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Sobre a eutanásia (o projecto que vai ao Parlamento à revelia dos eleitores), afirma o PCP: «A legalização da eutanásia não pode ser apresentada como matéria de opção ou reserva individual. Inscrever na Lei o direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso mas um passo no sentido do retrocesso civilizacional, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas que questionam elementos centrais de uma sociedade que se guie por valores humanistas e solidários.» Isto e mais algumas coisas bem pensadas diz o PCP num comunicado admirável que se pode ler aqui. Era inevitável que um conservador coincidisse em algum momento ou tema com outros conservadores. Hoje sou comunista.
Hoje sou Cavaquista. O filho do gasolineiro, o homem que come bolo de boca aberta, vale mais em coragem moral e afirmação de princípios do que os membros mais sonoros das elites mais venais que tão cretinamente troçavam dele.
Diz Passos Coelho: «Ao pretender, por absurdo, emprestar mais dignidade na morte por supostamente desejar evitar sofrimento promove-se outro equívoco fundamental: uma vez que já hoje existem meios adequados que podem ser mobilizados para lidar e minorar o sofrimento físico e psicológico (...) o recurso à eutanásia pode representar uma demissão e uma desresponsabilização da sociedade na forma de ajudar os que sofrem.» Um dos motivos dos ódios a Passos Coelho tem a ver com a habilidade que sempre ele teve para desmascarar as intenções encapotadas. E os burros que não o compreenderam, nem compreendem o que lhe devem (ou compreendem, e, portanto, negam) fariam bem se lessem a opinião que publicou aqui, um texto denso e sério que os mesmos burros, obviamente, decerto não compreenderão. Hoje sou Passista com gosto e honra.
Hoje sou João Paulo Segundista que mostrou à evidência, longamente, penosamente, como a dor pode ser digna, o sofrimento nobre e nobilitante, e a assumpção do envelhecimento físico algo de admirável.
Hoje confirmo o nojo à busca histérica de protagonismo do BE, e à leveza protocriminosa do PS, sempre em busca da «modernidade», no caso de ela valer alguma popularidade e uns votos. Hoje confirmo a minha indiferença perante o CDS, que nunca me desilude ao desiludir-me sempre, e que, mesmo num caso como este, toma a posição que seria a minha, mas com argumentos de processo, não de fundo. Hoje, confirmo a minha completa desvinculação em termos intelectuais, éticos, políticos, sociais, comportamentais, desse cadáver trepanado e gasoso que é o PSD do lamentável Rui Rio.
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