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Isto vai acabar mal

por João Távora, em 02.05.16

card_antonio_costa_041115.jpg

António Costa soube sempre ao que vinha quando cavalgando a sua geringonça destronou a coligação vencedora das eleições legislativas de Outubro passado. Acontece que contra todas as previsões e num ambiente de pré-guerra civil, o País fora resgatado pelo governo PSD e CDS da iminente falência protagonizada por uma governação socialista de um modelo económico falhado e decadente, dependente do Estado e profundamente condicionado pela adesão a uma moeda “estrangeira”. Estancado o deficit e reconquistada a credibilidade de Portugal perante os mercados, iniciadas algumas tímidas mas dolorosas reformas, permaneciam por resolver a crise de dívida privada escondida nos bancos e a lenta transformação da economia portuguesa fundada em serviços e na construção civil, asfixiada por impostos.
Assim chegamos ao actual “estado da arte”, com um governo liderado por um partido derrotado nas eleições que por força da sua fraqueza política se vê na contingência de substituir a governação do País pela gestão do curtíssimo prazo, com manobras dilatórias e uma agenda esquerdista para o entretenimento das clientelas de que a sua sobrevivência depende. Entretanto a resolução de todas as ameaças e debilidades estruturais que ensombram a nossa economia permanecem sem qualquer abordagem séria.
A impressão que fica é que vivemos nestes dias perigosos uma espécie de nova "acalmação" como a que foi tentada pelos partidos e pela coroa em desespero após o regicídio de 1908. Então, a tentativa durou dois anos até chegar a revolução e o caos dos republicanos. A nova "aclamação", apadrinhada por Belém e pela CGTP, não sobreviverá muito tempo à realidade: as coisas são o que são, vivemos em cima de uma bomba relógio.

 

Publicado originalmente no Diário Económico.



12 comentários

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De Carlão a 02.05.2016 às 17:51

o país fora resgatado pelo governo PSD e CDS da iminente falência 



oiiiiiiiiii????
HAHAHAHAHAHAHA
vendo melhor não dà vontade de rir, empubreceram.nos que jà chêga
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De do norte e do país a 02.05.2016 às 21:44


e a dívida pública a subir, quando pensávamos que estaria em fase descendente.
Fonte: http://www.dn.pt/dinheiro/interior/divida-publica-portuguesa-sobe-para-233-mil-milhoes-em-marco-5153848.html
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De Fernando S a 02.05.2016 às 23:18

"e a dívida pública a subir, quando pensávamos que estaria em fase descendente."

Na perspectiva do Carlão aqui de cima, é porque devemos estar de novo a enriquecer !!... 
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De Carlão a 03.05.2016 às 09:41

As dividas não se pagam, jerem-se. Ninguem pode pagar uma divida assim.


estas noticias são para atrair espetadores, não
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De Fernando S a 03.05.2016 às 17:58

Quando muito ... "gerem-se" ... ;) (ok, acontece a qualquer um)

Desde logo, gerir bem a divida é no minimo fazer tudo para que não suba enquanto não se consegue pagar.
Sim, porque para pessoas e paises honestos e que querem ser crediveis, as dividas são mesmo para ser pagas nos prazos em que se comprometeram.
Certo, tal não significa que seja paga toda de uma vez.
Tendo-se crédito é ainda possivel "rolar" a divida, ou seja, pedir emprestado a novos credores para poder pagar aos velhos credores nos prazos devidos.
Mas, quando a divida é demasiado elevada, com encargos financeiros também eles elevados, não é prudente nem inteligente apostar no "rolar" de uma divida que continua a subir.
Gerir bem a divida é sobretudo ir "rolando" um total que vai diminuindo. 
Ou seja, é ir reembolsando progressivamente divida anterior sem contrair nova divida.
É sempre possivel e desejável reembolsar um divida.
Uma pessoa ou um pais que se revela incapaz de o fazer é insoluvel e perde toda e qualquer credibilidade.
Se desiste e o anuncia é pura e simplesmente estúpido !!

Estas noticias são para tentar alertar a consciência  daqueles "espetadores"
que ainda não perceberam que também estão no campo a jogar o seu próprio resultado !! 
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De Tiro ao Alvo a 04.05.2016 às 17:25

Jerem? Ó carlãozinho, jerem é erro grave. Tu querias dizer gerem, mas só sabes desta música de "ouvido". Toma juízo, rapaz.
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De Carlão a 04.05.2016 às 21:59

vem para aqui insultar alguem lhe disse alguma coisa mande tomar juizo a outro
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De Anónimo a 03.05.2016 às 14:38

E vão ser todos lançados na fornalha de fogo e vai haver choros e ranger de dentes e vamos todos desaparecer no abismo, etc, etc. 

