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Louçã e o povo

por henrique pereira dos santos, em 15.09.22

Francisco Louçã escreveu qualquer coisa comparando Godart e Isabel II.

Qualquer pessoa comum, qualquer pessoa do povo, facilmente esquece o que escreveu Louçã, de tal forma é evidente a sua cabotinice.

O que me interessa é notar, pela enésima vez, que os mais vocais defensores de que é "o povo que mais ordena", são frequentemente os menos capazes de reconhecer o que é povo, olhando para os funerais de Godart e Isabel II.

Louçã não tem dúvidas: "Para o que interessa, que é a cultura, ou o que nos faz partilhar a vida, as ilusões, os encantamentos, as nostalgias, a esperança e a realidade, é de Godard que nos vamos lembrar. E essa memória e respeito pela obra será a homenagem que nenhum poder dinástico jamais alcançará."

Aquele "nos", aquela ideia de "partilhar", diz respeito ao grupo de Louçã, aos que pensam como Louçã, aos que sentem como Louçã, aos que que se encantam como Louçã, não há, nessa ideia de colectivo de que Louçã se reclama, a mais ténue sombra do povo.



22 comentários

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De Anonimo a 15.09.2022 às 10:34


O povo ordena, mas tem de ser ensinado a ordenar bem. Daí os campos de reeducação.

O povo tem o direito ao voto, mas tem de saber votar bem. O povo tem o direito à sua opinião, mas tem que saber qual a opinião certa.
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De Anonimo a 15.09.2022 às 10:46


O Eusébio e a Amália também tiveram grandes exéquias.
No fundo o que o Dr. Louçã quer dizer é quando falece, merece uma coisa estilo Lenine, para que o povo o possa apreciar eternamente, enquanto intemporal Educador do povo.
Aconselho ao Louçã fazer uma peregrinação pela Europa bárbara, faça as suas homílias diárias àqueles pobres atrasados, exaltando as virtudes da República e ajudando na libertação dos povos e na entrada dos seus países na rota do progresso económico e social.
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De Antonio Maria Lamas a 15.09.2022 às 12:36

Os Louçãs desta vida só olham para o seu umbigo.
A relação povo/pseudo elites é como a anedota 
O Chapitô toda a gente conhece e está sempre vazio 
O Elefante Branco ninguém conhece e está sempre cheio 
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De anónimo a 15.09.2022 às 12:53


Pobre homem. Todo o seu afâ político se explica com semelhante escala de valores.

Provavelmente viu reviu todos os anedóticos filmes de Godart. Óptimo.

Não perdeu uns esclarecedores momentos a estudar "monarquias e especificamente a biografia da Raínha Elisabete II.


Para Louçã a virtude do realizador era sobretudo ser compadre, de esquerda folclórica. Lá disparou, algumas vezes, o gatilho de uma camara de filmar e produziu manchas de Rorschach para quem gosta do passa tempo. Óptimo.


Ela, Raínha, viveu um pesadíssimo "emprego", sem reforma, para toda a vida.

Viveu e comportou-se debaixo de fogo do agressor.
Viveu impecavelmente delicadas responsabilidades planetárias.

Viveu dezenas de anos sob os olhos do mundo sem que lhe seja possível apontar um deslize. Pelo contrário.

RIP, Senhora Raínha.
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De Anónimo a 15.09.2022 às 13:39

O anacleto faz lembrar o Sousa Neto   -   mas em pior, muito pior...
JSP
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De pitosga a 15.09.2022 às 18:05


Saudades do gostoso blogue «O Anacleto».
Este cleto tem sempre vivido rodeado de dificuldades.

Por castigo do destino seu Pai foi o único oficial a cumprir ordens do governo legítimo.
E foi saneado num espirro.
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De Anónimo a 15.09.2022 às 17:44

Godard? Será uma nota de rodapé...ou nem isso.
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De Anónimo a 15.09.2022 às 17:51

https://observador.pt/programas/ideias-feitas/isabel-ii-godard-e-o-sr-louca/
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De ptc a 15.09.2022 às 22:35

No final dos anos 80, a TSF, rádio recém aparecida e muito inovadora, tinha uma rubrica diária com o Herman José em que este interpretava um "boneco" diferente todos os dias, entre os quais o Bernardo Teixeira da Cunha, um queque bemzoca, que tratava todas as pessoas públicas conhecidas, por boas e más razões, por 'tios' e 'tias'.
Quando em 1989 caiu o Muro de Berlim e se souberam uns viciozitos privados e muito luxuosos do Honecker, o dito Teixeira da Cunha desvalorizava o escândalo dizendo "anda tudo a falar das casuchas do tio Honecker e a dizer como é que ele podia viver naquele luxo enquanto o povo sofria com falta de tudo, ora o povo, o povo.... o povo que coma couves que já está habituado".
Mais coisa menos coisa, é isto, e isto é transversal às esquerdas com ou sem caviar e às pseudo elites do eixo Lapa-Restelo-Cascais, com a diferença de que as primeiras o vociferam em público e as segundas o sussuram no recato dos seus salões luxuosos enquanto degustam um Porto vintage ou um whisky puro malte envelhecido em quatro cascos e fumam puros.
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De Anónimo a 16.09.2022 às 11:35

Que análise tão certeira fez! Estas múmias de museu que são a nossa pseudo-elite da esquerda "com ou sem caviar", "no recato dos seus salões luxuosos (ou não)" desprezam e vituperam o povo, com quem raramente se cruzam, nem se "misturam" porque lhes cheira a sovaco. 


