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Não é proibido proibir

por João Távora, em 13.02.26

viciotecnologia.jpg

A pesada herança do Maio de 68 teve ontem mais um pequeno revés, mesmo que simbólico, na proclamação da sacrossanta liberdade individual face aos repressivos limites morais e sociais. Entre os derrotados desse desígnio da modernidade, imagine-se, esteve em São Bento o Partido Chega inconformado com as restrições aprovadas por sólida maioria. Refiro-me à proposta que ontem foi vencedora no parlamento de proibição do acesso autónomo a redes sociais, serviços de partilha de vídeos e de comunicação aberta por crianças menores de 16 anos. Nesses conteúdos disponíveis sem qualquer filtro, na selva a que os pequenos ecrãs acedem ao simples premir do indicador, encontram-se as mais inconcebíveis aberrações e excitações imediatistas. Evidentemente que a medida levanta questões que não se esgotam numa resposta simples. Entre o zelo pela saúde mental dos nossos infantes e o respeito pela liberdade, desenha-se um debate que toca o coração de todos. Mas o sinal é largamente positivo: já não é “proibido proibir”.

Numerosos são os estudos que alertam para os impactos negativos das redes sociais na saúde mental das crianças e adolescentes: ansiedade, depressão, distúrbios do sono e até a chamada “dependência digital” são frequentemente apontados como consequências do uso excessivo. O corpo e o cérebro em desenvolvimento das crianças reagem de forma diferente à exposição constante a estímulos digitais, podendo comprometer o seu bem-estar e acuidade a longo prazo. Há quem diga que com esta proibição se está a ignorar a importância da literacia digital, mas é um erro só justificado vindo de quem não sabe como se procede à formação de um bom utilizador das tecnologias – exige concentração e estudo. Por certo que não é com jogos electrónicos ou partilha de mensagens ou vídeos curtos.

Certo é que pela primeira vez na história moderna, estudos indicam que os filhos apresentam um Quociente de Inteligência (QI) inferior ao dos pais, fenómeno conhecido como Efeito Flynn inverso. A principal causa apontada pelos especialistas, como o neurocientista Michel Desmurget, é o consumo excessivo de tecnologia e ecrãs (telemóveis, tablets, computadores) que substituem as normais brincadeiras, investigações, jogos e convívios entre crianças e jovens.

É fundamental a protecção da infância da vertigem dos ecrãs dos telemóveis. Sei por experiência própria o desafio que constituiu defender as nossas crianças da irresistível atracção pelo digital, num tempo em que as redes sociais ainda eram algo incipientes. O hipnótico poder de distracção do telemóvel face ao estudo e à leitura, para não falar do convívio social e familiar foi um factor desde o início evidente para nós pais. O esforço de orientação e imposição de regras para o seu uso foi exigente, convenhamos que nem sempre bem-sucedido, e tenho dúvidas que muitas famílias tivessem capacidade ou condições de o exercer como fizemos em nossa casa.

Reconheço que, se por um lado, as redes sociais podem isolar, criando bolhas de solitários, por outro, também permitem novas formas de convívio, aproximação e partilha. Tenho dúvidas que a proibição consiga grandes resultados no regresso da miudagem ao contacto presencial, aos jogos no recreio, à confraternização e confronto cara a cara, mas é um passo no bom sentido. O desafio está em criarem-se espaços seguros para a interacção online, valorizando o equilíbrio entre ambos os mundos, sempre com a supervisão parental. Não vejo problema que a liberalização só aconteça depois dos dezasseis anos. No entanto, temos de admitir que legislar é mais fácil do que garantir o cumprimento da medida. Como controlar, de forma eficaz, o acesso de menores em plataformas globais, muitas delas sediadas fora do país? A tecnologia oferece sempre vias de contorno: falsificar a idade, usar contas de familiares, recorrer a VPNs.

Os pais, com a ajuda do Estado, podem e devem salvaguardar o bem-estar dos menores, mas sem esquecer que cada jovem é um ser em formação, capaz de aprender, errar e crescer. Simplesmente proibir para proteger pode ser um paradoxo, se o resultado for a limitação da autonomia e da responsabilidade pessoal. A questão fulcral reside aqui: até onde vai o direito à liberdade individual? As crianças têm direito à informação, à expressão e ao convívio, mas o seu maior direito é à protecção.

Voltemos ao Maio de 68, que tanto dano trouxe às estruturas sociais e comunitárias do ocidente liberal. Assim como a venda de álcool e cigarros é restringida a adultos, supostamente capazes de moderar e assumir os riscos do seu consumo; assim como se exige a maioridade a um individuo para conduzir um automóvel, que afinal pode constituir uma arma letal, parece-me muito bem a restrição do acesso autónomo das crianças a redes sociais, serviços de partilha de vídeos e de comunicação aberta.