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De jo a 04.05.2016 às 13:47

Note só:
Após umas eleições ganha quem consegue formar governo com o apoio do parlamento, os outros PERDEM.
A direita não tem um direito natural para governar, logo não haver um governo de direita, por si só, não é uma insurreição.
Vivo cá e não vislumbrei qualquer ambiente de pré guerra civil. A menos que me diga que em 2011 o PSD e companhia estavam dispostos a partir para a violência se o governo de Sócrates não caísse.
Quanto ao défice estancado, 4,2% em 2015 (não me diga que não conta com o Banif que era detido pelo Estado) não me parece grande feito.
O caos dos republicanos seguiu-se a governos de ditadura propostos pela coroa, e escândalos repetidos com os adiantamentos ao rei e aos gastos da coroa. D. Carlos era homem de muitos apetites refinados e caros (as amantes ficam caríssimas) e D Manuel II já pouco pode fazer para restaurar a péssima imagem que o seu antecessor deixou.
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De Fernando S a 04.05.2016 às 18:23

JO : "Após umas eleições ganha quem consegue formar governo com o apoio do parlamento, os outros PERDEM"

Ninguém contesta a legimidade constitucional do governo actual : é apoiado por uma maioria numérica no Parlamento e foi nomeado pelo Presidente da Republica então em funções e, pelo menos por enquanto, é mantido pelo actual PR.
O que alguns pensam e dizem é que a actual solução de governo, embora constitucionalmente legitima, e como tal deve ser aceite e respeitada, não é politicamente legitima.
Por diferentes e diversas razões. São conhecidas e não vou aqui retomá-las todas.
Vou-me agora ater àquela que o JO procura aqui desmontar : a de que o governo actual não é formado por quem ganhou as eleições mas sim por uma aliança oportunista entre quem perdeu as eleições.
Esta tese assenta na seguinte argumentação.
Nas ultimas eleições apresentaram-se aos eleitores 3 grandes tipos de ofertas politicas :
1) uma de centro-direita, do PàF, uma coligação entre o PSD e o CDS, que apoiava o governo anterior ;
2) uma de centro-esquerda, do PS ;
3) uma de extrema-esquerda, representada por dois partidos rivais mas que têm programas muito semelhantes, o PCP e o BE.
Destas 3 ofertas, as mais próximas em termos programáticos, embora distintas,  eram a 1)PàF, e a 2)PS.
A oferta 3), encarnada tanto pelo PCP como pelo BE, sempre esteva muito distante às outras duas, mais do 1)PàF mas também e quase tanto à do 2)PS.
Os resultados eleitorais foram, grosso modo e de memória) :
1)PàF : 38%
2)PS : 32%
3)PCP+BE : 20%    
Como é que a maior parte das pessoas, os eleitores, os dirigentes politicos, os mass média, os observadores nacionais e internacionais, etc, interpretaram de imediato estes resultados ?
O vencedor claro das eleições, embora não tendo conseguido manter uma maioria absoluta, foi a coligação PàF, que apoiava o governo anterior. Este resultado foi considerado surpreendente tendo em conta que premiou um governo que aplicou uma dura politica de austeridade.
O principal derrotado das eleições foi o PS, principal força da oposição, tradicional alternativa de governo ao centro-direita, e que alguns meses antes era considerada como grande favorita.
A opção 3, que no conjunto dos 2 partidos se ficou pelos 20%, também perdeu naturalmente as eleições, continuando a não ser considerada pelo eleitorado como uma verdadeira alternativa de governo, muito embora se tenha reconhecido que, sobretudo no caso do BE, cresceu e superarou as expectativas.
Mais uma vez, esta é a interpretação mais consensual do resultado das eleições.
A partir daqui coloca-se outra questão, a outro nivel : que governo vai sair destes resultados.
A hipótese à partida mais tradicional e provável era a de um governo do PàF, minoritário mas viabilizado pela abstenção do PS.
A 2a hipótese mais provável, muito perto da primeira, seria a de um governo de "Bloco Central", entre o PàF e o PS.
A 3a hipótese, muito pouco provável, era naturalmente a de um governo dito de "maioria de esquerda", apoiado por uma aliança parlamentar entre o PS e os dois partidos da extrema-esquerda.
Finalmente, acabou por ser a hipótese menos provável que acabou por vingar.
Repito, esta solução é perfeitamente legitima no plano constitucional.
Mas não deixa por isso de ser uma saida que resulta de um entendimento de circunstância e "contra-natura" entre partidos que, politicamente, não ganharam as eleições.
Nada disto obsta a que, pelo menos até agora, estas duas opções, apesar do muito que as continua a separar, tenham conseguido manter-se unidas na viabilização parlamentar do governo actual de das suas principais medidas.
Enquanto for assim, e desde que o PR em funções não veja razões previstas na Constituição para demitir o actual PM, este governo tem legitimidade constitucional para governar e a oposição, onde me incluo, deve aceitá-lo e respeitá-lo como tal.  
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De jo a 05.05.2016 às 12:04

