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Não os tratem com condescendência

por henrique pereira dos santos, em 16.11.22

José Teixeira: "a importante questão das "alterações climáticas" é apropriada para alimentar uma agenda contestatária abrangente, a que alguns querem chamar "ideológica" mas que não o é, sendo apenas uma atrapalhada e atrevida mescla de itens de "agit-prop" da agenda esquerdalha (agora dita "woke" à falta de termo português para tal monsto), sob a evidente "mão visível" do BE. Isso poderia nada mais ser do que um pouco irritante, ou mesmo só risível, se a questão climática não fosse verdadeiramente relevante. E em assim sendo esta cacofonia, este "radicalismo pequeno-burguês de fachada ecológica" - como diria Álvaro Cunhal - aliena as necessárias, reflexões e verdadeiras acções face ao processo climático. Digo-o diante das patéticas acções de pirataria artística, agora encetadas, como deste "confusionismo": apenas obstam às coalizões sociais nos esforços ecológicos. ".

Fernanda Câncio: "Espero também que, ao contrário de tanta gente que insulta e menoriza os "jovens climáticos", como os apelidam nas notícias, seja capaz desse ato derrisório de autocrueldade que é ver-se do outro lado. O lado da injustiça, dos que deviam agir e não agem, o lado do poder e do deixa andar, dos que fecham os olhos e arranjam desculpas, dizem "ah mas é muito complicado, isso não é como vocês pensam, não se carrega num botão e já está, como seria depois?". O lado dos que desistiram de salvar o mundo, e se limitam a gerir. Recursos, empresas, países; o hábito. Porque é assim que esses jovens o vêem, nos vêem. E têm toda a razão".

A lucidez de Fernanda Câncio na interpretação do que vê à sua volta é lendária mas, neste caso, não tem razão nenhuma neste "E têm toda a razão".

Não tem razão nenhuma pelas razões que José Teixeira elenca acima: ninguém está a tentar salvar o mundo - o mundo não precisa de ser salvo - e, muito menos, gerir, recursos, empresas, países, é menos relevante e digno que querer mudar o mundo.

1) Primeiro que tudo talvez seja útil deixar de tratar esta raparigada e rapaziada (andava há tempos infindos à procura de uma oportunidade para ser tão politicamente correcto) como se fossem criancinhas do jardim escola, este pessoal é mais que crescido para ler, pensar, decidir e agir, e a sua falta de idade, uma coisa que passará com o tempo, não os exime de responsabilidades e muito menos lhes confere qualquer superioridade moral: dizem ou fazem asneiras, devem ser avaliados por isso, como qualquer outra pessoa, dizem e fazem coisas certas, devem ser avaliados por isso, como qualquer outra pessoa, não há nenhum estatuto aplicável aos jovens que lhes permita fazer parvoíces sem que tenhamos o direito a ter a opinião de que são parvoíces. E não, não é de esperar que, por terem pouca idade, desatem a colar-se ao hall da entrada das casas para que são convidados, eles sabem perfeitamente que é uma parvoíce, apenas acham que sendo parvos conseguem chamar mais a atenção para o que acham que os outros devem ouvir;

2) Em segundo lugar seria útil deixar de dizer que os jovens isto e os jovens aquilo, a partir do que este grupinho de 50 ou 100 pessoas, alguns não tão jovens que até já podem votar, diz, faz ou pensa, porque a esmagadora maioria dos jovens não está para aturar estas cegadas, como se tem visto pela evidente incapacidade de mobilização que caracteriza esta cega-rega;

3) Em terceiro lugar era o que mais faltava que agora se aceitassem argumentos idadistas para delimitar o que se pode ou não dizer destas parvoíces, estabelecendo uma relação de causa/ efeito entre dizer que há muita parvoíce nestas acções e ser velho;

4) Por último, seria sensato deixar de fazer comparações idiotas entre as intervenções da polícia democrática no cumprimento estrito da lei, com as intervenções da polícia da ditadura, apenas porque ocorrem no mesmo tipo de espaços. Comparar bastonadas indiscriminadas numa carga de polícia sobre uma multidão, com eventuais fissuras na pele provocadas pela falta de cuidado da polícia quando descola pessoas que voluntariamente se colaram a qualquer coisa, é uma tolice.

O argumento de que os outros deviam agir e não agem é um argumento de pura ignorância: a verdade é que há alguns países em que o PIB continua a crescer, mas as emissões começaram a diminuir (para não complicar nem falo das políticas de adaptação, dei só um exemplo de mitigação), o que quer dizer que se age, sim, que se tem feito alguma coisa, sim.

É insuficiente?

Até pode ser, mas como todos os países em que isso acontece são países capitalistas ocidentais, é incompreensível que o argumento central desta gente seja a incompatibilidade entre o modelo capitalista de produção e a acção climática consequente, em vez de argumentarem que o que é preciso é reforçar os mecanismos de mercado e capitalistas que têm estado a dar resultados, por exemplo, deslocando a taxação sobre factores de produção - capital e trabalho - para o consumo.