Publicado também aqui


21 comentários

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De lucklucky a 13.02.2026 às 19:09

Hahah, mas podem ler o manifesto comunista...?
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De passante a 13.02.2026 às 22:28

E ler jornais e revistas, ver os canais de TV, etc.


Os passadores desses produtos dizem que são muito bons para a saúde, como diziam os do tabaco. Só sei que os indices de ansiedade e depressão já tinham passado o tecto antes de haver "redes" ...
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De lucklucky a 14.02.2026 às 02:11


Tudo o que o complexo politico-jornalista não controla é para ser proibido.


Próxima:"PSOE e Podemos apresentam medida para proibir futebol nos recreios: "Desporto tóxico"
https://www.sabado.pt/desporto/detalhe/psoe-e-podemos-apresentam-medida-para-proibir-futebol-nos-recreios-desporto-toxico


E como é obvio o autor do post não considera os blogs redes sociais, talvez venha arrepender-se quando alguém disser que são...
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De Anónimo a 15.02.2026 às 08:00

Assertivo, como sempre
Nao existem provas de consequências nefastas ou de adição de redes sociais, em jovens ou adultos, para lá de documentos ideológicos de quem não tolera controlar a mensagem. Primeiro testaram nas escolas, agora passaram para o resto.
Deixem as pessoas acederem livremente às redes.
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De lucklucky a 15.02.2026 às 16:16

Note que consegue-se sempre prova negativa de qualquer coisa pois tudo tem pros e contras.
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De Anónimo a 15.02.2026 às 19:36

É mentira que as redes sociais sejam desenhadas para srem viciantes e gerarem o máximo de tráfego baseado em reacções emocionais em detrimento de raciocínio lógico. Isso é propaganda marxista-estatista.
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De Carneiro a 13.02.2026 às 23:37

Isso é logo a partir do jardim de infância 
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De Anónimo a 15.02.2026 às 09:34

Os governos de índole marxista não toleram a iniciativa privada, até esta se vergar aos seus interesses. As tecnológicas cresceram fora da esfera estatal e são os únicos faróis do liberalismo, por isso são alvos a abater. Deixem o mercado funcionar e as pessoas tomarem as suas decisões individualmente 
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De Anónimo a 13.02.2026 às 19:31

Parece-me que a questão essencial, mais que os acessos (e é garantido que as proibições serão sempre contornadas) é a alteração que ocorrida no BEM/MAL.


Pode conceber-se a coisa, falo das narrativas, contos, historias, que formam e estruturam o imaginário do público/consumidor, como um antes - todo o bem era bom e todo o mal era mau (isto sublinhado pelo Herói estar sempre do lado do BEM, ser bonito, integro, valente, etc.. - O Vilão, ao contrário, só tinha defeitos; para além  de estar sempre de do lado errado é desonesto, feio, mal encarado, cruel, etc..


Esta arquitetura começa a alterar-se no pós guerra (James Dean, Brando, etc) e iria acelerar nas duas décadas seguintes, introduzindo graduações, relativizando, e abrindo a brecha da "compreensão" que desaguaria, finalmente, na desculpabilização.


O Maio 68 foi o culminar, um fugaz  quebrar da norma, prontamente restabelecida aliás, com o acordo das massas que recusaram a aventura.


É óbvio que muita coisa mudou, as ondas de choque ainda continuam e muito ainda vai mudar.


Mas como dizia Lampedusa; muda para que tudo continue na mesma
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De Carneiro a 13.02.2026 às 23:35

Se os senhores legisladores estivessem realmente interessados no bem das crianças e da sociedade investiriam esforços no desenvolvimento e apoio à família. A estrutura base e fundamental.


Do resto esta treta da proibição apenas servirá, à imagem dos SMS da protecção civil, para lavar as mãos de eventuais acções judiciais. 


Educação, formação, informação, pedagogia… está quieto que dá trabalho e desenvolve o sentido crítico!
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De balio a 14.02.2026 às 12:40

O João Távora neste post somente fala das crianças, esquece os adultos.
É que, se bem entendo, com esta lei qualquer adulto passará a ter que identificar-se (com a sua chave móvel digital) antas de poder aceder a qualquer rede social (incluindo a este blogue). O que quer dizer que, potencialmente, o Estado passará a poder saber que redes sociais cada pessoa frequenta, que vídeos vê, os comentários que escreve, etc.
Ou seja, a coberto da argumentação de proteger as crianças, na prática temos uma lei que retira aos cidadãos ADULTOS uma boa parte da sua privacidade.
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De Sousa Soares a 14.02.2026 às 18:16

Alguém lúcido que expõe a verdade...
O Sr. Távora é. Ais um inocente útil que não vê nada à frente...Um ingénuo !!!
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De Silva a 14.02.2026 às 19:34

