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Havia cessar fogo a 6 de Outubro, cara Ana Sá Lopes

por henrique pereira dos santos, em 29.10.23

Ana Sá Lopes escreve hoje uma crónica no Público que é excelente como resumo da posição da esquerda fofinha sobre o conflito na Palestina, começando logo no título "A vingança até ao extermínio do último palestiniano" (na tal parte do mundo que tem a sétima taxa de crescimento populacional mais alta do mundo).

De maneira geral essa posição da esquerda fofinha usa palavras fortes como "extermínio", para falar de uma realidade complexa sem qualquer relação com essas palavras, o que a mim me parece truque para evitar as discussões dificeis.

Comecemos então pelo que não está nem nesse artigo, nem em lado nenhum que eu tenha visto (estará com certeza em algum lado, eu é que não vi), a proposta de alteração proposta pelo Canadá à resolução das Nações Unidas aprovada recentemente, e que foi proposta pela Jordânia.

O Canadá propôs uma alteração ao texto da Jordânia: " “Protecção dos civis e cumprimento das obrigações legais e humanitárias” (documento A/ES-10/ L.26), proposta pelo Canadá. Além de rejeitar e condenar inequivocamente os ataques terroristas do Hamas ocorridos em Israel a partir de 7 de outubro de 2023, a alteração rejeitada também teria condenado a tomada de reféns e teria exigido a segurança, o bem-estar e o tratamento humano desses reféns (entre aspas, primeiro o título da alteração e depois a proposta do Canadá, nas palavras de Liliana Reis, que segue fielmente o texto da proposta de alteração)".

Isto é, a Assembleia Geral da ONU votou contra a inclusão desta referência numa resolução sobre o cessar fogo na Palestina, o que deixa absolutamente claro o que está em causa.

Em segundo lugar, gostaria de fazer notar esta frase (a ideia já a tenho ouvido a vários intelectuais de esquerda): "Biden não pode fazer grande coisa se quer vencer as próximas eleições americanas e já está a ser alvo da acusação de "anti-semita", que mata qualquer candidato presidencial nos Estados Unidos".

Isto é a mera actualização das teorias de conspiração sobre o poder oculto dos judeus, que mandam no mundo, teorias essas que estiveram na base da generalidade das perseguições aos judeus. Que intelectuais de esquerda com obrigação de saber onde conduziram patetices destas achem normal repeti-las, é para mim um mistério.

Ana Sá Lopes e a generalidade da esquerda fofinha, sempre, sempre ao lado dos oprimidos, mas nunca no meio deles, repetem à exaustão uma argumentação que não tem qualquer relação com a realidade: 1) "O número de resoluções da ONU que Israel nunca cumpriu", sem que se interroguem por que razão é a única democracia da região que concentra condenações de dois terços das resoluções da ONU sobre a região, ao mesmo tempo que a ONU ignora grosseiríssimas violações das ditaduras envolventes, incluindo a conivência com o poder despótico do Hamas em Gaza, há mais de 15 anos; 2) "o facto de manter um Estado com cidadãos de primeira e cidadãos de segunda", uma acusação que é permanentemente feita a Israel, o único Estado da região que, para além de ser uma democracia, tem um quinto da população árabe, incluindo palestinianos, claro, com plenos direitos de cidadania, ao contrário do que acontece no Líbano, Jordânia e Egipto em que os refugiados palestinianos, mesmo nascidos nesses países, estão legalmente impedidos de exercer um conjunto alargado de profissões, de comprar terra e outras coisas que tais, como o acesso aos direitos cívicos que consideramos básicos; 3) "manter Gaza como uma prisão a Céu aberto", a acusação mais estúpida que tenho visto repetida, quando é a própria ONU que diz que antes de 7 de Outubro entravam diariamente 500 camiões de ajuda humanitária, desde 7 de Outubro se lançam sobre civis israelitas rockets que entraram na tal prisão a Céu aberto, operados por profissionais da guerra que saíram para serem treinados no Irão e voltaram, coisa estranha para o que se considera uma prisão a Céu aberto.

Estas três coisas existiam antes do Hamas ter quebrado o cessar fogo, em 7 de Outubro, diz Ana Sá Lopes, inviamente justificando a agressão do Hamas a 7 de Outubro.

"um país que tem sido sistematicamente invasor do território de outros", escreve Ana Sá Lopes sobre Israel, provavelmente sem saber que nenhuma das guerras que levaram à alteração das fronteiras de Israel foi começada por Israel, pelo contrário, foi Israel que foi sempre invadido pelos seus vizinhos, com o objectivo concreto de liquidar o Estado de Israel.

Não admira a conclusão final: "O Ocidente tem um problema moral a resolver: a invocação permanente dos direitos humanos começa a ser conversa de chacha", calculo que os outros, os que votaram contra a alteração proposta pelo Canadá, não tenham problema moral nenhum com a invocação dos direitos humanos, começando pelo governo do Hamas que governou a Faixa de Gaza nos últimos quinze anos, liquidando sumariamente adversários, embebendo a sua estrutura militar no meio da população civil, ignorando os direitos das mulheres e homossexuais, etc., etc., etc..

Depois da quebra de cessar fogo a 7 de Outubro pelo Hamas, parece que o certo seria darmos todos as mãos, cantar o Kumbaya, e trocar reféns civis ilegitimamente capturados por bandidos por outros bandidos legitimamente detidos por um Estado democrático que respeita o Estado de direito, incluindo os direitos de defesa dos acusados, com o argumento de que não pode haver mortes de civis e é preciso evitar uma catástrofe humanitária.

