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Há um quiosque grátis na Ajuda

por Corta-fitas, em 10.12.19

JLetras.png

Entrei hoje no Palácio Nacional da Ajuda, e no hall do Ministério da Cultura, entre agendas culturais e um sortido de folhetos de propaganda de espectáculos, estava uma dúzia de exemplares do Jornal de Letras, Artes e Ideias, o tal JL — o seu número mais recente, dedicado ao malogrado cantor José Mário Branco. Deduzi que o Ministério patrocina aquilo e por isso recebe um lote que despacha como pode, tentando que algum desprevenido se interesse por algo que não tem interesse quase nenhum (e isto dura há anos e anos, numa típica subsídiodependência sem fim à vista).

Este post dirige-se directamente a todos aqueles que ainda têm paciência para ler aquele pasquim. Em vez de gastarem 3,50 € numa banca de rua, passem no MC e tragam-no. Não percam neste número o dossier dedicado a Orlando da Costa, pai de António. Muito oportuno...

Mas é também sobre a rede de cumplicidades e interdependências do meio dito cultural que gravita em torno dos chefes socialistas, sobre um jornal que demora a ser descortinado estatisticamente sobre as suas preferências pessoais, literárias e artísticas ao longo de décadas criando a par e passo a ilusão duma vida cultural portuguesa baseada nas suas figuras de preferência, nos seus cronistas e críticos de carreira que ali galgam o degrau de jurados de prémios literários onde também vez ou outra concorrem, e ganham, numa dança de cadeiras sem pudor nenhum.

Já era tempo de alguém dedicar uma tese de mestrado ou doutoramento a dissecar aquela folha de couve, e a trama de interesses subjacente. Fazia-se uma história cultural que também permitia avaliar o que é — o que não chega a ser, melhor dizendo — a nossa diplomacia cultural, alinhando em perspectiva temporal a acção do Instituto Camões, aqueles que promove repetidamente e faz viajar em campanhas dispendiosas mas infrutíferas (mas agradavelmente memoráveis para os próprios, sem pejo de gastarem cobres públicos num passar lustro além-fronteiras das suas vaidades pessoais). Um regabofe que tem nome e selo, mas tarda em ser denunciado porque para país amorfo e complacente não nos faltam atributos.

Vasco Rosa

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2 comentários

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De João Sousa a 10.12.2019 às 10:32

Ainda há um par de meses comentei com um amigo que este jornal, cada vez mais, parece um mero suplemento do Acção Socialista. Ele, socialista convicto, respondeu que sim, que tal é consequência da promiscuidade que sempre existe entre o PS (e, principalmente, o PS no poder) e as cortes artísticas.
Sem imagem de perfil

De João a 10.12.2019 às 17:26

Lembro-me de quando fui à Direcção Geral do Património Cultural(?) pagar uma taxa para me dizerem que não exerciam o direito de preferência [sem que eu lhes tenha perguntado nada] sobre a venda da minha casa, e que se situa no Palácio da Ajuda, reparar nesses exemplares expostos no escaparate do átrio / sala de espera. Provavelmente que dos €60,00 que me extorquiram, uma fatia vai para sustentar essa cáfila...

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