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Não costuma ser a sua opinião

por henrique pereira dos santos, em 22.05.24

Uma das coisas que mais me espantam é a quantidade de pessoas que acham útil explicar-me a mim quais são as minhas opiniões.

Diga-se que isto não é nada de pessoal, é uma tendência muito generalizada, nomeadamente na discussão política, consistindo ser eu a definir o que pensa o adversário, para depois contestar o que eu digo que o adversário pensa.

Compreende-se, é muito mais fácil eu contestar a caricatura que faço do que os outros pensam, em vez de realmente contestar os argumentos que o outro realmente usa (é tão simples a propósito do financiamento da rede de lares da terceira idade invocar o monopólio dos tabacos, que nem vale a pena tentar discutir seriamente o assunto).

Penso não ser segredo que tenho posições liberais sobre a generalidade dos assuntos, isto é, entendo que a livre escolha das pessoas deve ser a base do relacionamento social, devendo o Estado concentrar-se em garantir as condições para o reforço dessa liberdade.

Isso não me impede de dizer que quem está em estado de necessidade não tem liberdade de escolha, portanto, não tenho nenhuma objecção a que o Estado pratique acções que visam resolver esse estado de necessidade e, assim, devolver liberdade de escolha às pessoas.

Partindo, no entanto, de uma posição liberal, estou longe de achar que há uma diferença substancial da acção do Estado ou de outros quaisquer agentes sociais, definida pelo facto do Estado tratar do bem comum e as pessoas tratarem dos seus interesses.

O Estado não tem interesses, nem defende os interesses colectivos, quem tem interesses (e podem não ser directamente económicos, mas políticos, ou de influência social, por exemplo) são as pessoas que têm o poder de usar o Estado num ou noutro sentido, por isso vou repetindo o velho princípio marxista (com que concordo) de que o Estado é um instrumento de repressão nas mãos das classes dominantes.

Nas políticas sociais o que me interessa discutir não é se é o Estado, ou não, que deve garantir isto ou aquilo (lares, escolas, hospitais, o que seja), mas sim qual é a solução mais eficiente, isto é, aquela que com menos recursos gera mais retorno, para obter um determinado resultado social (é tão simples passar a jogar ping-pong sobre o conceito de eficiência, para quê fazer um esforço para perceber a substância do argumento e discuti-la?).

Ora o melhor instrumento de produção de informação que sirva de base para uma alocação eficiente de recursos que eu conheço é o preço livremente estabelecido entre quem tem um bem (material ou imaterial) e está disponível para o ceder, e quem quer esse bem e está disponível para pagar por ele.

A livre formação de preços gera mais eficiência que qualquer outro mecanismo que se pretenda usar para garantir que a oferta e a procura se encontram em algum lado.

Por isso, em relação ao pão, à habitação, saúde e educação (a paz é uma questão diferente) ou qualquer outra coisa que se ache fundamental, tanto quanto possível, defendo que se deixem os mercados funcionar.

O facto de defender isto não me impede de saber que haverá sempre pessoas que têm necessidades que não conseguem suprir por não ter os recursos necessários para isso (sejam quais forem as razões que as impedem de obter o que precisam, pagando o preço pelo qual o poderiam obter).

Durante muito tempo o pão era a questão fundamental, depois, resolvido o problema das fomes frequentes e endémicas, passou a ser a educação, até há muito pouco tempo era a saúde e actualmente está muito na moda a habitação.

Em todos os casos a minha posição é a mesma: façamos mercados eficientes, sabendo que haverá sempre quem fique de fora por não conseguir ter os recursos para aceder a bens ou serviços cuja falta é considerada uma desumanidade.

Depois, quer por via da filantropia, quer por via das políticas sociais estatais, concentremo-nos em cobrir o défice de recursos dessas pessoas para acesso aos mercados de que necessitam, em vez de pôr o Estado a tentar "domesticar" (para usar a feliz expressão de Capoulas Santos) os mercados, de maneira geral, gerando ineficiência nesses mercados.

