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A propósito do caso do juiz que justificou actos de violência doméstica com a prática de adultério pela vítima, lembrei-me de como Portugal tem um machismo bera. Em vez do "machismo" positivo dos homens que abrem a porta do carro às senhoras, que não deixam pagar a conta, ou que lhes dão flores (uma espécie de marialvismo), o que é cada vez mais raro, o que há é um machismo que despreza as mulheres. Os homens portugueses estão sempre a desvalorizar as mulheres (excepto as deles), no trabalho, na vida social, nas relações profissionais, na política, no jornalismo.
É cada vez mais comum ver os homens deixarem facilmente para trás os velhos hábitos e tradições de deixar passar as senhoras à frente, de as convidarem sempre que as acompanham à mesa, de as protegerem. Mesmo apesar das educações que herdaram, facilmente aderiram aos tempos de "igualdade" para justificar o fim desses hábitos. Os homens abandonaram o estilo protector que as mulheres adoram, em nome da negação da supremacia masculina. Mas depois mantêm a atitude superior, vertida numa soberba que despreza as mulheres (que não as suas) e não lhes reconhece méritos e qualidades equiparadas às masculinas nas relações profissionais, nas relações políticas, nas relações sociais.
Quando se sentem em competição ou numa relação de disputa de poder, as mulheres têm sempre mau feitio, são malucas, são desequilibradas, são galdérias, são esquisitas, são histéricas, são suspeitas, não têm capacidade. É isto que resume a panóplia de características que os homens portugueses vêem muitas vezes nas mulheres que não lhes são próximas (ou que deixaram de o ser). Eu por fim preferia a superioridade de darem flores confesso.
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