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Não aconteceu, mas é bem visto

por henrique pereira dos santos, em 15.07.19

O título deste post caracteriza muito do jornalismo actual, o tal do diabo que estava para vir, uma frase que nunca ninguém conseguiu demonstrar que foi dita, ou da famosa explicação para o "desvio colossal" que Vítor Gaspar sempre negou que tivesse dito.

E o post resulta de ter lido este fantástico exemplo de jornalismo "não aconteceu, mas é bem visto", de que o Observador (e os outros) nos vai dando muito bons exemplos, como este aqui, que é de cabo de esquadra.

Trump faz um tweet idiota e, na minha opinião, indigno do presidente de um país. O tweet não é idiota por não fazer sentido: Trump está permanentemente em campanha eleitoral (como sou o único a ver semelhanças entre Costa e de Trump, independentemente de um usar tweets e o outro usar a imrpensa tradicional para estar sempre a vender banha da cobra, devo ser eu que estou enganado) e dizer a uma congressista que fugiu do péssimo governo da Somália que volte para lá para aplicar as suas ideias e, depois de ter resultado, volte para ensinar aos americanos como se governa um país, é um argumento idiota, sim, mas extraordinariamente eficaz para o eleitorado que pretende atingir.

O tweet diz o seguinte: "So interesting to see “Progressive” Democrat Congresswomen, who originally came from countries whose governments are a complete and total catastrophe, the worst, most corrupt and inept anywhere in the world (if they even have a functioning government at all), now loudly and viciously telling the people of the United States, the greatest and most powerful Nation on earth, how our government is to be run. Why don’t they go back and help fix the totally broken and crime infested places from which they came. Then come back and show us how."

Sim, é usado um plural que qualquer pessoa sabe ser um recurso retórico ("eles, há pessoas", coisas destas que usamos para mandar indirectas) mas o que é dito encaixa na perfeição apenas em uma congressista.

Pois bem, uma parte da imprensa dedica-se a fazer interpretações e conclui que o tweet é para mais três pessoas que não encaixam (por terem nascido nos Estados Unidos), tomam como um facto a sua própria interpretação e, a partir daí, fustigam Trump por ser tão estúpido que usa argumentos destes contra pessoas nascidas nos Estados Unidos.

No fim, queixam-se porque "a basket of deplorables" não ligam nenhuma ao que escrevem nos jornais e preferem acreditar nos tweets de Trump, fazendo-o ganhar as eleições e criando dificuldades económicas aos jornais que não percebem por que razão as pessoas não querem pagar por um produto fraudulento.

Em frente, Observador, em frente, continuem assim a reproduzir acefalamente qualquer tolice, independentemente dos factos, que o futuro será radioso para o jornal e para o sector.

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5 comentários

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De Sarin a 15.07.2019 às 22:00

A interpretação do postal faria sentido se Trump fosse uma "qualquer pessoa [que] sabe ser [o plural] um recurso retórico". Mas Trump não usa plurais retóricos, Trump não usa retórica, Trump não sabe o que seja retórica. Trump fala muito e fala mal mas, honra lhe seja feita, nunca deixa de se dirigir exactamente àquele, àquela, àqueles ou àquelas a quem se quer dirigir.
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De henrique pereira dos santos a 16.07.2019 às 05:36

Faz sentido: o que está escrito justifica-se não pelo que Trump diz, mas por ser Trump. O que foi dito, dito por outra pessoa, quereria dizer uma coisa, dito por Trump, por ser Trump, quer dizer outra.
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De Sarin a 16.07.2019 às 06:31

Exactamente por ser Trump: Trump não usa retórica, Trump não usa eufemismos, Trump não usa subtilezas. Trump nem sequer diversifica o vocabulário. Trump é directo, aquilo que diz significa exactamente aquilo que quer dizer no momento em que o diz. E é por ser Trump que não necessita que lhe reinterpretem as mensagens. 
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De henrique pereira dos santos a 16.07.2019 às 10:45

Sendo assim, por que raio foram os jornalistas reinterpretar o que ele disse, para pretender que ele disse o que não disse, de forma a poder acusá-lo do que pretendiam?
Será assim tão difícil criticá-lo pelo que diz e faz, sem necessidade de inventar que ele disse o que não disse?
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De Sarin a 16.07.2019 às 11:21

Quem reinterpretou o plural e o categorizou como retórico foi Henrique Pereira dos Santos. É jornalista e o plural usado é, ele sim, retórico?


Trump já antes havia referido Ocasio Cortez, Omar e Tlaib (e provavelmente outras) como fazendo parte do mesmo grupo, o grupo de Democratas Progressistas em confronto com Nancy Pelosi.
https://www.realclearpolitics.com/video/2019/07/12/trump_nancy_pelosi_not_a_racist_alexandria_ocasio-cortez_and_friends_are_very_disrespectful.html



Como disse antes, Trump diz exactamente o que quer dizer no momento em que o faz.

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