para controlar os seus principais efeitos negativos nos grupos de risco.

É uma absoluta mentira que a contestação que faço à adopção de medidas radicais de confinamento de pessoas saudáveis nasça de uma pulsão libertária (se fosse verdade, não era defeito) como é mais que evidente no segundo texto que escrevi sobre a epidemia, o primeiro que escrevi no Corta-fitas, que até se chama "um banho de humildade", onde explicito o fundamento das minhas críticas: a ideia de que controlamos a natureza.

É uma absoluta mentira que eu negue a importância dos especialistas na formulação de questões complexas, o que não confundo é opiniões dominantes com unanimidades - há especialistas como muitas opiniões diferentes - e muito menos confundo o processo social de gestão de uma epidemia com uma questão científica a ser dirimida por cientistas especializados em questões parcelares. Um bom exemplo é o enviesamento generalizado do foco dos especialistas em saúde pública na capacidade dos sistemas de saúde, quando o grosso da mortalidade ocorreu em lares de terceira idade, a que ninguém deu a devida importância até ser tarde demais.

E, sendo verdade que existem inúmeros exemplos de teorias de conspiração que falam nos interesses que beneficiariam com a política do medo, não há um único texto meu que refira qualquer coisa que minimamente possa ser interpretada nesse sentido, sendo profundamente desonesto, ao pretender-se contestar o que escrevo, querer colar-me argumentos que nunca usei e que sistematicamente combato.

A técnica de inventar uma palavra com conotações negativas, neste caso, negacionista, para liquidar as discussões racionais e as levar para as discussões emocionais que alimentam populismos vários é não só desonesta como perigosa, ao queimar o chão comum em que pessoas com ideias diferentes se podem encontrar para as discutir, reduzindo tudo a discussões pessoais e de carácter que não nos levam a lado nenhum.

Infelizmente esta epidemia, com toda a carga emocional que as epidemias comportam, tem adubado excessivamente essa distorção da discussão pública que conduz, inevitavelmente, ao anátema sobre filmes como "E tudo o vento levou" ou à destruição de estátuas de Cristovão Colombo, a pretexto do anti-racismo.

E isso é, para mim, bem mais inquietante que os efeitos da epidemia em si.



18 comentários

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De Anónimo a 11.06.2020 às 11:52

Vou responder-lhe no blog. Mas ponha já algumas noções elementares dentro dessa sua cabeça, de uma vez por todas:

1) mostrar um gráfico que não foi feito por si não o iliba de responsabilidades. Tudo depende do uso que se faz do gráfico, como é evidente. 
2) se quer mesmo falar sobre a gripe e se insiste no bordão "é absoluta mentira" para efeitos de retórica de palanque, conte a história completa. A história completa tem necessariamente de incluir a sua confusão entre mortes por gripe e excesso de mortes associadas ao Inverno, uma incorrecção que nunca admitiu até hoje apesar da minha insistência. Só me obriga a expor uma vez mais o que se passou, o que farei. Depois não se queixe de "ataque pessoal".
3) quando usa citações truncadas cirúrgicas com o propósito de reforçar a sua vitimização, seria elegante indicar a fonte onde o leitor poderá encontrar o comentário completo. Mas não me surpreende. Faz uma gestão com muita manha de comentários e novos posts para cortar a discussão e a relançar noutros termos.
4) Nunca estive interessado em discutir a sua crítica às medidas e os seus desabafos libertários. Talvez isto seja um choque para si e o seu imenso ego, mas esses seus insistentes comentários são aborrecidos e nada controversos. Por isso, trazer essas dimensões para esta discussão é mais um dos seus truques para angariar simpatias. Como expliquei várias vezes, critico apenas as suas certezas (entretanto transformadas em dúvidas), os seus textos absurdos e anticientíficos (como o seu "Isto não é matemática"), as suas caricaturas ignorantes do que é um modelo e de um saber de décadas que julga ter superado por instinto após uma semana a pensar sobre o assunto  (uma pose agora revista com uma mansa declaração de respeito pelos especialistas). Basta fazer uma lista de afirmações suas ao longo do tempo para expor esta sua manipulação, o que farei com os devidos links. 
5) a sua acusação de que me retiro do debate é ridícula. Se algum maluco tiver acompanhado as nossas interacções, terá reparado nos seus amuos e silêncios por ter ficado com a honra ferida e nas suas respostas altamente selectivas, ignorando sistematicamente as perguntas que lhe colocava. Isto é factual, mas ninguém se dará ao trabalho de verificar porque a discussão está partida em múltiplas caixas e é por isso que tem a lata de escrever o contrário. 


