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Marcelo Rebelo de Sousa precisava que alguém o ajudasse a terminar o seu mandato com um mínimo de dignidade, diria eu, parafraseando o outro.
É claro, desde há muito, que Marcelo fica muito sentido com a opção de Montenegro manter as relações institucionais num registo sem falhas, ao mesmo tempo que limita essas relações estritamente ao necessário para que assim seja (pelo menos é o que me parece).
Montenegro, aparentemente, não informa Marcelo de nada que não seja estritamente necesssário, desde que tenha alguma relevância (como eu o compreendo), nem cultiva uma especial proximidade com Marcelo (como eu o compreendo, ainda melhor, todos conhecemos a história do escorpião que convenceu o sapo a tranportá-lo para o outro lado do rio).
O resultado é o esperado, com Marcelo, naquela sua maneira ínvia de ser, a torpedear Montenegro de todas as maneiras que consegue, que são poucas porque formalmente o presidente tem pouco poder e porque Marcelo se encarregou de dissolver a sua autoridade moral, ou o seu poder difuso, como se lhe queira chamar.
Neste braço de ferro, Montenegro tem as regras do seu lado, e tem o tempo do seu lado: Marcelo deixa de ser presidente dentro de semanas, e desbaratou todo o poder que poderia ter como ex-presidente.
Talvez isso explique a venturização de Marcelo, especialmente evidente nas visitas que tem feito à zona impactada pela tempestade da semana passada, ultrapassando todos os limites, ao ponto dos chefes das duas maiores empresas de comunicações chegarem ao ponto de fazer comunicados escritos em que pouco falta para chamar idiota ao presidente da república.
Eu compreendo-os, e ao presidente da REN que preferiu outra abordagem, mas a mesma distância, em relação às declarações manifestamente populistas de Marcelo sobre o facto de ser preciso tempo para repor o funcionamento das redes de electricidade, comunicações e, consequentemente, o abastecimento de água.
A comunicação difícil da Ministra da Administração Interna não tem um décimo da importância da falta de respeito de Marcelo pelos milhares de trabalhadores que, em condições meteorológicas muito adversas, estão a fazer das tripas coração para repor, o mais depressa possível, o serviço das redes cuja infraestrutura foi profundamente afectada pela tempestade.
Um bom contributo de Marcelo para eleger Seguro, esta demonstração da inutilidade de um presidente da república populista, ou melhor, do carácter corrosivo que um presidente populista pode ter sobre o funcionamento das instituições, quando acha que a sua popularidade é mais importante que a coesão social.
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