Esta é a minha opinião e tenho todo o gosto em discuti-la, nas suas implicações e limitações, para o que me falta mesmo paciência é para discutir as opiniões que me atribuem e que não reconheço como minhas, feitas com base em interpretações abusivas do que descrevi (embora me sobre paciência suficiente para discutir essas interpretações, se realmente alguém tiver dúvidas do que realmente defendo neste ou naquele ponto, ou se eu tiver sido pouco claro, ou mesmo tiver descrito mal o que penso).


17 comentários

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De cela.e.sela a 22.05.2024 às 09:27

«o estado socialista em tudo se mete» e mete água até nos afundar.»
não se esforcem tanto por mim que não agradeço
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De Anonimo a 22.05.2024 às 10:24


"para o que me falta mesmo paciência é para discutir as opiniões que me atribuem e que não reconheço como minhas, feitas com base em interpretações abusivas do que descrevi"



Sim, também detectei a ironia desta frase. Não sei se terei sido o único
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De marina a 22.05.2024 às 11:08

tem uma ideia fixa e tenta encaixar  tudo nela , nem sequer analisa como deve ser os assunto , sob várias perspectivas , com deve de ser. 
 um pensamento rotineiro e super enviesado pró lado do lucro.
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De henrique pereira dos santos a 22.05.2024 às 11:11

E argumentos, tem?
Por exemplo, tem alguma razão para ser contra o lucro?
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De Anonimo a 22.05.2024 às 12:23

Está escrito que é contra o lucro?
Eis um exemplo de uma interpretação abusiva baseada em algo que não foi escrito. Mas claro que é fácil etiquetar os outros, já o oposto é complicado, quer para o ego quer para a mente.
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De lucklucky a 22.05.2024 às 12:14

A marina só sai da cama de manhã porque tem lucro.
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De Anonimo a 22.05.2024 às 15:49

Não dá para sair com break even?
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De lucklucky a 22.05.2024 às 18:28

Break even é zona depressão.
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De César a 22.05.2024 às 12:21

No fundo(e a interpretação é minha, obviamente) V.Exa é um conservador, muito mais do que um liberal.
A não ser que tudo tenha de se submeter aos critérios do mercado, inclusive os valores morais humanitários, o que me parece que não advoga, justiça lhe seja feita.
O que advoga(e a extrapolação é minha, evidentemente) é a civilização judaico-cristã potenciada pela economia capitalista consolidada num Estado de Direito, base da filosofia conservadora. Muito diferente do pensamento liberal, baseado num processo revolucionário que, por meio do capitalismo acaba por dissolver no mercado a herança judaico-cristã e o Estado de Direito.
E não lhe estou a atribuir nenhuma declaração, apenas a interpretar no meu esoaço de liberdade de opinião o que dusse. Que pode e deve contrapor se achar que estou errado. A isso se chama liberdade de expressão que uma certa esquerda dita progressista quer, por estes dias, cercear na casa da democracia com argumentos "fofinhos" mas gastos de "discursos de ódio" que apenas revelam incapacidade de contrapôr com argumentos ideias expostas por mais absurdas que sejam. 
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De Anonimo a 22.05.2024 às 13:31


Esquerda e direita. Os extremos woke. Os que dizem que nunca houve racismo, ou que nunca houve tanto racismo como hoje. E ai de quem diga o oposto. É qualquer coisa fobo, ou traidor dos valores. No fundo ambos desprezam a sociedade actual, ou porque isto está cheio de gays, ou porque não há gays suficientes, e querem fazer uma à sua imagem, não admitindo sequer um pequeno desvio daquilo que acham certo.
Podemos agradecer aos  camaradas gringos este magnífico import, já não bastava o McDonalds e os fimes do Michael Bay.

