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Internado no IPO de Lisboa

por Vasco Mina, em 08.06.21

Estou internado no IPO desde o dia 28 de Maio em resultado da recidiva da leucemia que tive há quatro anos. Há 17 anos entrei pela primeira vez nesta unidade hospitalar com um linfoma. Ou seja, há muito que aqui sou “cliente”. Anos e anos de convivência com os profissionais de saúde e com os procedimentos hospitalares (na óptica do doente). Testemunho a excelência profissional de todos os que me acompanharam e continuam a acompanhar. Não apenas excelência técnica mas também (e sobretudo) cuidado e compaixão pelos doentes. Tenho recomendado a familiares e amigos que caso se confrontem com uma doença oncológica devem procurar o IPO pois é um hospital especializado em oncologia e no qual estão todos (os que aqui trabalham) focados nos doentes com esta patologia.

Ao entrar aqui na data acima referida fui confrontado com rigorosos procedimentos relacionados com o covid. Estou num quatro com 4 pessoas e estou confinado à cama e ao espaço ao seu redor; ou seja, apenas posso deslocar-me ao quarto de banho. Na primeira semana de internamento não era autorizada a visita presencial fosse de quem fosse. Na semana passada e no sentido de “aliviar” as restrições, foi autorizada a visita de um acompanhante (sempre o mesmo) três vezes por semana e durante 30 minutos. Por muito que custem (e custam) estas limitações percebe-se bem a razão de tudo isto e que tem a ver com o superior cuidado de proteger quem está internado.

Ontem fui surpreendido com desabafos (em surdina) de alguns profissionais de saúde e que percebi que estavam relacionados com a redução do número de médicos e enfermeiros e no que isso estava a provocar em sobrecarga de trabalho (já de si a exigir muito esforço). Li hoje esta notícia e percebi a causa do desconforto para quem aqui trabalha e se entrega de alma e coração a cuidar dos internados. Saíram, no espaço de um mês, 50 profissionais (20 enfermeiros, 13 médicos, 10 técnicos superiores, 4 assistentes e três auxiliares. Segundo a mesma notícia “no IPO são precisos mais 364 profissionais de saúde até ao final do ano. A maior parte deles é de enfermagem – são necessários mais 139 –, o que está a atrasar a entrada em funcionamento das quatro novas salas do bloco operatório”

A saída dos referidos profissionais não foi surpresa pois todos sabiam que finda a limitação de saída do SNS (que vigorou durante a pandemia) seria de esperar o abandono (para outros hospitais, do privado mas não só) de muitos. Foi substituído algum destes profissionais? Nem um! Resultado: sobrecarga e esforço quase desumano para quem ficou e restrições ao apoio dos doentes. Sim, também dos doentes pois dei disso hoje conta: em concreto, uma amigo meu (curiosamente médico no privado)  trouxe-me um gelado e, na recepção, foi impedido de o entregar pois tinham entrado novas regras. Ou seja, a partir de hoje os doentes apenas poderão receber géneros (alimentares, roupa, jornais, etc) três vezes por semana e entregues pelo acompanhante autorizado à visita presencial. Nada a ver com o covid mas tudo relacionad com a escassez de recursos humanos

Fui ao site do IPO em busca de um comunicado da Administração e… nada! Algum dos administradores se demitiu? Não! Em qualquer empresa do sector privado (de qualquer sector de actividade), com quadro de trabalhadores idêntico ao do IPO, a saída de 50 funcionários provocaria demissões. Argumentarão os administradores que estão impedidos, pela Ministra da Saúde, de contratar novos profissionais de saúde. Então que se demita a Ministra. Esta, seguramente, invocará o Ministro das Finanças. Então que se demita o Ministro! Ou então o PM que os demita a todos e, também ele, abdique das suas funções!



26 comentários

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De Jaime Palha a 08.06.2021 às 19:19

As melhoras.
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De Anónimo a 09.06.2021 às 16:12

Infelizmente ou felizmente tambem sou cliente nessa casa já á 19 anos . Em 2002 fui operado a um cancro na laringe , tive varias situaçoes dificeis após radioterapia, tive que fazer mais 3 cirurgias uma delas ainda rara na altura , que era puxar o estomago para cima com a ajuda de um FULL-UP, nesse mesmo dia apabhei uma batéria hospitalar o que me levou a um mes na UCI em côma á beira da morte.  A partir dessa data comecei a fazer parte dos serviços de otorrino , gastro e pnemulogia onde ando a ser seguido com TAC ao torax anual , e faço dilataçao ezofagica de 6 em 6 meses , ultimamente tenho ido para as dilataçoes sozinho por nao poder levar acompanhante , mas resumindo tudo isto para dizer que desde que o doutor Francisco Ramos saiu da administraçao do IPO  aquilo nunca mais foi o mesmo hospital
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De João-Afonso Machado a 08.06.2021 às 20:13