Custa um bocado a compreender o seu conceito de "governo natural".
Às eleições anteriores concorrerem três blocos, presume-se com agendas políticas diferentes.
Se o PS viabilizasse a PàF, colocando os seus eleitores a apoiar o anterior governo, tudo bem. Se a esquerda viabilizasse o PS já não pode ser. Porquê?
Por causa do programa eleitoral? Mas o PSD nas eleições de 2011 fez campanha contra a austeridade do PS, jurou que não baixava salários nem cortava subsídios e após as eleições aliou-se com o CDS, formou governo e rasgou as promessas feitas. Então na altura os programas não contaram?
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De Fernando S a 05.05.2016 às 13:14

Não falei em nenhum governo "natural" ...
Antes pelo contrario, admiti como constitucionalmente legitimas diferentes hipóteses de governo, incluindo a actual, do PS viabilizado pela extrema-esquerda.
O que não se pode é dizer que o governo actual é formado por quem venceu politicamente as eleições.
O PS perdeu as eleições, ficou claramente atrás do PàF (e mesmo do PSD).
O PCP e o BE continuam a ser partidos fortemente minoritários, isoladamente e mesmo somados.
As eleições foram ganhas pelo PàF, uma coligação pré-eleitoral e que suportou o governo anterior durante toda uma legislatura.
O mais que se pode dizer é que esta vitória, por não ter sido com maioria absoluta, não foi suficiente para garantir ao PàF uma maioria parlamentar para formar um governo sem precisar da abstenção ou do apoio do PS.
O que se passou a seguir foi um arranjo oportunista entre partidos com programas muito diferentes e tradicionalmente opostos.

O que se passou agora não tem qualquer semelhança com o passado, nem sequer com o que aconteceu em 2011.
Não é verdade que o PSD tenha feito "campanha contra a austeridade".
Quando muito, o PSD criticou o tipo de austeridade aplicado pelo governo do PS.
Na verdade, no essencial, o PSD anunciou que iria aplicar a austeridade tal como estava prevista no memorando da Troika.
E foi, com os ajustes que são normais e inevitáveis numa realidade critica em evolução, de resto sempre partilhados pela Troika, o que foi feito.
A aliança post-eleitoral com o CDS foi perfeitamente normal e expectável tendo em conta a grande proximidade entre as linhas e os programas politicos dos dois partidos, de centro-direita, pró UE, pró Euro, pró Nato, pró economia social de mercado, etc, bem como a experiência passada de colaboração entre eles.

O que não foi normal nem expectável foi, como agora, um partido de centro-esquerda, o PS, pró UE, pró Euro, pró Nato, pró economia social de mercado, etc, ter feito uma aliança parlamentar com partidos de extrema-esquerda, anti UE, anti Euro, anti economia de mercado, etc, com os quais sempre tinha estado em oposição no passado, assumida de parte e de outra ainda poucos dias antes.
O único aspecto que parece aproximar estes partidos é o de serem contra a austeridade.
Mas é uma afinidade tirade a ferros ...
Ninguém é em principo a favor da austeridade ... Esta pode é ser uma necessidade momentânea.
De resto, a própria coligação PàF também defendia o progressivo fim da austeridade e tinha inclusivamente começado a agir nesse sentido em 2015 (recebendo até por isso algumas criticas de sectores mais liberais e de algumas instituições internacionais).
De resto, apenas alguns meses de governo já permitiram perceber que o governo actual não vai pôr fim à austeridade e que a este respeito existe claramente uma divergência entre o PS por um lado e o PCP e o BE pelo outro. 
Confirma-se assim aquilo que já se sabia, isto é, que o programa e a politica do PS estão muito mais próximos dos do PàF do que dos partidos da extrema-esquerda. 
Mesmo assim, como a aliança entre o PS e a extrema-esquerda é puramente oportunista, para impedir a coligação vencedora das eleições de governar e, deste modo, permitir ao PS chegar ao poder a troco de dar à extrema-esquerda uma maior influência na definição das politicas do governo, não é de esperar nos próximos tempos alguma ruptura na maioria parlamentar que leve à queda do governo. 
Como disse o actual PM há dias ... "a geringonça funciona" !!    
Mesmo que o preço a pagar seja o que se está a adivinhar e a vêr progressivamente, o aumento do risco e da probabilidade de um  afundanço do pais !!!...

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