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Mitos sobre saúde nos EUA

por henrique pereira dos santos, em 26.05.24

Não sou grande conhecedor de sistemas de saúde, portanto é natural que diga muitas asneiras sobre o assunto, quando escrevo sobre isso.

Por essa razão, habitualmente sou bastante cauteloso e tento procurar informação fiável que me ajude a compreender isto ou aquilo (que é diferente de procurar gráficos que mostrem relações entre despesas de saúde e esperança de vida, como se a esperança de vida fosse primariamente função do sistema de saúde e não da globalidade das condições sociais, em especial nos primeiros anos de vida).

Sem excepção, apesar da minha posição ser a de que é irrelevante saber quem é o dono das paredes do centro de saúde, acabo a ter de responder aos estatistas mais emperdenidos, que passam o tempo a tentar demonstrar que olhar para a saúde como um negócio ou um perdócio faz uma grande diferença nos resultados finais.

Quando faltam os argumentos (o facto das PPPs terem dados os resultados que deram, liquida qualquer argumento que parta do princípio de que os privados são sempre mais caros e prestam cuidados piores), lá vêm os mitos sobre o sistema de saúde americano.

Vamos então por partes.

Os Estados Unidos gastam muito mais em saúde, per capita, que qualquer outro país desenvolvido (quase o dobro do segundo mais gastador, a Suíça) e boa parte dos resultados globais não são os melhores, nomeadamente havendo um sério problema de acesso aos cuidados de saúde para um pouco menos que um quinto da população, e haver indicadores sociais, como a esperança média de vida, que estão abaixo do que seria de esperar num país desenvolvido.

Os principais mitos que são criados à volta disto relacionam-se com:

1) a ideia de que isto é assim porque são os privados a impor os seus interesses e que o sistema é uma selvajaria liberal sem regras, em que o Estado não tem intervenção;

2) a ideia de que há pessoas a não ser atendidas numa emergência por não terem dinheiro;

3) a ideia de que os cuidados de saúde nos Estados Unidos são muito piores que nos outros países mais desenvolvidos

Nenhuma destas três ideia é verdadeira, começando pelo facto de haver um grande sector filantrópico nos cuidados de saúde (representará cerca de 10% das despesas, o que deve ser visto à luz do facto de 50% dos utilizadores serem responsáveis por apenas 3% das despesas de saúde nos EUA) e por haver uma forte intervenção de regulamentação no sector.

Por outro lado, o elevado custo na saúde nos EUA tem a sua origem nos preços mais elevados dos medicamentos, do trabalho dos profissionais de saúde e no maior custo administrativo.

Aparentemente (há quem o defenda, mas não sei se há demonstrações inequívocas) o resultado é que, sendo os medicamentos mais bem pagos, e os profissionais de saúde mais bem pagos, o sistema americano acaba por ser responsável por mais de 50% das patentes e inovações registadas no mundo, no sector da saúde, porque existem bastantes recursos para investigação, inovação e desenvolvimento.

O mais curioso, para mim, é que 1% dos utilizadores são responsáveis por 20% dos gastos e 5% são responsáveis por cerca de 50% dos gastos, sendo 50% dos utilizadores responsáveis por apenas 3% dos gastos, o que faz sentido porque grande parte da despesa é feita pelas pessoas em piores condições de saúde (já agora, 90% da população dos EUA qualifica-se como tendo boa saúde). Esta circunstância é potenciada pelo facto dos preços serem altos e haver mais diferenciação nos tratamentos, com tratamentos de ponta extremamente caros (já agora, um número entre 100 mil a 200 mil pessoas entram por avião nos EUA para tratamento médico, dos quais cerca de 24% provêm da Europa, e a principal razão parece ser o acesso a tratamentos mais avançados).

Ou seja, a discussão sobre privados ou Estado como fornecedor de serviços de saúde não pode ser feita comparando sistemas e sociedades totalmente diferentes (gostaria de saber, mas não faço a mínima ideia, se o sistema de responsabilização dos Estados Unidos, em que é muito mais fácil responsabilizar alguém por erro médico e tem custos astronómicos, o que obriga os profissionais de saúde a ter seguros elevados para diminuir riscos, tem alguma influência no preço final), a partir de indicadores globais, sem uma análise cuidadosa.