Embora eu os perceba, é muito mais fácil ter os jornalistas a dizer que é preciso acabar com os fósseis no governo que a aceitar a ideia de que o IVA deveria subir, e o IRS e IRC descer.

O que me parece confirmar que esta boa gente sabe mais de marketing que de alterações climáticas.



14 comentários

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De Manuel da Rocha a 16.11.2022 às 15:35

Quem começou com as manifestações foi a JSD. Na escola artística quiseram exigir a demissão do governo, como atestavam os painéis, colocados na lateral da escola. Só que eram pouco mais de 20. Entretanto, alguém teve a ideia de aproveitar o "ideal climático" e os "coletes amarelos" e os "anti-vacinas". Foi graças a isso que o BE conseguiu fazer crescer os grupos. E é a causa de cada pessoa dizer sempre a mesma coisa "demissão do fóssil", alguns que nem sabem o que estão a dizer. 
E há a parvoíce louca de acharem que estão mandatados por todos os colegas, quando 50 pessoas, encerram uma universidade ou uma escola, proibindo 6000 alunos, 300 professores e 300 funcionários, de lá cumprirem os seus deveres. No momento em que invadiram a sua própria instituição, proibindo os outros de lá entrar, é para serem expulsos a pontapé e chapada, na versão mais simpática da coisa. É que são tão espertos que nem sabem que as manifestações de 1968, não encerravam universidades ou escola. Os manifestantes protestavam ao não irem ás aulas, ficando ás portas. Quem queria ir ia, quem não queria juntava-se aos grupos. Foram esses que foram presos, torturados e mortos. 
É por isso que a polícia só deteve 4 (mais 11 de outros locais), pois foram os que continuaram a tentar encerrar os estabelecimentos de ensino, a reclamar que estavam mandatados pelos colegas. 
O mais engraçado é que mal aqueles piquetes de greve foram corridos, as aulas voltaram ao normal com milhares de pessoas a circular pelas portas que as poucas dezenas bloqueavam. 
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De Anónimo a 16.11.2022 às 15:42

E qual é o estilo de vida destes jovens? Alguém sabe? E o da d.Câncio? 
E por que razão não deixam que esses adoradores da Stª Thunberg se mantenham colados ao chão?
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De entulho a 16.11.2022 às 21:04

como teria dito Bocage
« o peido que aquela senhora deu. não foi ela. fui eu»
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De lucklucky a 16.11.2022 às 21:56


E temos um texto "menchevique"...


Porque é que os "jovens" não pedem para acabar com os festivais de verão,  os 200 canais de TV (ficam só 4 ou 5), além do cancelamento do novo aeroporto e limitação de vôos?Ainda pedir ao governo para proibir o acesso ao Youtube, Netflix, Disney e todos os sites com transmissão de dados intensivos?


Depois  podem pedir que 40% da produção de energia eletrica seja cancelada ao não importar mais gás natural, e depois ir à gasolina e outros combustíveis.


A energia é o que sustenta a civilização. Mas até aqui parece que se esquecem disso.



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De O primata apartidário a 19.11.2022 às 21:01

Ora bem!  Aí é que a "porca torçe o rabo" .
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De Ricardo a 19.11.2022 às 21:45

Os jovens largarem as tecnologias/gadgets?  Humm ...


https://novomundo111.blogspot.com/2021/11/blog-post.html
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De Anónimo a 16.11.2022 às 23:34

Esta xungaria juvenil é perigosissima e representa a total decadencia,deboche e a cobardia deste povo tuga ultra reles. Jovens menores bons alunos e bem comportados devem ficar á guarda da escola,estas merdas desordeiras sem nada dentro da carola frequentadoras assiduas das belas instrutivas aulas de cidadania são o miminho da terreola e portanto os viragões prepotentes do MP nem piam. Tambem é preciso salientar que a obra foi iniciada por direitalha e esquerdalha e principalmente por gajas,sim por gajas e são elas as piores e sempre as que tomam a iniciativa neste tipo de accões nojentas.
O Ministro ainda se rebaixou dizendo estar disponivel para o dialogo,dialogo acerca de quê??? Sim, deve demitir-se pois a sua inteligencia está ao nivel destas inuteis que vão continuar a destruir ainda mais esta terreola.
Pelo menos os chineses,monhés,indianos e pretos são muito mais ordeiros e lógicos e não se metem nestas merdas,só mesmo a merduça judaicotuga é que xafurda no lixo.Se os tugas não são uma má raça e talvez a pior raça do mundo,o que são?É que aqui na terreola é só podridão,podridão,podridão diariamente.Isto é gente...?Que terreola é esta?
Basilio el xuxalhote
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De passante a 16.11.2022 às 23:35

o mundo não precisa de ser salvo


É isto. O resto é uma canzoada para distrair.



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De Elvimonte a 17.11.2022 às 00:37


Fui agora ao futuro e já voltei. Curioso como adolescentes e jovens adultos, no futuro, se continuam a manifestar a favor do clima. A única diferença que encontrei, no futuro, é que já não se manifestam contra o aquecimento global, mas sim contra o arrefecimento global e as sempre eternas alterações climáticas, que continuam a ser burro para toda a carroça.

