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Um "miguelista dissidente" de antes quebrar que torcer, tão arreigado à causa legitimista como crítico de um tempo que perdia as certezas, no que Daudet chamava "le Stupide XIXe Siècle". Quem sentir curiosidade por um fidalgo da casa real, homem profundamente culto e espírito guerreiro, que até aos 90 anos de idade permaneceu miguelista ferrenho, fiel à bandeira branca da tradição, que jamais abandonou a causa do seu rei, pode aqui conhecer o que é a verticalidade do carácter contra os usurários do regime.
António Ribeiro Saraiva é a inteligência ligada à honra, mas também erudição, capacidade de trabalho, resistência e integridade. Foi poeta de notável estripe (companheiro poético de nomes maiores como Feliciano Castilho nos tempos de Coimbra), jurista, político e jornalista de renome. Nas convulsões da guerra civil foi diplomata que não esgotou energia, mesmo depois da tragédia de Évora Monte, para defender a legitimidade de D. Miguel.
Foi testemunha de um século de estupidez e revoluções, o qual olhou com lucidez profunda e erudição invejável. Nos seus textos recordava como Portugal tivera a mais perfeita das constituições, produto de séculos e de gerações e que só por ignorância se podia atacar um miguelista como anti-constitucional quando o que preconizavam era a defesa da verdadeira constituição do reino. Nas premissas essenciais reclinava-se para os fundamentos da escola histórica e para a doutrina do constitucionalismo britânico.
Como Edmund Burke defendia que a Constituição inglesa era a melhor porque produto dos séculos, da história e da tradição, também Saraiva analisa a constituição histórica portuguesa na sua completa originalidade, pois que "os ingleses nunca se deixaram cair nos absurdos, nem de se porem a fazer uma Constituição(...)", escreve em carta a Sebastião de Almeida e Brito.
Afinal, um miguelista na defesa das constituições históricas do reino poderia reivindicar uma mesma acepção de que a sociedade é sem dúvida um contrato entre aqueles que já viveram, os que estão vivos e os que estão para nascer. Noutras palavras, sublinha Ribeiro Saraiva em carta a Servio Fabricio Junior, "a nossa nobre e antiga Constituição, posta em sua prática e pristino vigor, com as demais Instituições, a ella consentaneas, tão sabias, tão antigas, tao belas(...)". A génese do conservadorismo português está mais no miguelismo do que na partidocracia do constitucionalismo liberal. Em circunstâncias mais benignas e equilibradas o miguelismo poderia ter evoluído para uma espécie de "partido Tory", ou mais consentâneo seria dizer, o "partido constitucional velho português" como outro contemporâneo miguelista, José Martiniano Vieira invocou lembrando que "todo o realista é verdadeiramente constitucional".
António Ribeiro Saraiva morreu no exílio em Inglaterra, onde ainda hoje se encontra sepultado, recusando-se a aceitar uma linha dinástica que acusava de usurpadora. Viveu até ao fim da vida longe da pátria que tanto amou, mas mantendo-se fiel à bandeira pela qual toda vida teceu armas em nome das três verdades vencidas: Deus, Pátria e Rei.
Excelente texto.
Porém e na minha opinião, não há referências ao apoio da maçonaria ao movimento liberal e jacobino encabeçado por Pedro I do Brasil quando provocou uma medonha guerra civil para colocar no trono de Portugal uma princesa brasileira.
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E é acima de tudo o mais indicado para prosseguir(...
E eu conto com a sua candidatura (calculo que seja...
Conto com o seu voto.
Candidate-se, ganhe as eleições com esse programa ...
Não se trata de gostar de ver os outros ir ao dent...