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Marcelino e Otelo

por henrique pereira dos santos, em 19.02.21

Marcelino da Mata e Otelo Saraiva de Carvalho têm algumas coisas em comum e outras que os separam.

E uma das principais coisas que os separam é a forma tão diferente como olhamos para as suas vidas, mesmo quando elas têm traços comuns.

Por estes dias tenho visto bastante gente, a propósito de Marcelino, afirmar a pés juntos que não foi condecorado por actos de bravura numa guerra em que o seu país estava envolvido, mas antes que recebeu condecorações de uma ditadura e isso é cadastro, não é curriculum.

Aparentemente pouca gente fala assim das duas condecorações de Otelo (não falo da terceira, já num regime democrático) atribuídas durante o Estado Novo, embora não por acções de bravura em teatro de guerra.

Diz-se de Marcelino que, na hora da sua morte, o Estado não lhe deveria prestar as homenagens devidas a um dos veteranos de guerra (não, não é por acaso que uso esta expressão, mais americana que portuguesa) mais condecorados do seu exército porque terá sido um criminoso de guerra.

Eu sei que há quem pense que se deveria fazer mais tricot e menos guerras, eu próprio acho o tricot mais útil à humanidade que a guerra, mas não tenho muita fé de que o tricot desse mais resultado que a resistência armada perante expansionismo nazi ou soviético, e tenho muitas dúvidas que o resultado global para a humanidade fosse melhor se em vez de militares se tivessem mandado hordas de tricotadores para o Japão, na sequência de Pearl Harbour.

Nada me move contra o tricot, bem entendido, que aprendi e pratiquei brevemente (sem nenhum sucesso, de resto), há uns quarenta anos, para gáudio e chacota dos militares que enchiam as carruagens do comboio em que eu ia para Évora, e eles para Vendas Novas.

Acho é que o tricot não serve exactamente os mesmos propósitos da guerra e, naturalmente, é menos provável encontrar violações, mortandades, massacres na prática do tricot, que na guerra.

Tal como é mais fácil acusar de crimes de guerra quem anda numa guerra de guerrilha no mato, como Marcelino, que quem ficou no Estado Maior, como Otelo, apesar da guerra ser a mesma.

Só que, tanto quanto sei, nunca nenhum tribunal condenou Marcelino por crimes de guerra, nunca o Estado lhe retirou as condecorações, nunca o Estado o ostracizou por o considerar criminoso. Ou seja, quaisquer acusações que existam, não passam de opiniões, legítimas, com certeza, mesmo quando algumas dessas acusações são feitas com base em testemunhos não independentes, pelo contrário, em testemunhos de quem tem interesse em contar a história de modo a ser favorecido por ela.

Já em relação a Otelo, há condenações em tribunal por crimes de sangue e outros. Não pelas acções que desenvolveu no sentido de derrubar uma ditadura e a substituir por um regime democrático e livre - com armas na mão, e não com agulhas de tricot - mas pelas acções violentas em que se envolveu contra a democracia, incluindo o assassinato de Gaspar Castelo Branco com dois tiros na nuca, à porta de casa, fora vários outros que tiveram o azar de estar no sítio errado à hora errada, como o soldado da GNR que foi morto no primeiro assalto a um banco patrocinado por Otelo.

Eu sei que Otelo nega tudo isto, e nega-o de forma radical, diz que o seu julgamento foi uma farsa montada por uma coligação do PC, CDS e PSD, nega-o de forma mais radical que a forma hipócrita que Isabel do Carmo encontrou para se demarcar do seu papel activo na violência terrorista contra a democracia e a liberdade (transportei explosivos, mas nunca carreguei no detonador, como se o crime maior fosse de quem dispara a bala e não de quem decide, define o alvo e cria as condições para terceiros a dispararem), mas essa é também uma opinião, uma opinião legítima, que tem contra si todo um processo judicial que conclui o contrário.

Também sei que Otelo foi amnistiado e indultado pelos orgãos de soberania democráticos e legítimos, tornando a sua integração na sociedade absolutamente legítima e não beliscando a dívida da sociedade para com o seu papel no 25 de Abril.

Convivo tranquilamente com tudo o que está descrito em relação a dois homens que serviram o seu país da forma como acharam mais justa e sobre a qual cada um de nós será livre de ter a opinião que quiser.

Para o que me falta paciência é para os Fernandos Rosas, as Anas Sá Lopes, os Manuéis Loffs, os Rui Tavares (ainda hoje nos diz, na sua crónica no Público, para não nos esquecermos de que extrema-direita já matou em Portugal, como se o mais mortífero, violento e ameaçador grupo terrorista no Portugal democrático não tivessem sido as FP25) e muitos outros que resolveram achar que a morte de Marcelino da Mata era o momento adequado para fazer avançar a sua agenda de condicionamento da discussão aberta, livre e racional sobre o passado do país.

