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Isto dos nomes próprios

por João-Afonso Machado, em 11.07.25

O meu filho mais velho chama-se Vicente. É o nome do Avô, o meu saudoso Pai, e de muitos outros seus ascendentes e tios ou primos. Um nome nosso... Quando fui ao Registo Civil, para os devidos efeitos, a funcionária que me atendeu logo proclamou ser nome não aceite. Imbuído de paciência imensa, dei-lhe conta do topónimo de onde então residia - na Rua de São Vicente; mais lhe falei do Santo padroeiro da Capital - S. Vicente; reforcei com o nome do Avô, patente no meu BI - Vicente; e (episódio idiota), contei a história do corvo quase centenário em Lisboa - o Vicente.

Ainda assim, a primo-rigorosa funcionária rapou de um livro imenso, ordenado alfabeticamente, no qual confirmou a existência dessa relíquia nominal - Vicente. Foi o modo, finalmente, de conseguir registar o meu filho com o nome que lhe cabia por herança e opção dos pais.

Enquanto tal, a empregada da época, portuguesa de gema (desconfio, o seu marido não) tinha um filho de idade aproximada e a mesma nacionalidade; chamava-se - chama-se, Deus queira - Wellington. Registado em Portugal.

Ficou-me. Ficou-me este momento de ignorância, estupidez e enfarte de telenovela.

Agora, Ventura pegou num papel e leu nomes de crianças da nossa nacionalidade mas diversos, não sei quais porque nem me interessei em saber. Oriundos de outros continentes, porém, estranhos ao calhamaço distribuido pelas Conservatórias... E o Parlamento ia caindo à esquerda, entre o Carmo e a Trindade.

Muito rapidamente: Ventura tem razão. Muitíssima razão. Tanta razão que os antigos nomes da nossa essência nacional são questionados e os de fora entram por Portugal dentro como foice na seara. Nem sequer há igualdade!!!

Onde está a nossa identidade? Aparentemente não está, já foi. Oxalá o Governo saiba, e o Parlamento também, dar remédio à descaracterização que a Esquerda Unida programou para o futuro nacional. Neste particular aspecto e nos restantes.

O contrário será  sempre o retorno à comprovadamente dispensável diferença entre "cristãos velhos" e "cristãos novos" em versão actualizada. 


27 comentários

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De Maribel Maia a 11.07.2025 às 22:15

Gosto do nome Vicente e já conheci crianças com esse nome, nascidas há pouco... 
Não me preocupam os nomes...
preocupam-me as crianças com os mesmos direitos à educação, independentemente da nacionalidade. 
Bom fim de semana. 
Beijinhos
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De João-Afonso Machado a 11.07.2025 às 22:23

Essa igualdade de direitos é fundamental. E na ânsia em tudo vai sendo feito  o melhor é,  optando pela portugalidade, entrosar as crianças de fora no status quo português. 
Com o máximo respeito por opções religiosas e sociais de quem de fora, mas pelas nossas também. 


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De Maria Araújo a 11.07.2025 às 23:18

Sem ofensa, faço minhas as palavras da Maribel 
E tenho o meu menino, o sobrinho neto,de nome Vicente.
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De João-Afonso Machado a 11.07.2025 às 23:24

Eu também estou.
A questão está na perda da nossa identidade mediante nomes exóticos,  quero dizer não portugueses.
Oxalá as crianças não sejam olhadas de través. E que os nossos não acabem sendo os tais exóticos. 
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De Maria Araújo a 12.07.2025 às 12:53

Na altura das novelas  brasileiras, muitos nomes foram dados às nossas crianças.
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De Anonimo a 12.07.2025 às 00:00

Ventura tem razão no quê ao certo?
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De João-Afonso Machado a 12.07.2025 às 00:09

Em estranhar a admissão de tantos nomes exóticos de nacionais portugueses.
Quando a lei desconhece nomeadamente a realidade dos patronimicos.
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De Anonimo a 12.07.2025 às 00:46

A ideia do senhor seria de que essa criançada não era de cá . Estranho seria se o filho de dois imigras se chamasse manuel maria. Depois há os portugueses não de bem que se casam com estranjas, vá lá que legslmente podem meter um nome a condizer. Pode ser François, John ou Vladimir.
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De cela.e.sela a 12.07.2025 às 10:29

temos Mamadou, etc.
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De Anonimo a 12.07.2025 às 15:04

Ninguém se chateava com invasão de Bubacar ou Walter. Ou com os john smith. Ou Vladimirs. Quem leia alguns textos parece que começámos a receber "estranhos" a semana passada. Já fui o único a falar português de Portugal num autocarro cheio,  motorista incluído, e não foi ontem.
Também não deixa de ter a sua ironia andarmos a embirrar com os 30 mamadus num t2 quando passámos décadas a fazer o mesmo em França. 
O problema real é que, por cá e noutros países de tradição imigratoria, o escuro e derivado estava no seu cantinho e só o víamos quando usava a farda de limpeza, hoje espalharam-se.
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De Silva a 12.07.2025 às 16:11

Não, não é nada estranho.
A adopção dos "nomes exóticos" foi exponenciado no período de Guterres, sendo apenas mais uma das inúmeras traições à Pátria bem conscientes efectuadas por esse governo onde também constavam Sócrates e Costa.
Quem tiver a pachorra de analisar esse período de apenas 6 anos irá verificar um brutal aumento de pulhice e putaria que gerou consequências até hoje e que irá continuar a gerar consequências nefastas ao país.
De realçar que Guterres desde que está na ONU continuou a fazer o mesmo.
Não se esqueçam, quem elegeu Guterres para primeiro-ministro foram os eleitores miseráveis em 1995.
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De Anónimo a 12.07.2025 às 02:41

Há aqui uma grande confusão. A ignorância boçal da funcionária do Registo Civil não justifica a boçalidade da extrapolação para o caso de crianças, crianças repito, filhas de imigrantes, que frequentam escolas portuguesas, onde se inscrevem com os nomes registados nos seus países de origem.



