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José Hermano Saraiva, o grande educador

por Daniel Santos Sousa, em 03.10.23

 

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Assinala-se hoje o nascimento do Professor José Hermano Saraiva, o grande educador, que aliava a profunda erudição à notável capacidade comunicativa.

Foi o homem que mais fez por divulgar a história de Portugal e, ainda que outros procurem imitar o traço, não alcançam o génio. Ali descobríamos o à-vontade familiar, um gesto característico, uma erudição capaz de descer do alto pedestal da academia para o povo.

Era um comunicador nato, num país pouco dado à eloquência do discurso. Onde raros, com excepção, logram brilhar a palavra, Hermano Saraiva conseguia encantar e iluminar. Mas convocava outras raras características, como a capacidade de improvisar e rasgar traços harmoniosos na formalidade das ciências, dispensando papel e auxiliares para discorrer nas ideias. Tinha esse dom particular e poucos conseguiam captar tanto a atenção do público.

Incansável, percorreu não só Portugal como todo o espaço lusiada - a grande Portugalidade - e novamente deu vida às memórias dos nossos antepassados. Poucos terão feito tanto.

Longe vai o tempo em que não se confundia o orgulho pátrio com o preconceito ideológico, em que falar de história era percorrer com entusiasmo os feitos e valores transmitidos, e em que lembrar o passado era uma narrativa empolgante. Hoje restam os difamadores programados pela ideologia, o rancor ao passado e a tentativa de higienizar a memória colectiva através do "politicamente correcto".

Muita falta nos faz o Professor Saraiva.

"Hoje há uma grande tendência para substituir a História pelo Catecismo. Dizem-se umas coisas gerais e os alunos saem da escola sem saber absolutamente nada. Desde há vários anos quiseram expulsar os factos da História: o resultado é uma quimera que só tem tido efeitos negativos. Um deles é a ignorância que grassa por aí ao mais alto nível, até entre professores universitários..." (JHS, entrevista 2002).


8 comentários

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De O apartidário a 04.10.2023 às 07:39

Muito bem, completamente de acordo. 
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De urinator a 04.10.2023 às 08:55

o mérito pertence em regime de exclusividade aos apoiantes de esquerda marxizante que destrói o país há 50 anos


10 mar 2009 — Marxizante é adjectivo estreitamente ligado ao verbo marxizar, «tornar marxista» ou «tornar próximo do marxismo». Marxismo e marxiano são formas ...
 
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De Anónimo a 08.10.2023 às 18:36

Marxista era a sua mãe.
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De Anónimo a 04.10.2023 às 09:51

Subscrevo absolutamente. Que saudade!... 
Há perdas irreparáveis, sobretudo porque são «pessoas fora de série», no sentido em que são singulares, únicas e não têm quem as possa substituir e  continuar... Há pessoas assim, raras, insubstituíveis, capazes de influenciar  as Ideias, abrindo janelas para dar um novo fôlego  o este país sonolento.


 De quem sinto também imensa falta é de Vasco Graça Moura e da sua erudição, mas simultaneamente capaz de descer à terra e escrever, sem meias-tintas, crónicas semanais irreverentes, que moldavam o pensamento e agitavam as consciências. Deixou um enorme vazio. 
 
E que dizer dum Vasco Pulido Valente que sabia "ler" como ninguém a actualidade do país com uma lucidez tão rara? Que falta ele nos faz hoje e que indispensáveis seriam  as suas críticas livres, contundentes e mordazes,  para nos arrancar desta modorra que percorre o país e nos asfixia aos poucos 
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De Bic Laranja a 04.10.2023 às 10:51

Oportuna lembrança. Síntese evocativa plena de acêrto.
Cumpts.
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De pitosga a 04.10.2023 às 11:16


Daniel Santos Sousa,
Voltando "à vaca fria", o senhor é um homem capaz. Capaz de iluminar a escuridão em que este povo vegeta. Muito boa escrita acerca de outro Homem que foi um Sábio.
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De Figueiredo a 04.10.2023 às 11:36

Um homem notável, um Patriota e Tradicionalista, que se orgulhava da Raça Portuguesa e da História de Portugal que conhecia como ninguém, uma personalidade de coragem que enfrentou sempre o revisionismo histórico implementado pelos liberais/maçonaria.


«…O primeiro inimigo do pensamento é uma instituição pública poderosíssima, que é a universidade. Encontrei um antigo Ministro da Educação e aliás um, parece que um grande vulto aqui da televisão Portuguesa, que me disse assim: Você andou aí a propor a extinção da universidade, é a coisa mais fácil que existe no Mundo, é só fechar a porta, lá dentro não há nada.
Isto quem me dizia, como calculam, era o Sr.º José Hermano Saraiva…» - Orlando Vitorino
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De Anonimo a 04.10.2023 às 12:57


Desconheço o indivíduo ou sequer o académico, apenas "conheço" o apresentador.

Adorava os seus programas, naquela altura havia realmente serviço público por parte da RTP, hoje se calhar era uma vedeta dos podcasts e youtubes.
Um símbolo da Tv, juntamente com o Eng. Sousa Veloso e o Anthímio de Azevedo.

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