As louvaminhas ao povo resumem-se àquele  respeitoso tratamento do dr.Louçã à "senhora lá de casa", numa (falsa) modéstia para encurtar as distâncias sociais (o que não é mau de todo, seria até muito louvável, não fosse o facto, de conter um ligeiro toque de auto-convencimento da sua  superioridade moral, numa espécie de auto-elogio,  embora encapotado como manda a mais elementar regra de educação da upper class). E resume-se também _  a proximidade com o povo _ a um bem distante "piscar de olho"  e mesmo assim ...  nas discursatas. Porque têm na sua mente a convicção de que o povo é gente "simples" e que se for bem industriado e instrumentalizado, i.e., se manipulado, é um "meio" (indispensável) para se chegar a um "fim" (inconfessável). Vimos durante os últimos 7 anos  "como se  manipulam as massas" para se conquistar o poder e como este governo da suposta esquerda "moderada"(!) continua a manipular, para criar expectativas falsas, sempre a criar as mesmas ilusões, oferecendo-nos exemplos de truques, de trapaça e de engano quase diariamente.


Não serão todos, mas na maioria dos intelectuais de esquerda, cristalizados no tempo, a palavra "povo", de tão repetida, fez-se chavão e tornou-se "o" estribilho da esquerda. Dela se "servem" de forma abusiva e utilitária para colher vantagem, mas na realidade, o "povo" é um conceito vazio, nunca passou de mero «adorno de linguagem» no seu palavrório embotado e serôdio tresandando (ainda) a Maio de 68 e à já lendária «escola» neo-realista há muito ultrapassada no tempo.
E é a «isto» que estamos entregues há umas décadas e o país não se liberta deste atraso, não se desenvolve  e por isso não saímos da cepa torta.


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De Anónimo a 16.09.2022 às 12:15

O dr. Louçã e a sua corte de esquerda blasé não passam de excrescências "neo-realistas".  Este país provoca longos bocejos entediantes .Por mim já ia uma revoluçãozita...
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De Anónimo a 15.09.2022 às 23:40

Nem só de Godard vive a cultura e a estética.
O interesse que os ingleses têm manifestado em torno da morte da sua Rainha _ para além de uma genuína ligação afectiva e da comoção geral_ demonstra alguns aspectos  que escaparam (não sei como) à análise do dr.Louçã. Do alto da sua sabedoria pecou pela precipitação das suas análises enviesadas, como é seu timbre. Superficial e frívolo, não viu ou  não quis ver o paralelismo entre os dois aspectos que tanto exalta em Godard, e que igualmente se repetem no evento da morte da monarca:
-- o plano cultural -- na manifesta consciência nacional e colectiva de um povo culto que tem a percepção de estar a presenciar História ao vivo, e o privilégio de participar da «posteridade». 
--  o plano estético e/ou artístico _  a representação estética , com o seu quê de espectáculo, de encenação, através de um cerimonial ritualizado, cheio de pompa "cinematográfica", que, sem dúvida, atrai a multidão e convoca um certo voyeurismo.
Mas no mundo fechado do dr. Louçã, a cabotinice empobrece: o dr. Louçã será um especialista em cinema, mas não teve a sensibilidade de perceber que se cruzaram ali à sua frente, esse "material" raro que é a Arte e a Vida (ou Morte, no caso), sobre os quais  poderia ter exercitado os seus conhecimentos sobre o mundo de Godard  nesse, também ele, espectáculo-apoteose do cortejo da morte. Porque ao contrário do que o cínico Louçã acha, "ali" todos estavam também a  "partilhar a vida, as ilusões, os encantamentos, as nostalgias, a esperança e a realidade". 
Decididamente o dr. Louçã não é um esteta, nem um humanista.. Compreenderá ele verdadeiramente  Godard?

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De João Sousa a 16.09.2022 às 10:53

Louçã e os seus fiéis são os supremos hipócritas: sempre do lado do povo mas nunca no meio do povo.
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De Anónimo a 18.09.2022 às 13:33

Realmente o Carlos III está no meio do povo. Mas nunca sem estar acompanhado pelos seus guarda costas. Não consta que Louçã tenha guarda costas, o que faz de Louçã mais corajoso que Carlos III.
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De henrique pereira dos santos a 18.09.2022 às 17:36

Confesso que não percebi: se Louçã não anda no meio do povo, qual é a coragem de andar sem guarda-costas quando se anda sozinho?
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De Anónimo a 18.09.2022 às 19:23

Não anda no meio do povo? Fica sempre fechado em casa?

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