Quanto ao resto, responderei daqui a uns dias no meu blog, ponto por ponto. Como lhe disse, vai dar uma trabalheira, mas repito uma conclusão a que cheguei e me deixou perplexo. Em duas décadas de discussões acesas na internet, entre pessoas com alguma formação, nunca encontrei ninguém tão manipulador e desonesto a discutir como o Henrique. Este seu texto é apenas mais um exemplo. 


Até breve,




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De Anónimo a 12.06.2020 às 10:41

Tens as orelhas a arder...
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De Anónimo a 13.06.2020 às 07:42

Há tantos "negacionistas" por aí a escrever e a comentar em tudo quanto é lado, que chego a pensar que V. só seleccionou o Arq. HPS para se auto-promover, ou se tornar (como direi?) um pouco menos ignorado, invisível...  à custa de quem tem notoriedade e prestígio.
Faz isso muitas vezes?
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De Anónimo a 14.06.2020 às 00:12

na mouche !
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De Eremita a 14.06.2020 às 01:21

Para me "auto-promover"? Mas de que forma estar numa caixa de comentários de um blog  a aturar insultos de cobardes anónimos e ignorantes passa por promoção? Eu diria que é mais uma cruz que aceitei carregar. 
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De Anónimo a 13.06.2020 às 07:50

Se alguém se atrevesse a referir-se a mim nestes termos e com esta linguagem, pode crer que lhe fazia uma "espera". Depois decidiria se era no sentido metafórico. Ou não.
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De Eremita a 14.06.2020 às 01:26

Ena, mais um marialva de caixa de comentários, escrevendo do quentinho do anonimato. Isso é que é coragem, hein? Mas será que podem começar a escolher cores ou nomes de animais para pseudónimo? É que com a designação de "anónimo" e dizendo todos mais ou menos a mesma coisa não posso dar o tratamento diferenciado que cada um merece.
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De Anónimo a 13.06.2020 às 08:52

Se alguém me insultasse na minha própria casa, indicava-lhe a porta de saída.
De que está à espera, Henrique Pereira dos Santos? Julgo que este indivíduo  apenas quer chicana para o expor publicamente e testar insidiosamente os seus limites. Com que intuitos, desconheço... Mas sei que ele conseguiu distorcer uma  discussão que poderia ter sido muito interessante para todos, até pela divergência de opiniões e perspectivas à volta do tema e torná-la infrutífera, desinteressante. Apre!!! É quase penoso ver apenas sobressair a incivilidade, o ultraje e a violência verbal. Em suma, uma grande falta de elevação que contrasta com a expressão de respeito pelos outros demonstrada pelo HPS.


Como sei que o HPS provavelmente não o faria, tomo a liberdade de aqui lançar uma proposta a todos os colaboradores/comentadores deste blog: a ideia do seu banimento (por um período a determinar), como o faziam os gregos.
Pela parte que me toca, escreverei o seu nome e respectivo pseudónimo no meu pedaço de cerâmica, no meu "óstraco". A votação está aberta.


Cumprimentos,
FT
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De Eremita a 14.06.2020 às 01:38

Isso de me banir é mesmo uma mania, não é? Assume-se como uma espécie de capataz do HPS que assegura o "dirty job", é? A quantidade de machos beta que por aqui passeiam é preocupante. Mas não se apoquente mais, pois amanhã encerro o tema HPS com um texto no meu blog. Em todo o caso, à Groucho Marx e na qualidade de colaborador/comentador deste blog, voto antecipadamente pelo meu banimento ad aeternum, com efeito nas próximas 24 horas! Muito obrigado por me ter proporcionado esta forma peculiar de despedida.
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De Anónimo a 14.06.2020 às 08:24

já vai tarde.
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De Anónimo a 11.06.2020 às 14:06

detesto que procurem enfiar-me o barreto
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De Anónimo a 11.06.2020 às 19:36

Este Eremita é mas é um grande chato!
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De Anónimo a 12.06.2020 às 10:38

Aplaudo energicamente. 
E assino por baixo.
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De jose a 12.06.2020 às 15:16


Apenas.


https://medium.com/incerto/the-intellectual-yet-idiot-13211e2d0577 (https://medium.com/incerto/the-intellectual-yet-idiot-13211e2d0577)
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De marina a 12.06.2020 às 22:46

muito bom. são um produto da massificação do ensino superior , a maioria não presta para nada.
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De Ricardo Miguel Sebastião a 15.06.2020 às 11:47

Esse senhor, quando começa a comparar aos flat earthers, diz logo ao que vem…


De qualquer forma ele que ponha os olhos na Suécia; e o ideal era ficar desempregado para sentir na pele as consequências das suas opiniões
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De Eremita a 15.06.2020 às 19:11

Obrigado por desejar deixar as minhas filhas na pobreza, é toda uma elevação. Já percebi que não é muito sofisticado a interpretar textos, mas diga lá o que quer que eu veja na Suécia...

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