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Legado e memória

por henrique pereira dos santos, em 28.01.24

Pedro Nuno Santos repete, incessantemente, que pretende honrar o legado do Partido Socialista (de maneira geral tem o cuidado de o restringir aos últimos oito anos), renovando-o, ao ponto de alguém se lembrar de lhe chamar evolução na continuidade.

Pedro Nuno Santos repetiu esta ideia, de forma clara, a propósito das listas do PS.

É pena o nosso jornalismo não ter interesse numa questão que a mim me interessa: o que quer dizer Pedro Nuno Santos com honrar o legado do Partido Socialista?

Uma coisa quer com certeza dizer, honrar o legado da governação dos últimos oito anos, isso quer com certeza dizer (o que é isso na prática é outro assunto).

Mas olhando para as listas quer de candidatos, quer de dirigentes do PS, vemos de facto muita continuidade em relação ao Partido Socialista de Sócrates, e muito legado desse tempo, isto é, quando não são os mesmos dirigentes e deputados, são frequentemente filhos e protegidos dos dirigentes e deputados do PS do tempo de Sócrates.

Mantendo o pressuposto de que das questões judiciais trata o sistema de justiça, a verdade é que não foi por causa das questões judiciais que se relacionam com Sócrates que a troica foi chamada e que o governo de Sócrates aprovou o PEC I, II e III, usando o chumbado PEC IV (não precisava de aprovação nenhuma, Sócrates usou uma votação na Assembleia para obter vantagem política: se o PEC IV fosse aprovado, responsabilizava a oposição pelo reforço da austeridade que a sua política estava a exigir, se não fosse, como não foi, podia fazer o número que fez depois o Partido Socialista, responsabilizando a oposição pelo que veio depois).

António Costa coordenou a moção de estratégia de Sócrates ao congresso do PS que se realizou antes das eleições de 2011, estratégia essa que era política e conduziu à austeridade forçada pela troica, o legado não é de Sócrates (eleito no congresso por uma votação norte-coreana), mas do partido socialista.

Ora é sobre esse legado do Partido Socialista em concreto que gostaria de saber qual é a posição de Pedro Nuno Santos, gostaria de sobre isso saber se a sua posição é de continuidade - manipular a memória histórica - ou de ruptura.

É claro que em relação aos últimos oito anos também gostaria que o jornalismo fosse mais competente a perguntar-lhe sobre o legado de enfraquecimento institucional, informalismo na decisão, ataque constante ao sistema de justiça e essas coisas que fazem grande parte do legado de António Costa.

Mas antes disso gostava mesmo que os senhores jornalistas lhe perguntassem o que pensa do legado do Partido Socialista do tempo de Sócrates, esquecendo o contexto legal e focando-se no legado político desses anos do Partido Socialista.


14 comentários

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De Anónimo a 28.01.2024 às 15:04

"Clone" de sócrates,  este émulo, mal albardado, de Dâmaso...
Juromenha
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De cela.e.sela a 28.01.2024 às 15:47

não saímos disto:
Fernando Vizcaíno Casas in Niñas-- al salón!
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De Anonimus a 28.01.2024 às 16:17

Quando as conversas ao jantar andam em redor de uma WWIII a pequenez destas eleições não puxam pelo interesse.
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De Anónimo a 28.01.2024 às 17:02

Está na cara que para o Santos honrar o legado de Costa é renovar a geringonça. Elementar!
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De cela.e.sela a 28.01.2024 às 20:21

«ALIMENTAR»
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De Hugo a 28.01.2024 às 18:06

Henrique, se calhar a mensagem é direcionada a acalmar os que pensam que com ele o forrobodó terminaria. Não se preocupem que vos continuaremos a dar de comer, quer ele assegurar...
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De Figueiredo a 28.01.2024 às 18:44

«...responsabilizando a oposição pelo que veio depois...»



O XIXº Governo liberal/maçónico liderado pelo ex-Primeiro-Ministro, Pedro Coelho, fez o mesmo.


O bando do dr. Pedro Coelho (liderado agora pelo dr. Luís Esteves), é igual a PS, CDS, PCP, BE, CH, L, IL, PAN, ADN, BE.
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De RR a 28.01.2024 às 21:57

A plataforma eleitoral do PS é manter-se no poder. No matter how.
Para isso conta com o dinheiro europeu. O Ouro do Brasil da actualidade. E toda a oligarquia lisboeta, se organizou à volta do PS como sendo a mais competente agremiação para capturar e distribuir o bolo por todos este inúteis. Jornaleiros, peço desculpa, jornalistas, incluídos. Que sonham com um ordenadozito garantido pelo PS, o grande distribuidor.
Ora, pode muito bem dar-se o caso, que os eleitores europeus, ou a conjuntura internacional, nestes tempos mais próximos, virem o bico ao prego, e os fundos que matêm o PS no poder, tenham um queda abrupta. E depois?
O que farão todos estes inúteis para garantir as rendas e estatuto de que gozam hoje?
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De Ricardo A a 29.01.2024 às 13:40

Contam com a continuidade do sistema UE? Ou simplesmente aprovieitam oportunisticamente enquanto der.
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De Anonimo a 29.01.2024 às 13:50


Efeito bolha
A elite, entre aspas, intelectual vive para se manter. À falta de mercado, leia-se gente que os leia ou veja, sustentam e sustentam-se dos políticos.
Mais um import dos States, é gente que não vive no mundo real, ou como se dizia, no Portugal profundo. Conhece as tricas partidárias, as agruras dos lisboetas, e a sua esfera de conhecimento por aí fica.
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De Francisco Almeida a 29.01.2024 às 10:54

PNS não é inteligente - o anúncio do Montijo prova-o - mas é esperto e aprende por repetição. O grande feito de Costa foi nunca decidir mantendo as esperanças dos interessados nas diferentes decisões. Acredito que PNS está a fazer o mesmo, empolando o legado sem nunca o definir. 
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De Anónimo a 29.01.2024 às 15:50

Não deixa de ser irónico: "evolução na continuidade" é o exacto termo usado por um dos maiores pensadores e teorizadores do conservadorismo liberal, Edmund Burke.

Na sua desmedida voracidade, para os socialistas, tudo serve para enganar papalvos. De momento "Catch all " é a palavra de ordem desses sequiosos de poder.  .

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De Anónimo a 29.01.2024 às 17:43

Esta forma  inferior de vida  espelha bem o grau zero  do  regime político em que vivemos.

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