Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Não adianta a razão, apenas a mistificação

por João-Afonso Machado, em 22.02.15

A interrogação essencial é esta: vale o quê citar o insuspeito Vital Moreira? Por exemplo neste trecho recente e candente: «o novo Governo grego teve de abandonar todos os seus objectivos "antiausteritários": nem corte na dívida, nem fim da austeridade orçamental, nem reversão das medidas tomadas, nem novo empréstimo à margem do programa do resgate em vigor (que o Syriza tinha declarado morto e sepultado), nem fim da supervisão da troika (que só perde o nome)».

Porque foi e é isso e quase impossivelmente seria outra coisa. O Syriza é uma fraude eleitoralista que se aproveitou do estado de necessidade das populações gregas. E os soit-disant "nacionalismos" não mais do que uma substância nociva, violentamente tóxica, à essência pura da nacionalidade.

Mas não, a mistificação prosseguirá. A Esquerda é muito isso, como se o abolir das gravatas contribuisse para o evoluir do mundo - se a história do cachecol não fala por si?; não, porque se trata apenas de um presente da mulher...

Dito assim, percebe-se melhor a possidoneira muito sua (da Esquerda) e a sua obsessiva fixação na originalidade. Qualquer coisa como Catarina Martins e João Semedo, uma mulher e um homem (a ordem dos nomes é puramente arbitrária), a direcção bicéfala do BE e o seu - óbvio - afundamento.

Em suma, a razão nada interessa em Política. Bastam os argumentos. Se o fim do mês está a chegar e Tsipras não eleva o salário mínimo dos gregos, conforme prometeu? A culpa é de Merkel e das suas matilhas de coelhos. Não é improvável o Syriza saiba dar a volta assim ao seu eleitorado.

Mas a vida real - onde não há caviar, nem Passos Perdidos, nem mordomias e dinheiros na Suiça - a vida real grega, escrevia, regista uma vaga imensa e inédita de assaltos a residências. É a perseguição dos valores trazidos dos bancos para os colchões caseiros...

Possivelmente os novos deuses gregos acreditaram ainda abundassem por aí resquícios Cohn-Benditistas, sempre arrebatados pela tolice do levantamento das massas populares, vagas generosas e desprovidas de colarinhos, em busca de dinheiros a distribuir por igual entre todos. Deve ser porque não leram a Revolução Inexistente, de Raymond Aron.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



2 comentários

Sem imagem de perfil

De carneiro a 22.02.2015 às 19:25

As únicas massas populares que se levantaram foram os 30% de eleitores gregos que mudaram o voto, oferecendo-o a estes adolescentes no engodo de não pagar a dívida.
Poderiam ter mudado o voto para trabalhar mais, para pagar,  para cumprir os seus compromissos, para fazer algo de edificante. Mas não. Mudaram o  voto para não pagar a dívida.  E deixaram desde logo de pagar impostos. Para quê ? A dívida ia ser perdoada e os alemães é que iam arcar com ela...
E é  por gente desta, por eleitores destes, com este elevado sentido cívico, que se andam a tecer loas a tanta e tão bela democracia.
Nem sei se bastam os argumentos. Parece mais que bastam, isso sim, os engodos de vida fácil.
Os frangos e os morangos voltaram a nascer nas prateleiras do Pingo Doce e o dinheiro surge automaticamente nas Caixas Multibanco.
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 23.02.2015 às 09:02

Absolutamente de acordo.
Em todas as atoardas eleitorais, o que se fala é do lado financeiro e quase nada do económico.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2008
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2007
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2006
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D