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Mais alienação

por henrique pereira dos santos, em 03.08.20

"Utilizar apoios europeus para ajudar a preservar empregos e recorrer a todos os meios disponíveis para fazer com que as empresas preservem a sua actividade, deverá ser preocupação primordial das entidades governamentais. É urgente que as empresas voltem a dar emprego e trabalho às pessoas, que voltem a dar-lhes a possibilidade de ser donas da sua própria vida, porque, se num primeiro momento as pessoas da economia informal se vão aguentar, precariamente, por via de pequenos trabalhos remunerados de forma imediata, muitas empresas vão dispensar colaboradores e fazer despedimentos depois desta experiência do teletrabalho."

Não, não é neste parágrafo que está a alienação. Posso discordar que no texto de que tirei este parágrafo haja uma excessiva permeabilidade da linha que separa a publicidade de um texto de opinião forte sobre a devastação social que nos entra pelos olhos, mas não há ponta de alienação nesta crua descrição da realidade.

A alienação está no longo e interessante artigo de Manuel Carmo Gomes sobre o que nos espera no Outono, do ponto de vista da epidemia.

Manuel Carmo Gomes começa por informar que vai dividir o seu texto em três grupos de questões, o primeiro relacionado com o nosso comportamento em relação ao vírus, o segundo com o grau de imunidade já adquirida e a terceira relacionada com as intervenções das autoridades de saúde pública, sobre as quais Manuel Carmo Gomes avisa que tem uma visão pessoal totalmente aberta à discussão e escrutínio.

Na verdade este truque de retórica não chama a atenção para o carácter aberto e discutível do terceiro grupo de questões, o que o truque faz é dissimular o argumento de autoridade em que assentam os dois primeiros grupos de questões, caracterizando-os como sendo "abordados recorrendo aos conhecimentos científicos adquiridos nos últimos meses".

É extraordinário que Manuel Carmo Gomes omita, totalmente, que qualquer coisa como 70% do contágio se faz em coabitação e gaste quase todo o espaço dedicado à questão da transmissão e contágio à transmissão por aerossóis em contexto social, matéria que está longe de totalmente clarificada e, sobretudo, que consensualmente se sabe que não representa uma percentagem muito grande no contágio e, menos ainda, está associada a uma percentagem relevante de hospitalizações e mortes. Mesmo assim, conclui que a nossa capacidade de evitar uma segunda vaga da epidemia está na nossa capacidade para minimizar o contágio por aerossol, uma afirmação ousada e muito pouco fundamentada, quer no texto que escreve, quer nos dados conhecidos da epidemia.

Mais grave, no entanto, é o que Manuel Carmo Gomes refere sobre o grau de imunidade, referindo mais uma vez os famosos 60% de imunidade na comunidade para se atingir imunidade de grupo, sem dedicar uma linha à investigação de Gabriela Gomes sobre o efeito da heterogeneidade na diminuição desse número, nem à evidência empírica de que, mesmo em condições de forte prevalência da infecção, a infecção ter parado com percentagens da população muito abaixo desse número.

Na verdade, e no essencial, o artigo resume bem ao que vem: "uma média de 300 casos por dia é um valor muito alto (escusando-se a fundamentar esta afirmação), não afasta o risco de descontrolo (mas há alguma maneira de afastar o risco de descontrolo? O que precisamos é de o gerir, pretender risco zero é uma pretensão absurda, cara, ineficiente e que qualquer gestor de risco sabe ser uma infantilidade), dada a capacidade para propagação exponencial deste vírus na população (ainda está na conversa do risco de propagação exponencial? Não aprendeu nada neste seis meses?)".

E quanto ao problema de Isabel Jonet levanta o primeiro parágrafo deste meu texto, tem alguma a dizer, caro Manuel Carmo Gomes?

Ou acha que a pobreza é um risco menor para a saúde pública que a covid?

É que se acha, está na altura de começar a explicar, preto no branco, por que razão entende que a covid é um risco para a saúde pública maior que a pobreza, já chega de omitir partes essenciais do problema na definição de políticas públicas, como se fosse possível gerir a economia omitindo a ameaça sanitária ou gerir a saúde pública omitindo o contexto económico e social em que a epidemia se desenvolve.