Até porque eu vivi até aos meus 14 anos em África (e voltei a Moçambique há dois ou três anos, a tempo de ver as diferenças para o que lá se passa hoje) e sei muito bem que José Afonso (que viveu em Moçambique e que tinha lá a irmã, cujo filho era meu chefe de turma na escola -"diga amigo Zé como vai você") é muito mais rigoroso na descrição do que se lá passava nesta música, que a quantidade de inanidades e barbaridades sobre o colonialismo português que sistematicamente são repetidos por estes defensores dos regimes tirânicos e racistas que se sucederam à administração colonial portuguesa nesses países, regimes esses que expulsaram do seu país milhares de compatriotas seus, pelo único crime de serem brancos (não é o meu caso, com 14 anos não tinha voto na matéria mas os meus pais estavam a preparar a sua vinda para Portugal na sequência da reforma do meu pai que estava próxima, e nunca se consideraram angolanos ou moçambicanos, ao contrário de muitos que nunca conheceram outro país que aquele em que viviam há várias gerações).

Discutir a história, com diferentes perspectivas, é uma coisa, usar a deturpação da história como arma de arremesso político (os frequentes paralelismo entre o Estado Novo e o regime Nazi, bem como entre o expansionismo nazi e a guerra colonial, são completamente delirantes), é outra.

E fazê-lo tratando a memória de Marcelino da Mata como a têm tratado, como se o mundo em que viveu fosse a preto e branco, como se ele próprio fosse a preto e branco, como se a sociedade em que vivia fosse a preto e branco, como se os critérios de julgamento de hoje se aplicassem a mundos passados, etc., é rasca.



25 comentários

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De zazie a 19.02.2021 às 09:20

Ora muito bem
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De Anónimo a 19.02.2021 às 10:45

Muito bom dia Henrique Pereira dos Santos.
Com a devida vénia, assino por baixo o seu texto.
Cumpri 21 meses na guerra na Guiné, 29Out1971 a 28Jul1973. Fui o oficial imediato de um patrulha da Marinha. Pelo navio onde cumpri a comissão de serviço que me foi determinada, passaram muitas pessoas, muitos combatentes, incluindo muitos comandos africanos. Um comandante desses comandos tinha um irmão a combater no PAIGC. De entre os vários que por lá passaram, recordo também Otelo Saraiva de Carvalho acompanhando jornalistas estrangeiros dos vários que Spínola convidava para a sua "campanha". Recordo ainda um outro, nem melhor nem pior que Otelo, mas bem diferente, o actual reformado Coronel Matos Gomes, um militar que considero de coluna vertebral e não de cartilagem, que combateu, que é de 25 de Abril de 1974, que escreveu livros interessantíssimos. Como o HPS bem refere, nada era a preto e branco, tal como hoje. Eu, como muitos, soubemos das muitas histórias e acções envolvendo Marcelino da Mata. Enfim, tenhamos paciência democrática.
António Cabral
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De Anónimo a 19.02.2021 às 10:47

Boa Henrique! Dá-lhes forte e sem cerimónia! 
Abraço do chefe de turma
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De henrique pereira dos santos a 19.02.2021 às 11:44

Grande Zé, é bom saber notícias tuas
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De Anónimo a 19.02.2021 às 11:18

1-Duquesa de Mântua assoma corajosamente à varanda do Palácio Real, em Lisboa, tentando travar o golpe de Estado que estava em vias de pôr fim a seis décadas de domínio castelhano..
2-Acontece que Miguel de Vasconcelos, quando se apercebeu que não podia fugir, escondeu-se num armário e fechou-se lá dentro, com uma arma. O que finalmente o denunciou foi o tamanho do armário. O fugitivo, ao tentar mudar de posição, remexeu-se lá dentro, o que provocou uma restolhada de papéis. Foi quanto bastou para os conspiradores (https://pt.wikipedia.org/wiki/Quarenta_Conjurados) rebentarem a porta e o crivarem de balas. Depois atiraram-no pela janela fora.
3- Marcelino da Mata , traiu o seu povo colocando-se ao lado colonizador racista. NÃO branqueiem A HISTÓRIA., senhores retornados!
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De henrique pereira dos santos a 19.02.2021 às 11:43

Portanto, na sua opinião, quem deve determinar quem é o povo de Marcelino da Mata é vossa excelência, e não o próprio, é isso?
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De Anónimo a 19.02.2021 às 17:44