Sim, há uma catástrofe humanitária em curso, sim, na medida do possível é preciso limitar a sua extensão e poupar o mais possível os civis, mas não parece que o futuro seja grande coisa se os que quebraram o cessar-fogo a 7 de Outubro tiverem sucesso na sua estratégia de atacar civis, capturarem reféns e reforçarem o seu exército com mais seis mil pessoas vindas das cadeias de Israel, usando como escudo o seu próprio povo e uma propaganda agressiva a que é sensível esta esquerda fofinha.

Não faço ideia de como se sai desta situação poupando todos os civis, mas parece-me que ceder à chantagem de hoje não abre nenhuma perspectiva para um futuro melhor amanhã.

"O que vinga é o "olho por olho, dente por dente" e é o que estamos a assistir no contra-ataque de Israel a Gaza, depois do atentado terrorista de 7 de Outubro", diz Ana Sá Lopes, como se dizer à população que se afaste é o mesmo que atacá-la de surpresa, como se violar pessoas seja o dia a dia do exército israelita, como se houvesse qualquer notícia credível de atrocidades do exército israelita em Gaza, como se Israel estivesse a fazer reféns para negociar ganhos de causa com o Irão, etc..

Sim, há vítimas inocentes, sim, há danos colaterais, em extensões que não sabemos qual seja porque não há informação independente vinda de Gaza, sim, era bom que fosse possível evitar isso, mas não consigo perceber como raio se pode Israel defender de um grupo de selvagens que se esconde no meio das pessoas de bem, sem que haja danos colaterais.

Ou melhor, até sei, era os selvagens não terem quebrado o cessar fogo que vigorava a seis de Outubro.


93 comentários

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De César a 29.10.2023 às 16:18

Nunca me iludi: esta gente é profundamente antissemita, racista e tem um ódio desproporcional aos judeus.
Por detrás da capa do fingido humanismo, o que querem é simples: acabar com os judeus. Por hipocrisia, cobardia ou dissimulação não o dizem abertamente, mas pensam.
É sempre curioso que só se lembram dos direitos humanos quando Israel se defende dos bárbaros: não vi esta gente preocupada com os direitos das mulheres, dos homossexuais na faixa de Gaza, onde são tratados com pessoas de 2 classe ou criminosos. Os 1400 assassinados apenas por serem cidadãos de Israel ou porque estavam no local errado na hora errada, não comovem estas alminhas. É o grupelho alargado do "condeno, mas..." onde o "mas" esconde o ódio que têm. 
Eles não lamentam nada. Nós é que lamentamos que estas alminhas vomitem ódio antissemita mais ou menos disfarçado. É a luta das democracias e da liberdade vontra a barbárie. E esta gente está no lado da barbárie. Por conveniência ou convicção.
Se fizessemos 1 minuto de silêncio por cada vítima do Holocausto,ficávamos calados durante 11 anos e meio. Isto esquece muito a esta malta do "bem" mas só para um lado. Em roda livre, eram simpatizantes do que o Sr Adolfo fez.
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De Luis a 29.10.2023 às 20:50

Continuo a crer que esta gente não é antissemita mas sim anti-democrática e que detesta visceralmente o chamado "mundo livre" encabeçado pelos EUA daí que, se reparar,  basta ouvirem falar em americanos e logo ficam de cabelos em pé - paradoxalmente gozam de todos os direitos e luxos do chamado "mundo livre" e ocidental de quem tanto mal falam mas enfim, este tipo de hipócritas sempre existiu e sempre há-de existir. Ora como este conflito põe diretamente em oposição a civilização ocidental democrática vs a civilização dos ditadores e das verdades absolutas (no fundo eles queriam era viver numa nação dessas onde o seu modo de pensar fosse a lei porque não toleram a opinião dos outros e se julgam os reis da boa moral e donos da verdade) e, ainda por cima com o apoio direto e sem rodeios dos EUA (ao contrário de outros que fazem de conta que não patrocinam o Hamas), estes rapazitos só podem vir despejar fel e mais fel contra Israel. Esta gente está-se a cag@* completamente para os palestinianos e israelitas, o que esta gente quer é abrir o maior número de brechas possível no seio da civilização ocidental de modo a destrui-la e assim tentar, em pleno caos, impor a sua vontade a todos os outros, seja a bem ou a mal. Estes patetas nem conseguem perceber que, se o ocidente entrar em ebulição, dada a desindustrialização das últimas décadas e consequente perda de peso a nível global, será engulido pelos outros e eles continuarão a xuxar no dedo mas como serviçais de chineses e companhia. Uma fratura profunda do ocidente não irá trazer nada mais do que a sua subjugação a potências externas com agendas muito duvidosas, portanto, só uns enormes patetas podem crer uma coisa destas mas, infelizmente, são cada vez mais.
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De Francisco Almeida a 30.10.2023 às 12:27

Concordo basicamente com o seu comentário. Os anti-democráticos (anti-capitalistas, anti-EUA) serão a maioria e escondem-se atrás do anti-sionismo. Mas atrás do mesmo anti-sionismo, também se escondem alguns anti-semitas, que ainda os há.
Já a divisão da Europa está politicamente consumada de facto. Na moção da ONU a Europa dividiu-se em votos a favor, votos contra e abstenções. Sobretudo para asiáticos, sensíveis ao que parece, ao perder a face, etc., a Europa deixou de existir diplomaticamente nas grandes questões. Vergonhosa a votação portuguesa, que Paulo Portas tentou branquear explicando-a com a vontade de não alienar o bloco árabe na candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança.
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De O apartidário a 31.10.2023 às 10:30

A realidade é mais estranha que a própria ficção sem dúvida, ainda para mais tendo em conta o que temos visto de terrorismo na Europa na última década e vermos que (segundo o articulista do CM Octavio Ribeiro) o personagem em questão é inclusive sustentado pelo Estado espanhol.
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De anónimo a 31.10.2023 às 19:06


A questão é simples, nada é perfeito. 
Madame Sá Lopes, antes do 6 do10 se fosse obrigada a escolher preferia viver em Israel ou preferia viver na Faixa de Gaza / Irão?. 
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De Impronunciável a 29.10.2023 às 17:15

Mas não havia cessar-fogo em 28 de novembro de 1947?

