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Moedas e os donos dos votos

por henrique pereira dos santos, em 24.09.21

Não sei, ainda, como vou votar nas eleições de Domingo.

Essencialmente, a minha dúvida prende-se com a votação que eu admito que Moedas possa ter.

Acho que Rui Rio tem alguma razão quando diz que não se deve dar demasiada importância às sondagens, não pelas razões que ele identifica - ou são compradas ou são aldrabadas - mas porque me parece razoável supor que os indecisos não se distribuem proporcionalmente por todas as candidaturas, sendo natural que haja mais indecisos em votar Moedas que Medina.

Se no Domingo, por qualquer razão, estiver convencido de que Moedas está suficientemente perto de Medina, voto Moedas, se achar que não, o meu voto é mais útil na Iniciativa Liberal que no aparelhismo do centrão.

Logo que Moedas se apresentou, manifestei a minha perplexidade pelo facto da Iniciativa Liberal ter decidido correr por conta própria.

Com o tempo fui percebendo melhor a opção e achando que tem virtudes e tem defeitos.

A ideia de que a votação que a Iniciativa Liberal venha a ter em Lisboa seria directamente transferível para Moedas, se a Iniciativa Liberal o tivesse apoiado, é uma ideia errada: não sabemos de onde vem essa votação e quais as motivações de cada um desses votantes (por isso comecei por dar o meu exemplo, de como a decisão de votar assim ou assado é uma decisão muito contingente e cheia de razões irracionais).

A votação que Moedas tiver é da responsabilidade de Moedas e da sua candidatura, não é responsabilidade de terceiros (a quantidade de pessoas que conheço que preferem não ouvir Moedas, incluindo os debates em que participa, para não serem tentados a deixar de votar nele, é bastante apreciável. Moedas será com certeza muito melhor presidente de câmara que candidato a presidente de câmara).

As consequências da votação que existir no Domingo não se esgotam na Câmara Municipal de Lisboa, é certo, e por isso seria bastante bom que Moedas ganhasse.

Também por isso, porque verdadeiramente o que está em causa é a dinâmica até às próximas legislativas, não é indiferente um voto que é claramente liberal, e fora da lógica habitual dos dois grandes partidos, com alguma expressão (eleja ou não um vereador).

Para além de não se poder descartar a hipótese, claramente improvável, mas não impossível, de um vereador liberal desempatar votações, o que daria às ideias liberais - admitindo que o vereador em concreto agia de acordo com uma lógica liberal - uma importância que nunca teria no meio da votação em Moedas.

Se isto pode ter como resultado manter Medina - não é Medina que conta, é pedaço do poder que a Câmara representa e que estaria nas mãos do PS - na presidência da Câmara?

Sim, pode, mas o que interessa não é a mera substituição de Medina por Moedas - que me parece evidentemente útil e bom - mas sim a limitação do poder dissolvente do PS, objectivo para o qual me parece mais útil, neste momento, fazer crescer a Iniciativa Liberal que substituir o PS pelo PSD na cadeira do poder (sem sequer sabermos se o PSD seria Rui Rio ou outro qualquer).

Resumindo, para já, estou como o tolo na ponte, sem saber para que lado deverei ir, mas sei seguramente que o meu voto não será determinado pelas instruções que as direcções partidárias, quaisquer direcções partidárias, dêem sobre o assunto.

Não há outro dono do voto que não o eleitor que vota. 



5 comentários

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De balio a 24.09.2021 às 09:53


Neste post só vejo Moedas e mais Moedas.
Moedas já está eleito. Não interessa. Será um vereador. As probabilidades de que seja presidente da Câmara (que a sua lista tenha mais votos que a lista de Medina) são ínfimas. Ele não será presidente da Câmara, será, como toda a certeza, eleito vereador.
(E atrevo-me a supôr que, uma vez eleito vereador, e sem pelouro, abandonará o lugar e irá para sítio onde seja mais útil e mais bem pago.)

O que interessa não é Moedas. O que interessa é o vereador que o voto do Henrique poderá ajudar a eleger. O n-ésimo na lista de que Moedas é somente o primeiro.
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De Anónimo a 24.09.2021 às 09:59

se fosse do ps chamava-se Notas de 500
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De JPT a 24.09.2021 às 10:47

Detesto Medina (execro, abomino, o homem e a "obra"), mas a última vez que votei útil foi no Prof. Marcelo (coisa que tinha jurado não fazer, mas fiz, engando pelas sondagens, que antecipavam uma segunda volta com o Nóvoa). Obviamente, é uma asneira que não repetirei.
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De Anónimo a 24.09.2021 às 11:49

1- Se está indeciso permita-me que lhe dê a ler:


https://observador.pt/opiniao/todos-somos-carlos-moedas/



2- E quem não for socialista e realmente ache  u-r-g-e-n-t-e  repensar este país, que comece a meditar nestas palavras de Jaime Nogueira Pinto e a interiorizá-las, porque, não tardará, é inevitável que vamos ter de aplicar os seus  sábios conselhos. 
 As direitas e o centro não podem _nem devem_ dispersar-se nos tempos que se avizinham (e se adivinham...). Terão de sair desta letargia.  Mais cedo que tarde,  terão  de    "tocar- a- rebate"  à  volta  de  uma   I-d-e-i-a.  Uma só basta e sabe-se bem  qual "é".    Precisa-se,  como de pão para a boca,  de    m-o-b-i-l-i-z-a-r   e  de   m-a-g-n-e-t-i-z-a-r  o país inteiro.  E é incontornável  que isso vai acontecer!  As pessoas estão fartas de esperar em silêncio e de não terem voz, precisam umas das outras, de gente que se revê na mesma luta por ideais semelhantes. Faz parte da natureza humana o sentido gregário e de pertença. É inevitável que se vai formar uma "frente" comum, com gente comum. 


"Passando da teoria à prática, há que perceber, com Carl Schmitt, quem é, a cada momento, o inimigo principal e qual a aliança que lhe pode fazer frente. Os políticos bem-sucedidos, além de terem princípios e valores de que não se afastavam, sempre souberam definir esse inimigo principal e, contra ele, aliar-se até aos inimigos da véspera. 

É o que as direitas têm de fazer. 

Pensar a convergência destas direitas é capaz de ser agora o mais interessante, importante e necessário."


Bom fim de semana, sr. Arquitecto. E esteja inspirado no domingo.
st

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De Anónimo a 24.09.2021 às 13:51

O texto integral aqui (de Jaime Nogueira Pinto):


https://observador.pt/opiniao/a-direita-essa-desconhecida/

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