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De Anonimo a 12.07.2025 às 16:23

Ainda sou do tempo em que o pessoal discutia por causa da erika, katia ou wanda. Bons tempos.
Nada contra nones estrangeiros, há que distinguir os portugueses de bem das importações barata. Eu por mim só dava nacionalidade a malta que tivesse um numeral romano no nome ou no mínimo um hífen. 
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De Ricardo Abreu a 12.07.2025 às 10:21

Acho curioso, mas nunca me preocupei em aprofundar, o facto dos chineses, que residem em Portugal, adotarem nomes próprios portugueses aos seus filhos, como é o caso das colegas da minha filha. 
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De balio a 12.07.2025 às 14:12

Há muitos cidadãos franceses com nomes portugueses.
Ainda bem que França e Portugal são países livres.
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De Vagueando a 12.07.2025 às 18:23

Para fraseando António Variações, Maria Albetina como foste nessa de chamar Vanessa à tua menina. Em todo o lado (público e privado), encontramos funcionário "cromo". 
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De João-Afonso Machado a 12.07.2025 às 19:20

E nomes importados via telenovelas e similares prontamente aceites e sem reservas postas a alguns portugueses , gente culta que somos
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De marta a 13.07.2025 às 02:13

Um dos belos momentos do António Variações... "esse teu nome, eu sei que não é um espanto, mas é cá da terra e tem, tem muito encanto".  É um estudo que falta fazer, como é que se deram nomes tão pavorosos nos anos 80, sem qualquer intervenção da CPCJ.  
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De G. Elias a 12.07.2025 às 19:17

Hoje em dia os seguintes nomes são aceites para registo de crianças (está no site do IRN):

Aabirah, Aabaj, Aaditi, Aagambir, Aaira, Aahan, Aaish, Aahil, Aakriti, Aankit, Aalia, Aarav, Aaliya, Aaravpreet, Aaliyah, Aaron, Aalyiah, AAron, Aamna, Aarón, Aarica, Aarush, Aarohi, Aaryan, Aarushi, Aasaal, Aarvi, Aayam, Aashvi, Aayan, Aatika, Aayun, Aayat, Aayush, Aayushi, Abd, Abby, Abdel, Abbygaëlle, Abdelhadi, Abeedha, Abdellah, Abeeha, Abdelrahman, Abhinaya, Abderrahmane, Abigael, Abdoallah, Abigail, Abdoulaye, Abimaela, Abdrahman, Abrayene, Abducadre, Abril, Abdul, Abrish, Abdulai, Acácia, Abdulaí, Acakarein, Abdullah, Achia, Abdulmuiz, Acricia, Abdulrahman, Açucena, Abdulwahab, Ada, Abduramane, Adalbmira, Abdurrahim, Adalgiza, Abel, Adália, Abhay, Adama, Abhayjit, Adan, Abhinav, Adanna, Abhinoor, Addis, Abhiyan, Adel, Abibo, Adelaide, Abiel, Adele, Abilio, Adélia, Abílio...

Lista completa aqui: https://irn.justica.gov.pt/Portals/33/Regras%20Nome%20Proprio/Lista%20Nomes%20Pr%C3%B3prios.pdf?ver=WNDmmwiSO3uacofjmNoxEQ%3D%3D
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De João-Afonso Machado a 12.07.2025 às 19:24

Aliás uma curiosa mistura entre nomes islamitas e judeus, até para que certos acintes não sejam esquecidos. 
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De Anónimo a 13.07.2025 às 03:14

Talvez seja útil recordar que os “antigos nomes da nossa essência nacional” têm origem, celta, germânica, latina, grega, judaica, árabe …
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De Nelson Goncalves a 13.07.2025 às 17:23


"Muito rapidamente: Ventura tem razão. Muitíssima razão. Tanta razão que os antigos nomes da nossa essência nacional são questionados e os de fora entram por Portugal dentro como foice na seara. Nem sequer há igualdade!!" 



Discordo, por duas razões: a 1a, porque razão eu não posso dar o nome que bem me apetecer aos meus filhos ? A tradição respeita-se porque queremos, não porque somos obrigados a isso pela funcionária do registo civil.


2a razão: os filhos de estrangeiros, mas nascidos em Portugal, estão isentos de seguirem as regras dos nativos. O que me parece óbvio, e suspeito que tenha sido esse o caso do filho da senhora do registo civil.


E para terminar, eu chamo-me Nelson (porque a minha mãe queria algo de original, que ainda não existisse na aldeia), e a minha filha é Luzia (um nome tão fora de moda, mas português o suficiente para que os seus amigos aqui na Bélgica não o consigam pronunciar). Nem eu deixo de me considerar português, por ter um nome inglês, nem a minha filha deixa de ser culturalmente belga por ter um nome mais português que o meu.
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De João-Afonso Machado a 13.07.2025 às 17:57

São bons argumentos, embora a base de que partem não seja exactamente aquilo que escrevi. As minhas felicitações pelo nome da filha que diz tanto aos minhotos  de Viana da Foz do Lima.

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