1 – Ninguém aceita, senão por uma escolha facciosa, que a um exército de um Povo se chame «exército», e a de outro Povo se chame «terrorista». Um é o exército de Israel. O outro é o exército do Povo Palestiniano, designado por Hamas.

2 – Que País aceitaria não ter um exército para se defender de quem o pretende ocupar ou atacar? O Povo Palestiniano está impedido de ter um exército?

3 – Cada um desses dois exércitos já cometeu os mesmos crimes, e exatamente pela mesma causa. Defenderem-se um do outro. Militares israelitas, disfarçados de colonos e trajando à civil, ocuparam e mataram civis e militares Palestinianos desde 1948. Neste momento, contabilizados os crimes desde 29 de novembro de 1947, o do lado israelita cometeu o mesmo, multiplicado por 100 ou mais.

4 – Portanto, querer politizar a questão (esquerda/direita, selvagens/civilizados, exército/terroristas, etc.) é fazer o mesmo de aquilo que se pretende criticar.

5 – O ilustre João Távora, este domingo, 29 outubro 2023, de acordo com a narrativa bíblica do “Novo Testamento”, colocou as duas frases do cobrador de impostos de Herodes Antipas em Cafarnaum, Mateus. Que teria sido, após isso, um dos Doze Apóstolos de Jesus, rebatizado de São Mateus. Dizia ele, que Jesus teria dito o seguinte: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo».

6 – A pergunta que milhares fazem (não por serem de esquerda ou de direita, por serem desta ou daquela ideologia, por serem contra ou a favor) é a seguinte: «Os Israelitas, desde 1948, amaram os Palestinianos como a si mesmos?».

7 – Ora, como diz o Livro do Êxodo dos judeus-israelitas, o seu Deus disse-lhes, que, enquanto não cumprirem este Mandamento, não poderiam regressar à Terra Prometida (a atual Palestina e Jerusalém).

8 – Mas, ao contrário do que Deus lhes disse, os israelitas estão continuando a não cumprir (passo a citar) a “Palavra da Salvação”.

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De urinator a 29.10.2023 às 18:03

foi no facebook que  'Deus lhes disse' ?
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De Impronunciável a 30.10.2023 às 10:52

Cada um tem a Fé de que necessita.
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De urinator a 29.10.2023 às 17:23

a desinformação acaba por ser contraditória. Parece que a resolução não era vinculativa. Como em todas as guerras, esquecidas ou não, Guterres releva 'estar à altura' do lugar que ocupa.
« «ANA, badana, Rebeca, Susana, Lázaro, Ramos y en Pascuas estamos...». Con esta letanía, mi madre siempre ha situado con exactitud el tiempo después de Carnaval, sin necesidad de mirar el calendario. ...»
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De G. Elias a 29.10.2023 às 17:49

Existe uma versão em português: “Ana, Magana, Rebeca, Susana. Lázaro, Ramos, Na Páscoa estamos”
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De balio a 29.10.2023 às 17:59


por que razão é a única democracia da região que concentra condenações de dois terços das resoluções da ONU sobre a região, ao mesmo tempo que a ONU ignora grosseiríssimas violações das ditaduras envolventes, incluindo a conivência com o poder despótico do Hamas em Gaza, há mais de 15 anos



(1) O facto de Israel ser uma democracia não lhe confere imunidade a críticas. Não é pelo facto de ser democrático que, automaticamente, se deve considerar que cumpre tudo aquilo que deveria cumprir. Os Estados democráticos têm tanta obrigação quanto os não-democráticos de obedecer às regras do direito internacional.


(2) Violações, exatamente, de quê? A ONU não existe para avaliar os procedimentos internos de cada país, se cada país respeita ou não os direitos humanos, se cada país é ou não é democrático. Uma ditadura, pelo facto de o ser, não viola necessariamente algo que seja da conta da ONU. Por exemplo, a Síria, que é uma brutal ditadura, não tem nada que ser criticada pela ONU, uma vez que não agride nenhum outro país. O mesmo se diga do Irão, do Egito, etc.
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De henrique pereira dos santos a 30.10.2023 às 07:16

Violações exactamente de quê, perguntas tu sobre a Síria, o Irão, a Turquia, etc., etc., etc.?
Achas com certeza que a questão dos curdos, dos druzos, das invasões de Israel, de financiamento do terrorismo internacional, etc., são meras questões internas desses países, certo?
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De César a 30.10.2023 às 12:11

Caro Henrique, como li hoje num artigo de um Sr Coronel Comando no "Observador", para esta malta Israel tem direito a se defender...desde que não o faça.
Há uma letra de Bob Dylan que caracteriza estas alminhas antissemitas e o que ela adorariam que acontecesse e vale a pena atentar na sua lírica:
“…His enemies say he’s on their land
They got him outnumbered about a million to one
He got no place to escape to, no place to run
… he just lives to survive,
He’s criticized and condemned for being alive
He’s not supposed to fight back, …
He’s supposed to lay down and die when his door is kicked in…”
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De Anónimo a 31.10.2023 às 08:12

"Não é pelo facto de ser democrático que, automaticamente, se deve considerar que cumpre tudo aquilo que deveria cumprir. Os Estados democráticos têm tanta obrigação quanto os não-democráticos de obedecer às regras do direito internacional."