É preciso ver que hoje em dia as opiniões não contam, apenas a posição que se toma. E há apenas duas. A nossa, certa, e a errada. Os outros são aquilo que nós queremos que sejam, estatistas, comunistas, fascistas, racistas, neoliberais. Já nós somos justos e virtuosos. Daí que convém nunca estar ao lado de um Trump, Ventura, Musk, Obama, Costa ou Biden.
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De Elvimonte a 23.05.2024 às 01:33

Dito por um alemão que viveu a primeira fase da sua vida na ex-RDA e depois na Alemanha reunificada:
"Nós sabíamos que aquilo que nos diziam sobre o comunismo era mentira. O que não sabíamos era que aquilo que nos diziam sobre o capitalismo era verdade."


Uma súmula notável, quanto a mim. Tire conclusões quem quiser.


O mito romântico do mercado livre, onde a oferta e a procura se encontram livremente para formar um preço, não passa disso mesmo: um mito, um slogan propagandístico destinado a moldar uma percepção da realidade que se encontra, de facto, a quilómetros de distância da realidade pura e dura, e nem mesmo a sua utilidade como conceito teórico continua a ser actualmente defensável, dada a simplificação grosseira que induz.


Não admira, por isso, que a legião de crentes no mito não percebam que um único "investidor", George Soros, tenha conseguido colocar o Banco de Inglaterra "de joelhos" e levado a Libra a sair do Sistema Monetário Internacional.


Não admira que não percebam que na génese das falências do Lehman Brothers e do Bears Stern não esteja a crise do sub-prime, que existiu, mas sim a revogação do Glass-Steagall Act e os CDS que esses bancos negociaram em resultado dessa revogação.


Não admira que não tenham aprendido nada com a Grande Recessão de 2008, mesmo depois de George Soros ter publicado antes "The Crisis of Global Capitalism" e depois "The Crash of 2008 and What It Means" - George Soros, o mesmo "investidor" que colocou o Banco de Inglaterra "de joelhos".


Não admira que continuem a acreditar em "mercados eficientes" - uma crença como qualquer outra.


Não admira que ignorem aquilo que se escreve no estudo publicado no Journal of American Medical Association (https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2787558), como nota ao editor:
"Empirical data ... suggest that profit motives in health care result in lower-quality care, often at higher cost to taxpayers."



Não admira, por último, que continuem a ignorar aquilo que se passa nos EUA, onde o sistema de saúde é todo ele privado, e que se mostra nos gráficos seguintes comparativamente a outros países.


Health spending, OECD countries, 2022 or latest available. US dollar per capita PPP corrected. 
https://en.wikipedia.org/wiki/File:Health_spending._OECD_countries._US_dollars_per_capita_(using_economy-wide_PPPs).png


Life expectancy vs. healthcare spending from 1970 to 2018
https://en.wikipedia.org/wiki/File:Life_expectancy_vs_healthcare_spending.jpg


Health care cost (1970-2016) as percent of GDP
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0a/Health_care_cost_rise.svg/525px-Health_care_cost_rise.svg.png


E aqui fica, visualizada em gráficos, a negação dos mitos do mercado livre e da eficiência do sector privado relativamente aos cuidados de saúde. Um exemplo do liberalismo atávico em todo o seu esplendor.
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De henrique pereira dos santos a 23.05.2024 às 06:41

Agradeço-lhe muito se me disser onde é que alguma vez eu escrevi que há mercados perfeitos, para eu poder ir corrigir as asneiras que vou escrevendo.

