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Isolados

por henrique pereira dos santos, em 12.01.22

Imaginemos que aparecia um vírus, altamente contagioso, mas sem qualquer efeito na nossa saúde (é uma possibilidade, temos em nós milhões de organismos e nem todos provocam alterações que possam dar origem a problemas de saúde).

Imaginemos agora que esse vírus tinha um comportamento variável, havendo alturas de elevada transmissibilidade e contágio, e alturas de baixa transmissibilidade e contágio.

Como o vírus não tinha qualquer efeito na saúde, seria de esperar encontrar o mesmo número de pessoas com esse vírus entre os doentes e a população em geral (na verdade isto pressupõe uma hipótese menos realista, a de que as condições do hospedeiro não têm efeitos na transmissibilidade, mas vamos admiti-la para simplificação lógica).

Claro que se numa altura uma em cada mil pessoas tinham o vírus, o mesmo aconteceria nos doentes, mas se noutra altura uma em cada dez pessoas tinham o vírus, também um em cada dez doentes teriam o vírus.

Imaginemos agora que se separavam os doentes em função da presença ou não do vírus, detectada laboratorialmente.

Claro que ao aumentar a incidência de um para mil para um para dez, os internamentos na ala dedicada aos portadores do vírus disparavam brutalmente, não porque houvesse mais gente doente, mas porque se contabilizavam à parte os doentes com esse vírus.

Introduzamos agora um bocadinho de realidade neste exemplo teórico, e olhemos para uma doença genericamente benigna, cujas taxas de incidência variam grandemente ao longo do tempo.

O aumento dos internados com essa doença acompanha o aumento da incidência, independentemente dos efeitos da doença, pelo simples facto de haver mais gente infectada com esse vírus, portanto aumentam os doentes que estão internados por qualquer razão, mas que são colocados nas alas hospitalares dedicadas à tal doença.

Aparentemente é isso que está a acontecer com a covid, falando-se em 60% de internados por outras razões, mas que são administrativamente internamentos covid porque os doentes testam positivo.

Se em vez de olharmos para critérios laboratoriais a que administrativamente damos importância e passarmos a olhar para realidades verificáveis, por exemplo, a mortalidade excessiva, o que se verifica é o que está neste gráfico, com os jornais a gritarem que nunca houve tantos casos covid, e o gráfico da mortalidade a mostrar uma mortalidade abaixo do esperado pela média dos últimos dez anos.

Sem Título.jpg

Só que em cima disto, nós decidimos isolar assintomáticos, com base na ideia peregrina de que se isolarmos todos os infectados, controlamos as cadeias de contágio.

E tem corrido muito bem, em todo o mundo as cadeias de contágio têm estado do mais controlado que se possa imaginar.

É assim que chegamos à situação de poder haver centenas de milhar de pessoas privadas do seu direito de voto com base em decisões absurdas das autoridades de saúde.

Hoje, aí pelas seis da manhã, apanhei um bocado de uma discussão na Rádio Observador em que se discutiam grandes soluções para este problema de respeito pelas liberdades individuais.

Na parte que ouvi, e não ouvi o programa todo, não ouvi ninguém dizer o que me parece mais evidente: a solução é revogar a norma da DGS sobre isolamentos, tendo como objectivo deixar de isolar pessoas para quebrar cadeias de contágio que a realidade já demonstrou ser uma impossibilidade.

Às vezes é preciso dizer que o rei vai nu ou, pelo menos, isolar o rei o suficiente para não o deixar fazer disparates.



8 comentários

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De anónimo a 12.01.2022 às 17:44

Não sei este texto, pleno de senso comum, afetará o negócio da Pfeizer. Provavelmente não.
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De Tiro ao Alvo a 12.01.2022 às 19:19

A forma como os órgãos de comunicação social, especialmente as TV, estão a divulgar o número de vítimas do covid 19 é intencionalmente enganadora, escondendo que muitos internados são contabilizados com sendo vítimas do vírus, quando, de facto, são vítimas de acidentes ou de outras doenças.

Concretizando, o meu vizinho partiu as costelas e, por isso, teve que ser internado, mas, porque lhe fizeram o teste que deu positivo, ele, que não tinha quaisquer sintomas, não foi considerado vítima de um acidente doméstico, mas vítima do covid19. E o mesmo se passa com todas as mortes que ocorrem nos hospitais, pelos mais variados motivos, pois sempre que nos últimos 30 dias o defunto tenha feito um teste com resultado positivo ao covid19, é considerado vítima da pandemia, para então, termos que ouvir repetido por todo o lado, até à exaustão, a mesma lengalenga mentirosa: "morreu vítima do covid", quando, em muitos casos, nem se sabiam infectados pela moléstia.

Como é possível isto estar a acontecer? Até parece que anda tudo maluco.

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De anónimo a 12.01.2022 às 19:53


"You refused to adopt the “Barrington Declaration”, signed by more than 60,000 scientists and medical professionals, or other common sense programs."



https://swprs.org/professor-ehud-qimron-ministry-of-health-its-time-to-admit-failure/
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De Gustavo Costa a 12.01.2022 às 22:23

Subscrevo inteiramente!
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De balio a 13.01.2022 às 10:13


a solução é revogar a norma da DGS sobre isolamentos


Exatamente. Muito bem!
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De balio a 13.01.2022 às 10:17


uma mortalidade abaixo do esperado pela média dos últimos dez anos


É natural, uma vez que o sars-cov-2 teve um efeito altamente benéfico, que foi (e continua a ser) o suprimir os vírus das gripes e constipações. As gripes são responsáveis por boa parte das mortes do inverno.
Eu por exemplo, desde que apareceu a covid, nunca mais tive qualquer gripe ou constipação - e costumava ter duas todos os anos.
Ademais, o inverno tem sido muito pouco rigoroso, em particular dezembro foi excecionalmente moderado. Havendo pouco frio, há poucas mortes.
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De Susana V a 13.01.2022 às 12:12

Muito bem! É tão simples como isso. 
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De Jota a 13.01.2022 às 14:23

Caso se confirme algum impedimento de votação apenas pelas normas da DGS, sugiro desobediência dos confinados para sairem (apenas) para votar. Com as precauções necessárias, claro, que todos teremos de seguir de qualquer maneira (máscara, desinfectante, caneta própria). Não deve haver cruzamento de dados entre os cadernos de votação e a DGS (certo?..). E mesmo com o "perigo" de denúncia para uma eventual acusação de propagação de doença infecciosa, que duvido que fosse em frente, não vejo como podem efectivamente impedir alguém de votar.

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