Perante isto só tenho uma resposta: 7 DE OUTUBRO !!!
Quanto ao Direito Internacional, essa gosma que pegou e agora toda a gente bolsa, aqui vai a melhor análise e mais elucidativa que li _ (peço permissão ao HPS pela transcrição demasiado longa):
1-
"Das centenas de disputas territoriais actualmente em curso no mundo, apenas aquela que envolve Israel surge sempre, e não por acaso, enquadrada em termos legais. Mais do que enquadrada – reduzida a, e armadilhada em, termos legais. Em nenhum outro conflito ou disputa a questão legal é tão central e invariável: o conflito em Caxemira, que envolve a Índia e o Paquistão, nunca é qualificado em termos da sua legalidade: Caxemira é “disputada”. Ponto final. Não há registos, por exemplo, de grandes manifestações em Londres e Paris contra a ilegalidade da ocupação turca do norte de Chipre, e o conflito curdo-iraquiano não desperta o mínimo interesse, nem legal nem outro, na opinião pública ou publicada. Se na maior parte dos casos as esferas do direito e da geopolítica são totalmente distintas e autónomas, e analisadas tendo como pressuposto essa distinção e essa autonomia, no caso de Israel elas são praticamente fundidas até à total indistinção."
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De Anónimo a 31.10.2023 às 08:26

2-
...e parece que o mantra do Direito Internacional se tornou viral e eu diria orwelliano !!! continuando...
[Israel] que é a parte agredida tem como responsabilidade primeira a de proteger a parte agressora mais do que a parte agredida que está à sua responsabilidade; em que Israel tem mais deveres de protecção da população de Gaza do que o Hamas que a governa; em que Israel é obrigado a preservar intactos os hospitais, as escolas e as mesquitas que o Hamas armadilha e a partir dos quais ataca Israel. De acordo com o enquadramento legal vigente que rege estas matérias sensíveis, a guerra que não existe é a única guerra que Israel pode travar pela sua existência." 
(ou seja, Israel tem todo o direito de travar uma guerra desde que seja uma guerra impossível).


"...não há “análise” (que é a designação que actualmente a propaganda atribui à propaganda) que não se sirva de expressões como “direito internacional”, “proporcionalidade”, “crimes de guerra”. Obviamente que o uso destas expressões, fortemente armadilhadas para paralisar a compreensão, se dirige apenas a Israel e à sua acção, nunca aos seus agressores e às suas agressões. Esta hiper-juridificação do conflito não é, no entanto, acidental. Ela é essencial ao seu propósito, o qual visa sobretudo um duplo condicionamento: (1) condicionar Israel à absoluta inacção – em termos práticos, à capitulação – perante as agressões de que é vítima e (2) condicionar os “analistas” à escolha entre duas escolas: a da cobardia e a da indecência. Ou seja, ou a equivalência moral entre bebés degolados e degoladores de bebés (...) ou a superioridade moral dos degoladores de bebés (em termos musicais, “From the river to the sea”)."
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De Anónimo a 31.10.2023 às 08:36

3-

a percepção generalizada de que tudo aquilo que é feito a Israel é legítimo, mesmo que ilegal (como degolar bebés), e de que tudo aquilo que Israel faz é ilegal, mesmo que legítimo (como punir a degolação de bebés). Israel tem toda a legitimidade de se defender, obviamente – desde que não se defenda. Porque defender-se é simultaneamente um direito e um crime: exercer o direito é, ipso facto, cometer o crime; a única forma de não cometer o crime é não exercer o direito... É o direito como criminalização do próprio exercício do direito. É o direito como criminalização daquilo mesmo que o direito tem como função assegurar. É o direito como impossibilidade de exercer o direito. O nome deste direito anti-direito, esplendorosamente orwelliano, é “direito internacional”.

Quando incide sobre Israel, o direito internacional – raramente especificado e invariavelmente distorcido – constitui a própria abolição do direito. Na medida em que visa a proscrição de um único povo e a sua remoção da família dos povos, actuando assim como um instrumento de discriminação legalizada, o “direito internacional” são as Leis de Nuremberga das nações. Israel não é uma nação, é o Untermensch das nações, é o dhimmi das nações, criatura de classe inferior e proibida, agora como outrora, de se defender: “forbidden to strike a Muslim, carry arms, ride horses” (Benny Morris). O acto de atirar pedras aos judeus por parte das crianças muçulmanas tem raízes muito anteriores ao surgimento do corrente conflito. Constitui, como conta Bernard Lewis em The Jews of Islam, um velho fenómeno.

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De balio a 31.10.2023 às 09:55


como conta Bernard Lewis em The Jews of Islam, um velho fenómeno


Basta olhar para a wikipedia para ficarmos a saber que Bernard Lewis não é propriamente a fonte mais independente. Para começar é judeu, o que não o desqualifica (há excelentes judeus) mas permite levantar suspeitas. Mas depois vê-se os debates que teve contra Edward Said, o apoio que deu à invasão do Iraque e o apoio que deu aos neoconservadores, e fica-se com uma imagem completa.
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De Anónimo a 31.10.2023 às 08:42

4-

"Décadas de desumanização dos israelitas por parte da imprensa ocidental conduziram à absoluta dormência moral relativamente ao sofrimento de um dos lados do conflito. Desumanização que persiste, mesmo após o pogrom de 7 de Outubro. Quem se der ao trabalho de fazer um levantamento das primeiras páginas do Público dedicadas ao conflito desde o passado 8 de Outubro, verá que nem por uma vez o sofrimento israelita é captado e transmitido. Em Israel, que não passa de uma grotesca abstração militar, não existem humanos, apenas soldados; não existem casas, apenas tanques; não existem mortos, apenas estatísticas. Todas as crianças apresentadas, mortas ou aterrorizadas, são palestinianas. Não há mater dolorosa israelita neste conflito: toda a Pietà é palestiniana. Os bebés israelitas carbonizados e mutilados, as raparigas israelitas violadas e desfiladas, os idosos israelitas mortos e humilhados nunca fazem primeira página. Não se vêem nem se ouvem. É como se nunca tivessem morrido. É como se nunca tivessem sequer existido. É como se fossem apenas, de novo, cinza cuspida da chaminé de um crematório nazi e levada pelo vento"


É uma segunda morte em cima da primeira. Um novo rapto a somar ao velho. A inexistência de fotos na imprensa não é, no essencial, moralmente diferente da nova moda que consiste em rasgar e deitar ao lixo os cartazes com as fotos dos sequestrados em Gaza. O sofrimento judaico não pode ser visto nem exposto em público."