Das notícias de que me recordo, no futuro, geralmente todas começadas por "cientistas dizem", ou "de acordo com cientistas", parece que se terá descoberto que uma camada de poluição que "ascendeu aos céus", fruto da queima continuada de combustíveis fósseis, é agora responsável pela diminuição da irradiação solar, o que está a provocar o arrefecimento global e as alterações climáticas do futuro de então.
.
No futuro, governos em todo o mundo já proibiram fumar, os grelhados na brasa, as lareiras, os fogões de sala, as queimadas e os incêndios florestais. Os motores alternativos - alternativos porque de movimento de vai e vem, esclareça-se - de combustão interna e externa já há muito ficaram para trás, tendo sido substituídos por burros em tapete rolante a quem se lhes coloca uma cenoura à frente, quase tal e qual como os electrões a orbitar em redor do núcleo, num desafio ao paradigma negacionista do mobile perpetuum que, sabe-se agora no futuro, só chalupas ainda acreditam.


Ao contrário do que uns parvos - chamemos-lhe assim, sem ofensa - pensavam antes, a fazer lembrar um filme de Woody Allen onde astronautas regressam à Terra centenas de anos depois de terem partido, no futuro o CO2 é o responsável pelo arrefecimento global porque nas altas camadas da atmosfera irradia mais energia para o espaço, que continua a comportar-se como um corpo negro a muito baixas temperaturas - um conceito obviamente racista da Transmissão de Calor que no futuro passou a designar-se por corpo branco - do que para a Terra, que ainda assim vai estando mais quente.


Esta nova descoberta, no futuro, é fundamentada num inquérito onde 97% dos cientistas, entre eles os célebres professores Pardal e Mickey Mouse, concordam que o CO2 é responsável pelo arrefecimento global e pelas alterações climáticas que, sucessivamente - e aqui, tal como no presente, também no futuro se omitem os períodos quentes romano e medieval - nos conduziram, após a revolução industrial que coincide com o fim pequena idade do gelo, também conhecida como LIA, ao aquecimento, arrefecimento, novamente aquecimento e mais uma vez arrefecimento, agora no futuro.


(continua)





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De Anónimo a 17.11.2022 às 12:08

Estive a ver um video ontem onde o Carl Sagan discursava perante um jovem, na altura e embevecido Al Gore numa sessão do congresso sobre como os gases de "efeito estufa", nomeadamente o CO2, nos iam cozinhar a todos, tal como aconteceu em Vénus. Ninguém se lembrou de questionar onde começavam e terminavam as semelhanças inter planetárias e daí para cá a discussão tem sido sempre a cair e não saimos desta farsa.
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De Elvimonte a 17.11.2022 às 00:39

(continuação)


Todos os recitadores de cartilhas - como são conhecidos os jornalistas no futuro - a mando dos interesses que lhes dão de comer e a quem eles não podem morder a mão, ou simplesmente por uma questão de moda e para ficarem bem na fotografia, se afadigam a reciclar peças do último arrefecimento global, ocorrido entre as décadas de 1940 e 1970, reavivando-se os especialistas do passado, agora reincarnados no futuro, a debitar alarvidades. 

Entre elas a necessidade do uso de armas nucleares para evaporar as calotes de gelo que já ameaçam, no futuro, cobrir Nova Iorque e a pulverização das massas geladas com pó de carvão para diminuir o albedo, primo afastado do Alfredo por via paterna, de acordo com cientistas da genealogia das batatas.

Dos manifestantes climáticos do futuro, cerca de 50% são projecções holográficas  e os restantes dividem-se entre robôs e lobotomizados comedores de hamburgueres de insectos, daqueles de quem hoje se diz, com os cumprimentos do Forum Económico Mundial, "no futuro não terás nada - nem o cérebro para pensar, esclareço eu, o que a bem dizer já acontece hoje - e serás feliz".  

Por isso, ao contrário do título do post, no futuro há que os tratar com condescendência.




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De O primata apartidário a 19.11.2022 às 21:10

Excelente texto, espero pela continuação, por exemplo como se resolveu (ou não)  a situação da Ucrania? Já compram gás e petrol à Russia? (No futuro é claro).
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De Luis a 17.11.2022 às 07:21

Estes rapazitos não representam nada nem ninguém pois como bem disse são umas poucas dezenas. O que levanta a questão do porquê da CS dar tanto tempo de antena a algo com tão pouca aderência. No fundo a CS comporta-se de forma ainda mais ridícula do que eles. 
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De Anonimo a 17.11.2022 às 12:45

Hoje manda quem tem dinheiro (as usual),  mas também quem faz mais barulho. 
Gosto de meia dúzia falar em "comunidade", como se representassem algo que não apenas eles próprios. 
Nem uma minoria representam, quanto mais uma maioria. Duvido que queiram referendar o uso dos combustíveis fósseis, é que a opinião do povão nem sempre bate certo com os micro ecossistemas das redes sociais. 
O pior é que a questão ecológica é grave, e estes mentecaptos inviabilizam qualquer discussão útil. 

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