11 comentários

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De Carlos Sousa a 03.08.2020 às 11:46


Só gostava de saber porque é que insistem no alarme social?
É mais que evidente que os danos causados por estas restrições estúpidas da liberdade individual são muito mais prejudiciais do que os danos causados por esta pseudo pandemia. 
Quando a economia colapsar vamos combater o vírus com o quê?
Será que é preciso ser um iluminado para ver que toda esta histeria não tem nada a ver com saúde ou qualquer combate víral.
Instala-se o medo para justificar a utilidade de uma aplicação pidesca, cuja finalidade é obter dados e controlar com mais precisão as movimentações individuais.
Até quando vamos permitir?
Quando o caldo entornou apareceu o "que se lixe a troika". 
Será que tem de aparecer o "que se lixe o vírus" ? Na Alemanha já apareceu...
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De Manuel Vicente Galvão a 03.08.2020 às 13:13

O Covid19 é, portanto uma conspiração a nível mundial. Criada e conduzida por duas entidades: o Partido Comunista Chinês e a Organização mundial de Saúde.


Donald Trump não escreveria melhor... fack news! 
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De henrique pereira dos santos a 03.08.2020 às 15:29

Consegui ler isso? O que Trump escreve, não sei, mas se o que lê é isso, convenhamos que seria melhor pedir uma indeminização aos seus professores
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De Anónimo a 03.08.2020 às 22:27

Pois é, o Trump nunca disse que era um vírus chinês (fabricado na China), nem nunca disse que a OMS, ao definir o vírus e a forma como se propaga como Pandemia, estava a ser controlada e dirigida pela China... 
Ele não disse nada disso, mas mandou centenas de vasos de guerra para o mar da china, e desvinculou os EUA de membros da OMS.
Se o senhor lesse jornais e visse telejornais, talvez pensasse como eu. Se, por outro lado, as notícias internacionais entram na sua cabeça, o seu problema é outro, iliteracia.
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De Anónimo a 03.08.2020 às 16:40

Não se esqueça do Bill Gates e do Soros.
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De henrique pereira dos santos a 03.08.2020 às 18:35

Tenho escrito abundantemente sobre a epidemia, mas apostaria que não há um único texto em que fale de Soros e pode haver algum em que fale de Bill Gates, muito no princípio da epidemia, referindo a sua crítica ao modelo do Imperial College
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De pitosga a 03.08.2020 às 13:54


H. Pereira dos Santos,
Muito bom, como é seu hábito. Sempre haverá parvos e, muito mais grave, sempre haverá desonestos.
Abraço
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De voza0db a 03.08.2020 às 21:26


"donas da sua própria vida"!


Claramente os ESCRAVOS são mesmo boçais, e nem depois do que se passou, passa e passará são capazes de encarar a Realidade, pelo que é certo que continuaremos ESCRAVOS...


Atenção que estão proibidos de sair do concelho onde "dormem" excepto para irem para a escravatura...
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De João Távora a 03.08.2020 às 22:57

O sr. voza0db vem usando e abusando neste blog da palavra boçal e outros epítetos às vezes dirigidas aos seus autores.  Tenha em consideração que aqui favorecemos comentários com bons argumentos na mesma proporção em que  censuramos insultos. Pense sempre bem antes de vir para aqui aliviar a sua bílis,  com comentários boçais. 
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De Manuela Vasconcelos a 04.08.2020 às 00:04

Obrigada por mais este texto.
Concordo com a questão do alarme social e com o facto de a pobreza matar mais do que a covid-19, bem como todas as doenças que têm vindo a deixar de ser tratadas devido ao foco neste vírus. 
No entanto tenho uma dúvida: realça sempre o facto de a maior percentagem de contágios se darem dentro da habitação, o que não discuto. Porém, o vírus não aparece na habitação do nada, isto é, é levado do exterior. Quando refere que é mais seguro estar fora de casa do que dentro, isso não seria verdade apenas no caso de todos vivermos sozinhos e consequentemente se ficássemos infectados não termos co-habitantes para infectar?
Obrigada.
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De Anónimo a 04.08.2020 às 00:42


Entretanto a "Big Pharma" pelo sim pelo já tem garantida Sol na eira chuva no nabal.
"...A senior executive from AstraZeneca, Britain's second-largest drugmaker, told Reuters (https://uk.reuters.com/article/us-astrazeneca-results-vaccine-liability/astrazeneca-to-be-exempt-from-coronavirus-vaccine-liability-claims-in-most-countries-idUKKCN24V2EN) that his company was just granted protection from all legal action if the company's vaccine led to damaging side effects....".
Quanto às vacinas chinesas, na tradição da maioria dos produtos lá produzidos, ...

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