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De Anónimo a 31.10.2023 às 08:49

5-

Nem uma foto dos reféns. Nem uma foto dos bebés mortos. Nem uma foto das jovens violadas. Se compararmos esta ocultação deliberada com as famosas fotos da guerra no Vietname, teremos uma ideia, ainda que vaga, do ponto a que a nossa imprensa desceu. Expor o monge budista que se auto-imola numa rua de Saigão (World Press Photo of the Year, 1963), ou o tiro na cabeça de um suspeito vietcong por parte de um oficial vietnamita (World Press Photo of the Year, 1968), ou a menina aterrorizada que foge, completamente nua, de um ataque acidental de napalm (World Press Photo of the Year, 1973), era revelar à opinião pública “the terror of war”. Onde está a menina israelita? A menina nua, aterrorizada, sequestrada, violada, morta? Não existe. Nunca existiu. Todas as meninas são palestinianas. Em casa, em agonia, não há nenhuma mãe à espera da menina israelita. Porque, como as meninas, todas as mães à espera em casa e em agonia são palestinianas. As primeiras páginas não mentem: a menina israelita, já morta ou ainda sequestrada, não existe. Nunca existiu.

Este conflito não é, na sua essência, sobre território. É sobre esta menina. Não é um conflito imobiliário. Não é um conflito geográfico. Numa coisa os anti-sionistas (isto é, os anti-semitas, de esquerda e de direita, cada vez menos envergonhados) têm razão: este é um conflito sobre o direito. Não sobre o direito internacional, mas sobre o direito de existir. Sobre o direito, portanto, de que dependem todos os outros. Sobre a existência, o direito à existência, daquela menina nua que não existe.

Os milhares (milhões?) que hoje gritam nas ruas “From the river to the sea”, não disfarçam já que é – sempre foi e sempre será – sobre o direito de existir. Quem viu o pogrom daquela manhã sabe que o 7 de Outubro não é apenas mais um episódio do longo conflito. Não é parte do conflito: é onde o conflito se parte. O 7 de Outubro é o instante, paradoxalmente sombrio e luminoso, crepuscular e amanhecente, em que todo o conflito se suspende, se confessa e expõe, de uma vez por todas, o terrível segredo da sua origem e perpetuação: se isto é um povo."

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De Anónimo a 31.10.2023 às 08:50

Daqui:
https://observador.pt/opiniao/se-isto-e-um-povo/
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De Impronunciável a 29.10.2023 às 18:07

1 - O problema não era problema, enquanto o outro lado que era atacado e roubado tinha fisgas e pedras. 

2 - A partir do momento que começa a ter mais e melhores armas, a coisa muda de figura. 

3 - Nunca mais Israel e os EUA irão ter o poder de fazer o que querem, sem sofrerem o mesmo.

4 - E esta mudança de status, é o que leva ao atual histerismo por parte de quem se achava imune e superior.

5 - O Povo europeu, e um pouco por todo o Mundo, através de centenas de manifestações de rua, provocaram uma derrota reputacional ao «Império do Ocidente», que reinou despotamente sobre os Povos e Nações do Mundo desde o séc. XV, quando adquiriu uma supremacia tecnológica.

6 - Agora, a partir desta terceira década do séc. XXI, nem com 10.000 porta-aviões e 10.000 bombas atómicas, nem com todo o dinheiro que têm nos Bancos, conseguirá jamais evitar.

7 - É esta Mudança. Que julgavam nunca acontecer durante o tempo das suas vidas.

8 - E nas próximas décadas ainda será maior.

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De henrique pereira dos santos a 30.10.2023 às 07:17

Quem invadiu Israel no dia seguinte ao da sua criação, violando as decisões da ONU, foram os cinco estados árabes confinantes, e não foi com pedras nem fisgas.
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De Impronunciável a 30.10.2023 às 11:17

Não é verdade.

1 – Quem invadiu o território, que era há mais de 3000 anos do Povo Palestiniano, foi Israel. Concretamente, a partir dessa Resolução n.º 181 de 29 de novembro de 1947 das "Nações Unidas". O invasor foi Israel.

2 – Israel e os Israelitas nunca existiram, em carne-e-osso, biologicamente, naquele território, senão na narrativa fantasista, religiosa e colonialista dos Livros Sagrados do Deus inventado pelos Judeus-Israelitas. Aquele território era do Povo Palestino (como os dados genéticos, e os testemunhos arqueológicos e antropológicos mostram), porque nele vivem ininterruptamente desde há mais de 5000 anos (3100+2023).

3 – Os EUA fizeram o mesmo. Chegaram lá, no séc.XVII, ao sítio a que passaram a chamar o seu País em 1776, mataram e puseram em "reservas" (iguais às que os Israelitas usam na Cisjordânia e em Gaza) os Povos que habitavam aquele território da América do Norte há milhares de anos. Tudo em nome do seu Deus, que dizem, que foi Ele que lhes disse que tinham direito ao território dos Outros Povos, por serem "infiéis", "não-Humanos", ou "não-Democráticos", e outros .

4 – Os Europeus, também fizeram o mesmo, no séc. XV, e seguintes.

5 – Portanto, hoje, no séc. XXI, estar a confundir o que é a religião e a Fé de cada um com a Verdade histórica e antropobiológica é, simplesmente um erro indesculpável. É, de facto, verdadeiramente, (passo a citar) «uma inauguração, uma implosão, um panegírico, e um vitupério».