Quanto aos outros dois mitos, o segundo é fácil de responder: é proibido recusar tratamentos numa emergência, seja qual for a circunstância.

O terceiro não resiste a comparações sérias: há campos em que o sistema dos Estados Unidos será pior, há campos em que será melhor (reparei, por exemplo, numa referência à resposta a AVC, que será das melhores do mundo), mas quando se olha globalmente, não há diferenças globais entre os diferentes sistemas de saúde dos países desenvolvidos, no que diz respeito à intensidade de uso e à qualidade dos cuidados prestados.

Como digo, procuro informar-me (insisto que é diferente de ir à procura de qualquer que eu possa usar para apoiar as minhas convicções), mas não sei o suficiente disto para concluir mais que uma quase trivialidade: podemos discutir as vantagens e limitações da propriedade das paredes de um edifício no resultado final de um sistema de saúde, mas comparações de treta entre sistemas europeus e dos Estados Unidos, não é uma coisa que faça avançar muito a discussão.


21 comentários

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De Anonimo a 26.05.2024 às 14:13

Each year, millions of US residents travel to another country for medical care which is called medical tourism.
 https://wwwnc.cdc.gov/travel/page/medical-tourism



Spain is one of the choicest destinations to travel for medical tourism, with the industry growing at a rate of 20 percent annually. Top in the European MTI ranking, Spain takes the overall fourth position, behind Canada, Singapore, and Japan, as the country continues to expand its healthcare systems to offer complex healthcare solutions.



https://www.magazine.medicaltourism.com/article/medical-tourism-indexs-top-european-destinations-to-seek-healthcare
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De henrique pereira dos santos a 26.05.2024 às 14:15

Exacto, um milhão sai dos EUA à procura de cuidados médicos mais baratos, em contrapartida (descontando México e Canadá porque entram mais por terra), procuram os EUA para cuidados médicos mais diferenciados (e caros, evidentemente).
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De henrique pereira dos santos a 26.05.2024 às 14:17

cem a duzentos mil, falta no comentário acima
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De Anonimo a 26.05.2024 às 14:23

Mais baratos, ou que possam pagar. O que é diferente 
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De henrique pereira dos santos a 26.05.2024 às 15:51

Tenho alguma dificuldade em perceber a sua ideia de que uma coisa pode ser mais cara e mais fácil de pagar. Pode explicar-me?
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De Anonimo a 26.05.2024 às 18:29

Desde que eu tenha dinheiro suficiente algo pode ser mais caro e ainda assim fácil de pagar. Percebe o bastante de português e de economia para entender a diferença, que é mais que semântica. 
(decerto já esteve em almoços em que se assustou a olhar para a conta, e o colega do lado lançou "isto até é baratito")
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De henrique pereira dos santos a 26.05.2024 às 19:32

Estou ainda mais baralhado: o milhão de pessoas que saem dos EUA para obter cuidados de saúde noutros países porque são mais baratos (digo eu).
O seu comentário, em relação a isto, quer dizer o quê?
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De cela.e.sela a 26.05.2024 às 14:16

gostava de saber quanto gastam os contribuintes  com os abortos feitos no sns e quantas consultas e operações ficam atrasadas
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De Anonimo a 26.05.2024 às 14:22

Como é que numa frase diz que não sabe mais do que o suficiente para concluir que a comparação entre sistemas é inútil, quando antes conclui que os mitos criados são falsos?


Já agora, e porque deve ter obtido a informação na pesquisa, o que é uma "emergência " nos EUA, ou seja, quais as condições em que tratamento não pode ser negado. Nos países Baixos, por exemplo, o acesso gratuito a uma ambulância só o é se a causa for uma das previamente estipuladas (ataque de coração, avc, crime violento), existe uma lista também nos EUA?
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De henrique pereira dos santos a 26.05.2024 às 15:52

Porque verificar se uma afirmação é verdadeira ou falsa é incomparavelmente mais simples que comparar dois sistemas ultra-complexos
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De Anonimo a 26.05.2024 às 18:25

) a ideia de que há pessoas a não ser atendidas numa emergência por não terem dinheiro;



Alguém disse que isso era verdadeiro? O que foi escrito por um outro comentador foi "os doentes entram e antes de se inscreverem é-lhes perguntado se têm seguro. Se não têm voltam a sair por onde entraram. A seguir é avaliado se o seguro cobre as despesas que o doente fará com o tratamento. Se não cobre sai pela mesma porta por onde entrou."