Essencialmente trata-se de socialismo.
Controlar o pessoal para mais facilmente poder perseguir.
Já não bastava o apoio do Governo ao comunista Costa na ida para Bruxelas.
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De Anónimo a 14.02.2026 às 12:57

O Sr. João Távora devia escrever poesia.
Vê-se que tem queda para aí, diz-lhe um bisavô que ainda nem 76 anos tem ...
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De Anónimo a 14.02.2026 às 15:04


Vivi algum tempo, num país onde era proibido a venda de bebidas alcoólicas
Era habitual ver os naturais bêbados.
Um dia,precisando de desinfetar uma mão, fui a uma farmácia para comprar álcool puro, coisa que fazia habitualmente em Portugal.
Fui informado que era proibido, pois as pessoas usavam-no para beber!...
Perante a minha admiração, entrámos em conversa e disse-lhe que eu, sendo português, filho de produtor de vinho, tendo-o à disposição em casa, desde sempre, não consumia bebidas alcoólicas, o que ainda hoje acontece!...
Acabou por me vender um pouco de álcool, misturado com qualquer coisa, com um cheiro horrível
Presumo que nesta medida agora aprovada, as crianças estão a ser usadas, para "controlar adultos inconvenientes"!
O Salazar, decerto, adoraria ter esta capacidade!
Já nos meus tempos de meninice, por vezes falava-se para os miúdos, usando-os, para que os adultos ouvissem!...
Já agora... será uma lei constitucional?
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De passante a 14.02.2026 às 19:42

 comprar álcool puro,


Em Portugal o álcool 96% que se vendia no supermercado costumava ser puro, mas aqui há umas décadas atrás acrescentaram-lhe um desnaturante qualquer para dar mau sabor se ingerido.
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De Kruzes Kanhoto a 14.02.2026 às 19:33

Tanto gritaram pelo fascismo que ele está aí a chegar. 
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De Carlos Sousa a 14.02.2026 às 21:48

Cabo Laranjeira, da GNR de Aljustrel, olha para o telefone com profunda desconfiança e uma ponta de raiva. Lá fora, o país está a ser dissolvido por uma descarga de água que faria o Noé pedir um ansiolítico, mas o telefone toca.


— Posto da GNR, boa tarde. Diga... Sim? Um crime? Deixe-me adivinhar, o rio galgou as margens? Não? Ah, é mais grave. Um atentado à soberania.


Laranjeira ajusta a farda.


— Repita lá. O vizinho? O pequeno Tiago? 13 anos? E está a fazer o quê? A ver danças no TikTok? Oh Virgem Santíssima... E com o telemóvel na mão? Sem supervisão de um adulto ou de uma autorização parental?


O guarda suspira, enquanto uma goteira lhe cai precisamente na nuca, vinda do teto do quartel que tem mais buracos que o orçamento do Estado.


— Olhe, minha senhora, compreendo perfeitamente. O país está submerso, as barragens estão a cuspir água, e as estradas parecem Veneza, mas o Parlamento foi claro: o perigo real não é a subida do nível do mar, é o nível de estupidez do scroll infinito.


Laranjeira levanta-se, agarra nas chaves do jipe — que, por sinal, não tem tração às quatro nem gasolina para chegar à esquina.


— Vou já para lá. Vou mobilizar o GOE, a Marinha e talvez um nadador-salvador.
É que o país pode estar a ir pelo cano abaixo, mas ao menos vai com a conta de Instagram devidamente bloqueada.
Vamos cercar o miúdo. É a prioridade nacional, percebe? Primeiro a moral, depois a drenagem.


Desliga o telefone. Olha para a chuva.


— Ó Sargento! Traga o bote! Temos um puto de 13 anos a ver memes de gajas nuas. É caso de segurança interna!
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De R.Raposo a 15.02.2026 às 14:57

E era preciso uma lei para isto, caro João Távora? E onde fica a responsabilidade dos pais?? Claro que grande parte deles pouco mais clarividente é que os infantes que tanto querem proteger, ou não estaríamos numa sociedade Disney World. 
Cá está a manifestação do meu pior receio. Até as pessoas mais avisadas e racionais caiem nas boas e piedosas intenções, impostas por quem quer destruir o (pouco) que nos resta de liberdade de expressão. Lembre-se que existem cemitérios cheios à conta da melhores e mais nobres intenções. Como refere HPS, no post posterior a este, "Não há esperança", mesmo!
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De Anónimo a 15.02.2026 às 15:53

Pode ficar bonito, mas parece uma grossa estupidez.


Para os putos  vai tornar mais aliciante, e psicologicamente compensador, furar os bloqueios.


Aliás sendo aquela a idade onde arriscar e furar as regras, faz parte de um crescimento normal, acho que deviam arranjar um colégio de psicólogos que os aconselhasse antes de argolarem.


Também deviam tomar um calmante para reduzir a mania de estar sempre a ter ideias novas


















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