6 – São, estes, os valores e a moral incarnada nos ditos valores “ocidentais”. Que o “Novo Testamento” critica, e que nos manda substituir por outros se quisermos “passo a citar) “entrar no reino dos céus”.

7 – Ou seja, falta conseguirmos deixar de sermos os que somos e fomos. Para conseguirmos discernir mais do que somos capazes agora.

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De henrique pereira dos santos a 30.10.2023 às 11:30

Resumindo, Israel não existia, mas invadiu, é isso?
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De Impronunciável a 30.10.2023 às 11:55

1 – Israel existia. 

2 – Mas existia apenas no imaginário religioso dos que professavam a Fé Judaica.

3 – Nunca teve existência térrea ou cárnea, senão a partir de 1947.

4 – Aliás, é exatamente isso que o seu imaginário diz na Torah: «Por não terem cumprido a palavra de deus e os mandamentos dos Profetas, foram expulsos da Terra Prometida, e nunca mais para lá poderão voltar enquanto não forem capazes de a cumprir».

5 – E, o que os Israelitas atuais não conseguem cumprir, desses Mandamentos que o seu Deus lhes ordena, é, entre outros incumprimentos: "não matarás", "ama o teu próximo como a ti mesmo", etc.

6 – Logo, mesmo no imaginário da sua Fé, não deviam sequer estar lá, na Palestina (ou, de acordo com essa narrativa religiosa e imaginária, na “Terra Prometida”).

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De Pedro Oliveira a 30.10.2023 às 12:26


"foram expulsos da Terra Prometida"
Então eles estavam na Terra Prometida (lugar físico) e foram expulsos, logo existiam como povo e ocupavam um espaço físico ou não?
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De Impronunciável a 30.10.2023 às 15:13

Foi-lhes Prometida, desde que eles cumprissem.
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De César a 30.10.2023 às 16:09

Um conselho: NUNCA se perde tempo com idiotas mentirosos...
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De Impronunciável a 30.10.2023 às 19:59

Em que ano, estiveram lá?
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De Sérgio Gonçalves a 30.10.2023 às 11:32

Portanto, não podemos receber emigrantes na Europa, certo? A terra é nossa...é esta a conclusão que se pode tirar do seu texto...
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De João Brandão a 30.10.2023 às 11:53

Estes 'esquerralhos', na ânsia de quererem pregar moral aos outros, mas surdos ao que eles próprios dizem, fintam, fintam e tanto fintam, que acabam por fintar-se a eles próprios.
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De Impronunciável a 30.10.2023 às 11:59

A conclusão, é, de que, num mundo cada vez mais multi-étnico e multi-cultural, nos temos dar bem com os nossos vizinhos, que são diferentes de nós. Para que não nos matemos todos uns aos outros, e desapareçam estas guerras e conflitos, que nos fazem sofrer a todos.
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De Sérgio Gonçalves a 30.10.2023 às 13:36

E para nos darmos bem com os nossos vizinhos instigamos e defendemos a sua aniquilação. Você há-de cá ser um otimo vizinho
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De Luis a 31.10.2023 às 01:34

Tal como fazem os chineses aos uigures e tibetanos ou como fazem os indianos aos paquistaneses (e vice-versa), ou como fazem os sudaneses do norte com os do sul (e vice-versa), ou os indonésios aos timorenses, os turcos aos curdos, os azeris aos arménios, os rapazes do boko haram islamita aos cristãos nigerianos.... tudo boa e pacata vizinhança, ainda bem que vossa excelência só conseguiu falar dos europeus, assim ao menos demontra logo ao que vem e, não é certamente pela justiça no mundo mas sim contra os europeus (se fosse pela justiça condenava todos e não apenas uns).
Sobre Israel, ainda antes da II guerra já havia uma % muito significativa de judeus naquela região, portanto, é falso classifica-los (pelo menos a todos) como invasores sendo que, por sua vez, a própria palestina também não existia enquanto estado independente pelo menos desde o séc XVI devido à anexação/conquista levada a cabo pelo império otomano. Depois ainda antes de 1947, os britânicos propuseram uma divisão na qual Israel seria muito mais pequeno que os territórios palestinos (procure por comissão Peel) e sabe que mais? Os palestinianos logo a rejeitaram assim como rejeitaram desde sempre a existência de 2 estados tendo sempre escolhido a via da guerra que depois sempre perderam, portanto, estão muito mas mesmo muito longe de serem as pobres vítimas que hoje se tentam pintar. Os árabes nunca quiseram nem querem 2 estados (a ideia de que podem querer é falsa) e os israelitas já lá tinham muitas centenas de milhar de cidadãos bem antes de 1947 e da própria guerra mundial (II), pelo que a retórica da invasão destes por um lado, e da justiça da expulsão dos mesmos pelos palestinianos por outro é absolutamente falsa! A solução tem de passar pela criação de 2 estados mas houve sempre uma das facções que rejeitou tudo e mais um par de botas e não, para sua surpresa (julgo eu), não foram os israelitas os quais (repito) nem tinham assim tantos territórios antes dos árabes se armarem em espertalhões e os atacarem - quando você ataca alguém e perde, já sabe que você é que fica mal, sempre assim foi e sempre assim será! Vá agora pode voltar para o seu altar anti-ocidente rasgar mais umas bandeiras dos EUA e cantar umas internacionais com o retrato do Lenine ao fundo, que aqui a propaganda mentirosa não cola!
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De Anónimo a 01.11.2023 às 10:38