Esta citação é falsa?
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De henrique pereira dos santos a 26.05.2024 às 19:34

Não percebo a pergunta, parece-me evidente que o que diz a citação e o que eu digo dizem respeito ao mesmo.
Francamente não percebo a utilidade de jogos florais para evitar discutir argumentos.
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De Elvimonte a 27.05.2024 às 01:35

Mitos, isso mesmo. O melhor escravo é aquele que pensa que é livre.


Os únicos factos comprovados em todo este post são aqueles que se podem inferir dos números e gráficos que apresento no final deste comentário 
https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/nao-costuma-ser-a-sua-opiniao-8237001?thread=41709769#t41709769
nomeadamente:
- os americanos são o que pagam (muito) mais per capita pelos cuidados de saúde (despesa agregada);
- os americanos são os que pagam mais, em percentagem do PIB, pelos cuidados de saúde;
- nos EUA, o aumento da despesa em saúde tem sido acompanhado por um decréscimo da esperança de vida, ao contrário do que acontece nos outros países do comparativo.


Este último facto comprovado indicia desde logo que há algo de muito errado no sistema de saúde dos EUA. Lá irei.


No restante do post renovam-se algumas afirmações que carecem de demonstração e introduzem-se outras. Nem um resquício de evidência que as suporte é mostrado, que atirar números para o ar como quem atira areia para os olhos alheios não constitui evidência. Poder-se-á dizer que não passam de mitos? Eventualmente. 


Atente-se agora nalguns factos que podem explicar o que de errado se passa no sistema de saúde dos EUA.


"In 2023, publicly traded US health insurance companies continued to experience growth, with total GAAP revenue climbing 10.4% to reach $1.07 trillion, as highlighted in a new report by AM Best."
(https://www.insurancebusinessmag.com/us/news/life-insurance/how-did-publicly-traded-us-health-insurers-fare-in-2023-487086.aspx)


"All told, America's largest health insurers raked in more than $41 billion of profits in 2022. That is a staggering sum of money. It is so much money, in fact, that you might assume that Americans are able to receive high quality, accessible care whenever they need it. Sadly, that is not the case.
...
Even if you can afford health insurance, that is not a guarantee of affordable, accessible health care. Health insurers make money by not paying for health care. Their bottom line depends on refusing to pay for care and they are ruthless when it comes to protecting their profits.


Anthem Blue Cross Blue Shield has been consistently underpaying reimbursements and inappropriately denying coverages. In 2021, 53% of Anthem’s medical bills for the second  quarter were unpaid, amounting to $2.5 billion.


(continua)
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De Elvimonte a 27.05.2024 às 01:36

(continuação)


Another way health insurers try to get out of paying for care that patients need is by requiring  pre-authorization for routine and even lifesaving care. UnitedHealth announced earlier this year that it was going to require prior authorization for colonoscopies, a critical way for doctors to detect colorectal cancer.


An American Medical Association survey [https://www.ama-assn.org/system/files/prior-authorization-survey.pdf] found 94% of physicians surveyed said that prior authorizations lead to delays in receiving care and 80% said that prior authorizations can lead to treatment abandonment. UnitedHealth was forced to alter its policy due to public outrage, but they are still requiring “advance notification” [https://www.cnn.com/2023/06/01/health/unitedhealthcare-colonoscopy-requirements/index.html] for the procedure, which doctors fear could lead to bureaucratic delays and delayed care."
(https://penncapital-star.com/uncategorized/americans-suffer-when-health-insurers-place-profits-over-people/)


"The biggest, UnitedHealth Group, made $324bn in revenues last year, behind only Walmart, Amazon, Apple and ExxonMobil, and $25bn in pre-tax profit. Its 151m customers represent nearly half of all Americans."
(https://www.economist.com/business/2023/10/08/who-profits-most-from-americas-baffling-health-care-system)


Nestes excertos encontram-se as explicações para os americanos serem os que mais pagam pelos cuidados de saúde e, mesmo assim, a sua esperança de vida estar a decrescer.


Os mitos do autor do post, que por vezes duvido que habite no planeta Terra, ficam assim desfeitos como o castelo de areia levado pelas ondas do mar.