Obrigado
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De Elvimonte a 23.05.2024 às 18:43

Terei muito gosto em ser-lhe útil se me disser onde afirmei que terá escrito que existem mercados perfeitos.
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De Anonimo a 23.05.2024 às 07:28

Bem escrito...
Infelizmente,  o capitalismo financeiro destronou o económico (esse sim, gera riqueza através de valor acrescentado), onde se prioriza o lucro pelo lucro.
Depois, a paixão pela não regulação tem vindo a aumentar. O que beneficia os mais poderosos (ironicamente as grandes empresas nos EUA faziam lobby pela regulação para se protegerem), nomeadamente empresaa tendencialmente quasi-monopolistas que vivem de injecções de capital e estão fora do conceito do lucro.
É deixar o mercado actuar, a mão invisível trata de tudo.
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De lucklucky a 23.05.2024 às 11:51

"Depois, a paixão pela não regulação tem vindo a aumentar. O que beneficia os mais poderosos (ironicamente as grandes empresas nos EUA faziam lobby pela regulação para se protegerem), nomeadamente empresaa tendencialmente quasi-monopolistas que vivem de injecções de capital e estão fora do conceito do lucro."


A não regulação não tende a beneficiar os mais poderosos. e não tem nada de irônico.
Como é óbvio as empresas estabelecidas querem regulação porque para começar têm um exército burocrático para as apoiar e assim pela complexidade e ligações ao poder politico afastam potenciais novos rivais.
Muitas empresas aliás preferem o socialismo/social democracia ao mercado  livre/ liberalismo porque os contratos com o estado  são mais lucrativos - o burocrata/politico do outro lado não está lidar com o próprio dinheiro - e não há tanto risco como no mercado livre se ser ultrapassado por outros. O estado 


Nem estou a referir-me a empresas com propósitos políticos.


PS: A punição do motor de combustão interna e complexificação dos carros pela regulação "verde", impede muitas novas empresas de aparecer. Um SOS Racismo poderia dizer que é para impedir os países Africanos de criarem industria automóvel própria ...não dizem porque eles não existem para defender, existem para atacar.




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De Elvimonte a 24.05.2024 às 01:22

"... o capitalismo financeiro destronou o económico..." - esse é o aspecto fundamental. 


A geração de riqueza, que a todos beneficiava, foi substituída pela extracção de riqueza, de que só uma ínfima parte beneficia em detrimento da esmagadora maioria. Não será por acaso que o peso dos salários no PIB dos países ocidentais tem vindo a decrescer genericamente desde meados da década de 1970 e a isso não será estranho o fim do sistema Bretton-Woods.


A redução de custos sem olhar a consequências é hoje confundida com aumento de eficiência. A deslocalização da indústria para oriente, em busca de mão-de-obra barata, é uma das marcas do processo.


Assim como as compras de acções próprias, anteriormente proibidas nos EUA, e a crescente desregulamentação de aspectos essenciais em conjugação com o aumento da regulamentação no que é acessório. 


A substituição do primado da competência pelas motivações ideológicas do wokismo, nomeadamente diversidade, equidade e inclusão (DEI, no acrónimo americano), qual manobra de diversão a desviar atenções do essencial, tem também contribuído para o crescente declínio dos padrões de qualidade a todos os níveis, inclusivé morais e intelectuais.


Exemplo paradigmático é o que se tem passado na Boeing desde a fusão/aquisição com a McDonnell Douglas e cujos desenvolvimentos mais recentes culminam com o 737MAX (vd. https://sonar21.com/a-deep-state-failure/). 


Em vez de "A Oeste Nada de Novo", acho que Erich Maria Remarque teria hoje escrito "O Oeste Sem Bússula".
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De Anonimus a 23.05.2024 às 07:37

A saúde pública é mal gerida? Talvez.
A saúde privada... talvez não. Mas não podemos comparar o alcance de um serviço nacional com todas as valências, com uma empresa que tem menos serviços e estes estão localizados em zonas onde o mercado está garantido. Não esperem que a CUF abra grandes hospitais ou clínicas em locais onde o judas perdeu as botas, assegurar serviço eficiente 12 meses por ano ou transferir recursos consoante as necessidades.
E digo como privilegiado cliente de um privado, é bom para quem vive em cidades grandes (e em PT são meia dúzia, fora das ZM de Lisboa e Porto), ja no resto muita "notícia" haveria do velhinho que era obrigado a andar 50km para ir ao médico 

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