Cuidado, Caro Sr. Impronunciável, se continua às arrecuas pelo tempo fora, ainda se arrisca a ir parar ao Paraíso terrestre, para explicar o nosso nomadismo _  com invasões, expulsões, conquista, vitórias, perdas, derramamento de sangue, e as errâncias humanas_  indo aos Primórdios, ao encontro do nosso Adão e Eva!!! Sim, a esse Tempo anterior desbaratado por nós e que tudo explica,  em  que ainda não havia conflitos, nem ambições desmesuradas, nem rapinagem, nem existiam Batalhas nem Guerras. As Guerras essas vieram depois, quando o primeiro Homem, insubmisso e rebelde, atravessou as linha vermelhas impostas, violou a ordem estabelecida e  pisou o espaço que lhe estava "interdito". A si mesmo se condenou, ao fazer tal escolha, pelo livre arbítrio. E assim foi expulso do Éden e para sempre privado da sua pureza inicial, da sua inocência, da harmonia, da tranquilidade e da Paz _ privado do Bem eterno.  Afinal essa foi, é e será sempre a História do Homem! Não tenhamos ilusões nem falsos moralismos. 
Claro que todas as Cosmogonias procuram explicar a nossa Génese e uma possível explicação para a Origem do Mal inscrito no "genoma" humano (que  comporta o mal da Discórdia e o da Guerra). Mas uma coisa é certa, na sua Origem há sempre esta constante sequência :  a Interdição -- a Transgressão -- e a Punição, como consequência da violação do espaço interdito pela vontade indómita de arriscar, num ímpeto de ir mais além, ainda que o preço da desmedida Ambição seja a Condenação (i.e. a perda do estado Inicial, a privação do Bem). Assim o dizem todas as Escrituras,  Cosmogonias e Mitos primitivos de todas as culturas, impregnados desses símbolos de Transgressão para justificarem ou "explicarem" a Queda do infractor e a sua propensão "natural"(inata) para a divergência e dissensão,  da Condição Humana ( v.g. o Génesis, o Mito de Pandora, de Prometeu agrilhoado, de Orfeu, o Mito da Queda:"o Anjo Caído"  etc.).

Em todos há um denominador comum: o Homem está "condenado" à Inquietude, ao Desassossego, à perpétua Errância humana, num constante movimento. Ora vitorioso, ora expulso e proscrito. É a nossa História humana comum a todos os povos.  
 
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De Anónimo a 01.11.2023 às 10:48

" Os EUA (...) passaram a chamar o seu País em 1776, mataram e puseram em "reservas" (...) os Povos que habitavam aquele território da América do Norte há milhares de anos" _escreve o comentador "Impronunciável".
Caro Sr., sabia que esses índios que refere não são os primitivos povos da América? E que não são autóctones da região e que também  eles vieram de outras localidades do Globo, ou seja, eles não são originários da América? Eles são o "resultado" das sucessivas ondas de migrações ancestrais de povos primitivos provenientes de outros continentes, que ali foram chegando ao longo de séculos e se foram fixando no Continente americano, aliás este foi o último Continente a ser ocupado pelo ser humano. Vamos por isso chamar-lhes "invasores", "ocupantes" de um território do qual não são oriundos e que não lhes pertencia originariamente?
 
 "Os humanos anatomicamente modernos deixaram a África há pelo menos 100 mil anos e começaram a se espalhar. E em algum momento depois de 40 mil anos, os humanos desenvolveram a tecnologia necessária para começar a explorar mais ao norte”, acrescenta Víctor Moreno, pesquisador de pós-doutorado do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Há várias teorias, mas a corrente dominante atual sustenta que houve uma única migração primeiro para a Ásia, depois para a Australásia e, mais tarde, para a Europa.

A América ainda estava muito longe e, sobretudo, bastante isolada. 

A maior parte da América do Norte estava coberta por uma espessa camada de gelo que tornava a região inabitável” pois as condições eram difíceis. Mas no final desse período glacial, as camadas de gelo começaram a derreter e surgiram alguns refúgios glaciares. Um desses refúgios foi a Beríngia (o Estrito de Bering), uma ponte de terra que emergiu do mar congelado por meio da qual as primeiras populações de humanos entraram na América do Norte e Canadá há cerca de 12 ou 14 mil anos. Esses povos ancestrais que chegaram à América saíram da Sibéria em direção ao Alasca por aquele trecho de terra e outros vieram do Leste Asiático.

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De Anónimo a 01.11.2023 às 10:54

(cont)

Um dos achados mais recentes foi a descoberta em setembro de 2021 de pegadas humanas em um lago do Novo México, nos Estados Unidos, com mais de 20 mil anos.

Essas pegadas sugerem que os primeiros humanos chegaram à América no auge da Última Era do Gelo e que pode ter havido grandes migrações sobre as quais ainda não sabemos muito. Para tentar descobrir quem eram, recorremos novamente à genética.

Graças a ela sabemos que os ancestrais dos primeiros americanos se separaram de seus "primos asiáticos" quando entraram na ponte terrestre de Bering, e que se misturaram muito mais do que se supunha, sobretudo durante os últimos 10 mil anos.

Os geneticistas acreditam que houve uma miscigenação entre duas populações ancestrais humanas: os antigos paleo-siberianos e os antigos asiáticos do leste».

------------Só para terminar: como vê, caro Sr., fica provado que a antiguidade não é um posto! Se fosse pela antiguidade ,i.e., pela ordem de fixação e ocupação dos povos, ficaria posta em causa a verdade sobre os primeiros povos autóctones serem os índios. E nesse caso, segundo o seu raciocínio, se é pela ordem de chegada (quem chegou primeiro) o direito à terra /pátria, então a ancestralidade das populações de índios não lhes daria o direito de chamar-lhes a "sua" terra/pátria, já que a sua origem como povo primitivo da América é um mito, "nunca existiram".  Mas eu considero que eles têm tanto direito a chamar-lhes a "sua" terra, tal como certamente lhes chamaram sua Pátria  todos os povos que já tinham chegado antes  deles e aí se fixaram. Do mesmo modo todos aqueles que foram chegando posteriormente em ondas sucessivas de emigração e que ocuparam, desbravaram, conquistaram e se fixaram nessas terras  __ incluindo os europeus que considera usurpadores / "invasores" e afirma que ali "nunca existiram". Todos eles, repito, todos os que ocupam, partilham e vivem nesses territórios têm o direito de o considerarem a sua pátria.  