Que haja quem defenda este sistema porque lucra com ele ainda posso admitir como razoável. Já quem o defende e nada lucra com ele é o quê?


Como escrevia no início: o melhor escravo é aquele que pensa que é livre.




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De Elvimonte a 27.05.2024 às 01:58

Adenda ao comentário anterior - mais factos.


"Hospitals in the United States generated a total revenue of around 1.4 trillion U.S. dollars in 2022. Hospital costs make up a large share of total health costs and have more than quadrupled since 1990."
https://www.statista.com/topics/1074/hospitals/#topicOverview


"The Commonwealth Fund conducts an analysis of the healthcare systems of 11 developed countries every few years. According to their latest report published in 2021 analyzing data primarily up to 2019, the US had an overall ranking of 11 out of 11 and the UK ranked 4 out of 11."
https://sites.lsa.umich.edu/mje/2023/05/26/a-comparative-analysis-of-the-us-and-uk-health-care-systems/
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De Nelson Gonçalves a 27.05.2024 às 07:09


"o facto das PPPs terem dados os resultados que deram, liquida qualquer argumento que parta do princípio de que os privados são sempre mais caros e prestam cuidados piores"



No caso português, não estou bem certo do porquê de isso ter acontecido. Pode ter sido um caso em que o Estado levou a cabo uma boa negociação com os privados, mas também pode ter sido falta de experiência neste modelo que levou os privados a cobrarem menos do que poderiam.



A dúvida que tenho é se o sucesso das PPP na saúde é repetível. Leio muitas vezes que as PPP da saúde são prova inequívoca de os privados fazem melhor. Eu diria antes que foi um caso em que o Estado e os privados colaboraram para o bem comum. Mas não sei se será repetível.
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De henrique pereira dos santos a 27.05.2024 às 07:59

Limitei-me a dizer, como cita, que as PPP demonstram que não é verdade que a gestão privada de cuidados de saúde resulte sempre em custos mais altos e piores cuidados de saúde.
Em lado nenhum disse que demonstram que os privados fazem melhor.
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De Nelson Gonçalves a 27.05.2024 às 08:18


Expliquei-me mal. Eu percebi o que o Henrique quis dizer. O meu comentário foi de que não é claro para mim porque é que as PPP funcionaram bem no caso português.


Se por hipótese, as PPP tivessem funcionado mal também não se poderia concluir que os privados são sempre mais caros e fornecem sempre piores serviços na saúde.
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De Elvimonte a 27.05.2024 às 18:12

Não será isso mais um mito? Notícias a confirmá-lo eu li, mas a fonte, o relatório do Tribunal de Contas onde, alegadamente, isso se podia constatar nunca tive oportunidade de o ler. E debalde o procurei.


Tal como se passa com o mito das "alterações climáticas", quando se olha para as estatísticas respeitantes aos principais fenómenos meteorológicos (vd. https://www.ipcc.ch/assessment-report/ar6/) verifica-se que não existem variações quer em intensidade, quer em frequência. No entanto o mito persiste. 
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De Elvimonte a 28.05.2024 às 19:54


Já li o relatório do TdC sobre as PPP - uma primeira leitura em diagonal. Os dois aspectos que ressaltam dessa leitura não conferem uma clara vantagem às PPP.


As alegadas poupanças de 243 milhões de Euros não são reais, são estimadas, ficando por saber como se chega a essa estimativa.


A ERS, por seu turno, conclui que as diferenças verificadas entre as PPP e os grupos que servem de comparação não são estatisticamente significativas, ficando também por saber como se chega a essa conclusão.


Para já, é esta a minha apreciação do relatório que pode ser lido aqui 
https://www.tcontas.pt/pt-pt/ProdutosTC/Relatorios/relatorios-oac/Documents/2021/relatorio-oac005-2021.pdf


Nota: no ensaio clínico da vacina da Pfizer e no posterior período de acompanhamento, a mortalidade total (todas as causas) foi maior no grupo dos vacinados, não sendo, no entanto, as diferenças registadas entre os dois grupos estatisticamente significativas.
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De henrique pereira dos santos a 29.05.2024 às 06:40

Resumindo, afinal os relatórios existem e estão acessíveis e mesmo com o seu viés de leitura, não consegue dizer que os privados cobraram mais por um pior serviço.

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