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"Já"

por henrique pereira dos santos, em 17.01.22

No dia 15 de Janeiro o Público titulava na primeira página "mortalidade deste Inverno já está abaixo dos níveis pré-pandemia".

Não faço a menor ideia do que esteja ali a fazer aquele "já", que é absolutamente inútil para a descrição do facto relevante: a mortalidade total, neste Inverno, está abaixo da média dos últimos dez anos (dizer que está abaixo dos níveis pré-pandemia é uma tontice).

A notícia baseia-se nas conclusões de Ana Paula Rodrigues, do Instituto Ricardo Jorge (o Público acha que as pessoas têm a obrigação de saber o que é o INSA), não sei exactamente se obtidas apenas por entrevista, ou com base em qualquer documento que tenha sido produzido e que o Público não tenha referido, podendo estar relacionada com a publicação dos dados da mortalidade de 2021, pelo Instituto Nacional de Estatística.

Na parte escrita pela jornalista, diz-se "a redução da mortalidade poderá estar ligada à elevada protecção vacinal contra a covid19 da população portuguesa, à actividade gripal reduzida e a um Inverno brando em termos de temperatura".

Mas na parte da notícia em que as declarações de Ana Paula Rodrigues aparecem dentro de aspas, o que é dito é um bocado diferente "A mortalidade no Inverno, os picos e o excesso de mortalidade, está sempre muito relacionado com dois fenómenos que acontecem em simultâneo, que são a actividade gripal e também o frio extremo". E o que está entre aspas é muito mais coerente com o relatório semanal da rede de vigilância da gripe, em que Ana Paula Rodrigues tem um papel relevante.

Já no ano passado, Ana Paula Rodrigues e a equipa em que se integra, foram das poucas pessoas a escrever, preto no branco, que a mortalidade excepcional do ano passado teria alguma ligação com as condições meteorológicas que se observaram no princípio de Janeiro, por contraste com a esmagadora opinião que se ouviu na altura de que o pico de Janeiro do ano passado se devia ao Natal.

O que se passa este ano, tendo em atenção que a Covid representa em média menos de 10% da mortalidade total, mas numa situação de surto como a de Janeiro do ano passado pode subir bastante (mortalidade definida oficialmente como covid, não exactamente a causa de morte, como é evidente olhando para os números da mortalidade covid e mortalidade total), demonstra claramente que Ana Paula Rodrigues tinha muita razão em entrar em linha de conta com as condições meteorológicas.

Ou seja, que afinal o contactos pesam menos do que nos disseram na evolução da epidemia, o que ajuda a explicar por que razão não existem demonstrações claras da utilidade dos confinamentos ao fim de dois anos de epidemia.

Isso não impede o Público, e a jornalista que assina a peça, de continuar a ir pedir a Filipe Froes que alimente a conversa do costume, embora com variações (o mais divertido, para mim, é ler que Filipe Froes diz "imaginemos: em quatro anos podemos ter quatro épocas de gripe não muito intensas, com Invernos amenos, em que se acumulam mais pessoas em situação de vulnerabilidade. Depois temos um evento de maior gravidade, ou seja, um período de maior stress biológico, sejam picos de temperaturas extremas, sejam épocas de gripe muito intensas, e nesse ano morrem mais pessoas" porque me lembro bem de como André Dias foi insultado e considerado um pária ético por ter dito exactamente isto no princípio da epidemia). 



1 comentário

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De Anónimo a 18.01.2022 às 14:57

Esta ano já se pode dizer tudo! Os "negacionistas" já foram desacreditados, pelo que os famosos especialistas poderão usar o discurso anteriormente usado pelos proscritos sem que venha mal ao mundo!
Assim se vê o que eles valem e o quanto mudam o discurso ao longo da evolução da pandemia, como aliás o HPS já demonstrou por aqui muitas vezes!
Apenas uma pergunta: já chegámos aos 500 000 de isolados/infectados? Ou as contas voltaram a sair furadas na folha de Excel?!

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