Tudo isto para quê? Para lhe dizer que se aplica de igual modo à História de Gaza e demais regiões circundantes. Se quiser saber também a história das ocupações de Gaza (e dos tais "usurpadores" israelitas nunca terem existido naquele território), aconselho-o a procurar literatura sobre a Filisteia. Verá que não é muito diferente dos "invasores" que chegaram e "ocuparam" a América («indevidamente», segundo o seu critério).

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De urinator a 29.10.2023 às 18:09

VOLTAIRE (PSEUD. DE FRANÇOIS MARIE AROUET) NOVA TRAGÉDIA INTITULADA MAFOMA OU FANATISMO (1775/1795)
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De Impronunciável a 29.10.2023 às 18:48

Isto já não tem conserto. E só vai piorar. Perante esta drástica “alteração climática”, desconfio, pelo que vemos nos laboratórios e universidades, que quando as elites que mandam no Mundo conseguirem pôr as suas coisinhas numa mochila (bases-de-dados, arquivos de genes, e outras coisas de Noé semelhantes a estas), e encontrarem um lugar fora-de-Aqui para se re-semearem, ficam cá só os que vão morrer. Só uma ínfima parte entrará no “reino-dos-céus”.

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De Anónimo a 29.10.2023 às 19:54

A direita evangélica permite tudo ao povo da Torah...até lhe dão o direito de roubar os outros povos...
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De henrique pereira dos santos a 30.10.2023 às 07:17

E sobre o post, tem algum comentário a fazer?
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De Anónimo a 30.10.2023 às 12:38

Sim, que a direita das seitas envagelicas venera todos os actos do povo da Torah...até que roube a cidade de Jerusalem
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De henrique pereira dos santos a 30.10.2023 às 14:39

Não percebi qual é a relação disso com o facto de haver um cessar fogo no dia 6 de Outubro
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De César a 30.10.2023 às 16:12

Caro Sr Henrique, o comentário da criatura é consequência do estado de coma do SNS: arrastam-se por aí sem medicação.
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De Anónimo a 30.10.2023 às 17:49

Cessar fogo a 6 de outubro!!!??? Mas não havia o cessar de roubar terras palestinianas...muito pelo contrario
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De henrique pereira dos santos a 30.10.2023 às 18:24

Estamos portanto de acordo em que havia um cessar fogo a 6 de Outubro e portanto um cessar fogo agora não resolvia problema nenhum, porque há uns quantos que não estão interessados em cessar fogo para coisa nenhuma que não seja preparar a próxima quebra desse cessar fogo
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De Anonimo a 31.10.2023 às 16:15


Não faltou aí um cessar-fogo?
Podia revezar com ocupação, também é um termo bonito.


Mas tem razão, muita gente não deseja um cessar-fogo. O Yitzhak Rabin era um defensor, mas alguns israelitas discordavam. Um até protestou de modo veeemente, enfiando uns balázios no dito.
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De lucklucky a 29.10.2023 às 23:43

Não há esquerda fofinha alguma. 
É extrema esquerda que defende a estratégia do Hamas. Pura e dura.


Se estivessem na segunda guerra mundial noticiariam o conflito sobre a perspectiva dos civis alemães.
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De Sérgio Gonçalves a 30.10.2023 às 11:36

Quem é de esquerda é anti democrata por definição. Não se pode ser de esquerda e defender a liberdade. Só tenho 40 anos e acredito que ainda vou ver a malta de esquerda a ser contra a emigração na Europa (que a esquerda sempre recusou).
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De Elvimonte a 30.10.2023 às 01:35

Definição de propaganda, de acordo com Edward Bernays, autor de "Propaganda" publicado em 1928:


“A consistent, enduring effort to create or shape events to influence the relations of the public to an enterprise, idea or group.”



Que nos diz Bernays nesse seu seu livro?


“The conscious and intelligent manipulation of the organized habits and opinions of the masses is an important element in democratic society. Those who manipulate this unseen mechanism of society constitute an invisible government which is the true ruling power of our country."

E continua.
"We are governed, our minds are molded, our tastes formed, our ideas suggested, largely by men we have never heard of.

(...)
... it remains a fact that in almost every act of our daily lives, whether in the sphere of politics or business, in our social conduct or our ethical thinking, we are dominated by the relatively small number of persons—a trifling fraction of our hundred and twenty million—who understand the mental processes and
social patterns of the masses. It is they who pull the wires which control the public mind, ... ."


E isto são excertos da abertura do primeiro capítulo. A provar as afirmações de Bernays não é preciso ir mais longe, podendo ficar-se pelo presente post. Mas a propaganda, nos tempos actuais, é como o ar que respiramos: estamos imersos nela e não a vemos, para o que muito contribui as palas que a fast food noticiosa de grande consumo coloca na informação que transmite e onde a propaganda é veiculada e amplificada. 


E aqui o que se possa escrever no publicozinho não serve de referância - ou não devia - para ninguém. O que importa é aquilo que a Reuters, a AFP e a AP divulgam, seguidas da BBC, CNN, NBC, Fox, MSNBC, etc. São estas empresas que "manipulate this unseen mechanism of society" e  "constitute an invisible government which is the true ruling power". 


Como quem se encosta demasiado à árvore deixa de ver a floresta, passe-se a matéria de facto com algumas citações de distintos israelitas ilustrativas do seu pensamento e linha de acção.

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