Marcelino da Mata não traiu o seu povo!
Marcelino da Mata era português da Guiné, como eu sou português do Ribatejo! Na época, a Guiné era uma província ultramarina... logo, se entende que ele era português.
Mais, na Guiné, nem há UM POVO, há dezenas de etnias diferentes que se odeiam, e guerreiam e matam ainda hoje. Marcelino da Mata optou livremente e por sua iniciativa, por ser português e servir no exército português. Se o fez por vingança, tribalismo ou patriotismo, isso só próprio poderia responder, mas o facto é que optou foi por ser português! E o assumiu sempre, com honra, brio e orgulho.
O anónimo da duqesa de Mântua, deveria sobretudo instruir-se mais um pouco, para saber o que é a Guiné, o que são as etnias guineenses e sobretudo que na época, Guiné e Ribatejo eram ambas províncias do Estado Português. 
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De Carlos Guerreiro a 19.02.2021 às 18:45

Pior, estes acham que o deve determinar o povo do Marcelino é a cor da pele, ou seja são racistas.
O Ribeiro e Castro chamou racista ao revisionista Rosas na TVI.
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De Anónimo a 19.02.2021 às 15:53

Soberbo o seu comentário! Tudo bem explicadinho para quem tem dificuldade em compreender o que é uma guerra e como se ganha o estatuto de herói .Cumprimentos
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De balio a 19.02.2021 às 17:03


regimes esses que expulsaram do seu país milhares de compatriotas seus, pelo único crime de serem brancos


Eu não sou especialista em História mas, que eu saiba, tal coisa não aconteceu. Os brancos não foram expulsos de Angola, Moçambique ou Guiné. Aliás, nesses três países ainda hoje há montes de brancos a viver.


O que aconteceu é que em Angola e Moçambique rebentaram guerras civis na sequência da independência e a maior parte dos brancos, tendo-lhe sido dada a oportunidade de fugir, fugiu (tal como qualquer ser humano racional faria se rebentasse uma guerra civil lá onde vive).


Os brancos piraram-se de Angola e de Moçambique, não porque os novos regimes políticos os tivessem expulsado de lá, e sim porque se refugiaram das guerras civis.


Aliás, que eu saiba, a maior parte dos brancos fugiu de Angola ainda antes da independência.
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De Anónimo a 19.02.2021 às 18:28

Caro Balio, tenha a bondade de ler o excelente trabalho da jornalista Helena Matos que lhe envio. Depois, faça o seu juízo e diga com honestidade se os portugueses que viviam em África ao tempo da descolonização, tinham condições de lá continuar sem arriscarem a própria vida. Fale depois, valeu?...


https://observador.pt/especiais/chamaram-lhes-retornados/#title-4
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De balio a 20.02.2021 às 17:15

Claro que não tinham condições, por isso vieram-se embora, fizeram muiito bem.
O que eu disse, e repito, é que não foram expulsos. Optaram por vir-se embora, o que é diferente.
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De Anónimo a 19.02.2021 às 18:32

Também lhe envio este, da mesma autora. 


https://observador.pt/especiais/os-retornados-comecaram-chegar-ha-40-anos/
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De Carlos Guerreiro a 19.02.2021 às 18:49

Claro que não teve nada com os massacres que foram ocorrendo por Angola antes da independência. E a revolta em Moçambique antes da independência era porque queriam vir para Portugal?
Não siga a história pelo que diz o Rosas, afinal o homem era do MRPP, o tal que em 75 torturou Marcelino e outros.
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De Anónimo a 19.02.2021 às 19:37

Nunca se fez o ajuste de contas com a História e por isso, de vez em quando, abrem-se as feridas nunca saradas. 
Cobardemente, o regime de mal com a sua consciência, optou por calar as vozes que estiveram do "outro lado" e ninguém quis ouvir: desfaziam a Grande Mentira desses fanáticos dos FRosas, Loffs , RTavares e quejandos.
Aconselho a leitura de "Os segredos da descolonização" de Alexandra Marques.
 
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De João Brandão a 19.02.2021 às 22:55

Um comentário 'rascamente' hipócrita!
Envergonhe-se!