Meu caro Vasco, sempre a teu lado.
Do que precisares, cá oesto (estamos).
Melhoras rápidas, vencerás sempre.
Um grande abraço muito amigo
João-Afonso
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De Anónimo a 08.06.2021 às 21:40

Vasco Mina, gostei imenso de ler o seu texto e oxalá o seu testemunho chegue ao conhecimento das mais altas instâncias. É um grande motivo de orgulho saber da excelência das qualidades técnicas e humanas dos nossos profissionais de saúde, mas é lamentável que os sujeitem a este abuso e transformem o seu esforço heróico em cansaço desumano. 

Desejo-lhe rápidas melhoras. Está muito bem entregue e em muito boas mãos, portanto... só pode correr tudo bem.
Um abraço!
AP
 
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De Anónimo a 08.06.2021 às 23:32

 O teu texto é Belo, Verdadeiro e Assustador. Esperemos que os olhos e as orelhas dos políticos se diferenciem dos seus frios corações. Um abraço amigo, Vasco
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De Anónimo a 09.06.2021 às 00:09

Desejo as melhoras  e rápidas. Que possa ter visitas para passar depressa o tempo. Abraço.
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De Anónimo a 09.06.2021 às 01:51

Vasco Mina, olá
Já sabia desta nova temporada, instalado no IPO, e até sei de um gd grupo Whatsapp - por onde espero e presumo que o meu irmão Timpê tb saiba notícias; foi a Minês R. que me deu notícias.
Belíssimo texto, acabado de ler, tão realista, lúcido, e corajoso. A um tempo tão sentidamente agradecido ao pessoal de saúde e ao IPO. Só posso dizer e acrescentar, que, enquanto "quem manda até ao topo", não resolve nem se demite para outros resolverem, continuas a contar connosco (além da família, obviamente), que acompanhamos, dando todo o ânimo necessário. Continuação de bom ânimo, boa recuperação e parabéns pelo texto. Bjinho amigo Madalena FCC
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De balio a 09.06.2021 às 09:59


Mas julga o Vasco que é fácil contratar médicos ou enfermeiros em Portugal? Eu creio que é muito difícil. Enfim, em Lisboa talvez não...
Seria fácil contratar se não houvesse Ordens, dominadas pelo PSD (ou pior), que impedem a entrada em Portugal de profissionais vindos de fora da União Europeia.
Desejo as melhoras ao Vasco.
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De Anónimo a 09.06.2021 às 13:18

Está redondamente enganado. Os nossos  profissionais de saúde que estão fora "é que" não pretendem regressar. Porque será???
Balio, Balio! Difícil é perceber estes entorses à verdade.


Vasco Mina, desejo-lhe as melhoras!
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De balio a 09.06.2021 às 14:22


Os nossos  profissionais de saúde


Eles não são "nossos". Cada profissional de saúde é uma pessoa livre, que não pertence aos outros. Governa a sua vida como muito bem entende. Um profissional de saúde não passa a ser "nosso" por ter nacionalidade portuguesa.


É natural que os profissionais de saúde portugueses emigrem para sítios onde ganhem mais. O que não é nada natural, é que Portugal não permita a imigração (para Portugal) de profissionais de saúde vindos de países menos ricos, como por exemplo (são meras sugestões) Marrocos ou o Brasil.
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De Anónimo a 10.06.2021 às 04:43

"Nossos" de facto não são, evidentemente as pessoas são livres e autónomas. (( O Balio só entende o sentido literal das palavras )). Porém, não foi com esse sentido de posse, mas de ligação, de proximidade afectiva. "Nossos" para exprimir outro tipo de "pertença", a nossa comum identidade que nem com a distância se quebra: Eles são Nós. Falamos a mesma Língua (por sinal bem expressiva) .
 «...não passa a ser "nosso" por ter a nacionalidade portuguesa »_ diz o Sr.
Pois eu acho exactamente o contrário.
E nem de propósito, hojé é DIA DE PORTUGAL !
Feliz Dia 10 de Junho para todos nós e para os "nossos" lá fora.


