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Natal ou o dia de finados, é mesmo quando o homem quiser

por Jose Miguel Roque Martins, em 21.12.20

Quando Bismark introduziu, pela primeira vez, as pensões de reforma, a idade de referencia foi de 72 anos. Eram tão poucos os que chegavam a essa idade, que foi depois decidido baixar a idade para 65 anos. Ainda hoje, uma referencia mítica quando falamos do tema.

Chega-nos hoje um estudo da OCDE, que alerta para que, em Portugal, em 30 anos, a idade da reforma tenha que passar para os 72 anos, de forma a tornar o sistema solvente.

Estas previsões, que dependem de projeções de fertilidade, esperança de vida, imigração, produtividade e crescimento económico, com base em tendências, não têm nada de ideológico e são o resultado de aritmética simples.

Se as previsões se concretizarem, muitos direitos adquiridos ou expectáveis terão que ser corrigidos em função da brutal realidade da falta de meios para que assim não seja.

A diminuição da população e baixos crescimentos económicos, os principais factores que condicionam estas projecções,  não são inevitabilidades.

Uma política de imigração pode resolver parte do problema. Mas se não conseguirmos inverter a nossa mediocridade económica, nem conseguiremos atrair migrantes, nem conseguiremos inverter um aumento brutal da idade da reforma.

Se soltarmos a produtividade com políticas que não agridam permanentemente o mercado, se passarmos a ter um Estado menos ineficiente, não será necessário passar por um aprofundamento das nossas dificuldades e perda de qualidade de vida.

É difícil mudar, mas se não o fizermos, depois não poderemos queixar-nos de que, em vez de Natal teremos muitos dias de finados. Essa será a nossa escolha.



10 comentários

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De marina a 21.12.2020 às 14:46


a exploração do idoso . bolas, ao que chegámos com a democracia partidária.



o que vale é  que aos 72 a maior parte não tem capacidades cognitivas e físicas para o trabalho , portanto , podem tirar o cavalinho da chuva os que esperam resolver o problema empurrando com a barriga a idade da reforma.
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De Anónimo a 21.12.2020 às 15:02

Acha que alguém vai dar 70% do ordenado para que assim não seja? 
os dados estão lançados. Agora é correr ou morrer
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De marina a 21.12.2020 às 20:08

talvez. o que me assusta é a passividade e naturalidade com que aceitamos estas decisões anti natura.  aliás , os postos de trabalho não são infinitos e por cada idosos que mantêm na escravatura há um jovem de costa direita a curtir.
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De Marques Aarão a 21.12.2020 às 16:40

Deixar ao critério do trabalhador a escolha da idade da reforma depois de feitos os 65 anos. 
Desde que exista acordo com a entidade empregadora, e avaliadas por uma junta médica as capacidades indispensáveis para o exercício de uma determinada função. 
Recordar que consequências do avanço da idade não atingem de igual modo todas as pessoas, sendo verificável que se pode estar no ativo bem para além dos setenta e tal anos.  
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De Anónimo a 21.12.2020 às 19:22

Por mais que seja difícil de acreditar, se as tendencias se confirmarem, não vai haver dinheiro para o estado pagar as reformas!
dai a unica alternativa será melhorarmos a nossa economia. 
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De balio a 22.12.2020 às 09:27


sendo verificável que se pode estar no ativo bem para além dos setenta e tal anos


Poder, pode. Mas a produtividade é muito afetada. A velocidade diminui. E o patrão não está para pagar com o mesmo salário um trabalhador que funciona a metade da velocidade.
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De Anónimo a 21.12.2020 às 17:00

Os Serviços Nacionais de Saúde universais e tendencialmente gratuitos, nasceram no pós guerra do século 20. Nesse tempo a realidade política, social, económica dos países da Europa eram muito diferentes dos atuais.
. População mais jovem, isto é, menos candidatos aos cuidados de saúde.
. Os custos da prestação desse serviço eram muito menores que os atuais, sobretudo havia muito menos recurso aos meios complementares de diagnostico.
. Os equipamentos que surgiram para fazer formas muito sofisticadas de diagnóstico são muito mais caros que os anteriores, desproporção não acompanhada pelo aumento de receitas do Estado.
. No campo da cirurgia, deixou de poder contar-se só com a habilidade do cirurgião, o qual também quer dispor de equipamentos caros que o ajudem nas operações.


É tudo a bater no pai, que é cego! o SNS... 
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De lucklucky a 21.12.2020 às 18:03


"Os Serviços Nacionais de Saúde universais e tendencialmente gratuitos"
Atenção !!  acima Fake News habitual do jornalismo "de referência".



"Os Serviços Nacionais de Saúde universais e tendencialmente pagos pelos contribuintes"
Como tornaram o tratamento da saúde muito valiosa tornaram-na cara. Logo rara a prazo. Claro os contribuintes podem pagar para as pessoas irem tratar-se à Índia, ou  África Portuguesa com os consequentes baixos custos e maiores riscos...

O mesmo com as crianças, por vontade da cultura em vigor hoje nenhum Mozart teria nascido - não teria "condições" - logo como são tão valiosas as crianças tornam-se raras.


A solução para estas forças negativas será a inevitável robotização em massa.
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De Anónimo a 21.12.2020 às 22:44

Olá a todos. 
Eu não consigo entender o argumento de que a imigração possa, no longo prazo, corrigir a nossa pirâmide etária, pois se há um conjunto de circunstâncias que levam a que os estabelecidos não queiram ter filhos, não é de esperar que, também, os que venham, quando alcancem as mesmas circunstâncias, não queiram ter filhos também? Ou será que o que se espera é que os imigrantes venham alterar a nossa sociedade e as nossas circunstâncias?
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De balio a 22.12.2020 às 09:30

Claro que é de esperar que os imigrantes também não tenham muitos filhos. Mas, se houver um fluxo contínuo de imigrantes, isso substitui o fluxo de nascimentos. Ou seja, aquilo que é necessário não é somente uma leva de imigrantes, o que é necessário é novos imigrantes constantemente a vir.

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