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De Anónimo a 20.02.2021 às 10:11

Quero lembrar ao Balio que muito se tem falado e de modo quase exclusivo na guerra colonial, e foi esquecido que havia uma sociedade civil, com pessoas de carne e osso, com um rosto e com as suas vidas comuns e banais. Mas não é esse o ponto, mas sim o que lhes aconteceu durante o processo da descolonização e ainda dentro do período de transição. Foi dito e prometido às pessoas "todas" (de todas as raças e credos) que viviam nos territórios ultramarinos, que nada tinham a recear, que se mantivessem e se sentissem seguras, posto que a transição, garantidamente, seria pacífica, e os novos países que iam surgir seriam, livres e  independentes. Que se viveria numa Democracia, plena e plural e por isso precisariam de contar com "todos" nessa construção. Prometeram-lhes tempo para a formação de partidos novos, com os seus respectivos programas e campanhas de divulgação  com as suas propostas para o novo país; no fim, haveria Eleições Livres, democráticas! 
As populações festejavam. Aguardavam cheios de esperança pelo dia em que fariam a sua escolha e tomariam nas próprias mãos o destino do seu novo país, através do voto livre, nas tão aguardadas eleições democráticas, como lhes fora prometido pelos srs. enviados que se passeavam de Província em Província, ouvindo e aplacando as populações, tranquilizando-as sobre o futuro incerto.
Foi sol de pouca dura, o Balio sabe o que aconteceu a seguir e o que foi urdido nas costas das populações: o Estado Português reconheceu a soberania a Moçambique, MAS entregou o novo país a um só partido, a Frelimo ;  Angola lançou-se, logo em 75, mal acabara de se firmar a sua independência, numa guerra civil sem tréguas, entre partidos inconciliáveis.
A grande fraude: Eleições Livres!



 E foi assim que muitos, acossados como os alvos de uma grande caçada em campo aberto, ficaram a conhecer o significado das palavras  "Traição" , "Terror", "Abandono" que foi o que lhes sucedeu pelos Acordos de Lusaka e do Alvor firmados pelo Estado Português.


E o resto da história, o que se seguiu, já saberá certamente (se leu os textos que lhe indiquei da Helena Matos).


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De Anónimo a 20.02.2021 às 12:42

Os que regressaram, foram chamados de retornados. Despojados de quase tudo e muitos até da própria identidade, esta gente comum e vulgar regressou à antiga Metrópole onde ainda viria a conheceram a segregação, o ódio e o insulto por parte dos "revolucionários" que os acolhiam com um " vai para a tua terra".
Curioso, não é?
Este era também o tempo em que o slogan era "África é dos africanos"
Estranho...
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De Anónimo a 19.02.2021 às 17:36

Belíssimo texto .
E , por falar em "Tricot", não existe qualquer ponto de contacto entre um Homem e um  canalha...
Cpmts.
JSP
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De Anónimo a 19.02.2021 às 19:39

Grande texto! Corajoso! Com desassombro, grande sentido de justiça e de verdade.
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De Anónimo a 20.02.2021 às 09:28

Grande post. Muito obrigado
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De Anónimo a 20.02.2021 às 11:03

Caro Henrique. 
Marc Ferro, eminente historiador francês, publicou "as falsificações da história." Comentar factos históricos é sempre subjetivo. Do lado de quem o entroniza ou do lado de quem foi o alvo. Tudo é  uma perspectiva. Se eu sou português Vasco da Gama foi um herói. Se eu for asiático considero-o um pirata. Por isso uns dizem descoberta outros dizem achamento. A historigrafia contemporanea deve fazer esse equilíbrio com apoio das fontes e deixar varias saídas para a interpretação dos acontecimentos, tendo sempre o propósito de contextualizar os fenómenos. O resto é  tudo falácia. E para isso é  preciso ter distanciamento temporal também. Daí as dificuldades em ajuizar Marcelino da Mata e Otelo. 
Para mim são personagens  da história recente. Sofro e amo com eles como tu. Mas tenho de os deixar viver apenas como percentagens de uma história que um futuro dramaturgo irá escrever ou um futuro historiador irá fundamentar numa análise histórica. Um abração.
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De Anónimo a 20.02.2021 às 12:23

Caro Sr., desculpe a intromissão e permita-me discordar apenas num ponto: um "facto" é um facto e como tal não está sujeito a interpretações "subjectivas" como afirma, pois um facto subjectivo  constituiria, em si mesmo, uma contradição nos dois termos. E depois, não esqueça a existência de documentação escrita, as fontes, os melhores suportes materiais para a desejável "análise objectiva" dos factos. Os melhores aliados de um historiador para uma fundamentação Exacta e o mais Isenta, o mais Fidedigna e próxima da Verdade possíveis. 
No mais, dou-lhe inteira razão sobre a nossa História recente: é deixar a poeira do tempo assentar e as paixões refrearem, para uma análise distanciada, "científica" e fundamentada ;  e não uma "interpretação" tendenciosa e facciosa. 

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