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De Anónimo a 10.06.2021 às 05:44

"Portugal não permite a imigração..." Isso são tretas!
O que Portugal não tem é dinheiro para lhes pagar! Ou só teria disponibilidade para salários de miséria... É não querer ver, Balio! Ou porque acha que os profissionais de saúde portugueses emigraram?! Porque será que escolheram governar "a sua vida como muito bem entendem" preferindo os países que os valorizam, dignificam a sua profissão e lhes asseguram progressão nas suas carreiras com salários condignos? E ainda lhes dão prémios e agradecem, como vi numa reportagem! Mas nós dispensamo-los em vez de os fazer regressar acenando-lhes com um ordenado convidativo. Preferimos arejar o dinheiro dos contribuintes, obscenamente, em  empresas falidas.
Veja, leia com atenção o relato que fez o Vasco Mina sobre o que se passa no sistema público de saúde, com grande número de profissionais a sair, sem que sejam substituídos. Parece mais o sistema nacional de "saíde"! Outra vergonha!
Francamente, não percebo os portugueses, a realidade a entrar-lhes pelos olhos dentro e nem assim...
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De Anónimo a 09.06.2021 às 13:44

Votos de melhoras. 
O seu post é certeiro. O SNS definha à vista de todos. Com a cumplicidade BE e PCP. Jamais me esquecerei disso. Entretanto, para o governo, a prioridade é a comemoração dos 50 anos de 25 de abril (2025!) com os respectivos nababos. Foi para isto que se fez o 25 de abril? Sinto-me roubada como cidadã e contribuinte.
Catarina Silva
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De balio a 09.06.2021 às 14:26


O SNS definha à vista de todos. Com a cumplicidade BE e PCP.


Não, o BE e o PCP fartam-se de pedir a contratação de mais gente para o SNS.


A culpa do definhar do SNS é de Portugal, devido às diversas Ordens profissionais não permitirem que venham para Portugal profissionais de saúde que há aos montes dispostos a emigrar em países menos ricos.


Se os médicos portugueses emigram para a Suíça, Inglaterra e Alemanha, por que raio não pode Portugal recorrer a médicos uruguaios ou costa-riquenhos?
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De Anónimo a 10.06.2021 às 07:25

Portanto, depreendo do seu raciocínio que propõe a vinda desses profissionais "que há aos montes" oriundos de países pobres (ou "menos ricos") porque podemos contentá-los com coisa pouca, como tem acontecido sempre. Já estavam habituados, não é?... Portanto não ficaríamos com nenhum peso de consciência. E ainda nos agradeceriam.
Por sua vez _ isto parece o sistema de vasos comunicantes _  os naturais de cá, porque não se deixam explorar do mesmo modo nem quererem ser uma pechincha para o Estado, podem ir-se embora à vontade e até é natural que emigrem! E eu acho espantoso que isto não suscite nenhuma reflexão.


Entretanto, também não há uma palavrinha sobre os verdadeiros culpados deste estado em que se encontra o SNS. Errou o alvo.(Que eu saiba, ainda não são as ordens profissionais que estão à frente do governo a tomar decisões). Há qualquer coisa de amoral nas suas afirmações.
 Ao inocentar os responsáveis pelas suas opções e pela má gestão na governação, está também a isentá-los de assumirem as consequências dos seus actos. 
São pessoas como o Sr. que fazem definhar o país.
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De Anónimo a 10.06.2021 às 09:41

" por que raio não pode Portugal recorrer a médicos uruguaios ou costa-riquenhos?"



Olhe, se calhar pela mesma razão por que o Estado não deixa que empresas aéreas estrangeiras nos assegurem os vôos para território nacional.
Com o que se poupava, se calhar empregava-se mais e melhor na Saúde...
Chama-se a isto utilização de recursos com eficácia, reduzindo custos.



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De fato, seu artigo foi muito bem explicado gostei de ler.
javascript:nicTemp(); (https://www.noticiasdaweb.com.br/tri-legal-resultado)
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De Anónimo a 09.06.2021 às 15:08

Partilho a sua opinião, pois também ando muito pelo hospital por ser doente cardíaco e diabético. Não tenho um vírgula que seja a apontar aos médicos, enfermeiros e demais pessoal. Adoro-os, são maravilhosos.
Infelizmente, as preocupações de quem manda nisto tudo estão mais viradas para quem vai promover essa coisa do 25 de Abril daqui por 3 anos e de quanto vai ganhar, desde já, o sortudo do Adão. O outro comeu uma maçã e lixou-nos. A este, parece que lhe estão prometidos 4.500 € mensais para maçãs e não só. E onde é que nos podemos queixar?
Ficou-se hoje a saber: 9650-007 CÚ DE JUDAS, Ilha de S. Miguel, Açores.
Como de costume, esperam-se reacções bacocas da oposição e um destemido desmentido do Carlos César.

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