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Máscaras

por henrique pereira dos santos, em 20.04.22

"Em primeiro lugar, porque a máscara não é o modo de prevenção da infecção, é uma peça no meio de um arsenal de que dispomos...

Imaginemos que sou uma pessoa com 85 anos, com uma insuficiência cardíaca muito grave, ou uma neoplasia em fase terminal. Tenho covid e, passado um tempo, morro. Não morri por causa da covid, morri por causa do cancro, da insuficiência cardíaca. Agora, a covid contribuiu para que morrese uns dias mais cedo? Provavelmente sim, porque me fragilizou ainda mais. Isto é completamente diferente [do caso] de uma pessoa saudável com 50, 60, 70 anos, que tem a infecção e morre. Se aquela infecção não tivesse ocorrido, não morreria. Mas também é diferente de outra coisa: se não tive a preocupação de evitar a infecção de uma pessoa idosa e ela morre vários meses antes.

O que é preciso é proteger os mais vulneráveis, mas sempre negociando com as pessoas, porque uma pessoa com 80 ou 90 anos pode preferir correr o risco de se infectar e ver um filho, um neto ou um amigo a ficar sozinho mais alguns meses. Isto não é da natureza das leis. Por isso é que não faz sentido a obrigação.

... Estranho tanto ênfase na máscara cuja eficácia é, no mínimo, discutível quando comparada com a eficácia da vacina".

Não sou um grande fã de Henrique Barros, que acho confuso nas explicações que dá e, por vezes, me parece contraditório, no entanto, entre ele, que sempre me pareceu cauteloso, mas procurando a racionalidade na gestão da epidemia e um terrorista como Filipe Froes, que sobre o movimento de refugiados ucranianos não achou nada melhor que agitar o espantalho do risco sanitário associado, não tenho a menor hesitação sobre quem merece mais ser ouvido.

O que me chamou a atenção nesta entrevista de hoje no Público não foi aquilo que chamou as atenções dos editores (estou careca de saber isso) "os efeitos nefastos das máscaras nas escolas são muito maiores do que as suas vantagens" mas sim o que citei acima: "mas sempre negociando com as pessoas porque uma pessoa com 80 ou 90 anos pode preferir correr o risco de se infectar".

Chamou-me a atenção porque é, desde o princípio, a minha posição de princípio.

Conheço os argumentos contra esta posição, relacionados com o bem comum e com o controlo da epidemia que beneficia a todos, o problema é que não há nada nestes dois anos que me tenha demonstrado as grandes virtudes nas medidas não farmacêuticas para obter esse resultado.

Um coisa é a adopção de medidas não farmacêuticas para protecção individual, sobretudo dos mais vulneráveis, outra coisa é a ideia de que é possível parar o vento com as mãos e se todos fizermos tudo direitinho, então vamos ter o prémio de ter controlado a epidemia.

Dois anos passados, se retirarmos artigos científicos com modelações matemáticas e experiências em ambiente controlado, não há, que eu saiba, um único artigo de demonstra, de forma consistente, padrões de evolução diferente da epidemia em função da adopção de diferentes medidas não farmacêuticas.

Existem muitos artigos, com dados limitados no espaço e no tempo, que os autores interpretam como tendo resultado da adopção de medidas não farmacêuticas, mas nenhum desses, que eu saiba, foi capaz de produzir um modelo de relações de causa e efeito que tenha conseguido prever uma evolução da epidemia, noutro lado qualquer, com base nas mesmas medidas não farmacêuticas.

Pois mesmo assim, e com base em justificações tão sólidas como a de que as pessoas nos aviões olham sempre para a frente e por isso não precisariam de máscaras, como é a actual teoria das comportas, por pequenas que sejam, mantemos máscaras obrigatórias em não sei quantos sítios, o que é especialmente absurdo no caso das escolas.

E isso tem uma explicação: precisamos de coisas que nos consolem, que nos façam sentir bons cidadãos, que nos permitam distinguir dos que são moralmente corruptos (as perguntas da jornalista do Público na entrevista que tenho vindo a citar cabam com qualquer dúvida sobre a base moral do que está em causa).

A máscara tem um valor fetichista enorme, que não me parece que seja fácil fazer desaparecer.



3 comentários

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De Jorge a 20.04.2022 às 20:55

É cada vez mais evidente que vivemos um processo politico irracional e baseado no medo em vez de um processo racional baseado na ciência. A ciência foi manipulada pelos politicos de modo a encaixar na narrativa do medo que tranformou este país num asilo de medrosos e os restantes borrados de medo, que mesmo levando todas as doses de vacinas se recusam a largar a máscara. 
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De balio a 20.04.2022 às 21:59

Exatamente, a máscara é, basicamente, um fetiche. É como o véu islâmico ou a quipá judaica: serve para identificar visualmente as pessoas observantes, devotas, obedientes, tementes. É aliás por isso que muita gente a usa, mesmo na rua ou ao ar livre ou sem ninguém por perto.
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De assim assim a 21.04.2022 às 08:50

vejo e oiço tanta burrice de indigentes em bicos dos pés que se atropelam para aparecer nas tvs etc
que me abstenho de mencionar os conhecimentos que adquiri há mais de 60 anos dentro e fora desta coisa e actualizo diariamente

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